Temas Livres
Premio J. Valério
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Temas Livres

1 – BIOLOGIA CELULAR E MOLECULAR

1.1 - POSSÍVEIS MECANISMOS DA ANTINOCICEPÇÃO E ANTIEDEMATOGÊNESE DA ALPHA E BETA AMIRINA NO MODELO DE CISTITE HEMORRÁGICA INDUZIDA POR CICLOFOSFAMIDA - Oral

Neusa M. H. Bulow, João B. T. R. Felipe, Heinzmann B. Bottom
Universidade Federal Santa Maria

Introdução: Trabalhos anteriores revelaram uma atividade antinociceptiva visceral de alpha e beta- amirina (AMI). Para verificar os possíveis mecanismos, o presente estudo verificou os efeitos da AMI na nocicepção aguda e na resposta edematogênica no modelo de cistite hemorrágica induzida por ciclofosfamida (CFM) em camundongos normais e dessensibilizados de fibras C ou mastócitos depletados. Além disso, a participação do NO e de canais de KATP-dependentes foi verificada no efeito antinociceptivo de AMI.

Método: Os animais foram tratados i.p. com glibenclamida (2mg/kg); diazóxido (100mg/kg); L-NAME (20mg/kg); L-arginina (600mg/kg) e/ou AMI [3×(3-100)mg/kg, v.o] antes da injeção de CFM (400mg/kg, i.p.), e atribuídos escores para comportamentos de dor. Avaliando a participação de fibras C, os animais foram dessensibilizados com capsaicina (25 e 2×50mg/kg, s.c) e 7 dias após foram tratados com AMI (30mg/kg) e procedeu-se como anteriormente. No estudo da participação de mastócitos, os animais receberam composto 48/80 (6×0,6mg/kg e ×1,2mg/kg, ip), foram tratados com AMI (30mg/kg) e procedeu-se como anteriormente. 11h após a CFM, os animais receberam azul de Evans (25 mg/kg, e.v) e, 1h após, foram sacrificados e tiveram a bexiga retirada, pesada e imersa em formamida a 57°C/12h, para mensuração da permeabilidade vascular (PV).

Resultados: Houve efeito inibitório de AMI, da dessensibilização e da depleção de mastócitos sobre o edema, PV e sobre os comportamentos nociceptivos . O tratamento com AMI de animais dessensibilizados e depletados não alterou estes parâmetros vs os grupos dessensibilizados e depletados que receberam CFM. O efeito de AMI não foi revertido por L-arginina, porém a glibenclamida reverteu de forma significativa (p<0,05).

Conclusões: A AMI exerce efeito antinociceptivo e antiedematogênico no modelo de cistite hemorrágica, possivelmente envolvendo a inibição da ativação de fibras C, promovendo a estabilização de mastócitos e abrindo canais de KATP dependentes.

Referência: Ebert TJ, Hall JE, Barney JA et al. The effects of increasing plasma concentrations of dexmedetomidine in human. Anesth. 2000;93(2):382-394.\


2 – FISIOLOGIA, ANATOMIA E  MODELOS ANIMAIS

2.1 - PADRÃO DE SONO EM MODELO EXPERIMENTAL DE OSTEOARTRITE - Oral

Andressa Silva, Monica L. Andersen, Sergio Tufik
Unifesp

Introdução: A osteoartrite (OA) é um dos grandes problemas de saúde e sua prevalência tem aumentado nas últimas décadas. Tem sido demonstrado que a relação entre a dor e o sono produz mudanças nos padrões de sono e na percepção de dor. No entanto, estudos eletrofisiológicos em modelos animais de dor são limitados. O presente estudo analisou o efeito da dor crônica articular no padrão de sono em um modelo experimental de OA.

Métodos: Foram implantados eletrodos em ratos para registro do eletrocorticograma e eletromiograma. A OA foi induzida nesses animais pela administração intra-articular de iodoacetato-monossódio no joelho esquerdo. Os registros de sono foram monitorados durante o período claro e escuro com duração de 12h cada um e foram avaliados no início do estudo (antes da administração), e no dia 1, 10, 15, 20 e 28 após a injeção de iodoacetato ou grupo SHAM ou grupo controle. O limiar de dor também foi avaliado no teste da placa quente em outro grupo de ratos, nos mesmos pontos.

Resultados: Os resultados demonstraram que a OA induziu uma redução significativa no limiar de dor térmica a partir do dia 10 até ao final do experimento. As análises dos registros de sono mostraram que os ratos OA tiveram alterações no padrão de sono, como a redução da eficiência de sono, sono de ondas lentas, sono paradoxal e um aumento do número de despertares durante o período claro comparado com o basal e com os grupos SHAM e controle. Essas mudanças nos padrões de sono ocorreram principalmente entre os dias 10 e 28. No período escuro, distúrbios do sono também foram observados pela diminuição da eficiência de sono, sono de ondas lentas e sono paradoxal.

Conclusões: Nossos resultados sugerem que a dor associada com o modelo animal de OA provoca alterações na arquitetura de sono em ratos por perturbar o padrão de sono.

Referência: Abernethy AP. Pain and sleep: establishing bi-directional association in a population-based sample. Pain, in press Andersen ML, Tufik S. Altered sleep and behavioral patterns of arthritic rats. Sleep Res Online 2000;3:161-167.


2.2 - ATIVIDADE ANALGÉSICA DO EXTRATO HIDROALCÓOLICO DA LIPPIA ALBA MILLER N. E. BROWN (ERVA-CIDREIRA) - Pôster

Eugênio dos Santos N, Thayse M. A. Siqueira, Antonio C. R. Borges, Marilene R. O. Borges
Universidade Federal do Maranhão

Introdução: A erva-cidreira está inserida como sendo uma das plantas medicinais mais utilizadas no Brasil. Conhecida pelos nomes populares de cidreira, melissa e sálvia, esta espécie é cientificamente designada como Lippia alba (Miller) N. E. Brown. As folhas desta planta são empregadas na medicina popular na forma de chá, xarope ou inalação em estados gripais, tosse, assim como antiespasmódica, calmante, antimicrobiana, analgésica, estomáquica, digestiva e hipotensora. Dessa forma, este trabalho possui como objetivo verificar atividade analgésica periférica e central do extrato hidroalcóolico (EH) das folhas da erva-cidreira em camundongos.

Métodos: Camundongos adultos foram tratados com EH (0,15g/kg e 0,3 g/kg, v.o), indometacina (10 mg/kg,) ou salina (0,1 ml/10g, v.o.). Depois de 30 minutos, foi administrado ácido acético 1% (0,1ml/10g, i.p.), iniciando-se em seguida a contagem do número de contorções, acumuladas a cada 5 minutos, durante o intervalo de 20 minutos. Em outro teste, camundongos foram tratados com EH (0,15g/kg e 0,3 g/kg, v.o), morfina(10 mg/kg)  ou salina (0,1ml/10g, v.o.) e a reatividade ao estímulo térmico (retirada rápida da cauda ou tail-flick) foi medida 10 minutos antes, imediatamente após os tratamentos (tempo 0), e aos 30, 60 e 90 minutos. Todos os resultados foram expressos como média ± erro padrão das médias. As diferenças entre vários grupos foram detectadas por meio da análise de variância one way ANOVA seguida pelo teste de Newman-Keuls, para um nível de significância de 5% (p< 0,05).

Resultados: No grupo dos animais tratados com salina, o número de contorções abdominais após 20 minutos da administração de ácido acético foi de 16,4±2,9 contorções (n=5). O tratamento dos animais com o EH (0,15 g/kg e 0,3g/kg, v.o.) inibiu as contorções abdominais aos 20 minutos em 75,51%, 66,83% respectivamente. O tratamento com indometacina reduziu o número de contorções abdominais em 77,04% após 20 minutos de observação. O tempo de reatividade ao calor dos animais tratados com salina permaneceu estável durante os 90 minutos de observação, com resultados similares àqueles determinados no tempo zero (3,78±0,4 segundos). O tratamento dos animais com EH não alterou significativamente a resposta ao estímulo nociceptivo até 90 minutos após a administração. A aplicação de morfina aumentou o tempo de reatividade em 328,81 % (13,11±1,84 segundos).

Conclusão: A administração do EH de L. alba reduziu o número de contorções abdominais, porém nas mesmas doses não alterou a reatividade dos animais ao estímulo térmico. 

Referência: KOSTER, R.; ANDERSON, M.; DE BEER, E. J. Acetic acid for analgesic screening. Fed. Proc., 18: 412, 1959.


2.3 - ESTUDO DA ATIVIDADE ANALGÉSICA DO EXTRATO HIDROALCÓOLICO DE

CYMBOPOGON CITRATUS (DC) STAPF (CAPIM-LIMÃO) - Pôster
Eugênio dos Santos N, Thayse M. A. Siqueira, Antonio C. R. Borges, Marilene O. R. Borges
Universidade Federal do Maranhão

Introdução: O Cymbopogon citratus D.C. Stapf é conhecido popularmente como capim-limão ou capim-santo. O decocto ou infuso, preparado a partir de suas folhas, é utilizado pela população como refrescante, calmante, analgésico (em dores de cabeça, estomacais e abdominais), antifebril, anti-reumático, estomáquico e antiespasmódico, entre outras aplicações. Nota-se, assim, que o C. citratus, espécie freqüentemente encontrada no estado do Maranhão, possui importantes aplicações terapêuticas para as mais diversas enfermidades. Nesse contexto, este trabalho possui o objetivo de avaliar a atividade analgésica periférica e central do extrato hidroalcóolico (EH) das folhas de C. citratus em camundongos.

Métodos: Camundongos adultos foram tratados com EH (0,15g/kg e 0,3 g/kg, v.o), indometacina (10 mg/kg,) ou salina (0,1 ml/10g, v.o.). Depois de 30 minutos, foi administrado ácido acético 1% (0,1ml/10g, i.p.), iniciando-se em seguida a contagem do número de contorções, acumuladas a cada 5 minutos, durante o intervalo de 20 minutos. Em outro teste, camundongos foram tratados com EH (0,15g/kg e 0,3 g/kg, v.o), morfina(10 mg/kg)  ou salina (0,1ml/10g, v.o.) e a reatividade ao estímulo térmico (retirada rápida da cauda ou tail-flick) foi medida 10 minutos antes, imediatamente após os tratamentos (tempo 0), e aos 30, 60 e 90 minutos. Todos os resultados foram expressos como média ± erro padrão das médias. As diferenças entre vários grupos foram detectadas por meio da análise de variância one way ANOVA seguida pelo teste de Newman-Keuls, para um nível de significância de 5% (p< 0,05).

Resultados: No grupo dos animais tratados com salina, o número de contorções abdominais após 20 minutos da administração de ácido acético foi de 16,4±2,9 contorções (n=5). O tratamento dos animais com o EH não inibiu significativamente as contorções abdominais, porém com indometacina o número de contorções abdominais foi reduzido em 77,04%, após os 20 minutos de observação. O tempo de reatividade ao calor dos animais tratados com salina permaneceu estável durante os 90 minutos de observação, com resultados similares àqueles determinados no tempo zero (3,78±0,4 segundos). O tratamento dos animais com EH não alterou significativamente a resposta ao estímulo nociceptivo até 90 minutos após a administração. A aplicação de morfina aumentou o tempo de reatividade em 328,81 % (13,11±;1,84 segundos).

Conclusão: Não foi encontrado efeito analgésico significativo em nenhum dos modelos usados.

Referência: D’AMOUR, F. E.; SMITH, D. L. A method for determining loss of pain sensation. Journal of Pharmacology and Experimental Therapeutics, [S.1.], v.72, p. 74-79, 1941.


2.4 - TESTE DA FORMALINA MODIFICADO: UM MÉTODO EFICAZ PARA ESTUDO DA DOR AGUDA EM RATOS - Pôster

Oscar C Pires, Irimar P. Posso, Hazem A. Ashmawi, Naira C. C. Pelógia
Universidade de Taubaté

Introdução: O estudo da dor tem obtido interesse cada vez maior pela comunidade científica e o teste da formalina cada vez mais utilizado como modelo de nocicepção por produzir respostas que se aproximam das condições de dor clínica em humanos. Este consiste na injeção de solução de formalina, no dorso da pata traseira de ratos produzindo resposta nociceptiva bifásica, consistindo em uma primeira fase durante os primeiros 5 minutos após a injeção e em uma segunda fase iniciando após 15 minutos e se estendendo por 40 a 50 minutos. A primeira é interpretada como ativação aguda dos nociceptores periféricos e a segunda como resultante da resposta inflamatória aguda ou da sensibilização central. O período entre as duas fases, é identificado como de inatividade por envolvimento de um mecanismo antinociceptivo central. Para observação das respostas nociceptivas são identificados os seguintes eventos: postura, elevação da pata evitando colocar seu peso sobre a mesma, elevação da pata e nenhum contato com a superfície, lambedura, mordida, tremor, tempo de duração da ocorrência de cada evento. Pela dificuldade para observação e associação de todos os escores, é sugerido que a quantificação do número de elevações da pata possa substituir o teste original. Este estudo teve como objetivo comparar os resultados do teste de formalina modificado com aqueles descritos para o teste convencional.

Método: Participaram do estudo 10 ratos Wistar machos, que receberam injeção de 50 µL de solução de formalina a 2%, na região dorsal da pata posterior direita, para em seguida iniciar a contagem das elevações da pata continuamente durante 60 minutos e posteriormente dividindo o teste em três fases; fase I, fase intermediária e fase II, sendo que a fase I compreendeu o número de elevações durante os primeiros 5 minutos, a fase intermediária, do quinto até o vigésimo minuto e a fase II, entre o vigésimo e o sexagésimo minuto. Para análise estatística dos resultados obtidos, foi utilizado o programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS). Resultados: A identificação das três fases do teste foi equivalente àquelas encontradas no teste de formalina.

Conclusões: Os resultados obtidos sugerem ser o teste da formalina modificado, um método simples e preciso para estudo da dor aguda em ratos, com possibilidade de substituir o teste convencional.

Referência: Tjolsen A, Berge OG, Hunskar, et al. The formalin test: an evaluation of the method. Pain, 1992; 51:5-17.


2.5 - EFEITO DO ANTAGONISTA DE NORADRENALINA (FENTOLAMINA) POR VIA INTRATECAL SOBRE A DOR AGUDA EM RATOS - Pôster

Oscar C. Pires, Irimar P. Posso, Hazem A. Ashmawi, Cypriano Petrus
Universidade de Taubaté

Introdução: Após um estímulo nóxico, o sistema nervoso central não se mantém passivo e a partir de estruturas supraespinhais promove respostas reflexas suprasegmentares e corticais através de sistema inibitório descendente da dor que consiste principalmente em quatro partes do SNC interligadas: a) sistemas corticais e diencefálicos; b) substância cinzenta periaquedutal (PAG) e periventricular; c) partes do bulbo rostroventral, especialmente o núcleo magno da rafe (NMR) e núcleos adjacentes que recebem impulsos excitatórios da PAG e que por sua vez enviam fibras serotoninérgicas e noradrenérgicas, via funículo dorsolateral, que se projetam para o corno dorsal da medula e bulbo; d) corno dorsal bulbar e medular que recebe terminais de axônios no NMR e núcleos adjacentes. As fibras sistema inibitório descendente terminam principalemnte nas lâminas I, II e V, onde, através da liberação de neurotransmissores como a serotonina e noradrenalina, inibem neurônios nociceptivos, incluindo interneurônios e tratos ascendentes que se projetam rostralmente incluindo o trato espinotalâmico, espionorreticular e espinomesencefálico. O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da administração do antagonista de serotonina, metisergida, por via intra-tecal, sobre o teste de formalina modificado em ratos.

Método: Participaram do estudo 30 ratos Wistar machos, pesando entre 150 e 250 gramas. Os animais foram anestesiados com halotano a 3% por período de três minutos e a seguir, aleatoriamente divididos em três grupos: Grupo C (controle) sem receber tratamento, Grupo S (salina) para receber 10 µL de solução salina 0,9% e Grupo F (fentolamina) para receber 10 µL de solução contendo 20 &#61549;g de fentolamina em solução salina por via intratecal. Após 30 minutos do término do procedimento anestésico procedeu-se à injeção de 50 µL de solução de formalina a 2%, na região dorsal da pata posterior direita e a seguir deu início à contagem do número de elevação da pata, por período de 60 minutos e agrupamento dos valores a cada cinco minutos. Para análise estatística dos resultados obtidos, foi utilizado o programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS) e aplicado o teste de Kruskal-Wallis. Resultados: Não houve diferença estatísticamente significante entre os grupos em qualquer uma das fases do teste.

Conclusões: Os resultados obtidos não evidenciaram efeito da fentolamina sobre o teste de formalina modificado, sugerindo que a noradrenalina não apresenta participação sobre a modulação central da dor em ratos.

Referência: Stanford JA. Descending control of pain. Br. J. Anaesth, 1995; 75: 217-27.


2.6 - O NÚCLEO ACCUMBENS MODULA A HIPERALGESIA AGUDA E PERSISTENTE DE MODO DISTINTO EM RATOS - Pôster

Priscila T. Kawashita, Maria C. Oliveira, Cláudia H. Tambeli, Adriana Pelegrini da Silva
Unicamp

Introdução: O núcleo Accumbens (Nacc), classicamente associado a mecanismos afetivo-emocionais de recompensa, tem sido relacionado também a modulação nociceptiva aguda. No entanto, sua influência na hiperalgesia inflamatória crônica ainda não está estabelecida. O objetivo deste trabalho foi comparar o papel do Nacc na modulação da hiperalgesia periférica aguda e persistente em ratos.

Métodos: A Prostaglandina E2 (PGE2) é um mediador inflamatório que sensibiliza agudamente a fibra aferente primária e tem seu pico hiperalgésico 3 horas após a injeção. 24 horas após a aplicação de PGE2, não há mais hiperalgesia detectável. A hiperalgesia persistente é induzida pela injeção diária intraplantar (i.pl.) de PGE2 (400ng/50µl) por 14 dias. Após o final das injeções a hiperalgesia persiste por mais de 30 dias.  A quantificação do limiar mecânico nociceptivo foi realizada com o teste de Randall-Selitto . A microinjeção bilateral intra-Nacc de lidocaína 2% (bloqueador de canais de Na+), 1,3ng/0,25µl de cloreto de cobalto (bloqueador de canais de Ca++) ou salina foi realizada por meio de cânulas-guia implantadas por cirurgia estereotáxica. Um grupo adicional de animais com hiperalgesia persistente instalada, mas atenuada pela injeção i.pl. de Dipirona (240µg/50µl), foi utilizado para verificar como a ativação do Nacc com 6,9ng/0,25µl de L-Glutamato (Glu)  influenciaria o quadro hiperalgésico. 

Resultados: Os resultados demonstraram que o Nacc tem efeito inibitório na hiperalgesia aguda induzida pela PGE2 em ratos, mas pró-nociceptivo nos quadros hiperalgésicos persistentes. Também observamos que a ativação neuronal do Nacc pela microinjeção de Glu foi capaz de restaurar a magnitude da hiperalgesia persistente previamente atenuada pela Dipirona. (Certificado da Comissão de Ética em Experimentação Animal-IB-Unicamp n° 1049-1). Conclusões: Estes resultados trazem um conceito inovador à modulação nociceptiva endógena, indicando um possível papel pró-nociceptivo do Nacc na manutenção e na recorrência de episódios de dor crônica de origem inflamatória. Além disso, sustentam a hipótese de que a modulação nociceptiva descendente exerce influência inibitória ou facilitatória dependendo da duração do processo patológico.

Referência: Gear RW, Aley KO, Levine JD. J Neurosci 1999;19:7175-81.  


2.7 - ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA TRANSCRANIANA POR CORRENTE CONTINUA (ETCC) - ESTUDO EM MODELO ANIMAL DE DOR NEUROPÁTICA - Pôster

Moisés da Cunha Lima, Taisa Miranda, Felipe Fregni, Angela Cristina Valle
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Introdução: Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC) desponta como uma nova ferramenta de modulação cortical apresentando resultados terapêuticos promissores em dor neuropática. Estudos em que a corrente elétrica foi aplicada diretamente sobre os córtices sensorial e motor demonstraram redução nas respostas aferentes na medula espinal, provavelmente, por uma inibição pré-sináptica; redução da hiperatividade dos neurônios talâmicos e, alteração da resposta comportamental do animal ao estímulo doloroso periférico. Embora esses resultados representem um avanço para o entendimento dos efeitos da estimulação cortical por métodos invasivos, muitos estudos ainda são necessários para a completa elucidação dos mecanismos de ação da ETCC (não-invasiva). O objetivo do trabalho foi validar por meio de avaliação do limiar doloroso um modelo de ETCC em animais com dor neuropática, bem como seu aprimoramento para futuras investigações.

Métodos: Ratos adultos Wistar (N=24) foram submetidos à cirurgia de ligadura parcial do nervo ciático e divididos em 3 grupos para ETCC no córtex motor: GI placebo,  GII - estimulação catódica, GIII anódica. A ETCC (0,5 mA) foi aplicada durante 30 minutos por 5 dias consecutivos a partir do 15º dia pós-operatório (dPO) por meio de eletrodos de material condutível de 0,5 X 0,5 cm no córtex e outro de 5 X 5 cm no abdômen. Para a mensuração do limiar doloroso foi utilizado os monofilamentos de Von Frey, sendo considerado como limiar mecânico, o monofilamento que elicitou 5 retiradas de pata em 10 tentativas no 15º e 21º dPO.

Resultados: Não se observou diferença estatística significativa no limiar de dor entre os grupos: GI_15dPO = 2,56 +- 0,6 e GI_21 dPO = 1,88 +- 0,56 / GII_15dPO = 2,6 +- 0,81 e GII_21dPO = 3,5 +- 0,5 / GIII_15dPO = 1,35 +- 0,68 e GIII_21dPO = 1,28 +- 0,23, porém há diferença estaticamente significante entre os limiares de dor dos grupos GII x GIII - tratados. Discussão: Embora não se tenha observado diferença estatística entre os tratamentos e placebo, o modelo que ora apresentamos pode servir como uma opção para experimentação com ETCC em dor neuropática. Transposição da ETCC para o modelo animal, bem como os estudos posteriores, poderá elucidar os reais mecanismos de ação da técnica no sistema nervoso central.

Referência: Fregni F, Boggio PS, Lima MC, et al. A sham-controlled, phase II trial of transcranial direct current stimulation for the treatment of central pain in traumatic spinal cord injury.  Pain 2006;122:197-209.


2.8 - ATIVAÇÃO DE RECEPTORES NMDA NO BULBO E NÚCLEO GIGANTOCELULAR MEDIA HIPERALGESIA PRODUZIDA POR INJEÇÃO INTRAMUSCULAR REPETIDA DE SALINA ÁCIDA – Oral

Luis Felipe S. da Silva, Josimari M. De Santana, Kathleen A. Sluka
Aracaju - SE

Introdução: Iinjeções repetidas de salina ácida no músculo gastroncêmio induz hiperalgesia mecânica primária (músculo) e secundária (cutânea). Estudos prévios demonstraram que  microinjeção de anestésico dentro do bulbo rostro ventromedial e do núcleo gigantocelular reverte a hiperalgesia muscular e cutânea. Outros estudos têm descrito a participação de receptores NMDA no bulbo rostral ventromedial na hiperalgesia visceral. Assim, objetivou-se avaliar o envolvimento do receptor NMDA no bulbo rostral ventromedial e núcleo gicantocelular na hiperalgesia muscular e cutânea mediada por injeções intramusculares repetidas de salina ácida.

Métodos: Ratos machos Sprague-Dawley (250-350 g) foram cirurgicamente implantados com cânula guia no bulbo rostral ventral e núcleo gigantocelular. Após dois dias de aclimatação, os ratos receberam duas injeções, com intervalo de cinco dias, de salina ácida (pH 4.0; 1.0 ml) no gastrocnêmio esquerdo. 24h após a segunda injeção intramuscular, os ratos foram microinjetados com um antagonista de receptor NMDA ou salina no bulbo rostroventral ou núcleo gigantocelular. Sensibilidade nociceptiva mecânica foi mensurada com os filamentos de von Frey aplicados contra a pata (cutânea) e o tweezer aplicado no músculo gastrocnêmio (músculo). Ambos os testes foram realizados antes da primeira injeção, antes e  24h depois da segunda injeção, depois da   microinjeção de drogas (0.5 µl) no bulbo rostroventral ou núcleo gigantocelular: 30, 60 e 120 minutos.

Resultados: Bloqueio de receptores NMDA no bulbo rostroventral reverteu hiperalgesia muscular e cutânea. Entretanto, bloqueio de receptores NMDA no núcleo gigantocelular reverteu a hiperalgesia cutânea, mas não a muscular. Houve expressão de NR1 fosforilado em ambos bulbo rostroventral ou núcleo gigantocelular.

Conclusões: Estes resultados sugerem que receptores NMDA no bulbo rostroventral mediam tanto hiperalgesia primária quanto secundária, mas os receptores no núcleo gigantocelular mediam apenas hiperalgesia secundária após o insuto muscular. Sugere-se que injeção intramuscular de salina ácida induz aumento na neurotrasnmissão de glutamato que ativa receptores NMDA localizados nas áreas envolvidas na modulação da dor. Supported by National Institutes of Health, AR052316.

Referência: Kozela E, Popik P. A complete analysis of NMDA receptor subunits in periaqueductal grey and ventromedial medulla of morphine tolerant mice. Drug Alcohol Depend. 2007 Jan 12;86(2-3):290-3.


2.9 - BLOQUEIO DE RECEPTORES DE COLECISTOCININA IMPEDE DESENVOLVIMENTO DE TOLERÂNCIA ANALGÉSICA A TENS – Pôster

Josimari M. De Santana, Luis felipe S. Silva, Kathleen A. Sluka
Aracaju - SE

Introdução: Bloqueio espinhal de receptores opióides previne efeitos anti-hiperalgésicos de alta e baix afrequência de TENS e administração diariamente repetida de TENS produz tolerância em receptores opióides espinhais. Assim, objetivou-se investigar se administração sistêmica ou intratecal de antagonista de receptor de CCK previne o desenvolvimento de tolerância a TENS, e se essa perda de tolerância a TENS produzida por antagonistas de CCK é concomitante à perda de tolerância a agonistas de receptores opióides es pinhais.

Métodos: Ratos foram injetados com 3% de carragenina e caolin no joelho esquerdo no dia 0. Baixa (4 Hz) ou alta (100 Hz) frequência foi administrada  diariamente por 4 dias consecutivos iniciando 24 horas após a indução da inflamação (D1-D4). Em cada dia, os ratos foram injetados sistemicamente com proglumide (20 mg/Kg, IP, antagonista não-seletivo de receptor CCK) ou veículo; ou espinalmente, através de 2 drogas, itriglumide (10 µg/µL, IT, antagonista de receptor CCK2) e lorglumide ( 1 µg/µL, IT, antagonista de receptor CCK1), ou veículo, 15 minutos antes da aplicação de TENS, exceto no D4. Hiperalgesia primária (joelho) e secundária (pata) foram mensuradas antes e 24 horas após a indução da inflamação, e novamente antes e depois da aplicação da TENS diariamente por 4 dias. No D5, a hiperalgesia mecânica for redeterminada e os ratos forma intratecalmente injetados em uma forma cumulativa com intervalos de 30 minutos com doses crescentes de agonistas de receptores opióides mu (DAMGO; 2.34, 7.01 e 23.4 mmol/ µ10 L; IT) e delta (SNC-80; 20, 60, and 120 nmol/10µL; IT).

Resultados: TENS em alta ou baixa frequência quando combinada ao veículo foi ineficaz no D4. Entretanto, quando TENS em alta u baixa frequência foi combinada a proglumide, houve significante reversão da hiperalgesia no D4 comparado com os grupos TENS controle e veículo (p<0.05). Bloqueio intratecal de receptores CCK1 e CCK2 impede o desenvolvimento de tolerância a alta e baixa frequências de TENS, respectivamente. Após a administração de SCN-80, animais tratados com TENS de alta frequência e lorglumide exibiram maior limiar de retirada que aqueles tratados com TENS de alta frequência e veículo.  Seguindo administração de DAMGO, em grupos tratados com  TENS de baixa frequência e veículo, o limiar de retirada foi mais baixo que aqueles tratados com TENS de baixa frequência e itriglumide. Conclusões: Combinar TENS com antagonista de receptor de colecistocinina bloqueia o desenvolvimento de tolerância a repetidas aplicações de TENS em alta ou baixa frequência.


3 – SÍNDROMES DOLOROSAS

3.1 - VALIDAÇÃO DA ESCALA DE DOR DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - Pôster

Fátima F. Sousa, Lilian V. Pereira, Roberta Cardoso, Priscilla Hortense
Universidade de São Paulo

Introdução: Conceitos e fenômenos de natureza subjetiva têm sido difíceis de serem mensurados acuradamente, ou seja, obtidos por instrumentos e processos isentos de erros sistemáticos. A psicofísica tem como suposição central que o sistema perceptual é um instrumento de mensuração que gera resultados (experiências, julgamentos, respostas) que podem ser sistematicamente mensurados e analisados.

Objetivos: elaborar a Escala de Dor da Universidade de São Paulo e validar esta escala para a língua portuguesa de forma subjetiva e estatística. Foram necessárias duas etapas: 1)Elaboração de inventário - foram pesquisados 308 descritores de dor da literatura mundial, a partir destes, seis juizes fizeram validação aparente e de conteúdo, resultando em 100 descritores de dor aguda e 100 descritores de crônica, os quais foram utilizados na próxima etapa; 2)Validação estatística - participaram 493 profissionais da saúde e 146 portadores de dor aguda e de crônica.

Materiais utilizados: instruções específicas para cada método utilizado, seguidas dos descritores de dor e respectivas definições, caneta e trena. Utilizamos métodos psicofísicos: estimação de categorias, estimação de magnitudes e emparelhamento intermodal com modalidade de resposta comprimento de linhas. Método de estimação de categorias (tarefa do participante: designar um número, em uma escala de 7 pontos, a cada descritor de dor que melhor caracterizasse a dor estudada - aguda ou crônica); método de estimação de magnitudes (tarefa do participante: designar um número ao descritor de dor que fosse proporcional ao grau de característica deste com a dor estudada - aguda ou crônica - em relação ao estímulo padrão, cujo valor numérico foi 100 para um determinado descritor); método de emparelhamento intermodal - comprimento de linhas (tarefa do participante: designar um comprimento de linha proporcional ao grau de atribuição do descritor à dor aguda ou crônica - em relação ao estímulo padrão, cujo valor visual foi 50 cm para um determinado descritor). Os resultados mostraram os descritores de maior caracterização da dor aguda: terrível, insuportável, enlouquecedora, profunda, tremenda, desesperadora, intensa, fulminante, aniquiladora, monstruosa; e os descritores de maior caracterização da dor crônica: deprimente, persistente, angustiante desastrosa, prejudicial, dolorosa, insuportável, assustadora, cruel, desconfortável; tendo sido encontrado um valor de expoente igual a 0,99, próximo ao predito - 1 (um) - ao utilizar comprimentos de linhas e estimativas de numéricas. Concluímos: validada a escala psicofísica de atribuição dos descritores de dor aguda e de crônica para a língua portuguesa.


3.2 - CLUSTER DE SINTOMAS EM PACIENTES COM DOR CRÔNICA: CO-OCORRÊNCIA DOS SINTOMAS DOR, INSÔNIA E DEPRESSÃO - Pôster

Karine A.S.L. Ferreira, Carina M. Nishimura, Manoel J. Teixeira
Universidade de São Paulo

Introdução: a teoria de sintomas indesejáveis apresentada por Lenz (Middle-range theory of unplesant symptoms)  propõe que a interação de fatores fisiológicos, psicológicos e situacionais resulta no aparecimento de diferentes sintomas que interagem entre si resultando em piora da qualidade de vida e funcionalidade dos indivíduos que experienciam os sintomas. Ferreira e colaboradores (2008b) propuseram que a denominação Cluster de sintomas não caracterizaria apenas uma relação, mas que constituiriam um conjunto de sintomas que manifestam efeitos sinérgicos entre si e que ao manifestarem-se de maneira conjunta, leva a efeito maior que o total de efeito esperado por cada um dos sintomas, quando agindo separadamente. Talvez este mesmo sinergismo ocorra entre os sintomas de dor, insônia e depressão freqüentemente observados em pacientes com dor crônica.

Objetivos: Identificar os agrupamentos de pacientes baseando-se na intensidade de dor, na alteração do sono e na presença de sintomas visando a avaliar a inter-relação dos sintomas e comparar a qualidade de vida destes agrupamentos. Casuística e

Método: Foi realizado um estudo epidemiológico transversal, envolvendo 251 indivíduos com dor crônica não-oncológica atendidos no Ambulatório da Liga de Dor do Hospital das Clinicas da FMUSP. Os instrumentos utilizados foram: a escala visual numérica, o Pittsburg Sleep Quality Index (PSQI), o Inventário de depressão de Beck (IDB) e o WHOQOL-bref, destinando avaliar a intensidade da dor, a qualidade de sono, a presença de sintomas de depressão e a qualidade de vida, respectivamente. Os dados foram analisados com o uso do SPSS versão 13.0, por meio da análise de Cluster TwoStep para identificar subgrupos de pacientes e o teste ANOVA com correção de Bonferroni, para comparar os subgrupos.

Resultados: O Cluster TwoStep identificou dois subgrupos: o primeiro (n=132) apresentou apenas insônia (PSQI=9,22±3,89) (Cluster 1) e o segundo com dor (VAS=8,24±1,57), insônia (PSQI=14,57±3,03) e depressão (IDB=24,36±10,35) (Cluster 2). Cluster 2 apresentou pior qualidade de vida em todos os aspectos.

Conclusões: Os resultados sugeriram que a piora da qualidade de vida está fortemente relacionada à presença concomitante dos sintomas e sua intensidade e que os sintomas estavam relacionados como um Cluster de sintomas, tendo efeitos sinérgicos entre si.

Referência: Lenz ER, Pugh LC, Milligan RA, Gift A, Suppe F. The middle-range theory of unpleasant symptoms: an update. Adv Nur Sci. 1997;19(3):14-27.


3.3 - HÁ DIFERENÇA NA QUALIDADE DO SONO, QUALIDADE DE VIDA E FREQUÊNCIA DOS SINTOMAS DEPRESSIVOS ENTRE PACIENTES COM FIBROMIALGIA E OS COM DORES NEUROPÁTICA - Pôster

Carina M. Nishimura, Karine. A.S.L. Ferreira, Manoel J. Teixeira
Universidade de São Paulo

Introdução: A prevalência de sintomas depressivos nos indivíduos brasileiros com dor crônica varia de 21 a 91,6% (1) e a de insônia, de 43,5,0 a 88,3% (2,3). Essas prevalências parecem ser maiores em pacientes com fibromialgia (FM) quando comparados a outros pacientes com dor crônica e resultam em maior impacto na qualidade de vida. Assim, o presente estudo visou comparar a qualidade do sono (QS), a qualidade de vida (QV) e a intensidade da dor e da depressão entre pacientes com neuropatias (NP) e FM.

Método: Estudo transversal com amostra de 110 pacientes com dor crônica (FM = 38 e NP = 72) atendidos no Centro Multidisciplinar de Dor do Hospital das Clínicas da FMUSP. Os instrumentos utilizados foram Inventário Breve de Dor (escala numérica de 0 a 10), Pittsburgh Sleep Quality Index (PSQI), Inventário de Depressão de Beck (IDB) e WHOQOL-brief, que avaliaram dor, QS, grau de depressão e QV, respectivamente. O PSQI é composto por 19 itens (escore de 0 a 21); e o IDB, por 21 itens (escore de 0 a 63). Quanto maior os escores totais, pior QS e maior intensidade de depressão, respectivamente. O WHOQOL-brief inclui 26 questões que avaliam 4 domínios: físico, psicológico, relação social e ambiental, e 2 itens que avaliam QV geral e saúde. Quanto maior o escore dos domínios e da QV, melhor a QV (escore de 0 a 100). Os grupos foram comparados com teste c ², testes Mann-Whitney e t-student após avaliar aderência à curva normal pelo teste Kolmogorov-Smirnov. Resultados: 83 mulheres, casadas (62,4%), com baixa escolaridade (59,6%). Houve maior percentual de mulheres com FM que as com NP (86,8% vs. 65,3%, p=0,02). Não houve diferença entre os grupos em relação à escolaridade, estado civil, religião, situação de trabalho e tratamento (p<0,05). Os pacientes com FM comparados aos com NP tiveram maior intensidade da pior dor (9,1±1,2vs.7,7±3,1,p=0,04); pior qualidade global do sono (PSQI=13,0±4,8vs.11,2±3,9, p=0,03), maior freqüência de distúrbios do sono (p=0,00); maior escore total de depressão (19,3±9,1 vs. 16,5±12,2, p=0,04); menor escore no domínio físico da QV (43,3±17,6 vs .53,1±18,0, p=0,00) e menor QV geral (37,5±17,4vs.50,0±20,4,p=0,00).

Conclusões: Os 2 grupos apresentaram dor intensa, alteração do sono, depressão moderada e QV ruim; porém, na FM todos os aspectos apresentaram-se piores.

Referência: Ferreira KASL, Mello DS, Dias AF, Teixeira MJ. Alterações na qualidade do sono prejudicam a qualidade de vida de pacientes com dor crônica. Revista Dor: pesquisa, clínica e terapêutica. 2006; 7(4):892-904.


3.1 – DOR PÓS-AMPUTAÇÃO

3.1.1 - PLASTICIDADE CEREBRAL EM FENÔMENO FANTASMA DOLOROSO: ESTUDO COM ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA TRANSCRANIANA E RESSONÂNCIA MAGNÉTICA FUNCIONAL - Pôster

Ywzhe S. A. de Oliveira, Erich T. Fonoff, Manoel J. Teixeira, Valeria P. Araujo Universidade de São Paulo

Introdução: Evidências neurocientíficas têm revelado que o cérebro adulto humano é capaz de substancial reorganização cortical como conseqüência de lesão ou estimulação e treinamento dos membros. Tendo em vista a incompleta compreensão atual das possibilidades de reorganização da representação dos membros no córtex cerebral após desaferentação, apresentamos um caso visando compreender melhor o exposto, bem como a técnica de mapeamento utilizada e possibilidade de tratamento com estimulação magnética transcraniana em pacientes que apresentam sensibilização central do quadro álgico.

Relato de caso: Paciente do sexo masculino, 40 anos, com avulsão de raízes do plexo braquial esquerdo por acidente motociclístico há 20 anos, evolui com sensação de dor em mão com fenômeno fantasma de difícil tratamento clínico e sem melhora após lesão por radiofreqüência do corno posterior da medula espinhal e do trato de Lissauer. Ao exame neurológico apresentava-se com monoparesia grau I de membro superior esquerdo com hipoestesia em braço e anestesia em antebraço esquerdo, com sensação tátil e térmica referidas no braço quando tinha sua mão estimulada. Movia hálux esquerdo de forma inconsciente ao tentar mover a mão com fenômeno fantasma. Foi submetido a mapeamento cortical com estimulação magnética transcraniana neuronavegada e ressonância magnética funcional que demonstraram aumento da área de representação da mão no córtex motor ipsilateral ao membro desaferentado, com espraiamento para o córtex somatossensitivo primário, bem como intercoxão entre as áreas da mão e pé esquerdos. A tractografia mostrou que as fibras córtico-espinhais encontravam-se espraiadas para além do córtex motor, nas regiões adjacentes a este.

Discussão: O cérebro é capaz de se reorganizar funcionalmente de forma substancial através da somatotopia cortical. Alterações nas sinapses permitem reorganização do processo sensitivo. Quando ocorre a desaferentação de um membro, há reorganização plástica do córtex somatossensorial primário (S1), no qual os neurônios da zona desaferentada de S1, que formalmente representam a parte corpórea desaferentada, respondem à estimulação tátil de partes corpóreas intactas adjacentes. A sensação fantasma dolorosa se relaciona a alterações corticais em S1, podendo ocorrer tanto uma invasão representacional da diferenciação cortical de regiões vizinhas com concomitantes alterações perceptuais, bem como um espraiamento da área desaferentada para regiões adjacentes. As alterações plásticas podem ser temporárias ou persistentes. Modulando-se fatores como a dor, há indução de um estado permissivo no córtex, que aumenta a reorganização.


3.3 – DOR CENTRAL

3.3.1 - CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE (CIF) EM PACIENTES COM DOR MIELOPÁTICA - Pôster

Janaina Vall, Carlos Mauricio de Castro Costa
Fortaleza – CE

Introdução: A lesão medular é uma condição crônica de saúde na qual o indivíduo perde certas funções e adquire incapacidades, que o restringe nas atividades e uma de suas principais complicações é a dor mielopática. Este estudo tem o objetivo de avaliar a funcionalidade das pessoas portadoras de lesão medular e correlacionar os resultados entre os indivíduos com e sem dor associada.

Método: O presente estudo está em andamento e pretende incluir aproximadamente 100 pacientes com lesão medular atendidos num hospital de referência em lesão medular, em Curitiba-PR, Brasil. A coleta de dados teve início em maio de 2008 e o término está previsto para outubro de 2008. Para a avaliação da funcionalidade está sendo utilizada a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde CIF, membro da Família de Classificação Internacional da Organização Mundial da Saúde - OMS. Os portadores de dor mielopática associada estão sendo identificados mediante aplicação do questionário para diagnóstico de dor neuropática DN4. Ao final do estudo será feita análise estatística onde valores de p iguais ou abaixo de 0.05 serão considerados estatisticamente significativos. Resultados: Até o momento foram avaliados 21 pacientes e os resultados parciais demonstram comprometimento dos domínios de funcionalidade de cuidado pessoal, relações e interações interpessoais, vida comunitária, social e cívica. Além disso, 30% desses pacientes sofrem com algum tipo de dor crônica, incluindo a neuropática e nesses casos o comprometimento da funcionalidade é ainda maior.

Conclusões: Os pacientes com lesão medular apresentam restrição de funcionalidade relacionado a fatores fisiológicos, de restrição à participação e fatores ambientais, comprometendo sua qualidade de vida, principalmente quando há dor mielopática associada.

Referência: AMERICAN SPINAL INJURY ASSOCIATION INTERNATIONAL (ASIA); Medical Society of Paraplegia. International standards for neurological classification of spinal cord injury, 2002.


3.3.2 - INTERPRETAÇÃO E ENFRENTAMENTO DA DOR CENTRAL POR HOMENS E MULHERES – Pôster

Mariana Nogueira, Manoel J. Teixeira, Andréa G. Portnoi
Universidade de São Paulo

Introdução: A dor central decorrente de acidente vascular encefálico (AVE) é intensa, persistente e não responde bem aos tratamentos farmacológicos; além disso, gera inúmeras repercussões físicas, sociais e psicológicas para os indivíduos acometidos por ela. A literatura revela diferenças de gênero quanto à percepção, limiar e tolerância à dor, respostas a tratamentos farmacológicos, não-farmacológicos e a respostas afetivas e cognitivas da dor.

Objetivos: Verificar como homens e mulheres interpretam sua dor e identificar os processos de enfrentamento de problemas de ambos os gêneros. Método: Foi realizado no Centro Multidisciplinar de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Participaram desta pesquisa 10 sujeitos, 5 homens e 5 mulheres com dor central decorrente de AVE há pelo menos 3 meses. Eles responderam ao Inquérito de dados demográficos, à Escala Visual Analógica, à Escala de Modos de Enfrentamento de Problemas  e ao Questionário de Percepção da Doença Revisado. 

Resultados: Ambos os gêneros apresentaram grande variação de tempo de dor; os homens apresentaram maior intensidade de dor de acordo com a EVA; quanto às estratégias de enfrentamento de problemas relacionados á dor, as mulheres utilizaram mais estratégias centradas no problema, na busca de práticas religiosas e pensamentos fantasiosos, enquanto os homens utilizaram mais a busca de suporte social. Quanto à interpretação da dor, os homens a consideraram mais grave do que as mulheres e mostraram ter mais percepção de controle pessoal da dor. As mulheres perceberam mais a dor como cíclica. Os sintomas de dor, rigidez das articulações e perda de força foram relacionados à dor pela grande parte de ambos os gêneros. Os homens associaram um maior número de fatores às causas de sua dor.

Conclusão: Foi possível verificar que tanto os homens quanto as mulheres que participaram da pesquisa revelaram ter uma percepção da dor como crônica. Quanto às diferenças, foi possível identificar que os homens da pesquisa pareceram buscar mais suporte social, ter maior percepção de controle da dor e atribuíram um maior número de fatores relacionados à causa da dor. Já as mulheres pareceram utilizar mais as estratégias centradas nos problemas e busca de práticas religiosas e pensamentos fantasiosos, além de perceberem mais do que os homens a dor como cíclica.


3.4 - CEFALÉIA

3.4.1 - FISIOTERAPIA NA CEFALÉIA DO TIPO TENCIONAL ASSOCIADA A DESORDEM TEMPORO-MANDIBULAR MIOGÊNICA: RELATO DE CASO – Pôster
Bruno Kneip, Abouch Krymchantowis
Central da Dor de Cabeça do Rio de Janeiro

Objetivos: O aumento de aferências periféricas  da musculatura mastigatória pode agravar cefaléia primária. A fisioterapia pode reduzir estas aferências  através do relaxamento da musculatura envolvida na desordem temporo-mandibular (DTM). O objetivo deste estudo e demonstrar  o papel da fisioterapia  no tratamento acessório da DTM miogênica.

Método: Este é um relato de caso, de uma paciente do sexo feminino de 25 anos, com: mialgia bilateral do masseter e cefaléia do tipo tensional episódica freqüente (CTTE) com 2 -3 crises semanais .  A paciente também revela limitação de amplitude para abertura bucal  ativa (10mm). Durante 2 meses usou 20mg/dia de nortriptilina e aparelho interoclusal  de estabilização (placa miorelaxante) não tendo obtido nenhuma melhora na freqüência dos sintoma. Foram realizados como tratamento, técnicas de mobilização e manipulação articular (Rocabado, 1999) Positional Release Therapy (Simons, et  AL, 1998 )  alongamento e fortalecimento de massete, trapézio, esternocleidomastoide e escalenos em sessões bi-semanais de 60 minutos ( total de 8 sessões)

Resultados: Ao final do tratamento, houve ganho de abertura bucal (10mm para 35mm), aumento da força muscular para a mastigação de alimentos sólidos e a freqüência da CTTE foi reduzida para menos de uma por semana. A dose de nortriptilina  não foi modificada durante todo o tratamento e manteve-se em 20 mg após o jantar.

Conclusão: A eficiência da fisioterapia como tratamento acessório ao antidepressivo tricíclico e a placa estabilizadora é sugerida. Estudos controlados são necessários para confirmar estas observações.


3.4.2 - DETERMINAÇÃO DA PREVALÊNCIA DE ALGUMAS CEFALÉIAS  PRIMÁRIAS EM PRESTADORES DE SERVIÇOS, ALUNOS E SERVIDORES DA UFTM – Pôster

Marcus Vinícius B. de Paula, Paula M. Murata, Karina F. Devienne
Universidade Federal do Triângulo Mineiro

Introdução: A dor de cabeça é uma das queixas mais freqüentes na prática médica diária. Enxaqueca está entre as causas mais importantes envolvidas na redução da qualidade de vida. Em virtude de crises freqüentes, os pacientes administram, indiscriminadamente, analgésicos sem prescrição médica e sem conhecimentos sobre seus possíveis efeitos colaterais e restrições. O presente estudo tem por objetivo geral verificar a incidência de cefaléias primárias em adultos da UFTM e avaliar a correlação das crises com as variáveis tais como: idade, sexo e condição sócio-econômica, ocupação profissional, escolaridade, uso de medicamentos, bem como conhecer as condutas dos indivíduos para resolução dos sintomas da crise álgica.

Métodos:  Questionário contendo perguntas sobre a freqüência de cefaléias, intensidade, sintomas, dados sócios-econômicos, bem como a conduta adotada para resolução dos sintomas e administração de medicamentos.

Resultados: Os resultados mostram que a cefaléia é muito freqüente na comunidade da UFTM e acarreta importante impacto na produtividade labortiva dos indivíduos. Em nosso estudo, o uso excessivo de analgésicos para tratamento das crises álgicas foi verificado.

Conclusões: Dentre as variáveis associadas à cefaléia, destaca-se o sexo feminino com maior risco para ocorrência dos sintomas em relação ao sexo oposto. Em nosso estudo, maior freqüência de cefaléia foi observada em profissionais da área da saúde em relação à ocupação de outros cargos. Em nosso estudo, a incidência de cefaléia foi cerca de 8,5% sendo a do tipo enxaqueca verificada em torno de 30% dos entrevistados e a tensional em cerca de 70%.

Referência: BIGAL, M. E.; FERNANDES,  L. C., BORDINI, C. A., SPECIALI, J. G. Custos hospitalares das cefaléias agudas em uma unidade de emergência pública brasileira. Arq Neuropsiquiatr., v. 58, n. 3A, p. 664-670, 2000.


3.4.3 - CEFALÉIA CRÔNICA REFRATÁRIA EM PACIENTE PORTADORA DE MASTOCITOSE VISCERAL - Pôster

Fernanda Bono Fukushima Mariana Palladini, Daniela Groke, Judymara Lauzi Gozzani Santa Casa de Misericórdia de São Paulo

Introdução: A dor de cabeça é um sintoma comum em adultos e crianças, sendo responsável por elevado número de consultas médicas e grande prejuízo sócio-econômico. A manutenção da dor por período prolongado pode acarretar em alterações plásticas das vias dolorosas além de alterações no comportamento e humor do indivíduo.

Relato de caso: Paciente do sexo feminino, 20 anos, portadora de mastocitose visceral. Queixa de quadro de cefaléia crônica diária intensa (EAV 10) há seis meses. Cefaléia occipital em peso/aperto irradiando para fronte, ausênica de foto/fono fobia ou sintomas simpáticos concomitantes. Histórico de dor lombar e mastocitose visceral há dois anos. Foi iniciado tratamento clínico com antidepressivo tricíclico, sem melhora importante. Realizados bloqueios do nervo occipital e supra orbitário subsequentes com melhora efêmera. Paciente foi submetida a sessões de bloqueios simpáticos venosos semanais com lidocaína e houve redução da dor porém manutenção de escore álgico mínimo de 5. Paciente apresentava ainda humor bastante deprimido, inapetência e embotamento afetivo. Realizadas cinco infusões semanais de cetamina S+ na dose de 0,01mg/kg com redução gradativa do escore álgico de 10 para 3.

Discussão: A dor persistente pode estar associada a alterações da transmissão álgica e ao processo de sensibilização central. A cetamina tem como mecanismos de ação a interação com receptores opióides, bloqueio de receptores NMDA e antagosnismo noradrenérgico e serotoninérgico. O receptor NMDA participa no processo de dor aguda e no fenômeno de sensibilização central. Recentemente foi descrito o uso com sucesso de cetamina no tratamento da depressão maior refratária e de quadros álgicos crônicos de difícil controle. No presente caso foi utilizada no intuito de diminuir o processo de sensibilização central frente a refratariedade ao tratamento clínico .

Referência: Zarate CA Jr, Singh JB, Carlson PJ, Brutsche NE, Ameli R, Luckenbaugh DA, Charney DS, Manji HK. A randomized trial of an N-methyl-D-aspartate antagonist in treatment-resistant major depression. Arch Gen Psychiatry. 2006 Aug;63(8):856-64.


3.4.4 - PROCEDIMENTOS ABLATIVOS NO TRATAMENTO DA CEFALÉIA EM SALVAS: RIZOTOMIA PERCUTÂNEA X GANGLIECTOMIA ESFENOPALATINA - Oral

Manoel J. Teixeira, Sílvia Siqueira, José C. Marinho
Universidade de São Paulo

Introdução: Freqüentemente, a dor em doentes com cefaléia em salva torna-se rebelde ao tratamento farmacológico, o que motiva a necessidade de intervenções operatórias para seu controle. Comparamos aqui o resultado do tratamento de 12 doentes submetidos à compressão do gânglio trigeminal com balão (CB), à rizotomia percutânea por radiofreqüência (RRF) ou à gangliectomia esfenopalatina com radiofreqüênica (GEP) em doentes com cefaléia em salvas rebelde. Métodos: Aleatoriamente, 12 doentes com cefaléia em salvas rebelde foram submetidos à CB, à RRF ou à GEP.

Resultados: Em três dos seis doentes tratados com CB o resultado imediato foi insatisfatório e nos três restantes ocorreu recidiva nos primeiros seis meses; quatro submeteram-se à RRF e apresentaram alívio inicial; dois submeteram-se à GEP e apresentaram melhora.

Conclusão: A GEP e a RRF são procedimentos satisfatórios para proporcionar melhora em doentes com cefaléia em salvas rebelde e a CB não é método apropriado para tal mister.

Referência: Sphenopalatine Ganglion Neuralgia and Cluster Headache: Comparisons, Contrasts, and Treatment. RyanJr RE, Facer GW, Headache, 17,1,7-8, 2005
 


3.5 – DOR ARTICULAR E ÓSSEA

3.5.1 - ALONGAMENTO DO PROCESSO ESTILÓIDE COMO CAUSA DE DOR CERVICAL - RELATO DE CASO - Pôster

Ana Caroline V. Aurione, Patrícia Karla V. Santana, Camila L. Guimarães, Carolina Iracema De O. Rego
Universidade Federal de Goiás

Introdução: A síndrome de Eagle, ou alongamento do processo estilo-hióide, caracteriza-se pela presença de sintomas como dor cervical, disfagia, odinofagia e otalgia, associado a um processo estilóide maior que 30 mm. Como uma possível causa seria o alongamento do processo estilóide decorrente da ossificação de um remanescente embriológico da cartilagem do segundo arco branquial ou a calcificação do ligamento estilo-hióideo. Trata-se de uma afecção multifatorial com características clínicas e radiológicas inespecíficas. Relato de Caso: Paciente F. E. D. S., sexo masculino, 41 anos, lavrador, refere dor em ombro direito e toda região cervical, além de dor facial em localização corresponde à articulação têmporo-mandibular. O paciente não apresentou antecedentes de tonsilectomia ou trauma cervical. Ao exame físico palpou-se abaulamento de consistência óssea no pilar anterior da loja tonsilar à direita, associado a limitação de abertura da boca. A suspeita clínica foi confirmada com Raio X  e Tomografia Computadorizada.

Discussão: A síndrome de Eagle é caracterizada pela presença de sintomas cérvico-faríngeos associado ao processo estilóide alongado A faixa etária mais acometida é de 30 a 50 anos, sexo é o feminino, e em 50% dos indivíduos ocorre de forma bilateral. Neste caso, o acometimento foi unilateral e no sexo masculino. O diagnóstico da Síndrome de Eagle é eminentemente clínico e radiográfico. Dos exames de imagem a TC de base de crânio com reconstrução tridimensional parece ser mais útil, pois permite mensurar o comprimento do processo estilóide. As particularidades devem ser consideradas ao escolher um tratamento clínico ou cirúrgico (mais efetivo). O exame radiográfico no diagnóstico das alterações do complexo ósseo maxilomandibular é fundamental, ao se considerar que grande parte das doenças que o afetam não apresenta aspectos clínicos ou sintomatologia relevantes.

Referência: Tiago RSL, Marques Filho MF, Maia CAS, Santos OFS. Síndrome de Eagle: avaliação do tratamento cirúrgico. Rev Bras Otorrinolaringol 2002;68:196-201.


3.6 – DOR LOMBAR

3.6.1 - USO DE CORTICOSTERÓIDES, NO ESPAÇO EPIDURAL, NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS NO TRATAMENTO DA HÉRNIA DE DISCO LOMBAR - Pôster

Quitéria Wanderley M. R, Rani Marinho T.S.B, Gerciano Carvalho M
UNCISAL

Introdução: A injeção de corticosteróide epidural é uma alternativa de baixo risco comparada à intervenção cirúrgica no tratamento de hérnia de disco lombar. Tem-se mostrado razoavelmente eficiente no tratamento da lombalgia ou lombociatalgia provocadas por hérnias de discos, sendo indicada nos casos em que técnicas não-invasivas não atingiram o resultado desejado e precede a dissectomia (BUTTERMANN, 2004). A medicação para a injeção epidural consiste basicamente de corticosteróide, opióides, anestésico local. Na literatura pesquisada os corticosteróides mais utilizados foram acetato de metilprednisolona, e triancinolona; como anestésico local, lidocaína de 1% a 2% ou bupivacaína a 0,25%; e os opióides, morfina e fentanil.

Método: Estudo de revisão da literatura.

Resultados: Com base na literatura recente, tem-se os seguintes resultados acerca dos preparados de injeção epidural no tratamento da lombalgia: com relação aos corticóides, a dose média utilizada para metilpredinisolona 80mg  a 160mg, para triancinolona de 50mg  a 100mg; acerca dos diluentes, bupivacaína  0,25% de 1 a 10ml; quanto ao número de injeções,  1 a 3 injeções, com intervalo de 1 a  4 semanas; para os opióides, a doses ministradas mais encontradas foram de 2mg de morfina e 100 µ g de fentanil

Conclusões: A injeção de corticosteróide por via epidural é excelente recurso para os pacientes portadores de dor lombar como conseqüência de hérnias de disco ou estenose de canal antes de decidir por uma conduta cirúrgica. Os resultados são melhores quando a evolução da dor se dá em menos de seis meses e a efetividade do método diminui a longo prazo. A medicação para a injeção epidural consiste basicamente de corticosteróide (como dexametasona, triancinolona, betametasona e metilprednisolona) associado a diluente (bupivacaína, lidocaína ou solução fisiológica) e em muitos casos, opióides (como morfina e fentanil).

Referência: BUCHNER, M.; ZEIFANG, F.; BROCAI, D.R.C. et AL. Epidural corticosteroid injection in the conservative management of sciatica. Clin Orthop, 375: 149-156, 2000 BUTTERMANN, GR. Treatment of lumbar disc herniation: epidural steroid injection compared with discectomy.


3.6.2 - AÇÃO ANALGÉSICA DO LIGHT EMITTING DIODES (LED) NA DOR LOMBAR AGUDA - Pôster

Maria Belén S. Posso, Vânia M. A. Giaretta, Ana Lúcia G. G. Santanna, Irimar P. Posso Universidade do Vale do Paraíba

Introdução: O Light Emitting Diodes (LED) é a emissão da luz monocromática através de duas canetas centradas nos comprimentos de onda 630nm+/- 10nm e 850nm +/- 10nm, operadas por uma fonte geradora de energia cuja tensão é dada em volts(V), podendo variar de 1.6 a 9V com uma potência de 10 a 150 mW. É um método complementar terapêutico de baixa intensidade para desencadear a ação bioestimuladora, analgésica e antiinflamatória.  A interação do LED ocorre pela absorção pelos tecidos que apresentam diferentes características de absorção. O objetivo foi verificar o efeito do LED na dor lombar aguda.

Relato de caso: Após a assinatura do termo de consentimento informado pelas pacientes, procedeu-se à aplicação do LED. Caso1: mulher, 62 anos, IMC 27, com intensa dor lombar D, área 20cm2. Caso 2: mulher, 43 anos, IMC 36 referindo forte dor lombar E, área 30 cm2; ambas com escolaridade superior e não usando analgésicos. Após mensuração inicial da dor pela EAV igual a 10 em ambos os casos. Após a proteção dos olhos com óculos de lentes verdes escuras as pacientes foram colocadas em decúbito ventral expondo-se a região lombar referida. Calibrou-se o LED (630nm INGaALP, FISIO LED® da MM OPTICS), classe II BF, emissão contínua, com área  de saída de 0,5 cm2, calculando-se a dosagem em 3 J/cm2 com duração de 10 para aplicação de cada ponto, sendo 10 pontos para o caso1 e 15 para o caso 2  utilizando-se  as fórmulas  D=P.t/A e t = DE.A/P. O ponto de atuação do LED classificado como analgésico é de 2 a 4 j/cm2;.O terapeuta utilizou óculos de proteção com lentes azuis. Foram depositados um total de 30 J/cm2  em toda a extensão  no caso1 e  45J/cm2 no caso 2, com um tempo de 100 e 150, respectivamente.  O tempo total de aplicação do LED foi de 15 minutos. Mensurou-se a dor imediatamente após a aplicação e aos 5 e 30 minutos. Em ambos os casos houve diminuição da dor de 10 para 07 no caso 1 e para 08 no caso 2; após 5min a dor diminuiu para 4 em ambos os casos e para 1 e  2 após 30 minutos , respectivamente. Não houve necessidade de nova aplicação após as 48h. de intervalo, preconizadas e do repouso realizado. Discussão: A absorção tecidual do LED é melhor nos tecidos gordurosos, muscular e vascular não o sendo para o hepático. Os resultados destes dois casos permitem inferir que o LED mostrou-se eficaz em sua ação analgésica na dor lombar nos dois casos clínicos.

Referência: Karu, T. Biomedical Photonics Handbook. CRC Press. 2003.


3.6.3 - APOIO CONJUGAL E QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM DOR LOMBAR CRÔNICA - Pôster

Fernando L. Maeda, Mathilde Neder, Esdras G. Vasconcellos, Andréa G. Portnoi Universidade de São Paulo

Introdução: A dor é um fenomeno complexo e multidimensional, sendo influenciado por fatores de ordem biopsicosocial. O ambiente social constitui parte da experiência multidimencional dolorosa e tem um papel importante no prognóstico da doença. Neste contexto, o conjuge ocupa um lugar de destaque, uma vez que fornece importante fonte de contingências sociais ao paciente, podendo influenciar comportamentos de saúde. O presente estudo investigou a percepção do apoio conjugal de pacientes com dor lombar crônica, buscando correlações entre a variável conjugal e os níveis de intensidade da dor e escores de qualidade de vida.

Método: Foram avaliados 50 pacientes adultos, sendo 25 homens e 25 mulheres, com idades entre 30 e 65 anos, diagnosticados com dor lombar crônica, casados ou mantendo vínculo conjugal, em tratamento regular no Centro Multidisciplinar de Dor. Os instrumentos utilizados foram: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, Ficha de Dados Sócio-Demográficos, Escala Visual Analógica de intensidade da dor, Questionário de Qualidade de Vida relacionada à saúde SF-36 e uma entrevista semi-dirigida, com perguntas abertas sobre a percepção do apoio conjugal. Os resultados foram analisados descritivamente e mensurados de acordo com a natureza das suas variáveis, utilizando-se medidas quantitativas e qualitativas. As perguntas abertas foram categorizadas por conteúdo e posteriormente correlacionadas com as variáveis quantitativas.

Resultados: A avaliação dos dados indicou que 86% dos participantes perceberam seus cônjuges como apoiadores, sendo os comportamentos de solicitude e atenção os principais meios de apoio. O comportamento de indiferença e crença negativa nos sintomas de dor foi identificado como falta de apoio. Os participantes que relataram receber apoio obtiveram melhores índices de qualidade de vida nos domínios vitalidade e saúde mental, quando comparados com aqueles que não receberam apoio. A intensidade da dor não sofreu alteração quando comparados os participantes que relataram apoio positivo e negativo.

Conclusão: O apoio conjugal mostrou-se uma variável importante na determinação dos domínios vitalidade e saúde mental da qualidade de vida desses pacientes, indicando que o comportamento solícito pode propiciar proteção para sintomas de depressão e de ansiedade, além de prover vitalidade. Estes dados apontam para a necessidade da inclusão de variáveis conjugais na avaliação e no planejamento terapêutico.

Referência: TEIXEIRA MJ. Dor: contexto interdisciplinar. Curitiba:Maio, 2003.


3.6.4 - AVALIAÇÃO DE INTERVENÇÃO BASEADA EM EDUCAÇÃO PARA O AUTO-GERENCIAMENTO DE DOR LOMBAR CRÔNICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA - Pôster

Michelle Carneiro Tanure, Guilherme R. Barbosa, Daniel M. Coelho, Anamaria S. Oliveira Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP

Introdução: A participação do paciente em abordagens educativas para o auto-gerenciamento de dor lombar crônica visa potencializar 5 habilidades: solução do problema, tomada de decisão, utilização de recursos, consolidar relação terapeuta-paciente e adoção de atitudes para gerenciar a condição. A repercussão de sua inclusão no tratamento deve ser mediada por mudanças cognitivas e comportamentais. Assim, a avaliação de seu impacto utilizando ferramentas tradicionais na clínica torna-se um desafio.

Método: O Grupo de Educação e Potencialização de Auto-Cuidado em Dor Lombar foi oferecido a 9 portadores de dor lombar crônica. Os temas abordados, de forma dinâmica e interativa em 4 encontros semanais, foram fisiopatologia, tratamento conservador, auto-manejo da dor, prática de atividade física, proteção articular e troca de experiência pessoal. Os voluntários foram avaliados antes e após os encontros por anamnese e exame físico com enfoque na disfunção física, questionário McGill de dor e questionário de avaliação do prognóstico da dor crônica. Os dados de 3 pacientes que completaram a participação no grupo foram analisados de forma descritiva.

Resultados: Nos itens sobre intensidade de dor 11% dos voluntários indicaram melhora, 55,5% manutenção da dor e 33,3 %, piora do quadro. Em relação à capacidade funcional, 27,7% dos pacientes relataram melhora, 55,5% mantiveram o quadro e 16,6% relataram piora. Sobre o prejuízo social da dor sobre o lazer, trabalho e atividades domiciliares, 66,6% dos pacientes relataram melhora após os encontros enquanto 26,6% mantiveram o quadro e 6,6% afirmam piora. Nas questões qualidade do sono, apetite e higiene, dos 60% inicialmente com prejuízo, 33,3% relataram melhora, 13,3% piora e 13,3% manutenção do quadro. As questões sobre percepção de terceiros sobre a condição em temas como frustração, raiva e sentir-se ignorado, dos 91,7% inicialmente com prejuízo, 66,6% relataram melhora, 16,6% piora e 8,3% mantiveram as queixas. Embora com número reduzido de voluntários avaliados, devido à fase inicial de implantação da terapêutica, todos relataram considerar positiva a participação no grupo e recomendariam o mesmo a um conhecido com a mesma condição.

Conclusão: A experiência inicial de avaliação dessa medida terapêutica indica que as variáveis intensidade da dor e disfunção podem não ser suficientes para demonstrar o impacto da mesma em aspectos como a melhora de relações interpessoais e a satisfação com o tratamento, criando a necessidade de considerar a inclusão de medidas qualitativas da mesma.

 Referência: Organização mundial da Saúde. Cuidados inovadores para condições crônicas: componentes estruturais de ação. Brasília, 2003.


3.6.5 - LOMBALGIA CRONICA DECORRENTE DE SINDROME DOLOROSA MIOFASCIAL E ASSOCIADA A NEUROFIBROMATOSE TIPO I - RELATO DE CASO - Pôster

Massako Okada, Marcus Vinicius F.B. V. Serra, Adolfo M. Amaral Neto, Manoel J. Teixeira
Universidade de São Paulo

Introdução: Lombalgia crônica causada por síndrome dolorosa miofascial (SDM), associada à postura inadequada e sobrecarga por anormalidades congênitas ou adquiridas (encurtamento de membro inferior) é comum. Neurofibromatose (NF) é anormalidade neurológica genética que afeta o crescimento celular de tecidos nervosos. SFA, 23 anos, feminina, branca, solteira, estudante. Lombalgia à D há cinco anos. Dor constante, latejante, pesada e de forte intensidade com irradiação na face posterior até o hálux. Fez uso de vários antineurálgicos, sem alívio da dor. Abandonou a faculdade pela dor. A. P.: pseudoartrose de tíbia congênita à direita. Osteomielite em 1998; resultando em encurtamento de seis cm do membro. Osteotomia à E mantendo encurtamento de 3,8 cm. Diagnóstico de neurofibromatose tipo I aos três meses de idade. A.F.: Pai com neurofibromatose. Intensidade verbal da dor: forte; EVA (0-10) inicial: 9. Ex. físico. Presença de várias manchas café com leite no corpo. Ex. neurológico: Humor irritadiço. Marcha assimétrica. Demais normais. Pontos gatilhos nos músculos quadrado lombar, glúteo máximo, médio e piriforme à direita. Ex. de imagem: US coxa: nódulos pequenos localizados no nervo ciático, sulco glúteo-femoral e face posterior da coxa. US mama, tireóide, abdome, pelve e canal retal: presença de vários nódulos. Escanograma: encurtamento de 3,8 (D<E) + valgismo de joelhos RNM (07/07): presença de vários nódulos intramedular a E. ENMG (8/05): radiculopatia crônica L5 à E. Conduta: inativação dos pontos gatilhos com agulha de acupuntura dos músculos acometidos. Prescrito: Amitriptilina e AINH. Correção do encurtamento do MID no calçado e exercício físico de alongamento, condicionamento e adequação postural. Consulta de retorno em 23/11/07 e 08/08 sem dor e melhora da postura e do humor, retornando aos estudos.

Conclusão: Dicotomia entre causa da dor e doença de base. Exame de imagem foi de pouca valia para o diagnóstico etiológico da lombociatalgia. Inativação de pontos gatilhos e medidas de correção do desequilíbrio muscular e postura foram os fatores mais importantes na melhora e manutenção do alívio da dor. 

Referência: Yeng LT, Teixeira MJ, Kaziyama HHS. Lombalgia. Teixera, Manoel Jacobsen. DOR Manual para o Clínico. São Paulo: Editora Atheneu, 206, pp 481-494.


3.6.6 - ATIVIDADE FÍSICA HABITUAL E INCAPACIDADE EM PACIENTES COM DOR LOMBAR CRÔNICA - Pôster

Gabriela Rojas, Marina G. Salvetti, Cibele A. M. Pimenta
Escola de Enfermagem da USP

Introdução: a lombalgia é o segundo tipo de dor mais freqüente entre adultos1 e a primeira mais freqüente entre idosos2. É a queixa médica mais comum em países desenvolvidos e os custos a ela associados são enormes. Em países industrializados é a causa primária de incapacidade em pessoas com menos de 45 anos3, 4. A incapacidade relacionada à dor é também um fenômeno complexo e há muitas variáveis envolvidas, influenciando-se mutuamente. Há contribuição significativa dos fatores psicossociais e o grau de atividade física pode estar associado à incapacidade.

Objetivo: analisar as relações entre a atividade física habitual, intensidade da dor e incapacidade em pessoas com dor lombar crônica. Método: Estudo transversal realizado em dois serviços de saúde públicos, um serviço de saúde privado e em uma empresa. A amostra, de conveniência, foi composta por 74 indivíduos com dor lombar crônica. Foram coletados dados sobre aspectos demográficos, intensidade da dor (Escala Visual Numérica), prática de atividade física (Questionário Baecke de Atividade Física Habitual) e incapacidade (Questionário Oswestry Disability Index).

Resultados: a média de idade foi de 42,0 anos (DP=14,0), a média de intensidade da dor foi de 7,2 (DP=2,2), 66,2% dos indivíduos relataram a prática de atividade física nos últimos 12 meses e 57,2% destes referiram fazer caminhada. A média do escore de atividade física habitual de Baecke foi 7,9 (DP=1,0). A correlação entre atividade física habitual e incapacidade foi negativa e significativa (r = - 0,264, P=0,05) porém fraca. A correlação entre incapacidade e intensidade da dor foi positiva, significativa e moderada (r = 0,574, p=0,01). Não se encontrou correlação entre intensidade da dor e atividade física habitual.

Conclusões: A incapacidade em pacientes com dor lombar crônica relacionou-se à intensidade da dor e à prática de atividade física. Quanto maior a intensidade da dor, maior o grau de incapacidade e quanto maior o grau de atividade física habitual menor a incapacidade. Embora a amostra tenha sido pequena e a intensidade da dor tenha mostrado correlação mais forte com incapacidade, estes resultados sugerem haver relação inversa entre a prática de atividade física e incapacidade, o que reforça a recomendação desta prática para pacientes com dor lombar crônica.

Referência: Kreling MCGD, Cruz DALM, Pimenta CAM. Prevalência de dor crônica em adultos. Revista Brasileira de Enfermagem 2006; 59: 509-13.


3.7 – DOR MIOFASCIAL E FIBROMIALGIA

3.7.1 - FREQÜÊNCIA DE PACIENTES COM FIBROMIALGIA ATENDIDOS NO AMBULATÓRIO DE ARTRITE REUMATÓIDE DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE GOIÂNIA - Pôster
Marianna G. Miguel, Fabiana P. Pina, Vitor A. Cruz
Hospital das Clínicas – Goiânia

Introdução: A Fibromialgia (FMG) é uma síndrome dolorosa crônica, não inflamatória, caracterizada por dor muscular difusa, comumente associada a outros sintomas como fadiga e alterações no sono, que levam a uma incapacidade funcional não apenas pelo seu aspecto físico, mas, também, pelo aspecto emocional.(1) A  prevalência da FMG na população geral apresenta valores entre 0,66 a 4,4%.(2) A Artrite Reumatóide (AR) é uma doença auto-imune, de etiologia desconhecida e de caráter inflamatório que atinge principalmente  a membrana sinovial, causando uma poliartrite periférica, simétrica, que leva à deformidade e à destruição das articulações, estimativas na população geral mostram uma prevalência de 1%.(1) Apesar da relação entre FMG e AR ser pouco conhecida, estudos mostram uma maior freqüência de FMG em pacientes portadores de AR, quando comparados com a população geral.(3,4). Método: Foi realizada uma análise retrospectiva do banco de dados dos pacientes atendidos no Ambulatório de Artrite Reumatóide do Hospital das Clinicas de Goiânia de julho de 2007 à julho de 2008.

Resultados: Dos 93 pacientes atendidos com diagnóstico de AR com os critérios do Colégio Americano de Reumatologia, 9 pacientes também preenchiam os critérios para FMG. Observou-se portanto, uma freqüência de 9,68% de FMG nos pacientes com AR.

Conclusão: Wolfe et al(1983) observou que 12,2% dos pacientes com AR apresentavam também FMG. Os resultados do nosso trabalho mostraram-se compatíveis com os dados da literatura que demonstram uma maior freqüência de FMG em pacientes portadores de AR, em relação à população geral. O diagnóstico de FMG nos pacientes com AR é de suma importância uma vez que os sintomas dolorosos nos pacientes com AR não estão, muitas vezes, relacionados à atividade da doença , mas sim à FMG, geralmente com a presença dos chamados tender points. Não obstante as inúmeras dificuldades contidas na etiopatogênese e no diagnóstico de FMG, o tratamento adequado procura minimizar os efeitos da dor física e emocional, resultando em melhor qualidade de vida para os pacientes.

Referência: Moreira C, Carvalho MAP. Reumatologia: Diagnóstico e Tratamento. 2° ed. Rio de Janeiro: MEDSI; 2001.


3.7.2 - FIBROMIÁLGICOS COM DISTÚRBIOS DO HUMOR ASSOCIADA APRESENTAM MAIOR REATIVIDADE SINPÁTICA - Pôster

Juliana B. de Souza, Yannick Tousignant-Laflamme, Jacques Charest, Serge Marchand  Centre Hospitalier Universitaire De Sherbrooke - Canadá

Contextualização: Em estudos anteriores identificamos subgrupos de pacientes com fibromialgia(FM), através de uma análise de cluster. Neste estudo prévio (Souza et al., 2007), apresentamos dois subgrupos de grupos de pacientes: o FM-Tipo I, cujas caracteristicas são dor, fadiga, rigidez intensas, rigidez matinal moderada e ausência de depressão e ansiedade; e o FM-Tipo II, cujas características são dor, fadiga, rigidez, rigidez matinal, depressão e ansiedade em níveis elevados. Neste estudos visamos observar se os achados de hiper-reatividade do sistema nervoso autônomo simpático nos pacientes fibromiálgicos se aplica a ambos sub-grupos identificados.

Método: Participaram do estudo 53 mulheres com FM (idade média 50 +7 anos), sendo 30 FM-Tipo II, ou seja com distúrbios do humor (depressão e ansiedade). Foi utilizado o protocolo de cold pressor test com temperatura a 12oC. A percepção da dor foi mensurada pela escala visual analógica a cada 15 segundos durante os 2 minutos de imersão do braço na água fria. A variabilidade da frequência cardíaca foi monitorada antes e durante o teste. O eletrocardiograma foi coletado com uma frequência de 1000HZ, utilizando o Powerlab monitor (Sinstruments), as componentes de alta e a baixa frequência, representam indiretamente a atividade pasassimpática e simpática. Os valores (antes e durante) foram comparados utilizando t-student.

Resultados: A intensidade de dor experimental ao frio não difere entre os dois grupos de pacientes fibromiálgicos (p=0,77). No entanto, quando comparadas as pacientes FM-Tipo I, as pacientes do FM-Tipo II demonstram aumento significativo da atividade do sistema nervoso autônomo simpático no repouso (p=0,03), e um aumento do simpático e redução do parassimpático durante o estímulo doloroso (p=0,05; p=0,02, respectivamente).

Conclusão: a hiper-reatividade simpática a dor parece ser um desequilíbro predominante nas pacientes fibromiálgicas com distúrbios do humor associado.


3.7.3 - ADERÊNCIA DE MULHERES COM SÍNDROME DA FIBROMIALGIA A UM PROGRAMA ESTRUTURADO DE HATHA YOGA - Pôster

Jorge A. B. Schmitz, Juliana B. de Souza, Alessandra B. P. Fonseca, Alexandro Andrade
Universidade do Estado de Santa Catarina

Contextualização: A Síndrome da Fibromialgia (SFM) se caracteriza por dor músculo-esquelética crônica e difusa. Embora a literatura demonstre que tanto exercícios de fortalecimento quanto de alongamento sejam benéficos na redução dos sintomas, tais intervenções são afetadas pela baixa aderência. Objetivo: Verificar a taxa de aderência de mulheres com SFM a um programa estruturado de hatha yoga.

Método: A amostra foi composta por 25 mulheres residentes na região da Grande Florianópolis, com idade média de 47,56 anos (± 8,973) e diagnóstico clínico de fibromialgia. O programa foi estruturado em 25 sessões num período de 14 semanas. A aderência foi considerada positiva naquelas com freqüência igual ou superior a 70% do número total de sessões, totalizando 18 presenças. Para identificar fatores que predispõem a aderência ao programa analisamos os dados através da correlação de spearman (sp).  Resultados: 36% das participantes aderiram ao programa de hatha yoga. A prática de atividade física prévia (28% da amostra) e o diagnóstico de depressão (75%) não influenciaram a adesão ao programa (p>0,5).  Pacientes que são tratadas por um clínico geral (16%) aderem mais ao tratamento (sp=0,58; p<0,01). Embora a dor seja um sintoma predominante em todas as participantes, o consumo de analgésicos (60%) influencia negativamente à adesão (sp= -0,41; p<0,05).

Conclusão: Ao contrário de estudos prévios que demonstram a depressão como fator que predispõem ao abandono da atividade física, nossos resultados apontam que a adesão à prática de hatha yoga é independente ao nível de atividade física das participantes e à presença de depressão.


3.7.4 - EFEITOS DO HATHA YOGA SOBRE A QUALIDADE DO SONO E QUALIDADE DE VIDA DE MULHERES COM SÍNDROME DA FIBROMIALGIA - Oral

Juliana B. Souza, Alessandra B. P. Fonseca, Alexandro Andrade
Universidade do Estado de Santa Catarina

Introdução: A Síndrome da Fibromialgia apresenta sintomas físicos e emocionais associados, tornando-se difícil seu diagnóstico e subseqüente tratamento. Conforme estudos recentes, a prática de yoga tem demonstrado benefícios para essa população, uma vez que esta é uma filosofia ascética que busca a integração entre fatores físicos e psíquicos.

Objetivo: Verificar o efeito da prática de hatha yoga sobre a qualidade do sono e qualidade de vida de mulheres com Síndrome da Fibromialgia. Nesta pesquisa, 13 mulheres com síndrome da fibromialgia, com idade média de 50 anos, participaram de 24 sessões de hatha yoga oferecidas por um projeto de extensão. Foram avaliadas antes da primeira sessão e após a vigésima quarta, quanto à qualidade do sono (Pittsburgh Sleep Quality Index - PSQI) e impacto da fibromialgia sobre a qualidade de vida (Fibromyalgia Impact Questionnaire - FIQ). Para caracterização do perfil da amostra, foi aplicado o Questionário Sócio-demográfico e Clínico, adaptado para esta pesquisa. Os dados foram tratados com estatística descritiva (freqüência, média e desvio padrão) e inferencial. O nível de significância adotado nesta pesquisa foi de &#945;= 0,05. Quanto à qualidade do sono, pode ser observado diferença significativa entre o início e o final do tratamento no índice geral (p<0,01). Quanto à qualidade de vida, também foi observado diferença significativa em seu índice geral (p<0,01). Pode-se observar que a prática de hatha yoga mostrou-se eficaz para diversos componentes da qualidade de vida das participantes da pesquisa, demonstrando ser uma modalidade integrativa para o tratamento dessa síndrome.


3.7.5 - CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-DEMOGRÁFICA E CLÍNICA DE MULHERES COM SÍNDROME DA FIBROMIALGIA NA CIDADE DE FLORIANÓPOLIS - Oral

Alessandra B. P. Fonseca, Bruno R. Vale, Juliana B. Souza, Alexandro Andrade Universidade do Estado de Santa Catarina

Introdução: A Síndrome da Fibromialgia é uma desordem pouco compreendida. Sabe-se que apresenta uma variedade de sintomas, porém não se tem definida sua etiologia e consequentemente, seu tratamento não é claro. Este estudo investigou as características sócio-demográficas e clínicas de mulheres com síndrome da fibromialgia (SFM) residentes na cidade de Florianópolis/SC. Participaram da pesquisa, 83 mulheres com diagnóstico de SFM, com idade média de 48 anos (+11,24). A amostra do tipo não-probabilística intencional foi constituída de participantes provenientes do projeto de extensão intitulado. Avaliação e tratamento da síndrome da fibromialgia a partir do exercício físico, terapia corporal e psicologia do exercício. Para avaliar as características sócio-demográficas e clínicas dessas mulheres foi aplicado individualmente o Questionário Sócio-demográfico e Clínico desenvolvido por Konrad (2005), adaptado para essa pesquisa. Os dados foram analisados através de estatística descritiva (frequência, média e desvio padrão). Quanto aos aspectos sócio-demográficos, 60% das participantes eram casadas, 40% apresentaram educação superior e 68% referiram trabalhar fora, sendo que destas, 35% estão afastadas devido à SFM. Quanto aos aspectos clínicos, 48% das participantes foram diagnosticadas por um médico reumatologista, sendo que 75% relatam como causa do desencadeamento da SFM a ocorrência de episódio emocional, 48% associam a SFM à mudança no estilo de vida e 50% à depressão. Os sintomas mais presentes foram dor localizada (95%), cansaço (85%), fadiga (84%) e sono não-restaurador (83%). Os fatores que alteram a intensidade da dor relatados foram estado emocional alterado (88%) e esforco físico exagerado (88%). Os tratamentos já utilizados pelas participantes foram medicamento (90%), fisioterapia (53%), acupuntura (48%), massoterapia (44%), psicoterapia (29%) e yoga (22%). Além disso, 64% referiram ter diagnóstico de depressão e 58% referiram não praticar atividade física. Pode-se observar que as participantes deste estudo apresentam componentes que condizem com a literatura atual na área, demonstrando a variedade nas causas, sintomas, tratamentos e implicações na qualidade de vida dessa população.


3.7.6 - MULHERES COM FIBROMIALGIA: RELAÇÕES ENTRE DOR, DEPRESSÃO E ENFRENTAMENTO - Pôster

Andréa G. Portnoi, Carla C. C. Moraes, Mariana Nogueira, Flávia V. Fragoso
Hospital das Clínicas - São Paulo

Introdução: A Síndrome de Fibromialgia (SFM) apresenta sintomas que causam grande impacto na vida dos doentes. Sintomas dolorosos e depressivos em especial, influenciam a capacidade e a efetividade de enfrentamento da condição. Os objetivos deste trabalho foram estimar a prevalência da dor, depressão e estratégias de enfrentamento em mulheres com SFM e avaliar a magnitude da associação entre estas variáveis.

Método: Foram avaliadas 92 mulheres com SFM com média de 46,4 anos de idade, 9,8 anos de estudo, e 50% em regime conjugal. Os instrumentos utilizados foram: Termo de Consentimento Pós-Informação, Ficha de Identificação, Escala Visual Analógica, Inventário Beck de Depressão, Questionário de Estratégias de Enfrentamento da Dor. Medidas descritivas e correlacionais foram calculadas para a amostra integral, que posteriormente foi subdividida em grupos para comparação por tempo de dor, intensidade da dor e sintomas depressivos.

Resultados: As medidas de prevalência revelaram média de tempo de dor 12,5 anos (dp=14,4 anos), média de intensidade da dor 6,5 (dp=2,5) e média de sintomas de depressão 18,3 (dp=9,9). Constatou-se tendência a utilizar mais estratégias voltadas para a fé em detrimento das centradas no controle da dor. As correlações observadas foram moderadas e revelaram que a intensidade da dor tem correlação positiva com sintomas de depressão e com o uso da Catastrofização, sendo que os últimos se encontram diretamente correlacionados. Os sintomas de depressão têm correlação negativa com uso de Distração da Atenção e Auto-Afirmação de Enfrentamento, assim como com as percepções de Controle e Diminuição da Dor. As comparações entre subgrupos revelaram diferenças significativas por intensidade da dor quanto aos sintomas de depressão e no uso da estratégia Aumento da Atividade Comportamental; e, por sintomas de depressão, no uso da estratégia de Catastrofização.

Conclusões: Além da caracterização da amostra, constataram-se diversas relações entre fatores sensoriais, afetivos e cognitivos que possivelmente se reforçam dinamicamente favorecendo a cronicidade. No entanto a correlação negativa entre sintomas depressivos e Distração da Atenção, Auto-Afirmação de Enfrentamento, e percepções de Controle e Diminuição da Dor se apresentam como dados clínicos promissores na medida em que podem ser estimulados e aprimorados através de psicoterapia.

Referência: PORTNOI, A. G. O Enfrentamento da Dor. In: TEIXEIRA, MJ et al Dor: Contexto Interdisciplinar. Maio, 2003, p.205-212.


3.7.7 - EXPERIÊNCIA DA DOR CRÔNICA: COMPREENDENDO AS REPERCUSSÕES NA PARTICIPAÇÃO DE TRABALHADORES - Pôster

Fabiana C. M. Silva, Rosana F. Sampaio, Marisa C. Mancini, Marcus A. de Alcântara UFMG

Introdução: A dor é um dos maiores problemas de saúde da atualidade, em especial, quando abordada sob os aspectos do sofrimento humano que a experiência dolorosa causa. Ela é considerada crônica quando persiste por mais de três meses e sua intensidade não corresponde a uma lesão específica. Existem diferenças individuais na percepção de dor e na forma como cada indivíduo responde à sua experiência dolorosa. A presença de condições crônicas, como a dor, tem contribuído para uma participação menos diversificada de trabalhadores, centrada em atividades mais domésticas, envolvendo relações sociais pobres e incluindo menos atividades recreativas. O trabalho é a área do constructo participação que mais sofre o impacto negativo da dor crônica. Assim, o objetivo deste estudo é entender os efeitos da dor crônica na participação de trabalhadores, entendendo como estes lidam com suas vivências frente à restrição imposta pela dor. Método: Participaram do estudo 10 trabalhadores com dor crônica. O estudo foi realizado numa abordagem qualitativa e a técnica de coleta de dados foi a entrevista semi-estruturada.

Resultados e discussão: A análise das entrevistas revelou que a dor crônica implica em conseqüências na participação de trabalhadores levando a restrições no trabalho representadas por perda dos papéis desempenhados e sofrimento em relação às mudanças do status de trabalhador. As relações sociais passam a se restringir à família e os trabalhadores apresentam um isolamento crescente de outros grupos sociais. A reconstrução da vida dos participantes é um contra ponto na ruptura biográfica identificada. As narrativas apresentaram estratégias dos próprios trabalhadores para lidar com a dor, tentativas de reorganização do cotidiano e formulações de novos planos para o futuro.

Conclusão: Espera-se que os pesquisadores e clínicos possam adotar uma abordagem que busque uma visão ampliada do que é subjetivo na vida de pessoas com dor crônica para captarem os significados sobre a dor, a ruptura que ocorre na história de vida destes trabalhadores e as respostas frente à reconstrução que se impõe.

Referência: TURK, D.C.; OKIFUJI, A. Treatment of chronic pain patients: clinical outcomes, cost-effectiveness, and cost-beneficts of multidisciplinary pain centers. Physical and Rehabilitations Medicine, v. 10, p. 181-202, 1998.


3.7.8 - SÍNDROME DOLOROSA MIOFASCIAL CRÔNICA ASSOCIADA À INFECÇÃOINDROME DOLOROSA MIOFASCIAL CRÔNICA ASSOCIADA À INFECÇÃO  DO HERPES ZOSTER AGUDO - Oral

Massako Okada, Joaci O. de Araujo, Adolfo M. do Amaral, Manoel J. Teixeira Universidade de São Paulo

Introdução. A dor associada à infecção do Herpes Zoster (HZ) agudo pode evoluir para neuralgia pós herpética (NPH), principalmente nos idosos. A definição mais aceita de NPH é dor que persiste por mais de 4 meses após o início do aparecimento da erupção. Estudo feito por Okada M e cols (1998) no Centro de Dor HCFMUSP mostrou que a prevalência da síndrome dolorosa miofascial (SDM) em doentes com NPH eram de 61.7%. Esse estudo visa mostrar a ocorrência de associação da SDM crônica em decorrência da infecção do HZ agudo simulando quadro de NPH.

Método: Levantamento de prontuários de doentes atendidos no Centro de Dor da Clínica Neurológica HCFMUSP encontrou-se dez casos de síndrome dolorosa miofascial crônica associada à infecção do herpes zoster agudo.

Resultados: Eram seis do sexo feminino; idade média de 66,2 anos (máx= 80 e mín= 55); duração média da dor de 9,1 meses (máx= 36 e mín= 4), intensidade da dor foi medida pela escala visual analógica (EVA) inicial média de 7,2 (máx= 10 e mín= 2). Os níveis acometidos eram de cinco torácicos, dois cervicais e dois lombares. A inativação dos pontos gatilhos de músculos regionalmente relacionados foi feita com agulha de acupuntura. O resultado do tratamento dói de 100% no alívio da dor após um mês (EVA final= 0) em todos os casos.

Conclusões: SDM crônica ocorre após infecção HZ aguda. É necessário fazer diagnóstico diferencial para o sucesso do tratamento.


3.7.9 - O EFEITO MEDIADOR DAS CRENÇAS E ATITUDES FRENTE À DOR NA RELAÇÃO ENTRE DOR CRÔNICA E INCAPACIDADE EM TRABALHADORES COM LER - Pôster

Marcus A. de Alcântara, Rosana F. Sampaio, Leani S. M. Pereira, Fabiana C. M. Silva UFMG

Introdução: Diversos estudos apontam uma interação entre fatores físicos e psicossociais para explicar a ocorrência de incapacidade. Nesse contexto, as crenças e atitudes frente à dor são descritas como importantes preditores de incapacidade associada à dor crônica. Entretanto, a caracterização da influência dessas variáveis na relação entre dor e incapacidade em trabalhadores permanece pouco explorada. O objetivo deste estudo foi testar a hipótese de que as crenças e atitudes frente à dor são mediadores de incapacidade física numa população de trabalhadores com dor crônica resultante de Lesão por Esforço Repetitivo (LER). Método: Uma amostra de 115 participantes respondeu a questionários com informações sobre avaliação multidimensional de dor, crenças e atitudes frente à dor, incapacidade, depressão e dados sócio-demográficos e clínicos. Foi aplicado o teste de efeito mediador proposto por Baron & Kenny.

Resultados: Os resultados confirmaram a hipótese de que as crenças e atitudes frente à dor são mediadores parciais da relação entre dor e incapacidade (R2 = 0.36). A depressão também se associou positivamente com o desfecho, confirmando os resultados de outros estudos que apontaram essa variável como um importante fator associado à incapacidade (R2 = 0.50). A dor é um agente estressor que gera conseqüências negativas na vida de uma pessoa, atuando sobre os domínios físicos, psicológicos, bem como, em sua vida social. Em conjunto, fatores psicológicos, como a depressão, podem interferir na percepção da dor e desempenho funcional e a imprevisibilidade da evolução nos casos de dor crônica pode reforçar os estados emocionais negativos, gerando incapacidade adicional através de um ciclo vicioso.

Conclusão: Com isso, é necessário que clínicos e profissionais de reabilitação estejam aptos a identificar crenças mais negativas, humor depressivo, limitada rede de suporte social e oferecer uma intervenção contextualizada às necessidades de cada paciente, priorizando sua funcionalidade.

Referência: Jensen MP, Turner JA, Romano JM. Changes after multidisciplinary pain treatment in patient pain beliefs and coping are associated with concurrent changes in patient functioning. Pain 2007; 131: 38-47.


3.7.10 - HÁ RELAÇÃO ENTRE DEFICIÊNCIA DE VITAMINA D, FADIGA E QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM FIBROMIALGIA? - Pôster

Carina M. Nishimura, Gabriela Rojas, Karen M. Rodrigues, Karine A.S.L. Ferreira Universidade de São Paulo

Introdução: Aproximadamente 94,2% dos pacientes com fibromialgia (FM) queixam-se de sintomas como a fadiga (1), além da dor difusa de longa duração. Esta ocorrência concomitante da fadiga e da FM deve-se a similaridade de alguns sintomas das duas síndromes como dor muscular, sono não restaurador, incapacidades funcionais (perda de memória e concentração) (2). Além disso, as pesquisas clínicas sugerem a influencia da deficiência da vitamina D sobre esta relação (3). Deste modo, o presente estudo tem como objetivo avaliar o nível da vitamina D e fadiga dos pacientes com FM e a sua correlação.

Casuística e método: Estudo transversal com amostra de 7 pacientes com FM atendidas no Centro Multiprofissional de Dor, Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Os instrumentos utilizados foram: Inventário Breve de Fadiga (Brief Fatigue Inventory - BFI), Escala de Fadiga de Piper-revisada (EFP), Questionário do Impacto da Fibromialgia (FIQ), que avaliam a fadiga e qualidade de vida (QV). Quanto maior o escore do EFP maior a fadiga (escala numérica de 0 a 10) e quanto maior o escore do FIQ, pior a QV(escore de 0 a 100). Foi realizada dosagem sérica de níveis de 25OHD. Os dados foram analisados no SPSS versão 13.0 e avaliada a correlação pelo coeficiente de correlação de Spearman. Resultados: estes são resultados preliminares. A idade média foi de 44,4 anos (±8,2), a maioria eram casadas (50%), tinha pele branca (60%), com baixa escolaridade (60%), economicamente não ativa (90%) e não fazia o uso de suplemento de vitamina D, de cálcio e de polivitamínico. A metade costumava tomar leite e derivados (50%). Todas referiram apresentar fadiga e quando avaliadas pela EFP e BFI apresentaram escores compatível com fadiga intensa (IFPiper=7,22±2,2 e BFI=7,4±2,19) e QV ruim (FIQ=71,7±17,1). A dosagem sérica média de 25OHD foi 21,1ng/mL (±8,8), inferior ao valor de normalidade (30 ng/mL). Observou-se correlação estatisticamente significante entre níveis de vitamina D e: escore EFP (r=0,9, p=0,037), intensidade da fadiga no momento (r=0,91, p=0,00) e a pior fadiga (r=0,92, p=0,01) e dor média (r=0,84, p=0,04).

Conclusões: A amostra apresentou fadiga, QV ruim e baixo nível de vitamina D. Embora número da amostra seja pequena, o estudo sugere possibilidade da relação entre fadiga, baixos níveis séricos de vitamina D e intensidade da dor. A continuação deste trabalho com uma amostra maior faz-se necessário para confirmar os achados do presente estudo.

Referência: Costa SRMR et al. Rev Bras Reumatol. 2005; 45(2):64-70.


3.7.11 - RELAÇÃO ENTRE NÍVEIS SÉRICOS DE 25-HIDROXIVITAMINA D E DOR EM PACIENTES COM SÍNDROME FIBROMIÁLGICA: UM ESTUDO PRELIMINAR - Pôster

Júlio C. D. Andrade, Victor F. Leite, João C. P. Gomes, Helena H. S. Kaziyama
FMUSP

Introdução: A Síndrome Fibromiálgica(SFM) é caracterizada por dor crônica difusa, com a presença de pontos-gatilho, e, frequentemente acompanhada de sintomas inespecíficos, como fadiga, humor depressivo e distúrbios do sono. A SFM acomete de 2~12% da populção geral.  É descrito na literatura correlação entre SFM e baixo nível sérico de 25-Hidroxivitamina D (25OHD) 3 e entre dor crônica generalizada e hipovitaminose D4. Porém,outros estudos mostram não haver relação entre hipovitaminose D e dor crônica. Esse é um estudo preliminar de um projeto maior que tem como objetivo verificar se realmente há associação entre baixos níveis de 25OHD e SFM.

Método: Foram investigadas 7 mulheres com SFM em seguimento no Centro Multiprofissional de Dor, Hospital das Clínicas da FMUSP, com o questionário Inventário Breve de Dor (BPI) e o Questionário de Impacto da Fibromialgia (FIQ),dosagem sérica de níveis de 25OHD, hormônio tireoestimulante (TSH), T3, T4livre, glicemia, paratormônio (PTH), creatinina fosfoquinase (CPK), cálcio iônico (Ca), creatinina, enzimas hepáticas e hemograma. A duração média da dor foi 6,9 anos (±6,7) e a do  tratamento da dor : 3,3 anos (±2,4). Resultados - A dosagem sérica média da 25OHD foi 21,1± 8,8 ng/mL, a de Ca 9,3± 0,27 e a de PTH 45,2 ± 24,7. Seis pacientes tiveram dosagens  de 25OHD < 30 ng/mL, sendo 4  pacientes de 10 a 20 ng/mL.

Conclusões: Seis das 7 pacientes tiveram níveis de 25OHD considerados abaixo do recomendado pela literatura. Devido ao pequeno número de pacientes pesquisados, não podemos inferir os mesmos resultados na população de pacientes com SFM atendidos pelo serviço. Com o prosseguimento do estudo, devemos obter resultados com menor intervalo de confiança, além de dados de um grupo controle, que vão permitir um melhor entendimento da relação entre 25OHD e SFM.

Referência: Geenen, R., Jacobs, J. W. G, Fibromyalgia: diagnosis, pathogenesis, and treatment, Current Opinion in Anaesthesiology 2001, 14:533±539.


3.8 - DOR NEUROPÁTICA

3.8.1 - NEUROPATIA DIABÉTICA DOLOROSA: UMA AMPLA REVISÃO – Oral

Letícia C. Franco, Layz A. Ferreira, Ana Paula C. Pessoa, Lílian V.  Pereira
Goiânia – GO

Introdução: A neuropatia diabética dolorosa (NDD) é uma doença que acomete freqüentemente clientes com Diabetes Mellitos. Pode afetar qualquer nervo e a presença de sinais e sintomas de disfunção neural periférica elucidam o diagnóstico. O objetivo deste estudo foi identificar e analisar, por meio de levantamento bibliográfico, a prevalência da NDD, o tratamento farmacológico e não farmacológico mais utilizado e o impacto dessa doença na qualidade de vida das pessoas. Método: Foram verificadas as bases: LILACS, MEDLINE, SciELO, Cochrane e Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo (USP), no período de 1998 a 2008. Os estudos realizados com animais, bem como aqueles em que a droga utilizada para o tratamento da NDD foi pesquisada em menos de três artigos foram excluídos da revisão.

Resultados: Foram encontradas 1777 publicações abordando a NDD, sendo selecionados 139 estudos que satisfizeram os quesitos dessa revisão. Nove artigos abordaram a epidemiologia da NDD, apontando prevalência de dor neuropática entre 26,4% e 52,9%, cuja intensidade variou de leve a muito intensa. A Qualidade de Vida (QdV) foi abordada em 12 artigos, com maior prejuízo na manutenção da energia, capacidade de caminhar e no sono. Os tratamentos farmacológico (TF) e não farmacológico (TNF) da NDD foram abordados em 127 estudos, apontando a gabapentina, duloxetina e a pregabalina como as drogas mais utilizadas no TF e a estimulação elétrica, fototerapia e a acupuntura no TNF.

Conclusão: A NDD compromete um número elevado de pessoas com diabetes e essa estimativa pode ser ainda maior, uma vez que o diagnóstico nem sempre é feito pelos profissionais da saúde. Associam-se dor crônica e incapacidade funcional, impactando negativamente a qualidade de vida das pessoas. Diversas opções de tratamento farmacológico e não farmacológico para a NDD podem ser utilizadas, no entanto, muitas pessoas ainda padecem de dor. A literatura nacional carece de estudos referentes à NDD.

Referência: Nash TP.Treatment options in painful diabetic neuropathy. Acta Neurológica Scand 1999; 173:36-42.


3.8.2 - TRATAMENTO COM LASER DE BAIXA INTENSIDADE NA DOR NEUROPÁTICA PÓS-TRAUMÁTICA REFRATARIA AO TRATAMENTO CLÍNICO - Pôster

Mara Helena C. Pereira, Nathaly C .Pinto, Massako Okada, Maria Cristina Chavantes
InCor/HCFMUSP

Introdução: O tratamento da dor neuropática pós-traumática é de difícil manejo clínico. As medicações administradas podem incorrer em efeitos colaterais sistêmicos intensos, limitantes,  contudo com persistência da dor. A terapia adjuvante com o Laser de Baixa Intensidade (LBI) pode reduzir a necessidade da administração de drogas. Os efeitos analgésicos da irradiação do LBI estão bem documentadas em vários experimentos clínicos e laboratoriais. A resposta dessa terapia age ao nível da bomba de sódio-potássio em membranas celulares, como também sobre  citocromo C oxidase mitocôndrial, promovendo aumento na produção de ATP intracelular, com redução do edema e da inflamação. Alem de promover um incremento da endorfina circulante, proporcionando assim, um efeito analgésico eficaz.

Objetivo: Avaliar a resposta da aplicação de LBI, em pacientes com dor neuropática refratária ao tratamento clínico convencional, buscando otimizar a dosimetria, conseqüentemente, os resultados pós laserterapia.

Metodologia: Estudo piloto de 5 pacientes com dor tipo choque e agulhada, de longa duração sem resposta a terapia usual, na região da cicatriz com alta pontuação na Escala Visual Analógica (EVA), incorrendo em comprometimento nas Atividades de Vida Diária [AVD’s] (escalas de Barthel e Lawton). Os pacientes foram avaliados antes e após cada sessão, quando foram submetidos ao Laser de Diodo, no infravermelho, de modo pontual, uma vez por semana.

Resultados: Em todos os casos houve melhora expressiva do sintoma (avaliação da EVA e AVD’s), sendo que 2 pacientes receberam alta com follow up de 9 meses, sem retorno dos sintomas até o momento.

Conclusão: Nosso estudo sinaliza que o LBI reduz nível de dor de forma não invasiva, sem efeitos colaterais, melhorando a qualidade de vida, e demonstrando ser um método de grande aplicabilidade neste tipo de pacientes.

Referência: Bjordal, JM et al. Low-Level Laser Therapy in Acute Pain: A Systematic Review of Possible Mechanisms of Action and Clinical Effects in Randomized Placebo-Controlled Trials. Photomedicine and Laser Surgery Volume 24, Number 2, 2006.


3.8.3 - DOR NEUROPÁTICA EM PACIENTE COM CRIOGLOBULINEMIA - Pôster

João B. S. Garcia, Anamada B. Carvalho, Letácio S. G. Ferro, Eugênio S. Neto
UDI HOSPITAL

Introdução: A infecção pelo vírus da Hepatite C (VHC) acomete aproximadamente 170 milhões de pessoas em todo o mundo e sua cronificação ocorre na maioria das pessoas infectadas. Existem importantes manifestações extrahepáticas, como poliarterite nodosa, glomerulonefrite membranoproliferativa, síndrome de Sjögren e neuropatia periférica que acomete entre 40 a 75% dos pacientes infectados. O objetivo deste trabalho é relatar um caso de neuropatia crioglobulinêmica secundária a infecção pelo VHC.

Relato de caso: Paciente do sexo masculino, 59 anos, portador do VHC desde 1998, fazendo tratamento com redução progressiva de carga viral. Em 2004 apresentou parestesias em mãos e pés, fenômeno de Raynaud e petéquias em membros inferiores (MMII) com diagnóstico de vasculite e realização de tratamento. Em 2005, evoluiu com dor tipo pontada em região plantar bilateral, intermitente, que piorava quando colocava os pés no chão e melhorava com o repouso. Foi diagnosticado Crioglobulinemia Mista e realizado pulsoterapia com ciclofosfamida recebendo alta sem seqüelas. Em 2006 apresentou piora da dor em MMII, intensa, contínua e com parestesia. A biópsia do nervo sural confirmou diagnóstico de polineuropatia secundária ao VHC. Em 2007, após quadro de TEP e internação na UTI, apresentou perda de força muscular (FM) e anestesia de MMII, dificuldade para deambular, com pé caído à esquerda e quadro de dor tipo dormência, contínua, simétrica, localizada no terço distal e face lateral dos MMII. Após avaliação do Clínico de Dor e da Fisiatria apresentou diminuição da FM, reflexos abolidos em membro inferior esquerdo (MIE) com hipoestesia em face médio-lateral do membro inferior direito e anestesia em face lateral do MIE. A ENMG evidenciou mononeurite múltipla sugestiva de vasculite. Diagnosticou-se dor neuropática secundária à lesão nervosa pela Crioglobulinemia. Foi prescrito Tramadol 150mg/dia e Gabapentina 900mg/dia, fisioterapia à beira do leito e confecção de órtese bilateral com resolução total do quadro doloroso e deambulação regular após um mês de reabilitação.

Discussão: As crioglobulinas são encontradas em mais da metade dos infectados pelo VHC, causando neuropatia periférica. Dentre as neuropatias paraproteinêmicas, é comum o desenvolvimento de mononeuropatia múltipla, ocorrendo freqüentemente em pacientes com crioglobulinemia mista essencial. O correto diagnóstico e o tratamento efetivo promovem remissão do quadro e melhora significativa da qualidade de vida desses pacientes.

Referência: SANTORO, L. et al. Prevalence and characteristics of peripheral neuropathy in hepatitis C virus population. J. Neurol. Neurosurg. Psychiatry., v. 77, n. 5, p. 626-629, 2006.


3.8.4 - SÍNDROME DOLOROSA REGIONAL COMPLEXA EM HOMEM COM CÂNCER DE MAMA CONTRALATERAL – Pôster

João B. S. Garcia, Antônio F. B. Júnior, Letácio S. G. Ferro, José O. B.  Neto
Instituto Maranhense de Oncologia Belo (IMOAB)

Introdução: Câncer de mama em homem é uma doença infreqüente, representando menos de 1% de todas as neoplasias que acometem o sexo masculino. Diferentemente do câncer de mama feminino, tem uma distribuição de freqüência unimodal com pico de incidência aos 70 anos. Freqüentemente pode gerar metástases pulmonares e ósseas. O objetivo deste trabalho é relatar um caso de SDRC em homem com câncer de mama contralateral.

Relato de caso: Paciente do sexo masculino, 71 anos, Negro, com história de tumoração em mama E, submetido a mastectomia total do lado E em 2004. O diagnóstico imunohistoquímico determinou sarcoma pleomórfico de alto grau sugestivo de Fibrohistiocitoma maligno pleomórfico sendo submetido a tratamento radioterápico adjuvante. Em junho/2006 foi diagnosticado recidiva sistêmica com nódulo pulmonar em lobo superior direito e metástases ósseas. Após 5 meses, foi encaminhado ao Serviço Ambulatorial de Dor referindo quadro de dor moderada (EN=6), constante, com fisgada, choque e queimação, localizada em hemitórax direito(HTD) irradiando para membro superior direito(MSD),com diminuição de força muscular, dormência e parestesia, que melhorava com medicação (Paracetamol) e piorava com movimentação. Ao exame físico apresentava sensibilidade térmica, tátil e dolorosa diminuída em MSD e HTD até nível de T7. Foi evidenciado progressão do câncer com aparecimento de nova lesão em mama contralateral com destruição óssea em costelas observada em TC de tórax, e sinais de Síndrome de Pancoast. Assim, foi feito diagnóstico de SDRC tipo II e mantido terapia álgica com o uso de Carbamazepina 300 mg/dia e Metadona 7,5 mg/dia. O paciente evolui com melhora dos sintomas dolorosos, porém, devido a piora importante de seu estado físico geral ficou apenas sob cuidados paliativos em razão do baixo indice de desempenho e rápido progressão da doença. Foi a óbito após nove meses da primeira consulta ambulatorial.

Discussão: Os sarcomas de mama representam menos de 1% dos tipos histológicos encontrados em neoplasias de mama tanto em homens quanto em mulheres. A síndrome de Pancoast ocorre na presença de tumor primário ou metastático em ápice pulmonar com extensão para o plexo braquial, cadeia simpática, costelas e corpos vertebrais e pode gerar dor neuropática por compressão neural. A presença desta síndrome e evolução para SDRC constiui prognóstico de piora em neoplasia pouco comum, mas altamente agressiva.

Referência: DEVITA V. T.; HELLMAN S.; ROSENBERG, S. A. Principles and Practice of Oncology. 7th ed. Philadelphia: Lippincott, 2005.


3.8.5 - NEUROPATIA PERIFÉRICA SECUNDÁRIA AO USO DE ISONIAZIDA EM PACIENTE COM TUBERCULOSE. RELATO DE CASO - Pôster

João Batista S. Garcia, Igor S. Furtado, Sílvia A. M. Moura, Alexandre J. A. Andrade
São Luís - MA

Introdução: A neuropatia periférica (NP) induzida pela isoniazida (IZN) ocorre em torno de 1-2%  na maioria de manifestação leve. São poucos os estudos que abordam o assunto, e a grande maioria pertence às décadas de 60 e 70. Este trabalho tem por objetivo relatar um caso de NP secundária a IZN em paciente em tratamento para tuberculose.

Relato de caso: MCC, 34 anos, sexo feminino, há seis meses em tratamento de tuberculose com a associação de rifampicina, isoniazida e pirazinamida. Após 2 meses de inicio do tratamento, evoluiu com dores articulares, notadamente nos joelhos, de moderada intensidade, regredindo com a introdução de antiinflamatórios e suspensão da pirazinamida. Há 2 meses apresenta dor intensa em MMII, contínua, em queimação com parestesias. Foi prescrita vitamina B6, que não comprou por condição financeira precária. Com persistência do quadro, foi encaminhada a Ambulatório de Dor para tratamento especializado. Refere ainda episódios de dor tipo choque, com sensação de pontada e fisgada, ascendendo dos pododáctilos às coxas bilateralmente, alteração do sono e restrição à movimentação. Apresentou diminuição da sensibilidade superficial bilateralmente em MMII e reflexo aquileu +/4+. Pulsos periféricos palpáveis e simétricos, sem sinais de trombose venosa. Obteve escore de 10 na escala DN4 para avaliação da dor neuropática. Rotina laboratorial sem alterações. Prescreveu-se amitriptilina 25mg/dia, oxicarbamazepina 600mg/dia, B6 300mg/dia, além de técnicas fisioterápicas de dessensibilização em MMII.

Discussão: A NP é um raro efeito adverso associado à IZN, sendo capaz de causar tanto neuropatia sensitiva quanto motora, especialmente em idosos, desnutridos, alcoólatras, grávidas e naqueles com insuficiência hepática e/ou renal. O mecanismo pelo qual IZN promove neuropatia periférica ainda não é totalmente compreendido; entretanto, o antagonismo da vitamina B6 sugere o envolvimento de bloqueio de importantes reações do metabolismo neuronal dependentes da piridoxina, promovendo desarranjo do metabolismo celular e injúria neuronal. Quando intensa e com o componente de choque/queimação,o uso de antidepressivos e anticonvulsivantes está indicado. Este caso ilustra um exemplo pouco descrito na literatura de manifestações tão exacerbadas de NP secundária ao uso de IZN e a necessidade de correta avaliação e conduta.

Referência: MANDEL, William. Pyridoxine and the Isoniazid-Induced Neuropathy.Chest 1959;36:293-296.


3.8.6 - EFEITO DA LESÃO DO FUNÍCULO DORSOLATERAL NA AÇÃO ANTIALODÍNICA DA GABAPENTINA E BACLOFENO EM RATOS SUBMETIDOS À LIGADURA DE NERVOS - Pôster

Dias Quintino, Reis Gláucia, Abdo Karina, Prado Wiliam
Universidade de São Paulo

Introdução: O ácido gama-aminobutírico (GABA) é o mais abundante e um dos principais neurotransmissores inibitórios do sistema nervoso central de mamíferos e, como tal, exerce importante papel no controle da nocicepção, principalmente através de sua ação sobre seus receptores, GABAA e GABAB. Várias evidências neuroquímicas e farmacológicas indicam que interneurônios GABAérgicos espinais e/ou seus receptores podem ser ativados por sistemas descendentes noradrenérgicos e serotoninérgicos de origem supra-espinais, que descendem principalmente pelo funículo dorsolateral. Além disso, evidências mostram que a redução no funcionamento de mecanismos inibitórios GABAérgicos espinais e a alteração no funcionamento de mecanismos controladores descendentes da nocicepção podem ser importantes processos relacionados com surgimento e manutenção da alodinia decorrente da injúria de nervo. Neste sentido, o presente estudo avaliou se a lesão do funículo dorsolateral altera a resposta antialodínica da gabapentina e do baclofeno nas fases de instalação e manutenção da alodinia mecânica induzida por ligadura de nervo. Os animais foram submetidos à injúria por constrição crônica que consiste na ligadura dos nervos espinais L5 e a lesão do funículo dorsolateral foi realizada unilateralmente no nível torácico entre as vértebras T5 e T8, ipsilateralmente à ligadura de nervos. O limiar de resposta aos estímulos mecânicos na pata foi obtido utilizando um anestesiômetro eletrônico. Os animais receberam droga através de cateter implantado no espaço subaracnóide. Os resultados confirmam que a injúria por constrição crônica de nervos produz redução do limiar por 21 dias, sendo esta completamente revertida em animais previamente submetidos à lesão do funículo dorsolateral. Posteriormente, mostramos que a administração intratecal de gabapentina (200 µg/10µL) reverte a alodinia mecânica dos animais submetidos à ligadura de nervo, tanto no 2° quanto no 7° dia, e este efeito não foi diferente do observado em animais previamente submetidos à lesão de funículo dorsolateral. Também mostramos que a administração intratecal de baclofeno (0,8 µg/10µL), reverteu a alodinia mecânica dos animais submetidos à ligadura de nervo tanto no 2° quanto no 7° dia. No entanto, em animais submetidos à lesão de funículo dorsolateral, o baclofeno teve seu efeito reduzido significativamente em intensidade e duração. Os resultados indicam que o efeito antialodínico do baclofeno, mas não a gabapentina, depende da influência de mecanismos supra-espinais que descendem pelo funículo dorsolateral.


3.8.7 - ACUPUNTURA COMO TRATAMENTO SIGNIFICATIVO PARA A NEURALGIA DO TRIGÊMIO - Pôster

Rosângela Alencar, Rebecca Coelho, Nathália Itapary
UNICEUMA

Resumo: Neuralgia do Trigêmeo é um distúrbio neuropático dos ramos sensitivo do nervo trigêmeo que causa episódio de dor intensa nos olhos, lábios, nariz, couro cabeludo, testa, mandíbula e espasmo musculares ipsilateral. Não foi encontrado evidencias na literatura de melhora da sintomatologia dessa síndrome com acupuntura. Porém, este é um relato de caso da paciente M.L., sexo feminino, 70 anos, branca, que há 8 anos apresenta fortes dores, tipo choque, na hemiface direita, que dura alguns minutos e retorna com maior severidade limitando suas atividades, ocasionada pela sensibilidade ao frio. O diagnostico sintomatológico e por imagem comprovou que a paciente é portadora da Neuralgia do Trigêmio, acometendo os ramos maxilares e mandibulares. Nos primeiros 2 anos fez uso apenas de droga fitoterápica sem melhoras e deu inicio ao tratamento medicamentoso feito com Oxcarbamazepina na dosagem inicial de 300 mg duas vezes ao dia, que não foi suficiente para resolver as crises. Recorreu há um ano ao tratamento com acupuntura, realizado periodicamente (duas vezes na semana) obtendo melhora significativa da crise nos primeiros 3 meses e cessando por completo nos últimos 7 meses. Evidenciando assim que a acupuntura, neste caso,  junto com o tratamento medicamentoso foram significativos  para a diminuição da sintomatologia  da Neuralgia do Trigêmeo.


3.8.8 - EXAME NEUROLÓGICO MÍNIMO DA DOR NEUROPÁTICA NA AVALIAÇÃO DO ANESTESIOLOGISTA – Pôster

Marco Antonio C. de Resende, Osvaldo J.M. Nascimento, Giseli Quintanilha, Alberto Gemal
UFF – Rio de Janeiro

Introdução: Há poucos textos na literatura a lidar especificamente com o exame neurológico da dor neuropática(DN). Com o intuito de avaliar a possibilidade de exame neurológico mínimo que auxilie o anestesiologista no entendimento do quadro álgico, foram observados 33 pacientes no Ambulatório de Neuropatias Periféricas e Dor Neuropática, do Hospital Universitário Antonio Pedro- UFF, ao longo de um ano. Como critério para inclusão foi adotada escala analógica visual igual ou superior a seis, enquanto para exclusão sobreposição de três afecções ou mais ou dados inconclusivos no prontuário. Foram analisados como parâmetros : o sexo dos pacientes, a idade, a duração dos sintomas, a etiologia, a ocorrência de descritores livres para dor e o padrão neurológico clínico-topográfico. Houve predomínio do sexo feminino na amostra 19/33 (57,5%). A média de idade encontrada foi de 51 anos (variando entre 28 e 72 anos). A duração do sintoma sensitivo na faixa entre um a cinco anos prevaleceu (58%), sendo 18% entre cinco e dez anos, 18% até um ano e 6% dos pacientes com mais de dez anos. Na distribuição por etiologia, houve maior freqüência para os distúrbios metabólicos (34%) - com destaque para o diabetes melito. A dor em queimação predominou como descritor em 18/33 (54,5%) dos pacientes. A polineuropatia foi o padrão clínico-topográfico predominante (48,48%) com seu padrão generalizado, distal e simétrico, em oposição a quadros de neuropatia multifocal  neuropatia múltipla (15,15%), ou ainda neuropatia focal - mononeuropatia (15,15%). Casos de radiculopatia (12,12%) também foram relacionados na casuística. A apresentação de síndrome neuropática com apenas um paciente a apresentar padrão clínico-topográfico típico foi observada como plexopatia (3%), como dor talâmica (3%) e como mielopatia(3%). As modalidades termo-algésica e tátil do exame de sensibilidade foram as mais comprometidas, logo acompanhadas por alterações de força motora e reflexo, enquanto modalidades de sensibilidade proprioceptiva (vibração, pressão e cinético-postural) vieram a seguir. Apesar de nenhum sinal ou sintoma ser específico de DN, a queimação como sintoma costuma ser atribuída ao acometimento de fibras finas, assim como o padrão típico destas é a alteração térmico-dolorosa. Para o especialista em Anestesiologia e dor, a tentativa do exame mínimo pode acrescentar dados quanto a forma de quantificar a dor e avalia


r a qualidade de seu tratamento.

3.8.9 - PREVALÊNCIA DE DOR EM PACIENTES COM DOENÇA DE PARKINSON: RESULTADOS PRELIMINARES - Pôster

Renata R. Silveira, Osvaldo J.M. Nascimento, Marco Antonio Araujo, Viviane Vieira
UFF – Rio de Janeiro

Introdução: Para muitos a doença de Parkinsosn (DP) limita-se apenas a tríade constituída por hipocinesia, rigidez e tremor.  No entanto, outros sintomas associados ampliam a morbidade da DP e, quando reconhecidos, podem ser devidamente tratados. Dentre esses sintomas sobressai a dor, que impõe importante limitação ao paciente. Estudos direcionados para o conhecimento da prevalência desse sintoma se fazem necessários.

Objetivo: Estudamos a prevalência de dor em pacientes com DP, considerando-se as modalidades de dor miofascial ou neuropática.

Pacientes e métodos: Entrevistamos 80 pacientes, consecutivos, com DP, atendidos no ambulatório de distúrbio do movimento do nosso hospital, com perguntas estruturadas voltadas para o conhecimento da ocorrência de dor nesses pacientes. A dor em queimação, ardência ou choque, foi considerada como neuropática, ao passo que a dor articular, a decorrente de contração muscular por distonia e a músculo-esquelética, provocadas ou exacerbadas pela compressão dessas estruturas, foi considerada como miofascial.  A intensidade da dor foi avaliada através da escala numérica, instrumento unidimensional contendo em suas extremidades 0-sem dor, 10-pior dor possível. Consideramos a presença de dor em relação ao tempo de doença, uso ou não de medicamentos e estadiamento da DP (escala modificada de Hoehn- Yahr[H-Y]).

Resultados: Dor foi sintoma referido por 62 pacientes. A dor miofascial foi a mais prevalente, ocorrendo em 26 (32%) pacientes, enquanto a dor neuropática foi referida por 17 (21%) dos pacientes. Ambos os tipos de dor foram referidos por 19 pacientes (25 %). Nos pacientes com dor miofascial encontramos como tempo médio de doença       5,94 (variando de menos de 1 ano a 20 anos); naqueles com dor neuropática o tempo médio de doença foi de 6,23 (variando de menos de 1 ano a 22 anos). Os pacientes com dor miofascial encontravam com valor médio de 2,5 no estadiamento de doença de H-Y; os pacientes com dor neuropática apresentaram estadiamento médio de 2,54 da escala de H-Y.


3.8.10 - ESTUDO CLÍNICO DE 35 PACIENTES COM NEUROPATIA SENSITIVA DOLOROSA APRESENTANDO INTOLERÂNCIA À GLICOSE - Oral

Osvaldo J.M. Nascimento, Giseli Quintanilha
UFF – Rio de Janeiro

Introdução: O comprometimento do nervo periférico determinado pelo diabetes já vem sendo estudado há várias décadas. Até recentemente, associávamos esse envolvimento do nervo periférico ao mal controle glicêmico, nas fases mais avançadas da doença. Atualmente, admite-se que a gênese da lesão neural se desencadeia numa fase precoce da alteração metabólica, e neuropatia franca, semelhante àquelas descritas para o diabetes, pode estar presente na fase de intolerância à glicose. São analisados os aspectos clínicos da neuropatia sensitiva, notadamente da dor neuropática, associada à intolerância à glicose em 35 pacientes. Foram excluídas outras causas de neuropatias sensitivas, tais como: hipovitaminose B12, colagenoses, neuropatia tóxica e neuropatia infecciosa, além do diabetes. Todos os pacientes preencheram os critérios laboratoriais para intolerância à glicose, estabelecidos tanto pela Associação Americana de Diabetes (ADA), como pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A amostra estudada compreendeu vinte homens e quinze mulheres, com idades entre 30-83 anos. A importância de sinais e sintomas relacionados ao acometimento de fibras finas pode ser observada, seja quanto ao envolvimento do sistema nervoso autonômico, ou pela prevalência de dor neuropática, esta em 80% dos pacientes. O envolvimento simétrico e os sintomas positivos foram observados na maior parte dos enfermos, marcado pela hipoestesia termo-algésica distal, pelo sintoma dor (na maioria das vezes em queimação) e por sinais indicativos de disautonomia. A totalidade dos pacientes que apresentavam sinais de disautonomia (11 casos) referiu, também, dor neuropática e mostravam glicemia de jejum mais elevadas. Observamos que os níveis glicêmicos não se relacionavam à gravidade dos sintomas e nem a presença de qualquer sintoma específico. A maior parte dos pacientes apresentava eletroneuromiografia normal ou com leve acometimento do tipo axonal, traduzindo o envolvimento predominantemente de fibras de pequeno calibre. Podemos concluir que a exploração e a procura por alterações metabólicas relacionadas à glicose podem esclarecer inúmeros casos de neuropatia que antes passavam como idiopática e com frustrante e prolongado tratamento paliativo. O diagnóstico precoce e o tratamento agressivo dos pacientes considerados em fase de pré-diabetes pode ser crucial para o controle, desenvolvimento e progressão dessa neuropatia dolorosa.


3.8.11 - O ÓLEO ESSENCIAL DA LARANJINHA DO MATO (MYRCIA OVATA) PROMOVE ANALGESIA EM MODELO EXPERIMENTAL DE DOR NEUROPÁTICA EM RATOS - Pôster

Herberth Duarte Cavalcante, Mirna Marques Bezerra, Filipe Duarte Cavalcante, Jordana Alverne De Aguiar
Faculdade de Medicina de Sobral - Ufc

Objetivo: A dor neuropática possui mecanismos regulatórios de difícil compreensão o que dificulta o seu tratamento. O modelo de neuropatia por constrição do nervo ciático em ratos simula esta condição clínica. Visamos avaliar o efeito do óleo essencial (OE) da Myrcia ovato na dor neuropática experimental. A laranjinha do mato é uma planta medicinal do nordeste brasileiro utilizada para distúrbios gastrintestinal e é rica em citral. Metodologia e

Resultados: Utilizamos 30 ratos machos Wistar (250g-300g), 10 neuropáticos (N) (com ligadura cirúrgica do nervo ciático), 10 falso-operados (FO) (nervo ciático manipulado, mas sem sofrer constricção) e 10 ratos controle (C) (sem sofrer cirurgia). No 28º dia pós-operatório, a neuropatia foi constatada, os ratos N foram tratados com salina e em seguida com o OE (250 e 500mg/Kg VO), após 30min do tratamento foram observados por 20min e os seus comportamentos espontâneos observados numa caixa de observação e registrados os tempos de cada comportamento - COMPORTA® (De Castro-Costa et al, 1981). Os comportamentos observados: Rearing (empinar-se), Scratching Right/left (coçar-se à direita ou à esquerda), Sniffing (Cheirar), Clibing (subir em escada), Freezing (parar), Rest/Sleeping (dormir), Grooming (escovar-se), Licking (lamber-se), Biting (morder-se) e Exploration (andar). Consideramos como comportamento sugestivo de dor crônica Scratching Right/left (Moura, 1995). A dor induzida (hiperalgesia) foi avaliada pelo teste de sensibilidade térmica onde a pata direita seguida da esquerda, foi imersa em água a 46ºC. O OE (500mg/kg) promoveu uma redução do tempo de Scratching em 91,8% (51,5±15,2s vs 4,14±4,4s-p<0,05, teste t de Student), entretanto tal efeito também foi observado nos animais FO na dose de 250mg/Kg.  Já sensibilidade térmica não teve o tempo de latência modificado pelo tratamento com o OE. Observamos também efeitos sedativos nos animais tratados com o OE.

Conclusão: O óleo essencial da laranjinha do mato (Myrcia ovata) apresenta efeito analgésico na dor crônica experimental, provavelmente por efeitos combinados de analgesia e sedação, apontando a necessidade de melhor investigação destes mecanismos.


3.8.12 - EFEITO ANTINOCICEPTIVO DOS INIBIDORES DA FOSFODIESTERASE-5 NO MODELO COMPORTAMENTAL EM RATOS COM DOR NEUROPÁTICA INDUZIDA - Pôster

HERBERTH DUARTE CAVALCANTE*, JOSÉ RONALDO VASCONCELOS DA GRAÇA, ANA CAROLINA PARENTE VIANA, ALANA DE ALCÂNTARA BRITO - FACULDADE DE MEDICINA DE SOBRAL - UFC

Objetivo: A dor neuropática possui mecanismos regulatórios de difícil compreensão o que dificulta a terapêutica. O modelo de neuropatia por constrição do nervo ciático em ratos simula esta condição clínica. Visamos avaliar o efeito do dos inibidores da sildenafil na dor neuropática. 

Metodologia e resultados: Utilizamos 30 ratos machos Wistar (250g-300g), 10 neuropáticos (N) (com ligadura cirúrgica do nervo ciático), 10 falso-operados (FO) (nervo ciático manipulado, mas sem sofrer constricção) e 10 ratos controle (C) (sem sofrer cirurgia). No 28º dia pós-operatório, a neuropatia foi constatada, os ratos N foram tratados com salina e em seguida com o sildenafil (5, 10 e 20mg/Kg – VO), após 15min do tratamento foram observados por 20min e os comportamentos espontâneos observados numa caixa de observação e registrados os tempos de cada comportamento - COMPORTA® (De Castro-Costa et al, 1981). Os comportamentos observados: Rearing (empinar-se), Scratching Right/left (coçar-se à direita ou à esquerda), Sniffing (Cheirar), Clibing (subir em escada), Freezing (parado), Rest/Sleeping (dormir), Grooming (escovar-se), Licking (lamber-se), Biting (morder-se) e Exploration (andar). Consideramos como comportamento sugestivo de dor crônica Scratching Right/left (Moura, 1995). A dor induzida (hiperalgesia) foi avaliada pelo teste de sensibilidade térmica onde a pata direita seguida da esquerda foi imersa em água a 46ºC. O sildenafil (20mg/kg) promoveu redução no tempo de Scratching em 56,58% (89,8±25,2s vs 50,8±12,4s-p<0,05, teste t de Student), já a latência da sensibilidade térmica foi aumentada em 84,61% na dose de 5mg/kg de sildenafil. Não houve efeitos sedativos nos animais tratados com sildenafil.. 

Conclusão: O sildenafil apresenta ação analgésica na dor crônica experimental, sugerindo a via do GMPc como componente dos mecanismos reguladores desta condição.


3.9 – DOR NO PARTO

3.9.1 - MASSAGEM LOMBAR E RELAXAMENTO MUSCULAR NA REDUÇÃO DA DOR DE PARTO - Pôster

Rejane M. B. Davim, Thaíza T. Xavier, Gilson V. Torres, Mayana C. B. Galvão
Natal - RN

Introdução: O acompanhamento à parturiente durante o trabalho de parto na maioria das vezes envolve necessariamente suporte físico e emocional, contato físico para dividir o medo e a ansiedade, objetivando somar forças e estimular positivamente à parturiente no momento do trabalho de parto. Além disso, o acompanhamento pelo parceiro ou outra pessoa de sua confiança, utilização de estratégias não farmacológicas (ENF) associadas às informações recebidas pela parturiente no preparo do parto, devem ser estimuladas pelos profissionais de saúde.

Método: Trata-se de um ensaio clínico quantitativo do tipo intervenção terapêutica desenvolvido em uma maternidade pública na cidade de Natal, Estado do Rio Grande do Norte na Região Nordeste do Brasil no ano de 2007, com 100 parturientes baixo risco a partir de 20 anos de idade ou de sua segunda gestação, objetivando avaliar a intensidade da dor dessas mulheres com a aplicação de ENF, ou seja, massagem lombar e relaxamento muscular no momento das contrações uterinas, tendo-se como instrumento de avaliação a Escala Analógica Visual (EAV). As ENF foram aplicadas nas parturientes em três momentos: com 6 cm, 8 cm e 9 cm de dilatação do colo uterino. Resultados: Após a aplicação das ENF, obteve-se um resultado o qual identificou que as médias de intensidade da dor das parturientes após a aplicação dessas estratégias, verificou-se diferença significativa (r=0,000), demonstrando redução da dor na medida em que aumentava a dilatação do colo, sendo maior nos 6 cm e menor nos 9 cm.

Conclusão: Conclui-se que a aplicação das ENF massagem lombar e relaxamento muscular, apresentaram diferença significativa na redução da dor das parturientes deste estudo, sendo assim efetivas ao serem aplicadas durante o trabalho de parto. Os achados deste estudo apontam para a necessidade de outras pesquisas clínicas que focalizem o uso dessas e de outras ENF para a redução e o conforto da dor de parto, visando ações humanizadas na assistência à parturiente. Palavras-chave: Parto, Dor, Parturiente, Avaliação.

Referência: Paula AAD, Carvalho EC, Santos CB. The use of the Progressive Muscle Relaxation technique form pain relief gynecology and obstetrics. Rev Latino-am Enfermagem 2002; 10(5): 654-9.  


3.9.2 - AVALIAÇÃO DA DOR PRÉ E PÓS-PARTO NORMAL - Oral

Bruna Alves, Telma Zakka, Manoel J. Teixeira
Universidade de São Paulo

Introdução: O estudo possui como objetivo verificar as características de dor máxima esperada pela gestante durante o trabalho de parto e compará-las com as características de dor máxima referida após o parto, analisar os dados da dor e correlacioná-los com aspectos de qualidade de vida e de ansiedade da parturiente, e comparar os dados obtidos com os valores de intensidade de dor esperados pelo médico.

Métodos: Foram avaliadas 20 mulheres no período de Setembro a Dezembro de 2007 que se apresentaram na Fundação Universitária de Saúde de Taubaté em trabalho de parto. As mulheres e médicos foram avaliadas em dois momentos: antes e após o parto. Para a avaliação da gestante em ambos os momentos foram utilizados o questionário de qualidade de vida Whoqol reduzido (Whoqol, 1994), questionário de Dor McGill (Pimenta & Teixeira, 1996), Escala de ansiedade adaptada da Escala de Ansiedade Dentária (Corah, 1969) e a Escala Visual Analógica. Esta última também foi utilizada para os médicos. Foi aplicado o método qui-quadrado, teste T e correlações para análises dos dados.

Resultados: A média de idade foi de 22,35 anos de idade (DP=6,24, variação: 15 a 39 anos de idade). Dentre elas, 8 estavam na primeira gestação. A média de dilatação do colo uterino foi de 3,4 cm (DP=1,9, variação: 0 a 6cm). Houve correlação entre a maior intensidade de dor (EVA) e o fato de ser a primeira gestação (p=0,04), além de estar associada a maior grau numérico de ansiedade no momento pré-parto (p=0,02). No pré-parto 46% dos médicos esperavam que a dor da parturiente fosse menor do que as mesmas relataram, e 58,33% no pós-parto. Encontramos correlação entre os aspectos psicológicos e a dor pelo VAS (P=0,036).

Conclusão: Foi demonstrado que os aspectos psicológicos interferem na dor esperada pela gestante; altos níveis de dor também se associaram com altos índices de ansiedade geral (p=0,031). Níveis de dor e ansiedade foram maiores em primigestas, e houve coincidência quanto à intensidade de dor entre as parturientes e os médicos em apenas um quarto dos casos, sendo que em sua maioria o valor estimado de dor pelo médico foi menor do que o relatado pela parturiente.

 Referência: CORAH, Norman L. Development of a dental anxiety scale. Journal of Dental  Research. New York, v.48, n.4, p.596, 1969.


3.9.3 - PERCEPÇÕES DE PRIMIGESTAS ATENDIDAS NO SERVIÇO PRÉ-NATAL DE UMA MATERNIDADE PÚBLICA SOBRE A DOR DO PARTO NORMAL – Pôster

Nilza A. M. Almeida, Marcelo Medeiros, Amanda S. F. Coelho, Cristiane C. Silva  Maternidade Nossa Senhora de Lourdes

Resumo: A dor do parto normal é uma experiência reconhecida como inerente ao processo de parturição e histórico-culturalmente associada à idéia de sofrimento, sendo esperada por mulheres de diferentes culturas. Estudos têm apontado a importância dos profissionais da obstetrícia conhecerem a natureza e o gerenciamento da dor do parto normal, visando aumentar a satisfação da mulher na vivência do processo de parturição. Objetivou-se com esta pesquisa identificar as percepções de primigestas sobre a dor do parto normal a partir do contexto sociocultural e de assistência pré-natal. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, com base nos pressupostos da Pesquisa Social em Saúde. Os dados foram coletados por meio de entrevista individual com primigestas, entre abril e agosto de 2007 em uma maternidade pública de Goiânia, conforme aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa Humana e Animal do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás. Realizou-se transcrição das entrevistas e, posteriormente, a análise de Interpretação de Sentidos. Dez primigestas entre 18 a 27 anos, com gestação normal entre 36 a 38 semanas participaram voluntariamente da pesquisa e de suas falas emergiram as categorias temáticas: Fontes de informação sobre a dor do parto normal e Percepções, expectativas e sentimentos sobre a dor do parto normal. Para este grupo de primigestas a dor do parto normal é percebida como uma experiência que difere de uma mulher para outra, sendo representada de forma ambígua ora como fenômeno natural, ora como fenômeno de sofrimento segundo informações oriundas do meio social e de assistência pré-natal. Estas informações suscitaram desejos e expectativas de um parto normal bem sucedido e que na ocorrência de dor esta fosse natural, rápida e tolerável. Sentimentos ambíguos de otimismo (esperança) e inquietação (medo) em relação à dor também foram apresentados. Estes resultados configuram importante instrumento para os profissionais da saúde, no sentido planejar ações tanto na condução do pré-natal quanto do processo de parturição, visando à promoção de um parto natural saudável e segurança à parturiente na vivência do processo doloroso.

Referência: Caton D et al. The nature and management of labor pain: executive summary. Am J Obstet Gynecol., 186 (5): S1-15, 2002..


3.9.4 - A DOR DO PARTO NORMAL NA LITERATURA CIENTÍFICA INDEXADA ENTRE 1980-2007 – Oral

Nilza A. M. Almeida, Marcelo Medeiros, Lucinéia J. Soares, Rúbia L. R. Sodré Universidade Federal de Goiás

Resumo: A dor do parto é definida como aguda, transitória, complexa, subjetiva e multidimensional, inerente ao processo fisiológico da parturição. Para compreendê-la é necessário considerar tanto os aspectos fisiológicos, como psicológicos e socioculturais da parturiente. Objetivou-se com esta pesquisa analisar a produção científica, sobre a temática dor do parto, indexada em dois bancos de dados da Biblioteca Virtual em Saúde, no período de 1980 a 2007. Realizou-se uma pesquisa descritiva e exploratória, de natureza bibliográfica, nos bancos de dados da Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde e Base de Dados de Enfermagem da Biblioteca Virtual em Saúde. Foram utilizadas as combinações dos seguintes descritores: dor, parto, dor do parto, trabalho de parto, nascimento, maternidade, cultura, controle e alívio para levantamento das referências. Para análise foram incluídas as referências com abordagem da temática dor do parto, descritas na língua portuguesa e com resumo completo. Realizou-se a catalogação das referências em protocolo, análise descritiva dos dados para caracterização dos resumos, categorização do enfoque dos estudos e articulação entre os dados e a literatura. No levantamento bibliográfico, obteve-se 358 referências, das quais 30 foram protocoladas: 25 (83,33%) artigos, 3 (10%) teses e 2 (6,67%) dissertações. O enfoque dos conteúdos dos resumos foi dividido em três temáticas: Vivência do processo doloroso e do parto propriamente dito (7 estudos), Métodos alternativos e não-farmacológicos de assistência (11 estudos) e Efeitos de fármacos utilizados na analgesia do parto normal (12 estudos). Da análise pode-se apreender o panorama nacional das pesquisas sobre a temática dor do parto e a relevância das mesmas na produção de tecnologias para a assistência humanizada, no resgate a cultura do parto normal e como subsídio de conhecimento para o gerenciamento da dor, visando aumentar a segurança e satisfação da mulher na vivência do processo de parturição.

Referência: 1. Lowe KN. The nature of labor pain. Am J Obstet Gynecol. 2002;(186):S16-24.


3.10 – DOR OROFACIAL

3.10.1 - LEVANTAMENTO DE DADOS E INCIDÊNCIA DE PACIENTES COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR E FIBROMIALGIA - Pôster

Monique L. Sanches, Liete F. Zwir, Antonio Sérgio Guimarães
Unifesp

Introdução: Vários estudos tentam correlacionar Disfunção Temporomandibular (DTM) e Fibromialgia (FM) encontrando uma grande diversidade de conclusões. O objetivo desse trabalho é mostrar dados clínicos relevantes e a incidência de pacientes com concomitante DTM e FM, usando critérios de diagnóstico estandardizados e validados, para obtermos mais informações sobre os sinais e sintomas clínicos dessas duas entidades e tentar correlacioná-las.

Método:É um estudo retrospectivo de levantamento de fichas clínicas de 1563 pacientes atendidos no ambulatório de DTM e dor Orofacial da UNIFESP, que apresentaram DTM no período entre Outubro de 2002 à Março de 2007. Setenta e nove desses pacientes também possuíam FM, previamente diagnosticada por um reumatologista. Todos os pacientes assinaram o termo de livre consentimento esclarecido para esse estudo, que foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da UNIFESP sob o número 2033/07.

Resultados: Dos 79 pacientes que apresentaram concomitante DTM e FM 77 eram mulheres e 02 eram homens. A idade média foi de 49.72 anos. Mais de 80% apresentaram abertura bucal passiva e ativa maior que 40mm. Houve presença de sons articulares em 48.10%. Dor a palpação em mais de 15 locais na região orofacial foi encontrada em 62.03% e 56.96% tinham dor referida. Somente 28 pacientes concluíram o tratamento para DTM e a média de tempo foi de 11.13 meses. 72 pessoas (91.14%) apresentaram algum tipo de bruxismo.

 Conclusões: 5.02% dos pacientes apresentaram concomitante DTM e FM e desses indivíduos apenas 35.44% concluíram o tratamento para DTM. Isso pode ser pelo fato de que os sintomas da FM, tais como: dor musculoesquelética difusa, fadiga, distúrbio do sono e stress desmotivam o paciente a executar o tratamento chegando até a desistir do mesmo. Eles.não mostraram nenhuma diferença significante nos sinais e sintomas dos pacientes que possuiam apenas DTM. Portanto, não podemos correlacionar essas duas entidades como sendo a mesma, pois como nos diversos estudos, a maior parte dos pacientes que tem FM também apresentam DTM, mas poucos que apresentam DTM também possuem FM.

Referência: Balasubramaniam R, et al.(2007) Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod. Aug; 104(2):204-16.


3.10.2 - MANIFESTAÇÕES OROFACIAIS  NA ANEMIA FALCIFORME - Pôster

Flávio Lombardi, Caroline Cotes Marinho, Cícero Ferreira Maia, Leidiane Pereira Lopes Hemominas – Juiz de Fora

Introdução: A Anemia Falciforme é uma doença genética recessiva comum em melanodermas, em que o que se vê é a subversão do gene responsável pela cadeia b do cromossomo 11, o que traduz na substituição do ácido glutâmico pela valina. Esse fenômeno justifica as profundas alterações no comportamento físico-químico da hemoglobina (HbS) no estado desoxigenado e pode  decorrer de situações hipoxiantes e condições resultantes de queda de pH. O portador de Anemia Falciforme se revela mais resistente à Malária, uma vez que os protozoários não sobrevivem o interior das hemácias alteradas, isto é, células com fenótipo histológico falcizado. No Brasil, a prevalência é de 2,1% na população melanoderma e de 1,22% na população leucoderma. A freqüência de 1 para 1.500 habitantes, sendo o acometimento predominante em mulheres. Os métodos diagnósticos mais comuns são o exame de sangue, triagem neonatal (teste do pezinho) e eletroforese de hemoglobina. O sinal clínico mais dramático da doença é a crise da Anemia Falciforme, podendo ser precedida por hipóxia, infecção, hipotenúria, ou desidratação. Os pacientes revelam dor em extremidades, região lombar, abdômen ou tórax, usualmente associada à febre ou a urina escura ou vermelha, conseqüência de necrose vascular da medula óssea. Manifestações especialmente bucais incluem: necrose pulpar, parestesia do nervo mandibular e osteomielite, dor orofacial, cárie, hiperplasia gengival, periodontite severa, isquemia mandibular, hipoplasia do esmalte, diastemas e padrão trabecular reduzido da mandíbula. A presente revisão de literatura tem como objetivo discutir as possíveis manifestações de interesse ao cirurgião dentista associadas à anemia falciforme. Pode-se concluir que a anemia falciforme é uma alteração genética associada à síntese de Hb e relacionada a alterações bucais e maxilofaciais, o que justifica a fundamental atuação do cirurgião-dentista no diagnóstico e controle das manifestações reveladas na doença, como parestesia do nervo mandibular, necrose pulpar e osteomielite mandibular, condições justificadas por um pobre suprimento sanguíneo, que acarreta em isquemia e subseqüente necrose óssea, favorecendo o envolvimento crescente de bactérias que podem invadir o local via ligamento periodontal ou por via hematogênica.


3.10.3 - MÉTODO PAULINO: UM MEIO AUXILIAR NO DIAGNÓSTICO DE DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR MUSCULAR - Oral

Adilson C. G. Paulino
Centro de Especialidades Odontológicas de Amparo

Introdução: Desarmonias oclusais e desequilíbrios neuromusculares estão frequente-mente relacionados à disfunção da articulação temporomandibular(ATM) de acordo com Pomeranc, que propõe como fase inicial do tratamento o uso da placa oclusal. Segundo Soboreva, a movimentação mandibular durante a mastigação baseia-se em estudos da fisiologia e princípios do controle neural dos movimentos mastigatórios. A força muscular, segundo Guyton, é desencadeada pela contração das suas fibras constituintes, que pos-suem comprimentos e direções díspares entre si, estabelecendo um complexo sistema de forças. Serway, esclarece que o vetor resultante da somatória de diferentes forças inci-dentes em um corpo,é uma força única com o mesmo efeito físico daquelas sobre o mes-mo corpo. Se as forças oclusais decorrem da ação dos músculos mastigatórios,cuja fun-ção é triturar os alimentos, parece lógico que o vetor resultante destas forças ocorra so-bre o rebordo gengival. Guyton afirma que quando um músculo é estimulado com fre-quência cada vez maior,o seu grau de contração aumenta de forma progressiva. Se hou-vre uma contração 5% maior que a pré-estabelecida(frequência crítica") inicia-se a dor. Se esta tensão muscular chegar a ser 30% maior que a pré determinada,as contrações musculares se fundem disseminando a dor.

Objetivo: Avaliar o desequilíbrio neuromuscu-lar intra-oral como etiologia da neuralgia do nervo trigêmeo.

Método: Aplicação de um penço de algodão entre as arcadas antagonistas do paciente, aumentando ou diminuin-do este desequilíbrio,dependendo do lado em que for aplicado,causando ou debelando respectivamente as  dores orofaciais, inclusive as referidas.

Resultados: Todos os 115 pacientes deste estudo, tornaram-se assintomáticos em até 15 minutos após a aplicação deste teste, independentemente se as dores fossem crônicas ou agudas.

Conclusões: 1)Uma parcela das dores orofaciais é causada pelo desequilíbrio neuromuscular bilateral das ATM. 2) As sinapses do nervo trigêmeo são relevantes na explicação das dores orofa-ciais referidas. 3) O desequilíbrio neuromusuclar das ATM é uma das etiologias da neural-gia trigeminal. 4) A diferença do tônus muscular entre o homem e a mulher explica a maior prevalência desta patologia na população feminina."


3.10.4 - A VIOLÊNCIA DA DOR: CONSTRUÇÃO DE UM ESTÁGIO EM CLÍNICA DA DOR OROFACIAL - Pôster

Naira Sampaio, Andréa Kamel*, Claudia Soares, Ronaldo Garcia
Universo - Niterói

Introdução: A dor é sempre violência, algo nos arranca de um estado de calmaria e nos remete ao sofrimento, e não faltam no mundo situações que provoquem dor, desde um amigo que não era amigo a um buraco no dente no qual todo o mundo, no momento da dor, se resume, como bem soube nos dizer Freud em Introdução ao Narcisismo(1914). As dores são do corpo, mas de um corpo singular, um corpo erógeno, um corpo pulsional, marcado pelos investimentos libidinais vindo do(s) outro(s), este corpo que fez sua entrada na psicanálise via os trabalhos freudianos sobre os sintomas da histeria que possuíam um significado que precisavam ser desvelados, e sua dor era oriunda dos conflitos vividos. Pensando de onde pode vir a causa da dor, Freud propõe três possibilidades em O Mal-Estar na Civilização (1930),diz que a dor pode vir do nosso próprio corpo, da sua finitude; da natureza com sua força de destruição; ou dos outros homens, quando perdemos quem amamos ou quando estes nos infligem sofrimento, via as estratégias de poder sobre o corpo, como propõe Foucault (1979).

Relato de caso: A Construção de um Estágio. O estágio no Núcleo de Psicologia Aplicada da Universo visa o atendimento de pacientes com dor orofacial crônica através da integração do estágio supervisionado do Núcleo de Psicologia Aplicada - NPA e da Clínica de Aprendizado Odontológico da Universo APROU, onde os pacientes com as características de dor orofacial crônica são atendidos e encaminhados para atendimento psicológico no NPA.

Discussão: Concomitantemente aos estudos teóricos, iniciaram-se os atendimentos, onde, primeiramente o paciente é submetido a um roteiro de entrevistas psicológicas e, posteriormente, encaminhado para o atendimento em grupo. Atualmente nos encontramos no processo de efetivação do projeto com o início dos atendimentos. No roteiro das entrevistas há a aplicação do questionário RDC / TMD. Com o objetivo de compreender a história da doença do paciente a sua relação com o sintoma, busca-se ainda na entrevista o início do surgimento da dor; tenta-se caminhar sobre as fantasias que este construiu sobre sua doença ou a inexistência delas; além dos fatos correlatos ao surgimento dos primeiros sinais indicadores da doença. O objetivo deste trabalho de pesquisa é buscar compreender se há e assim sendo, qual o papel das demandas psicológicas na produção e/ou manutenção das dores orofacial em geral.

Referencia: ALBINO, J. A psychologists guide to oral diseases and disorders and their treatment. Professional Psychology: Research and Practice, 33, 176-182. 2002.



.10.5 - A EFICÁCIA DA TERAPIA COM ULTRA-SOM EM PACIENTES PORTADORES DE DISFUNÇÕES TEMPOROMANDIBULARES - Pôster

Fernanda A. Sampaio, Claudine R. A. Samapio, Liana R. Miranda, Lis M. C. Guerra Fortaleza - CE

Introdução: As alterações nas articulações temporomandibulares têm merecido grande destaque na odontologia atual, devido à significativa sintomatologia causada por essas disfunções, podendo vir a impedir que as pessoas exerçam suas atividades normais. Esse estudo visa identificar a eficácia do uso da terapia com ultra-som pulsado no alívio da dor de pacientes portadores de disfunções temporomandibulares. Os pacientes foram classificados quanto ao grau de severidade da disfunção pelo índice anamnésico e clínico de Helkimo, onde em uma amostra de vinte e oito pacientes 61,53% apresentavam disfunção temporomandibular severa e 38,46% moderada. A queixa principal da maioria dos pacientes referiu-se a dor, sendo a cefaléia a mais freqüente. Após a aplicação do ultra-som pulsado os pacientes foram reavaliados segundo esse mesmo índice e classificados da seguinte forma: 15,38% portadores de disfunção severa, 34,61% portadores de disfunção moderada, 41,15% portadores de disfunção leve e 3,84% não portadores de disfunção, além de relatarem uma melhora significativa na queixa principal que era a cefaléia. Esses resultados mostram que o tratamento com o ultra-som pulsado em portadores de disfunções temporomandibulares produz uma melh      ora significativa das queixas.

Referência: GUERRA, L.M.C. Eficácia do ultra-som na terapia das disfunções temporomandibulares: Avaliação clínica e eletromiográfica.


3.10.6 - DOR OROFACIAL CAUSADA POR HIPERMOBILIDADE ARTICULAR - Pôster

Renata P. Stypulkowski, Milena R. Cavalcanti, Epaminondas A. Karagiannis, Carlos G. Guedes Hospital Universitário de Brasília (HUB)

Introdução:A hipermobilidade articular generalizada se caracteriza pela presença de frouxidão ligamentar generalizada, associada a sintomas músculo-esqueléticos crônicos e recorrentes. Nos ligamentos dos indivíduos portadores de hipermobilidade existe uma perda de resistência à tração provavelmente devido a uma alteração na estrutura dos colágenos que os compõem, levando a frouxidão e aumentando a mobilidade articular (PERRINI et al., 1997). Essa condição é, geralmente, hereditária ou pode estar associada a uma síndrome denominada Síndrome de Ehlers-Danlos. Tais pacientes são mais susceptíveis a micro e macrotraumas, podendo estes estarem relacionados a desarranjos articulares ou estalidos da ATM. Pacientes com hipermobilidade apresentam os ligamentos com lassidão exacerbada não havendo limitação do movimento mandibular excessivo, podendo este ocorrer independentemente da posição do disco articular. Dois tipos de deslocamentos do côndilo fora da cavidade glenóide que podem ocorrer são a luxação (o côndilo ultrapassa a eminência articular e não volta a sua posição de origem) e a subluxação (o côndilo pode voltar a sua posição naturalmente) (CARLSSON et al, 2000). Larsson et al (1987) observou uma maior prevalência da hipermobilidade em pessoas do sexo feminino, sendo, normalmente, hereditária e com a diminuição dos sinas e sintomas com o tempo. Paciente do sexo feminino, 21 anos, leucoderma, compareceu ao Hospital Universitário de Brasília apresentando deslocamento de côndilo na abertura ultrapassando a eminência anterior da cavidade glenóide, sem redução espontânea do disco articular, em que a paciente fazia a redução manualmente. Apresentava dor articular e da musculatura mastigatória (mm pterigóideo lateral inferior, temporal e masseter). Ao exame clínico foi observado estalido na abertura e fechamento e desvio da linha média dos dentes anteriores, sugerindo alterações na trajetória condilar. A tomografia mostra a hiper-mobilidade condilar com a ultrapassagem da eminência articular. O tratamento foi sintomático a partir de placa miorelaxante, ajuste oclusal e fisioterapia. Uma associação estatística de dados não prova nenhuma relação de causa e efeito entre a hipermobilidade articular generalizada e as disfunções de interferência de disco, como tem sido descrito por vários autores, mas apenas sugere o indício da existência da mesma, entretanto, não há como afirmar ou refutar tal tipo de afirmação. São necessários estudos mais profundos e qualificados para se chegar a uma relação clínica entre ambas.

Referência: Perrini, F. et al. Generalized joint laxity and temporomandibular disorders. J Orofac Pain. 1997; v.11(3); p. 215-21.


3.10.7 - SEVERIDADE DA DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR EM PACIENTES COM MIGRÂNEA - Pôster

Maria Claudia Gonçalves, Thais C. Chaves, José J. Speciali, Débora Bevilaqua Grossi
Universidade de São Paulo

Introdução: A cefaléia e a Disfunção Temporomandibular são doenças altamente prevalentes na população geral1 e compartilham varias características como dor, duração, intensidade, padrão temporal e distúrbios psicossociais2. A severidade da DTM tem sido associada à freqüência de cefaléia4.  O Questionário e Índice Anamnésico de Fonseca (QIAF) é um dos poucos instrumentos disponíveis na língua portuguesa para caracterizar a severidade dos sintomas da DTM. Para cada uma das 10 questões são possíveis 3 respostas (sim, não e às vezes) com pontuações preestabelecidas de (10, 0 e 5 respectivamente)5. O objetivo deste trabalho foi, verificar nos diferentes tipos de cefaléias a severidade da DTM a partir da aplicação do Questionário e Índice Anamnésico de Fonseca (QIAF). O QIAF foi aplicado em 45 voluntários, do Ambulatório de Cefaléia do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto: 15 constituindo o grupo controle (GC-sem cefaléia nos últimos 3 meses com média de idade de 40±8,78 anos), 15 com migrânea episódica (ME-com média de idade de 47,87±10,91 anos) e 15 com migrânea crônica (MC-com média de idade de 41±9,40 anos), por um único avaliador que era cego para os diagnósticos das cefaléias. O diagnóstico das cefaléias foi feito por neurologistas segundo os Critérios da Sociedade Internacional de Cefaléia. Utilizou-se o teste ANOVA (P≤0,05) para verificação de diferenças antropométricas e o teste qui-quadrado (p≤0,05) para comparação de diferenças entre os valores em forma de porcentagem entre os 3 grupos. Os grupos não apresentaram diferença estatística quanto à idade (p=0,87). 100%, 80% e 60% dos grupos MC, ME e GC respectivamente tiveram algum grau de severidade de DTM (p=0,00). Houve diferenças quanto ao grau de severidade moderado e severo para os grupos MC e ME em relação ao GC (p=0,00 e p=0,00 respectivamente) e o grau severo para MC em relação aos grupos ME e GC (p=0,03).  Os dados revelaram que indivíduos com MC e ME apresentam maiores graus de severidade da DTM, moderada e severa, em relação a indivíduos sem cefaléia e que quanto maior a freqüência da cefaléia maior a severidade da DTM.

Referência: Richard B, Lipton MD, Bigal ME. Headache 2008;48:707-710.


3.10.8 - FREQUÊNCIA DA DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR EM PACIENTES COM MIGRÂNEA - Oral

Maria Claudia Gonçalves, Thais C. Chaves, José G. Speciali, Débora Bevilaqua Grossi Universidade de São Paulo.

Introdução: Disfunção Temporomandibular (DTM) é uma denominação genérica para o subgrupo das disfunções dolorosas orofaciais1. A Migrânea é uma síndrome dolorosa freqüente na população e acomete cerca de 18% das mulheres e 6% dos homens2.  A cefaléia e a DTM são doenças altamente prevalentes na população geral3 e compartilham características como dor, duração, intensidade, padrão temporal e distúrbios psicossociais4. O objetivo deste trabalho foi verificar nos diferentes tipos de cefaléias a presença do diagnóstico de DTM a partir da aplicação do Critério de diagnóstico em Pesquisa para DTM (RDC/TMD). O RDC/TMD foi aplicado em 45 voluntários, do Ambulatório de Cefaléia do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto: 15 constituindo o grupo controle (GC-sem cefaléia nos últimos 3 meses com média de idade de 40±8,78 anos), 15 com migrânea episódica (ME-com média de idade de 47,87±10,91 anos), e 15 com migrânea crônica (MC-com média de idade de 41±9,40 anos).  O RDC/TMD foi aplicado por um único avaliador que era cego para os diagnósticos das cefaléias. O diagnóstico das cefaléias foi feito por neurologistas segundo os Critérios da Sociedade Internacional de Cefaléia. Utilizou-se o teste ANOVA (P≤0,05) para verificação de diferenças antropométricas e o teste qui-quadrado (p≤0,05) para comparação de diferenças entre os valores em forma de porcentagem entre os 3 grupos. Os grupos não apresentaram diferença estatística quanto a idade (p=0,87). Dos indivíduos dos grupos GC, ME e MC, 40%, 80% e 86,67% respectivamente apresentaram algum diagnóstico de DTM (p<0,00). Não houve diferença entre MC e ME (p=0,60). O diagnóstico de dor miofascial foi mais freqüente no ME e MC que no GC (p<0,00) e não houve diferença entre os grupos MC e ME (p=0,43). Diagnósticos mistos, dor miofascial mais disfunções articulares, também foram mais freqüente nos grupos ME (p<0,00) e MC (p<0,03) em relação ao GC. Os dados revelaram que indivíduos com MC e ME apresentam maior freqüência de DTM (segundo o RDC/TMD) que o GC tanto para os diagnósticos de dor miofascial quanto mistos. Não houve diferença na freqüência de DTM entre pacientes com ME e MC. Estes dados sugerem que indivíduos com migrânea têm maior freqüência de DTM que indivíduos sem cefaléia e a importância da abordagem multidisciplinar em pacientes com cefaléia.

Referência: Dworkin SF, LeResche L. J Craniomandib Disord 1992;6:301-3055.


3.10.9 - DOR OROFACIAL, PRÓTESES DENTÁRIAS, NUTRIÇÃO E COMPROMETIMENTO COGNITIVO EM IDOSOS - Pôster

Talissa T. Vilela, Thays A. Alfaya, Silvia R. Siqueira, José T. Siqueira
FMUSP

Introdução: Idosos em geral apresentam muitas queixas, principalmente crônicas, que podem comprometer a qualidade de vida. Perda de dentes e uso de próteses podem estar associados a problemas mastigatórios e de nutrição. O objetivo desse estudo foi avaliar a dor orofacial, a função mastigatória e anormalidades nutricionais em idosos.

Métodos: Foram avaliados 73 pacientes institucionalizados. Foram utilizados os seguintes instrumentos: Questionário de Dor EDOF-HC (Equipe de Dor Orofacial do Hospital das Clínicas da FMUSP), RDC/TMD (Critérios de diagnóstico para disfunção temporomandibular), Mini Exame Nutricional e Mini Exame do Estado Mental.

Resultados: A média de idade foi 75,5 anos, a maioria era de mulheres (71,2%); 13,7% tinham dor na face e/ou cabeça, sendo bilateral em 55,5%, em sua maioria diagnosticados como DTM (Disfunção Temporomandibular). Próteses dentárias estavam presentes em 75% e a maioria deles (56,4%) apresentavam perda de dimensão vertical; 14,3% estavam na faixa de risco de desnutrição, que estava associada à índices mais baixos na avaliação cognitiva (p=0,01) e com o uso de próteses totais dentárias (p=0,08).

Conclusão: Esse estudo encontrou uma associação entre risco nutricional, índices mais baixos cognitivos e perda de dentes/uso de próteses totais. Dor facial esteve presente em 13,7% dessa amostra e suas características foram comumente associadas à disfunção mastigatória.


3.10.10 - ESTUDO DO LASER DE BAIXA INTENSIDADE EM PACIENTES COM DOR MUSCULAR INTENSA DEVIDO Á DESORDENS TEMPOROMANDIBULARES - Pôster

Nathaly C. Pinto, Vanessa H. A. Farias Mara Helena C. Pereira, Maria Cristina Chavantes Univap

Introdução: Dor na área pré-auricular, na articulação temporomandibular (ATM) e nos músculos da mastigação, além da limitação dos movimentos da mandíbula são queixas freqüentes em pacientes com Desordens Temporomandibulares (DTM), que acomete grande parte da população. Como resultado de etiologia multifatorial tem sido um desafio para os profissionais médicos e dentistas tratar, particularmente, a dor causada pela DTM. O LBI age sobre a cicloxigenase, reduzindo a concentração de prostaglandinas, a qual associada à bradicinina tem ação nos mecanismos da dor. Além do efeito antiinflamatório, ele também estimula o metabolismo celular influenciando na intensidade da dor. Neste estudo nosso objetivo foi analisar o efeito do Laser de Baixa Intensidade (LBI) na dor orofacial com DTM.

Metodologia: Dezoito pacientes adultos, de forma randomizada, com dor muscular sobre tratamento ortodôntico foram divididos em dois grupos: G1  submetido a irradiação Laser, e G2 Grupo Placebo (aplicação de Laser), enquanto a eletromiografia foi utilizada para registrar a atividade elétrica do músculo facial previamente e após a laserterapia. O Laser de Diodo foi aplicado no total de 10 vezes, durante 1 mês. No G1 utilizou-se l =830 nm, Dose= 30J/cm2, tamanho do spot= 2mm, potência= 80 mW administrado, pontualmente, no músculo masseter numa área de alta atividade elétrica, assim como em 3 pontos da cavidade glenóide. Para o G2, os mesmos parâmetros foram empregados, mas o paciente não sabia que o interruptor do aparelho estava desligado (efeito placebo).

Resultados: Após 1 ano de acompanhamento, encontramos que o G1 teve uma melhora clínica, particularmente, com redução da sensibilidade da dor, aumento na abertura da boca e favorecendo as funções de mastigação em relação aos pacientes de G2, baseado nas análises estatísticas. Os sinais eletromiográficos, do grupo Laser demonstraram uma melhora significativa quando comparada ao grupo Placebo.

Conclusão: O LBI evidenciou um efeito analgésico significante com uma ação eficaz durante a mastigação, melhorando, sobretudo, a qualidade de vida dos pacientes.

Referência: Bjordal, J.M. et al. Low-Level Laser Therapy in Acute Pain: A Systematic Review of Possible Mechanisms of Action and Clinical Effects in Randomized Placebo-Controlled Trials. Photomedicine and Laser Surgery Volume 24, Number 2, 2006.


3.10.11 - RELATO DE CASO: NEURALGIA DO TRIGÊMEO BILATERAL - Oral

Caio Marcio Barros de Oliveira, Luiz Gustavo Baaklini, Adriana Machado Issy, Rioko Kimiko Sakata
Universidade Federal de São Paulo

Introdução: A neuralgia do trigêmeo é caracterizada por dor intensa, paroxística, em choque, duração de segundos, freqüência variável e sem outras alterações neurológicas. Relato de Caso: Id: MNRS, 61 anos, maranhense, casada, do lar. QD: Dor na face há 6 anos. HPMA: paciente começou apresentar dor intensa em V2-V3 à esquerda com duração de 5 a 10seg em região lateral do nariz e mandibular que piora ao falar, mastigar e diminuição da temperatura. AP: hipertensão arterial. Tratamento Prévio: clorpromazina (3mg 8/8h) + carbamazepina (200mg 8/8h) durante 6m sem alívio da dor. EF: alodínia térmica e mecânica em regiões de V2-V3. HD: neuralgia do trigêmeo. Tratamento proposto: gabapentina (1200mg/d), com alívio parcial da dor.

Conduta: aumento de gabapentina (1500mg/d) + amitriptilina 12,5mg.

Evolução: dor leve e esporádica com diminuição da intensidade da dor ao longo de 10m de tratamento, sendo feita redução progressiva da gabapentina para 600mg/d. Após 1a, a paciente começou apresentar dor de característica semelhante em região mandibular do lado direito. Não apresentava alteração em exames de tomografia ou ressonância magnética de encéfalo.

Discussão: São raros os casos de neuralgia bilateral, sendo o lado direito mais comumente acometido que o esquerdo (1,5:1). A incidência anual da neuralgia do trigêmeo é de 4,3 por 100.000/ano na população geral, com discreta predominância no sexo feminino (3:2). A faixa etária mais acometida é de 60 a 70 anos, como dessa paciente. Sua prevalência é maior em pacientes hipertensos. Pode ser classificada como: idiopática associada à compressão do nervo trigêmeo e secundária a tumor, esclerose múltipla, anormalidades da base craniana ou malformações arteriovenosas. O diagnóstico é clínico, embora estudos de imagem possam ser necessários em pacientes com manifestação atípica. Os resultados da TC e RNM dessa paciente foram normais. A carbamazepina é fármaco de primeira linha para neuralgia do trigêmeo e sua dose varia de 100 a 2400mg/dia. A maioria dos pacientes obtém alívio com 200 a 800mg/d. A gabapentina tem sido usada como terapia de primeira linha ou quando não houve alívio com carbamazepina. Sua dose efetiva varia de 900 a 1200mg/dia (até 3600mg/dia).

Referência: Bennetto L, Patel NK, Fuller G. Trigeminal neuralgia and its management. BMJ 2007;334:201-5.


3.10.12 - DOR FACIAL ATÍPICA À ATIVAÇÃO DO SISTEMA TRIGEMINO-CERVICAL PÓS FACELIFT - Pôster

Roberto Y Esaki, Alexandre C. Amaral, Lícia M.V Saadi, Zélia Da Gregory
CMD

Introdução: Relatar um caso de dor facial em uma paciente submetida a uma cirurgia plástica de face (Facelift), considerando o seu tratamento, bem como as estratégias utilizadas e seus resultados. A paciente foi submetida à cirurgia plástica em 09/2001, apresentado, desde então, sintomas álgicos do lado esquerdo, na região suboccipital e terço superior da região paracervical. Evoluiu com piora progressiva do quadro, ampliação da região dolorosa (face, região ocular, nariz, região maxilar e mandibular), dores paroxísticas tipo choques e em queimação. Mesmo após vários tratamentos medicamentosos e cirúrgicos: extração de quatro dentes (agosto a dezembro de 2002) e descompressão neuro-vascular pela técnica de Janet (dezembro/2002), não apresentou melhora do quadro álgico.  Iniciou tratamento em nossa clínica em agosto de 2004, queixando-se das mesmas dores, VAS=9. Ao exame: hiperalgesia, do lado esquerdo; em volta da cicatriz cirúrgica, descendo pela face posterior do pescoço à esquerda, até o nível da vértebra C3. Contratura dos músculos suboccipitais e paracervicais. A compressão digital dessa região intensificava as suas dores. Pontos-gatilho musculares à esquerda: suboccipital, esplênio da cabeça, paravertebrais ao nível de C2 e C3 e masseter. Iniciou tratamento com clínico de dor, acupuntura médica, fisioterapia e.medicação: Naproxeno 500mg x dia, Baclofeno 10mg x dia, Cloridrato de Amitriptilina 12,5mg x dia, Clonazepam 0,5mg x dia e Cabamazepina 600mg x dia. Acupuntura, agulhamento seco nos pontos-gatilho da região suboccipital e paravertebral cervical e fisioterapia. Não havendo melhora esperada (VAS=5), a paciente foi submetida a sessões de inativação de pontos gatilhos com lidocaína a 1% sem vasoconstrictor, nos músculos da região suboccipital e paravertebral .Após o quarto bloqueio, em junho de 2005 a paciente apresentou melhora significativa (VAS=1). Iniciou-se a retirada dos medicamentos, mantendo a acupuntura e a fisioterapia. Em junho de 2006, a paciente teve alta com orientações cinesioterápicas, sem medicação e apenas com dores leves tipo tensão na região cervical esquerda (VAS=1). Conclusão: A melhora do quadro deveu-se ao fato de focarmos o tratamento considerando uma dor facial atípica por ativação do complexo trigemino-cervica.

Referência: Browne PA et cols. Concurrent cervical and craniofacial pain. A review of empiric and basic science evidence. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod; 86(6);633-40, 1998 Dec.Piovesan EJ et cols. Referred pain after painful stimulation of the greater occipital nerve in humans: evidence of convergence of cervical afferences on trigeminal nuclei. Cephalalgia;21(2):107-9, 2001 Mar.


3.10.13 - ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR NAS DISFUNÇÕES TEMPOROMANDIBULARES POR MEIO DE ANÁLISE CLÍNICA E ELETROMIOGRÁFICA - Oral

Naila Aparecida de Godoi Machado, Paulinne Junqueira Silva Adresen Strini, Roberto Bernadino Júnior Alfredo Júlio Fernandes Neto
Universidade Federal de Uberlândia

Introdução: Na investigação clínica é indispensável conhecer as principais síndromes álgicas dos diversos segmentos do corpo humano para a compreensão, o diagnóstico e o tratamento de algumas dores orais e/ou faciais. As disfunções temporomandibulares (DTM) abrangem um grande número de problemas clínicos, envolvendo a musculatura mastigatória, articulações temporomandibulares e estruturas associadas, constituindo na principal fonte de dor crônica da face e de algumas cefaléias secundárias. A dor decorrente das DTMs é de intensidade variável e localiza-se preferencialmente na região pré-auricular, fundo dos olhos, têmporas, ângulo da mandíbula e face. No manejo do paciente com DTM, aparelhos interoclusais tendem a normalizar os impulsos sensitivos e proprioceptivos gerados pela condição oclusal, eliminando desse modo o impulso aferente que inicia a co-contração muscular e agrava as condições dolorosas musculares. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi avaliar a dor e identificar as alterações decorrentes da disfunção temporomandibular por meio da eletromiografia (EMG) dos músculos cervicais e do tronco, antes e após a instalação de um dispositivo oclusal. Foram analisados 20 indivíduos com DTM por meio de exame clínico, físico e aplicação da Escala Analógica Visual (EVA). Realizou-se a EMG dos músculos trapézio e eretor da espinha durante a atividade de repouso e contração isométrica voluntária máxima. Os dados foram coletados em um momento inicial e após uma semana e um mês após a instalação da placa interoclusal. Os valores eletromiográficos foram analisados por meio do Root Mean Square (RMS) e comparados entre si pelo teste de Wilcoxon (p<0,05). Os resultados demonstraram diferenças estatisticamente significantes entre os lados direito e esquerdo para os músculos longuíssimo e trapézio superior, e entre as etapas da pesquisa para o ilíocostal esquerdo, trapézio superior de ambos os lados e trapézio médio direito. Também foram observadas diminuições da sintomatologia dolorosa após um mês de tratamento. Pode-se concluir que existe inter-relação entre oclusão, músculos cervicais e posturais, onde qualquer desequilíbrio em uma dessas estruturas poderá comprometer componentes musculares à distância e prejudicar a realização das funções orgânicas, acarretando alterações visíveis clinicamente e interferindo no desempenho das estruturas envolvidas.

Referência: OKESON JP. Tratamento das desordens temporomandibulares e oclusão. São Paulo: Artes Médicas; 2000. 


3.10.14 - A INTERAÇÃO ENTRE FONOAUDIOLOGIA, FISIOTERAPIA (RPG) E ACUPUNTURA NA DOR OROFACIAL – Pôster

Adriana C. Pinto, Margarete S. Augusto, Tânia C. Buzeto, Dalton Dallemule
Ambulatório de Dor - Santa Helena Assistência Médica

Introdução: A dor orofacial em geral pode estar associada a disfunções temporomandibulares (DTM), as quais afetam com mais freqüência músculos, terminações nervosas e ligamentos da região da cabeça, pescoço, face e articulações temporomandibulares (ATM). Essas disfunções são as principais causas de dor crônica na face e de algumas cefaléias.

Objetivo: avaliar pacientes com sintomas de dor orofacial no ambulatório de Dor da Santa Helena Assistência Médica, no Grande ABC Paulista.Método: estudo comparativo de pacientes com sintomas de dor orofacial que realizaram tratamento através de Fisioterapia (RPG) e Acupuntura por um período de 2 a 3 meses. Os pacientes foram triados pela enfermagem e encaminhados para avaliação fonoaudiológica quando positivo pelo menos um dos sintomas à anamnese: dificuldade/dor ao abrir boca; dificuldade de mover mandíbula; cansaço/dor ao mastigar; dores de cabeça freqüentes; dor na nuca/torcicolo; dor no ouvido/ATMs; ruídos nas ATMs ao mastigar; hábito de ranger os dentes; trauma recente na cabeça. Os pacientes foram avaliados pela fonoaudiologia ao início e término do tratamento.

Resultados: Foram avaliados 35 pacientes pela enfermagem, faixa etária predominante de 40 a 50 anos, sendo 15 encaminhados para a fonoaudiologia. Na primeira avaliação, foram evidenciados 4 pacientes com dor para abrir/fechar a boca, 4 com dor à palpação próximo à ATM, 2 com dor para mastigar, 4 com cansaço para mastigar, 10 com dor de cabeça freqüente, 10 com dor na nuca/torcicolo, 4 com dor no ouvido/ATMs, 6 com ruídos na ATM quando mastiga, 6 com ranger de dentes e 1 com trauma na cabeça. Após o término do tratamento e alta da RPG e Acupuntura, foram evidenciados: 2 pacientes com dor para abrir/fechar boca, apenas 1 com dor próximo da ATM,  5 com dor de cabeça freqüente, 6 com dor na nuca/torcicolo, 3 com dor no ouvido/ATMs, 3  com ruídos na ATM ao mastigar, 3 com ranger de dentes. Além disto, foi diagnosticado por audiometria tonal e impedanciometria 3 deficiências auditivas. Deste modo, 6 pacientes receberam alta e 7 tiveram indicação de tratamento fonoterápico; 6 foram encaminhados para o Cirurgião Bucomaxilo; 6 para fisioterapia de ATM; 4 para odontologia; 1 para ortodontia, e 3 para adaptação e amplificação de aparelho auditivo.

Conclusão: o tratamento com RPG e Acupuntura na população estudada contribuiu para redução na prevalência dos sintomas relacionados às dores orofaciais. Assim, podemos caracterizar a importância do tratamento interdisciplinar nas dores orofaciais.

Referência: Siqueira, José T T. As dores orofaciais na prática hospitalar Experiência brasileira. Prática Hospitalar 2006; 48: 85-89.


3.10.15 - RELATO DE CASO: NEURALGIA DO TRIGÊMIO V2 ESQUERDO - Pôster
 
Andyara Cecilio Brandao, Talita Clementino Cunha, Nayara Portilho Araújo, Jose Cavalcante
HC - FACULDADE DE MEDICINA - UFG

Introdução: A neuralgia do trigêmeo (NT) é a mais freqüente das neuralgias craniofaciais. Esse quadro patológico apresenta maior incidência em mulheres, aproximadamente na sexta década de vida. Caracteriza-se por paroxismos de dor tipo choque, de breve duração e recorrentes, na distribuição somatosensorial de um ou mais ramos do nervo trigêmeo.Sua causa ainda é motivo de discussão, mas compressão do nervo trigêmeo por alça vascular é o achado mais freqüente. Diante da evolução clínica, muitas vezes dramática, deve-se tentar o tratamento conservador inicialmente e somente após totalmente esgotadas suas possibilidades, questionar a indicação cirúrgica.

Relato de caso: Paciente F.D.L., sexo feminino, 50 anos, refere dor em hemiface esquerda em território de V2 de forte intensidade, lancinate, em choque, associada a parestesia no local e dificuldade na mastigação. Medicações em uso na Internação: Tegretol, Tramal e Diazepam. Há 15 anos a paciente refere que iniciou dor em V2 E que evoluiu de forma progressiva. Fez várias excisões dentárias achando que a dor seria desta procedência. Os únicos medicamentos que diminuíram a dor foram: Gabapentina, Oxcarbazepina e Tylex. Está em uso de medicação há 9 meses aproximadamente. Foi realizado RNM e a mesma estava dentro dos limites da normalidade. A conduta adotada foi infiltração com soro gelado e anestésico e corticóide no gânglio de V2.

Discussão: O nervo trigêmeo (V par craniano) é considerado nervo misto, contendo fibras sensitivas e motoras, sendo as primeiras de interesse ao quadro nevrálgico, responsáveis pela sensibilidade propioceptiva, além de exteroceptiva da face e parte do crânio, inervando, ainda, os músculos responsáveis pela mastigação. O ramo oftálmico de Wills (V1) é acometido com pouca freqüência. O ramo maxilar (V2) atravessa o forame redondo e carreia sensibilidade da pele e tecido. O ramo mandibular (V3) emerge pelo forame oval e permite a inervação sensitiva. A neuralgia do Trigêmeo (NT) é a mais conhecida e debilitante forma de neuralgia facial. A crise dolorosa é deflagrada em muitos casos, quando o indivíduo toca ou manipula determinadas áreas da face, situadas ipsilateralmente à dor, geralmente ao redor do nariz e próximas aos lábios, denominadas zona-de-gatilho. A literatura reporta as mais variadas formas de tratamento da Neuralgia do Trigêmeo, desde procedimentos clínicos não invasivos, como acupuntura e eletro-mioestimulação até procedimentos cirúrgicos, como a alcoolização e termocoagulação com radiofreqüência. O caso corrobora com os achados literários que, de forma unânime, destacam a aplicação de terapêutica clínica primária à conduta cirúrgica.


3.10.16 - QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM DOR OROFACIAL - Pôster

Nuria Y. Kajimoto, Eliane C. L. Guerra, Marcus Y. B. Pai
FMUSP

Introdução: A dor orofacial caracteriza-se por dor associada aos tecidos da cabeça, face, pescoço e estruturas da cavidade oral, incluindo cefaléias primárias e secundárias e dores psicogênicas ou por doenças graves (Siqueira & Teixeira, 2001). Oriundas, principalmente, de anormalidades do aparelho mastigatório. A dor é freqüentemente crônica envolvendo diretamente a qualidade de vida (QV) do paciente. O objetivo desse trabalho foi avaliar a QV de pacientes com dor orofacial em tratamento na Equipe de Dor Orofacial do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Métodos: Estudo transversal incluindo uma amostra de 14 pacientes com diagnóstico de dor orofacial. Os instrumentos utilizados foram: Índice de Comorbidades de Charlson (ICC) ; WHOQOL-brief  que avalia domínios da QV: físico, psicológico, relação social e ambiental, além de QV geral e saúde ; OHIP 14 (Oral Health Impact Profile), que avalia a percepção pessoal do impacto social das disordens bucais em seu bem-estar. Os dados foram analisados estatisticamente através do testes T de Student e Qui-quadrado. O nível de significância considerado foi de 5%.

Resultados: 11 eram mulheres; a média de idade foi de 48,9±12,9 anos. ICC 2,4±2,6. A QV geral segundo o WHOQOL teve média de 54,5±19,4 (variação 25 a 100), sendo que as médias de cada domínio foram: físico (58,2±22,6), psicológico (62,3±22,6), social (65,5±18,5) e ambiente (53,4±17,9). Principais queixas foram: dor na boca (13; 92,9%); incômodo ao mastigar (12; 85,7%); alimentação prejudicada (10; 71,4%); dificuldade de relaxar (10; 71,4%); preocupação com os problemas orais (10; 71,4%); interrupção da alimentação (8; 57,1%); estresse (8; 57,1%); a vida é pior (8; 57,1%); vergonha (6; 42,9%); irritação (6; 42,9%); dificuldade em outras atividades diárias (5; 35,7%); mudança de paladar (5; 35,7%); sensação de incapacidade (5; 35,7%); dificuldade na fala (4; 28,5%).

Conclusões: Observou-se que doentes com dor orofacial crônica apresentam uma qualidade de vida geral bastante afetada. Dificuldade em alimentar-se e anormalidades emocionais relacionadas podem comprometer o estado de saúde geral e colaborar para que comorbidades ocorram. Portanto, a abordagem multidisciplinar e a identificação desses aspectos são necessárias durante o tratamento.

Referência: Charlson ME, Ponpei P, Ales KL, Mackenzie CR. J Chronic Dis. 1987;40(5):373- 83.


3.10.17 - AVALIAÇÃO DA PREVALÊNCIA DE DEPRESSÃO, ANSIEDADE E DEMAIS COMORBIDADES EM PACIENTES COM DOR OROFACIAL CRÔNICA: ESTUDO PRELIMINAR - Pôster

Enzo Ribeiro, Maíra Rodrigues, Andrew Park, Juliana Toma
FMUSP

Introdução: Dor orofacial é definida como a dor que se manifesta na face, originada nos tecidos duros e moles da cabeça, face, pescoço e todas as estruturas intraorais 1, 2. Engloba as desordens intracranianas, cefaléias primárias, neuralgias e neuropatias craniais, doenças dento-alveolares e Disfunção Temporomandibular (DTM) 1. Estudos internacionais reportam que sua prevalência é de 10% na população adulta, e que freqüentemente a dor é crônica, o que faz com que fatores neurofisiológicos e psicossociais estejam envolvidos em sua gênese e/ou na sua perpetuação 3,4. Pesquisas apontam também a presença de comorbidades em mais de 81% desses pacientes. O objetivo do presente estudo é avaliar a prevalência de depressão, ansiedade e demais comorbidades em pacientes com dor orofacial crônica em tratamento na Equipe de Dor Orofacial do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Método: Foram avaliados 14 pacientes (11 mulheres) consecutivos com diagnóstico de dor orofacial em tratamento na Equipe de Dor Orofacial do Hospital das Clínicas da FMUSP, durante o mês de agosto de 2008. As idades variavam entre 35 e 68 anos (média de 48,9±12,9 anos). Foram aplicados os seguintes instrumentos: Questionário de dados sociodemográficos, Inventário de Depressão de Beck (BDI), Inventário de Ansiedade de Beck (BAI) e Índice de Comorbidades de Charlson (ICC).

 Resultados: Dentre os 14 pacientes, 9 não estão trabalhando atualmente (64,3%); 5 possuíam ensino médio e 2 ensino superior ou pós-graduação; 35,7% dos pacientes possuíam depressão leve a moderada, segundo o BDI; mediana de depressão foi de 8,5 pontos (média 10,1±10,3, variação 0 a 39), o que equivale a um grau de depressão leve. O valor de mediana de ansiedade foi de 12,5 (média 17,4±13,1, variação 4 a 42). Segundo o ICC, a média foi de 2,4 (±2,6), com destaque para doença pulmonar crônica (26,6%) e tumores benignos (20%).

Conclusões: Pacientes com dor crônica freqüentemente apresentam depressão e/ou ansiedade, bem como outras comorbidades, o que pode também ser observado nos doentes brasileiros com dor orofacial entrevistados. Além da própria dor, condições sociodemográficas podem contribuir para tal. Sendo assim, durante o tratamento, a busca por esses comemorativos deve ser feita a fim de que também sejam abordados, o que é imprescindível para a sua completa reabilitação.

Referência: DANDO, WE; BRANCH, MA; MAYE, JP. Headache. 2006; 46:322-326.


3.10.18 - FLUXO SALIVAR EM PACIENTES COM DOR OROFACIAL, ESTUDO PRELIMINAR - Oral

Raphael Sá dos Santos Gomes, Rodrigo Primiceri, Rômulo Luigi, Silvia Regina Dowgan Tesseroli de Siqueira
FMUSP

Introdução: A saliva é um dos mais complexos, versáteis e importantes fluídos do corpo, que supre um largo espectro de necessidades fisiológicas (Coelho et al 2002). Dentre suas funções, apresenta um importante papel na lubrificação dos tecidos orais e do bolo alimentar, participando da transdução sensorial na boca. O objetivo deste trabalho é avaliar o fluxo salivar e queixas de xerostomia em pacientes com dor orofacial crônica.

Métodos: Foram avaliados 12 pacientes com dor orofacial que freqüentavam a Equipe de Dor Orofacial do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo através dos seguintes instrumentos: 1) Questionário de Xerostomia baseado em Korn et al. (2002); 2) Avaliação de fluxo salivar através de 2 chumaços de algodão colocados na região sublingual por 2 minutos (Pupo et al., 2002).

Resultados: 11 (91,7%) eram mulheres; a média de idade foi de 48,9±12,9 anos (variação de 35 a 68 anos). Dez (83,3%) doentes apresentavam Disfunção Temporomandibular e 2 (16,7%), Síndrome da Ardência Bucal. Quanto às queixas, 5 (41,7%) relataram anormalidades em sua saliva e 8 (66,7%) tinham a sensação se boca seca; 8 (66,7%) percebiam dificuldades ao engolir por falta de saliva. Dois (16,7%) doentes apresentaram dificuldade ao mastigar e 1 (8,3%) para falar devido a xerostomia. Três (25,0%) apresentaram queixa de paladar alterado, 1 (8,3%) boca seca durante as refeições e 3 (25,0%) precisavam beber líquidos para engolir os alimentos. Cinco (41,7%) acordavam a noite para beber água e 5 (41,7%) referiram mau hálito. Dentre outras queixas, 5 (41,7%) referiram olhos secos, 3 (25,0%) ressecamento vaginal, 9 (75,0%) ressecamento na pele, 4 (33,3%) ressecamento no nariz. Queixas de queimação estavam presentes em 4 (33,3%) pacientes e 7 (58,3%) apresentavam dor de garganta com freqüência. O fluxo salivar médio dos doentes foi de 0,549g (DP=0,418g).

Conclusões: Este estudo preliminar apresentou uma alta prevalência de achados relacionados à xerostomia em doentes com dor orofacial. Estudos complementares são necessários para elucidar a importância desses achados e sua relação com as queixas de dor e de secura bucal que os pacientes apresentaram, o que futuramente poderá ser um aspecto a ser considerado no tratamento desses doentes.

Referência: Coelho CMP, Sousa YTCS, Daré AMZ, Pereira ACCI, Cardoso CM. Implicações clínicas da Xerostomia: Abordagens sobre o diagnóstico e tratamento. Revista da APCD. v.56 (4): jul./ago. 2002;


3.10.19 - QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM DOR OROFACIAL - Oral

Nuria Y. Kajimoto, Eliane C. L. Guerra, Marcus Y. B. Pai, Diego Diniz
FMUSP

Introdução: A dor orofacial é associada aos tecidos da cabeça, face, pescoço e cavidade oral, a cefaléias e dores psicogênicas 1,2 e afeta a qualidade de vida (QV) do paciente. O objetivo desse trabalho foi avaliar a QV de pacientes com dor orofacial em tratamento na Equipe de Dor Orofacial do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Métodos: Estudo transversal de 14 pacientes com diagnóstico de dor orofacial. Os instrumentos foram: Índice de Comorbidades de Charlson (ICC) 1, WHOQOL-brief  que avalia 4 domínios da QV: físico, psicológico, relação social e ambiental, QV geral e saúde 4; e OHIP 14 (Oral Health Impact Profile), que avalia a percepção pessoal do impacto social das desordens bucais (3). Os dados foram analisados através do testes T de Student e Qui-quadrado, utilizando programa SPSS versão 13.0. O nível de significância considerado foi de 5%.

 Resultados: 11 eram mulheres; a média de idade foi de 48,9±12,9 anos. ICC: 2,4±2,6. A QV geral pelo WHOQOL breve teve média de 54,5±19,4 (variação 25-100); as médias de cada domínio foram: físico (58,2±22,6), psicológico (62,3±22,6), social (65,5±18,5) e ambiente (53,4±17,9). Principais queixas: dor na boca eventual ou contínua (13; 92,9%); incômodo ao mastigar (12; 85,7%); alimentação prejudicada (10; 71,4%); dificuldade de relaxar (10; 71,4%); preocupação com os problemas orais (10; 71,4%); interrupção da alimentação (8; 57,1%); estresse pelos problemas orais (8; 57,1%); a vida é pior (8; 57,1%); vergonha (6; 42,9%); irritação pelos problemas orais (6; 42,9%); dificuldade em outras atividades diárias (5; 35,7%); mudança de paladar (5; 35,7%); sensação de incapacidade (5; 35,7%); dificuldade ao falar (4; 28,5%). 

Conclusões: Doentes com dor orofacial crônica apresentam uma qualidade de vida geral comprometida. Dificuldade em alimentar-se e anormalidades emocionais relacionadas podem comprometer o estado de saúde geral e colaborar para que comorbidades ocorram. Portanto, a abordagem multidisciplinar e a identificação desses aspectos são necessárias durante o tratamento.

Referência: Charlson ME, Ponpei P, Ales KL, Mackenzie CR. J Chronic Dis. 1987;40(5):373-83.


3.11 – DOR EM CRIANÇAS

3.11.1 - DOR EM CRIANÇAS: RESULTADOS E DESAFIOS DE UMA PESQUISA EM AMBIENTE ODONTOLÓGICO - Pôster

Luciane Costa, Jolanta Aleksejuniene, Rosamund Harrison
Vancouver, Bristish Columbia - Canadá

Introdução: A cárie dentária é uma doença frequente em crianças na primeira infância e seu tratamento pode ser realizado em uma única sessão sob anestesia geral (AG). Os fatores que explicam a ocorrência de dor relacionada a esse procedimento ainda não estão claros. Buscou-se os determinantes da dor pós-operatória em pré-escolares submetidos a tratamento odontológico sob AG, bem como os aspectos envolvidos no processo de realização deste tipo de pesquisa.

Método: Foram convidadas a participar 197 crianças menores de 7 anos encaminhadas para tratamento odontológico sob anestesia geral em duas clínicas de Vancouver, Canadá. Utilizou-se questionários pré e pós-operatórios (1, 2, 7, 30 dias) com perguntas relacionadas a dor odontológica, o Dental Discomfort Questionnaire1 (DDQ-8, escore total 0-16) e a escala visual de faces Faces Pain Scale Revised 2 (FPS-R, escore 0-10). Dor pós-operatória imediata foi avaliada segundo FLACC Pain Assessment Tool3 (escore total 0-10) antes da alta. Informações sobre o tratamento odontológico foram obtidas nos prontuários. Os resultados foram analisados por estatística descritiva e regressão linear múltipla hierárquica (SPSS 14.0). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da University of British Columbia.

Resultados: Participaram do estudo 160 crianças (idade média de 53,9 meses, 55% meninos), sendo 71,2% dos cuidadores, mães. A média para FLACC foi 1,5. Dor e desconforto pós-operatórios foram mais frequentes na primeira semana, e significantemente determinados por coroas de aço e mantenedores de espaço, mas não por extrações dentárias. Após 30 dias, 9 de 141 crianças relataram algum desconforto bucal. Pré-operatório Pós-operatório (dias) 1 (n=131)    2 a 5 (n=137)    7 a 12 (n=135). Dor de dente  47,5% 30% 23,8%       14,4% DDQ-8 (média)    3,1  1,5       1,7             1,3 FPS-R (média)     2,0            1,6       1,1             0,4.

Conclusões: Dor pós-operatória leve a moderada é comum na primeira semana após o tratamento odontológico de pré-escolares realizado sob AG, sendo em parte determinada por procedimentos odontológicos mais invasivos. A cooperação de crianças e suas famílias em pesquisas sobre dor deve ser estimulada.

Referência: Versloot J, et al. Dental Discomfort Questionnaire: assessment of dental discomfort and/or pain in very young children. Community Dent Oral Epidemiol 2006;34:47-52.


3.11.2 - DOR NEUROPÁTICA EM PACIENTE PEDIÁTRICO PORTADOR DE TUMOR SÓLIDO EM USO DE OPIOIDE CUJA ASSOCIAÇÃO COM KETAMINA PROMOVEU UM MELHOR EFEITO ANALGÉSICO - Oral

 

Carvalho R.  Cristina, Claro S. Flavia, Moreno C. B. Fabíola, Oliveira Roselene
Instituto Nacional do Câncer

Introdução: Adolescente de 14 anos, portador de Sarcoma de Ewing recidivado na região de pelve e bacia com dor de características neuropáticas causando sofrimento progressivo, incapacidade funcional e difícil controle com morfina.O controle adequado da dor foi obtido com a associação da ketamina.

Relato de caso: Paciente de 14 anos, masculino, branco, 59 Kg, portador de Sarcoma de Ewing recidivado em pelve e bacia. Matriculado no INCA em 29/09/06 com queixas de dor severa em quadril com irradiação para membro inferior esquerdo. Foi inicialmente medicado com morfina, finalizando o tratamento oncologico em 29/12/07. Em 30/01/08 retorna com dor em quadril e perna esquerda fazendo uso irregular de codeína; TC de abdome e pelve constata lesão lítica com componente de partes moles localizada na região posterior do ilíaco esquerdo, junto à articulação sacra ilíaca. Observa-se lesão lítica arredondada medindo 1,5 cm, localizada na região ilíaca direita. Foi medicado com morfina 60mg/dia e amitriptilina 25 mg/dia. No período de 26/3 a 01/4/08, fez o primeiro ciclo de quimioterapia de resgate, sem melhora da dor. Foi ajustada a dose de morfina progressivamente para morfina LC 90mg/dia e amitriptilina 50mg/dia.No período de 14/5 a 20/5/08 foram realizados ajustes da medicação anti-algica com o adesivo de fentanil, porem o paciente apresentou dermatite de contato, sendo necessário rodízio para metadona 20mg/dia, associado a gabapentina 800mg/dia e amitriptilina 50 mg/dia. Em vigência de dor severa e, apesar dos sinais de progressão tumoral fez o segundo ciclo de quimioterapia de resgate, no período de 25/05 a 29/05/08. Em 04/6/08 piora da condição clínica e radiológica. a TC de abdome e pelve mostra lesão lítica em corpo vertebral de T11 e aumento de partes moles para vertebral adjacente. Foi internado e, medicado com metadona venosa 20mg/dia associado a ketamina EV inicialmente na dose de 0,1 mg/kg/hora progredindo até 0,2 mg/kg/hora, obtendo adequado controle de dor. Recebeu alta hospitalar em 27/06/08, EVA 2, em uso de metadona 120mg/dia, gabapentina 2400mg/dia, amitriptilina 50mg/dia e ketamina  15gts VO de 8/8h. Encontra-se estável em acompanhamento ambulatorial.

Discussão: A administração intravenosa e oral da Ketamina proporciona alem do alivio da dor uma redução da necessidade de opioide no controle da dor neuropática severa.A analise desses casos se torna necessária para melhor avaliação do uso prolongado da ketamina na doença oncologica em progressão.

Referência:  Tarumi Y, Watanabe S, Bruera E et al. High dose ketamine in the management of cancer-related neuropathic pain. J Pain Symptom Manage 2000; 19: 405- 407.


3.11.3 - ANÁLISE DA AVALIAÇÃO DA DOR NA UNIDADE TERAPIA INTENSIVA PEDIATRICA - Pôster

Márcia Morete, Gabrielle Tayar, Denise Dalge, Fabiola Minson
Hospital Israelita Albert Einstein

Introdução: dor é definida como uma experiência sensitiva emocional desagradável relacionada à lesão tecidual. Trata-se de uma manifestação subjetiva, que envolve mecanismos físicos, psíquicos e culturais.

Método: Trata-se de um estudo quantitativo do tipo exploratório e descritivo, cujos objetivos foram identificar os tipos de  avaliação e as medidas implementadas na clientela pediátrica para alivio da dor e identificar a eficácia da terapêutica implementada por meio do registro da reavaliação após intervenção das medidas para manejo da dor, antes e após treinamento local com os profissionais de enfermagem que atuam no Centro de Terapia Intensiva Pediátrica (CTIP).

Resultados: Antes do treinamento os dados mostraram que das 33 crianças internadas no CTI Pediátrico, todas (100%) possuíam identificação do tipo de escala de dor a ser aplicada, sendo que 29 (88%) apresentavam avaliação da dor e 04 (12%) não tinham registro de avaliação no período mínimo de 6 horas. 21 (64%) apresentaram escore de dor e 12 (36%) não. E ainda dessas crianças que apresentaram escore de dor, 11 (52%) possuíam reavaliação da dor após de 1 hora de manejo da dor, e 10 (48%) não tinham registro dessa reavaliação. No entanto, após treinamento especifico in loco dos profissionais de enfermagem que atuam nessa unidade os dados evidenciaram uma importante mudança dos dados iniciais, ou seja, dentre as 33 crianças pesquisadas mostrou-se que todas (33; 100%) também possuíam registro do tipo de escala adequada, além de ter avaliação da dor no período de no mínimo 6 horas, dentre elas, 16 (48%) apresentaram dor e 17 (58%) não apresentaram escore de dor. Quanto à reavaliação da dor em até 1 hora após o tratamento percebemos positivamente que 15 (94%) possuíam registro e apenas 01 (6%) não foi feita à devolutiva da reavaliação da dor.

Conclusão: o presente estudo mostra a relevância de considerar a avaliação da dor como quinto sinal vital, porém é fundamental assegurar a avaliação da dor durante a hospitalização da criança. Percebemos ainda o quanto à importância do treinamento e atualizações na avaliação da dor repercutiu positivamente nesses resultados, reforçando assim a necessidade da equipe de enfermagem que cuida dessas crianças estarem envolvidas nos resultados que visam à segurança da clientela pediátrica.

Referência: Miyake RS, Reis AG, Grisi RS. Sedação e analgesia em crianças. Rev Assoc Méd Brás 1998; 44: 56-64.


3.11.4 - FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA E A DOR NA FAIXA ETÁRIA NEONATAL E PEDIÁTRICA: OPINIÃO DOS ALUNOS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA - Pôster

Samira A. Yasukawa, Carla M. Nicolau
HCFMUSP

Introdução: A importância da avaliação e do adequado tratamento da dor na faixa etária neonatal e pediátrica é cada vez mais evidente na rotina diária dos profissionais da área de saúde. De forma geral, pouco é estudado sobre o assunto durante a graduação de fisioterapia.

Método: Foi aplicado 01 questionário elaborado com 10 questões fechadas com o objetivo de verificar os conhecimentos gerais sobre a dor e os conhecimentos específicos da dor neonatal e pediátrica de 34 alunos que estão cursando pós graduação na área de fisioterapia respiratória neonatal e pediátrica no Instituto da Criança - HCFMUSP

Resultados: A primeira parte do questionário constou de duas questões para caracterizar a formação dos alunos, sendo que 61,8% está graduado em fisioterapia à pelo menos 02 anos e 38.2% a mais de 02 anos. Em relação a experiência durante estágio ou profissionalmente 67,6% relatou ter atuado ou atua em UTI neonatal, 64,7% em UTI pediátrica e 82,3% em enfermaria pediátrica. Quanto questionados, 100% dos alunos acham importante saber reconhecer e avaliar a dor na faixa etária pediátrica e neonatal, sendo que, 82,3% conhecem algum tipo de escala para avaliação da dor nestes períodos. Em relação a assistência de fisioterapia 91% acham que o atendimento pode causar algum tipo de dor em neonatos e crianças, mas os mesmos também acham que o fisioterapeuta possui recursos que podem ser utilizados para amenizar a dor. Entre os procedimentos realizados pelo fisioterapeuta 58,8% consideraram o estímulo de tosse como doloroso e 50% consideraram a aspiração de vias aéreas superiores como muito doloroso.

Conclusão: Apesar do assunto ser pouco discutido na grade curricular da graduação de fisioterapia, a maioria dos alunos que estão cursando pós graduação em fisioterapia neonatal e pediátrica demonstram conhecimentos sobre o assunto e reconhecem que a assistência fisioterapêutica pode ser causa dor em neonatos e crianças.


3.11.5 - VANTAGENS E DESVANTAGENS DO USO DA SACAROSE PARA ALÍVIO DA DOR EM NEONATOS INTERNADOS NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL: ESTUDO BIBLIOGRÁFICO - Pôster

Helena Fontenele L, Laidilce Zatta T, Juliano Santos R. S. dos, Daniel Zatta T
Trabalho realizado através de buscas na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS)

Introdução: No período neonatal, ocorre a adaptação da criança no mundo externo ao útero. Em casos de recém-nascidos (RNs) que necessitam de uma assistência mais intensiva, esse período adaptativo, ocorre em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTI - Neonatal). Nesse local, os neonatos muitas vezes passam por situações dolorosas. Sabe-se que os neonatos possuem capacidade neurológica para perceber a dor, mesmo aqueles pré-termos. Na UTI-Neonatal, os comportamentos dos recém-nascidos mediante a dor, são interpretados pela equipe responsável, como agitação, irritabilidade ou impaciência. Existem estudos afirmando que medidas não-farmacológicas para o alívio da dor em RNs têm sido utilizadas, como a sacarose. Objetiva-se investigar em periódicos nacionais/internacionais, como tem sido o uso da sacarose, como medida não-farmacológica para o alívio da dor em neonatologia e quais são as vantagens/desvantagens do uso da sacarose em UTI Neonatal.

Metodologia: Estudo descritivo/exploratório/bibliográfico, realizado através de buscas em bases de dados disponíveis online da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) MEDLINE e LILACS, através da junção dos descritores sacarose e neonatologia, sacarose e recém-nascido e sacarose e dor, descritores disponíveis nos Descritores em Ciências da Saúde (DECS). O período da busca foi nos meses de junho e julho/2008. E o período para inclusão dos artigos no estudo foi de 2003 a 2008.

Resultados: Foram selecionados os artigos, cujo título ou resumo fizessem referência ao uso da sacarose para alívio da dor em neonatologia. Foram selecionados 12 artigos, pois estes estavam disponíveis na íntegra e online nos periódicos CAPES. Todos os artigos encontrados ressaltavam o efeito analgésico da sacarose administrada antes de procedimentos dolorosos na UTI-Neonatal. A maioria dos estudos foram realizados em RNs a termo, e apenas um comparou o uso da sacarose em RNs a termo e pré-termo. Em nenhum estudo foi apontado desvantagens associadas ao uso da sacarose, apenas os estudiosos do tema reforçam a necessidade de mais estudos, com o intuito de se conhecer os efeitos adversos a longo prazo do uso repetitivo da sacarose.

Conclusão: O uso da sacarose em RNs de UTI-Neonatal apresenta bons resultados analgésicos. É importante revisar e divulgar sobre esse método, por ser de baixo custo para a instituição e apresentar resultados satisfatórios.

Referência:  Gaspardo MG, Linhares MBM, Martinez FE. A eficácia da sacarose no alívio de dor em neonatos: revisão sistemática da literatura. J. Pediatr. 2005;81(6):435-42. 


3.11.6 - AVALIAÇÃO DA DOR EM NEONATOS SUBMETIDOS Á FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA - Pôster

Thaiza Teixeira Xavier, Milena Araújo Pereira, Melissa Pinto Gurgel, Cárlúcua Ithamar Fernandes Franco
Hospital Universitário Alcids Carneiro

Inrodução: O conhecimento da existência da dor pelo fisioterapeuta,atuante em Fisioterapia Respiratória Pediátrica enquanto membro da equipe multiprofissional de assistência á saúde em neonatos tem implicações clínicas importantes,tornando esse estudo justificável.

Métodos: Foram incluídos oito neonatos com:idade pós-natal superior a vinte e quatro horas; presença de distúrbios respiratórios diagnosticados por meio do exame clínico e radiografia de tórax e pacientes em oxigenioterapia inalatória ou respirando em ar ambiente e necessidade de procedimentos fisiterapêuticos de vibrocompressão torácica ou tosse provocada. Os pacientes foram divididos em dois grupos de acordocom o sexo e randomizados para receber  um ou outro procedimento fisioterápico de vibrocompressão e tosse provocada.A dor foi avaliada dois minutos antes, durante e dois minutos após a fisioterapia por meio das escalas NIPS e NFCS, considerando-se a presença de dor para valores maiores que três para qualquer escala.

Resultados: Comparados aos escores pré-procediento, os escores avaliados  pela NIPS  e NFCS foram superiores durante a realização dos dois procedimentos de fisioterapia.O escore de de maior valor avaliado pela escala NFCS foi durante a aplicação da tosse provocada.As escalas NIPS  e NFCS  mostraram que os neonatos do sexo feminino apresentaram dor mais intensa durante a realização tanto da tosse provocada como na vibrocompressão em relação aos do sexo masculino.

Conclusões: A tosse provocada foi o procedimento que desencadeou maior resposta dolorosa em neonatos,sobretudo no sexo feminino.

Referência:  CHERMONT, A. G., et al. O que os pediatras conhecem avaliação e tratamento da dor nos recém-nascidos.


3.11.7 - DOR EM PEDIATRIA: PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DE HOSPITAL DE PEQUENO PORTE NO INTERIOR DO RIO GRANDE DO SUL - RS – Pôster

Keli V. R. Barbieri
Hospital Municipal De Campinas Do Sul - RS

Introdução: Constantemente os profissionais de saúde se deparam com o paciente pediátrico com um quadro doloroso e, muitas vezes, a medição e o controle dessa dor, se tornam um fator desafiador na sua prática. Nesse contexto, torna-se necessário que os profissionais de saúde que atuam com a faixa etária pediátrica introduzam cuidados que minimizem qualquer sofrimento, bem como realizem a avaliação e a adequada intervenção.

Métodos: Entrevistamos 10 (dez) profissionais de saúde de Hospital do interior do RS: 05 (cinco) técnicos em enfermagem, 03 (três) enfermeiros, 01 (um) médico clínico geral e 01 (um) médico pediatra, que nos responderam as seguintes questões norteadoras: Você acredita que o paciente pediátrico sente dor como o adulto? Como você define a dor no paciente pediátrico? Como você sabe que o paciente pediátrico está com dor?

Resultados: Todos os entrevistados acreditam que o paciente pediátrico sente dor como o adulto. A maioria apresentou dificuldades para definir a dor no paciente pediátrico. Não há uso de nenhum instrumento para avaliação da dor, no entanto, alguns profissionais a realizam esporadicamente (expressão facial, choro, movimentos corporais) e o tratamento da dor já faz parte da rotina.

Conclusões: Os profissionais de saúde demonstraram possuir algum conhecimento sobre a dor em pediatria, citando aspectos para identificá-la, assim como o uso de medidas não farmacológicas para prevenção e tratamento da dor. Os resultados do estudo nos mostram que apesar de haver um interesse crescente pelo tema e de estarmos avançando nessa área, a maioria dos profissionais de saúde apresentam dificuldades na identificação, avaliação e controle da dor no paciente pediátrico, apontando a necessidade de seleção de um método apropriado para a medição da dor e preparação/treinamento da equipe multiprofissional.

Referência: GUINSBURG, R. Avaliação de tratamento da dor no recém-nascido.


3.11.8 - EFICÁCIA DAS ESTRATÉGIAS NÃO-FARMACOLÓGICAS PARA ALÍVIO DA DOR NEONATAL: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA - Pôster

Helena Fontenele L, Laidilce Zatta T, Ana Sartori L, Ana Salge K. M
Trabalho realizado através de buscas na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS)

Introdução: Em 1985, foi chamada a atenção pela primeira vez de que as crianças quando comparadas aos adultos reagem diferentemente em relação à dor . As pesquisas sobre estudo da dor avançaram nas últimas duas décadas, sua avaliação e intervenção se tornaram uma preocupação crescente entre os profissionais de saúde. A dor neonatal é um dos aspectos que tem se destacado no contexto da assistência humanizada, embora seja um tema recente. Nesse sentido, é importante avaliar a dor e propor medidas para eliminá-la ou reduzí-la, para isso são utilizadas medidas farmacológicas e não farmacológicas.

Objetivo: Analisar a produção científica sobre as estratégias não farmacológicas para alívio da dor neonatal e refletir sobre a eficácia e as vantagens/desvantagens da aplicabilidade dos métodos utilizados para o alívio da dor em neonatos.

Metodologia: Estudo descritivo-exploratório, natureza bibliográfica, realizado na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) - (MEDLINE, SCieLO e LILACS) através da associação de descritores disponíveis nos Descritores em Ciências da Saúde (DECS): pain and newborn infant, pain and neonatology, pain and pediatrics e pain and pediatrics nursing. A inclusão dos artigos no estudo foi de 1998 a 2008, disponíveis on-line em versão completa, nos idiomas português e inglês. Resultados: Foram encontrados 177 artigos referentes à dor neonatal, desses, 28 (6 revisões sistemáticas e 22 artigos de intervenções) apresentavam efeitos de medidas não farmacológicas para alívio da dor neonatal. Entre as medidas apontadas nesses estudos, se destaca o uso da sacarose a 12 50%, como medida mais utilizada, apresentando resultados analgésicos para essa população. Também foram encontradas outras medidas como: amamentação, sucção não-nutritiva, contato pele-a-pele e musicoterapia. Esses métodos apresentaram resultados positivos quando administraos antes de um procedimento doloroso, com a diminuição do tempo de choro e redução do stress.

Conclusão: A eficácia das medidas não farmacológicas no alívio da dor em neonatos se encontra bem documentada na literatura. Entretanto, não há uma medida adotada como padrão, e futuros estudos de intervenção devem ser realizados para essa finalidade e divulgação desses métodos, bem como, para que protocolos para prevenção/diminuição da dor neonatal sejam elaborados.

Referência: Pereira e Silva Y, da Silva JF, Barbosa SMN. História da dor em pediatria-a situação do Brasil.


3.11.9 - AVALIAÇÃO DA DOR DE CRIANÇA EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: ABORDAGEM DA EQUIPE DE ENFERMAGEM – Pôster

Luciano R. Lima, Selma M. Andrade, Marina M. Stival, Lílian V. Pereira
Anápolis - GO

Introdução: as crianças são acometidas por dor devido experiências traumáticas agudas e crônicas, muitas vezes decorrentes de procedimentos cirúrgicos. Quando inadequadamente avaliada e tratada, afeta a qualidade de vida durante o tratamento intensivo.

Objetivos: verificar o conhecimento dos profissionais de enfermagem da unidade de terapia intensiva pediátrica, sobre os indicadores verbais e não verbais de dor em crianças, o prejuízo causado pela dor nas situações cotidianas dessa população, e as terapêuticas analgésicas utilizadas para o controle da dor em crianças.

Metodologia: estudo tipo corte transversal, descritivo. A coleta de dados ocorreu em duas UTI pediátricas de Anápolis-GO, no período de setembro a outubro de 2007, com aplicação de um questionário semi-estruturado, constituído por itens relacionados aos indicadores de dor em crianças, situações cotidianas passíveis de serem prejudicadas pela dor e as terapêuticas analgésicas. Participaram do estudo 02 enfermeiros e 12 técnicos de enfermagem, de ambos os sexos, com idades entre 20 e 40 anos (M= 25; Dp= 5,9 anos). Os dados foram representados por medidas descritivas.

Resultados: todos (100%) os participantes consideraram a expressão facial e o choro como indicadores de dor em crianças, seguidos de agitação (92,85%), queixa verbal e alterações dos sinais vitais (71,42%). As principais alterações foram observadas no sono (92,85%), apetite (85,71%), respiração, capacidade para tossir (85,71%), humor (78,57%), mobilidade no leito (78,57%) e agravamento das lesões (78,57%). Quanto às terapêuticas analgésicas, os profissionais referiram conhecer somente a farmacológica, incluindo os antiinflamatórios não esteroidais (85,71%), opióides (42,85%) e anticonvulsivantes (35,71%). Conclusão: a equipe de enfermagem tem conhecimento sobre a avaliação e controle farmacológico da dor em crianças e conseguiram identificar os prejuízos causados pela dor nas atividades cotidianas dessa população, porém, não há utilização desse conhecimento nas atividades práticas de forma sistematizada.

Referência: Balda RCX. Fatores que interferem na comunicação da dor entre o recém-nascido e o adulto que o observa: influência das características pessoais e profissionais do observado.


3.11.10 - CONTROLE DE DOR INTENSA EM PACIENTE PEDIÁTRICO SUBMETIDA A CIRURGIA DE HEMANGIOMA GIGANTE DE HEMIFACE DIREITA. - Pôster

George M. G. Freire, Irimar P. Posso Angela M. Sousa, Charlise K. Oliveira
FMUSP

Introdução: O controle de dor em paciente submetida a tratamento cirúrgico de tumor gigante com enxerto miocutâneo em face é difícil, especialmente em crianças.

Relato de caso: Paciente de 6 anos, branca, 20 kg, estado físico P1 com hemangioma gigante em hemiface direita. Há 3 anos vem sendo acompanhada pelo serviço de cirurgia e há um ano foi submetida a embolização com bisturi de argônio e laser sem sucesso tendo evoluído com necrose de pele e dor. Foi feita gastrostomia para permitir a alimentação. Internada para controle da dor a criança tinha a face desfigurada pela necrose de pele e os olhos fechados pelo edema palpebral. Após ser avaliada pela Equipe de Controle de Dor, foi iniciado tratamento com metadona por gastrostomia 10mg/dia e analgesia controlada pelo paciente (ACP) de morfina 0,1% com 1 ml de bolus,  intervalo de 6 minutos e limite de 4 horas de 20 ml. As informações sobre a intensidade da dor vinham através da mãe que notava pela expressão corporal e por sinais. A paciente recebeu alta hospitalar e seguiu em acompanhamento ambulatorial com metadona 10mg/dia, gabapentina 50mg/dia e amitriptilina 25 mg/noite, por gastrostomia. Foi reinternada para ressecção da mal formação arterio-venosa e enxerto miocutâneo retirado de coxa direita. No pós-operatório imediato, ACP venosa com fentanil 0,001%, ritmo de 2ml/h, bolus de 2ml, intervalo de 5 minutos e limite de 4h de 20ml. Evolui com boa analgesia nos dois primeiros dias de pós-operatório, porem após 3 dias houve piora do quadro álgico, sendo aumentado o bolus para 3 ml e a metadona para 5 mg de 8/8h. Através de sinais é avaliada a intensidade da dor pela mãe que a auxilia na administração dos bolus. Novo incremento nas doses de metadona para 10 mg de 8/8 h e gabapentina 50 mg de 8/8 h, devido a maior solicitação de bolus. Segue com adequado controle da dor, porém a criança permanece sempre com o disparador na mão mostrando uma dependência psicológica ao método ACP.

Discussão: Durante a primeira internação, a avaliação da dor era feita pela mãe através da expressão corporal e sinais. Após a cirurgia, a paciente passou a sinalizar a intensidade da dor por sinais com as mãos, porém apresentou dependência psicológica a ACP. O método de ACP aliado a metadona e gabapentina pela gastrostomia permitiram controlar a dor e possibilitaram o exercício de autonomia pela paciente contribuindo para seu conforto. O uso da solução de fentanil mostrou-se segura quando utilizada na enfermaria e por uma criança.

Referência: Ruggiero A, et al: Safety and efficacy of fentanyl administered by patient controlled analgesia in children with cancer pain. Support Care Cancer. 2007;15:569-73.


3.11.11 - O LÚDICO E O BRINQUEDO TERAPÊUTICO NO AUXÍLIO DA REDUÇÃO DA DOR NA CRIANÇA HOSPITALIZADA - Pôster

Ana Paula C. Pessoa, Leidiene F. Santos, Katiane C. Marinho, Karina S. Machado
Hospital das Clínicas - Goiânia

 Introdução: As atividades de recreação e a utilização de recursos lúdicos oferecidos à criança hospitalizada podem proporcionar lazer, conforto e estímulo para enfrentar os desafios. Essas atividades podem estimular o desenvolvimento e amenizar o sofrimento decorrente da situação de doença e hospitalização, pois as crianças fazem descobertas interessantes de como lidar com a dor, experimentam a alegria de fazerem parte de um grupo, inventam um mundo encantado de paz e felicidade.

Método: Trata-se de um relato de experiência desenvolvido a partir das vivências das acadêmicas do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás - UFG com crianças hospitalizadas e seus acompanhantes na Unidade de Internação Pediátrica do HC/UFG. Utilizou-se o processo de enfermagem enquanto forma de sistematizar a assistência de enfermagem direcionada à criança e sua família. Na etapa de identificação dos diagnósticos de Enfermagem, revelou-se a necessidade de um espaço para recreação, que foi denominado Cantinho da Alegria, onde acompanhantes e crianças puderam pintar, desenhar, moldar macinhas, ouvir músicas, brincar, pescar, utilizar jogos pedagógicos, contar histórias.

Resultados: Ao final das atividades, os participantes avaliaram a experiência positivamente e destacaram o momento como uma oportunidade de perceber melhor a realidade de cada criança ali hospitalizada, sua história, família e desafios enfrentados. Além disso, relataram a importância de compartilharem com outras mães/acompanhantes as situações de sofrimento, angústia e dor, além das experiências de superação e alegria. No cantinho da alegria, em vários momentos, as crianças verbalizavam sobre o quanto se sentiam satisfeitas e felizes com aquele momento.

Conclusões: A experiência significou romper com os limites dos próprios medos e anseios enquanto acadêmicos, frente à doença e à dor da criança hospitalizada, objetivando o compromisso com a qualidade da assistência, no aprimoramento e na busca de medidas que visem amenizar a angústia da separação do lar e pessoas significativas, assim como, da dor física e psíquica.

Referência: OLIVEIRA, S. S. G.; DIAS, M. G. B. B.; ROAZZI, A. O lúdico e suas implicações nas estratégias de regulação das emoções em crianças hospitalizadas. Porto Alegre: Psicol. Reflex. Crit., v. 16, n. 1, 2003.


3.11.12 - DOR PÓS-OPERATÓRIA EM CRIANÇAS: OCORRÊNCIA E MENSURAÇÃO - Pôster

Louise A. Moura, Ana Carolina D. Oliveira, Gilberto A. Pereira, Lílian V. Pereira
Universidade Federal do Triângulo Mineiro

Introdução: A dor pós-operatória (DPO) em crianças ainda é um dos desafios a serem resolvidos no âmbito cirurgico, apesar dos avanços obtidos no manejo dessa experiência. Objetivos: investigar a prevalência e intensidade da DPO em crianças; correlacionar os escores atribuidos à dor por meio de quatro escalas e identificar a escala preferida pelas crianças.

Método: estudo tipo corte transversal realizado na Unidade Pediátrica de um Hospital Escola do interior de Minas Gerais. Participaram 77 crianças, de ambos os sexos, ASA I ou II. Váriáveis: sexo, idade, situação econômica, tipo de cirurgia; intensidade e qualidade da dor. Escalas utilizadas: Escala de Faces Sorrisos e Lágrimas (EFSL); Escala de Faces Cebolinha/Mônica (EFCM); Escala de Faces Ursinhos (EFU) e a Escala Numérica(EN). Análise extatistica: medidas descritivas de centralidade e de dispersão; teste x2; Mann-Whitney e Kendall (W); α=5%.

Resultados: idade média = 9 anos; 68,8% do sexo masculino e 42,9% da classe economica D (ABA/ABIPEME). Vinte e nove por cento sumeteram-se a cirurgias ortopédicas e 29,9% a otorrinolaringológicas. A anestesia mais utilizada foi a geral (53,3%). A prevalência de dor no 1º PO foi de 79,2%. Inicio da dor: <1 hora após a cirurgia (33,8%) e entre 1 e 2 horas (19,5%). A MD, MAX e MIN dos escores obtidos por meio da EN, EFSL, EFMC e EFU foram, respectivamente, 4,4,2,2; 10,10,4,5 e 1,2,1,1 indicando dor moderada. Onze crianças (18,4%) relataram dor máxima e a analgesia incluia apenas dipirona, também prescrita como único analgésico em 66,3% do total de casos. A correlação entre as escalas foi positiva e significativa: EN e EFU (w=0,87); EN e EFCM (w=0,80); e EN e EFSL (w = 0,84); EFU e EFCM (w = 0,84); EFU e EFSL (w = 0,85); e EFSL e EFMC (w = 0,83), p<0,05, indicando validade convergente. A escala que as crianças mais gostaram foi a EFMC. As palavras arde, aperta, corta, doi, pontada e queima foram as mais utilizadas para descrever a qualidade da dor.

Conclusões: a prevalência de DPO em nosso meio é alta, sendo a intensidade classificada como moderada. Os escores correlacionaram-se de forma significativa e positiva. A EFMC foi preferida pelas crianças.

Referência: Hicks CL, von Baeyer CL, Spafford PA; van Korlaar I, Goodenough, I. The faces pain scale revised: toward common metric in pediatric pain measurement. Pain, v.93, p.173-83, 2001.


3.11.13 - PERFIL CLÍNICO E EVOLUÇÃO DOS PACIENTES ATENDIDOS NO AMBULATÓRIO DA DOR DE UM HOSPITAL PEDIÁTRICO ESPECIALIZADO EM ONCOLOGIA PEDIÁTRICA - Oral

Carla G. Dias, Carolina P. Jesus, Juliana F. Marques, Eliana M. Caran
IOP - GRAACC/UNIFESP

Introdução: O Ambulatório da Dor do Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP) - GRAACC/UNIFESP acompanha crianças, adolescentes e adultos jovens que apresentam dor de intensidade moderada ou severa, de diferentes etiologias, durante todas as fases do tratamento oncológico.

Objetivo: O objetivo deste estudo foi caracterizar os pacientes atendidos segundo o sexo, a faixa etária, o tempo de seguimento, o tipo de câncer, a fase do tratamento e a evolução clínica.

Método: Estudo descritivo, retrospectivo exploratório, realizado através da análise do prontuário de pacientes atendidos no Ambulatório da Dor, no período de Agosto/2005 a Agosto/2008.

Resultados: No período analisado, foram acompanhados 124 pacientes e suas famílias, dos quais 64 (51%) são do sexo feminino e 61 (49%) do sexo masculino. A faixa etária predominante compreende o grupo de 12 a 17 anos (31,5%), seguido pelo grupo de 18 a 23 anos (24%) e de 6 a 11 anos (22%). Em relação ao tempo de seguimento, 28% foram acompanhados por um período inferior a 1 mês e 14,5% entre 1 e 2 meses. O diagnóstico predominante foi tumores ósseos (61%). As fases denominadas recaída da doença" e de "fora de possibilidades de cura" responderam por 30% dos casos, cada. Sessenta e um pacientes (49%) evoluíram para óbito e 48 (39%) obtiveram alta do Ambulatório da Dor.

Conclusão: Os pacientes atendidos no Ambulatório da Dor do IOP - GRAACC/UNIFESP são predominantemente fora de possibilidades terapêuticas de cura ou apresentam recidiva do câncer primário. Este perfil clínico explica a evolução para óbito de cerca de metade dos pacientes do estudo. O outro grupo é composto por pacientes recém diagnosticados e em tratamento, perfil este que também explica a rápida resolução do quadro álgico.


3.11.14 - NEURALGIA PÓS-HERPÉTICA - Pôster

Giselane l. Figueredo S, Teresa Lourenço, Ricardo Cunha Junior
Instituto Puercultura e Pediatria Martagão Gesteira

Introdução: O controle da dor tem grande importância na qualidade de vida de crianças portadoras de doenças oncológica.

Caso clínico: Paciente escolar,8 anos, em tratamento para LLA de alto risco, iniciou dor em face anterio de coxa esquerda, tipo queimação, acompanada de uma pápula na região. Foi para o hospital, aonde ficou internada e após 24h houve piora da dor e início franco da lesão do herpes zoster. Medicada com aciclovir, dipirona e amitripitilina 25mg. A paciente referiu aumento da intensidade da dor, escala de facies4/5, tipo queimação e choque na face anterior e médial da coxa esquerda, refletindo no seu pé. A amitriptilina foi aumentada, com intervalo de 7 dias (12,5mg) até 50mg, com pouca melhora. Associou-se a carbamazepina 600mg/dia, sem resposta adequada. A metadona foi prescrita na dose de 20mg/dia com boa resposta, escala facies 2, a paciente conseguia dormir 6h. Após discussão com a equipe de hematologia foi realiza dos 4 bloqueios (peridural sacra) com sedação, com bupivacaína 0,25 com adrenalina 1:200.000, com melhora da dor,com intervalo de 4 dias, escala de facies 0/5. Também foi prescrito pomada de lidocaína 5% e pomada de capsaicina 0,025% para colocar em áreas específicas que ainda persistia alodínia.

Discussão: A dor em pacientes oncológicos podem ser devido ao próprio tumor ou ao seu tratamento. A quimioterapia deixa os pacientes neutropênicos, assim vuneráveis a várias infecções que podem causar dor. A  amitriptilina é a primeira escolha devido a sua boa resposta no tratamento de dor neuropática. A gabapentina seria uma outra boa escolha para associação porém esta é mais cara que carbamazepina, padronizada no hospital. A metadona é o principal opióide quando se fala em dor neuropática devido a sua ação nos receptores NMDA. A escolha de iniciar um opióde recai na doença de base da paciente LLA, plaquetopenia, impedindo o procedimento e a necessidade de no mínimo uma boa sedação para a realização do bloqueio com segurança.

Referência: Goldman A, Hain R,Liben S; Paliative Care for Children.


3.11.15 - SINDROME REGIONAL COMPLEXA TIPO I - Pôster

Giselane L. Figueredo S, Ricardo Cunha, Teresa Lourenço
Instituto Puercultura e Pediatria Martagão Gesteira

Introdução: A importância da existência da clínica da dor com seus relacionamento interdisciplinar para cuidar de pacientes com dor refratária ao tratamento usual, com conhecimento específico da escada analgésica, farmacologia, fisiopatologia e semiologia da dor.

Relato de caso: Paciente escolar de 11 anos, internada há 20 dias na unidade de pediatria para controle de diabete melito e controle de coxo-femural, apresentando glicemia capilar superir a 500mg. Iniciou há 25 dias quadro de dor em região coxo-femural que piorava ao movimento, escala de facies 3/5, sem melhora com AINES. A dor aumentou de intensidade no decorrer de dez dias, escala de facies 4/5 e se extendeu para o MID todo, impedindo da paciente deambular. Ao exame o MID estava mais frio, com menos pêlos, coloração mais pálida em comparação com o MIE, apresentando alodínia apresentando alodínia e discinesia em região de T12-L2.Verificado na consulta médica em conjunto com a psicologa que havia uma amplicação da dor. Iniciado tratamento com amitriptilina chegando a dose de 75mg, tendo sido escalonado o seu aumento de 15/15 dias (25mg), com pouca melhora, escala de facies 3/5. Associou-se gabapentina 300mg de 8/8h, mantendo dor que impossibilitava a fisioterapia. A metadona 5mg de 12/12h,foi prescrita otimizandoo tratamento, o que possibilitou a alta da paciente, porém esta necessitava de cadeira de rodas para se locomover. Optou-se pela realização de bloqueio peridural com bupivacaína 0,25 com adrenalina 1:200.000, com a paciente submetida a anestesia geral seguido de fisioterapia. Foram necessários cinco bloqueios, escala de dor 0. Depois houve a retirada das medicações, primeiro a metadona, seguida da gabapentina e amitriptilina.

Discussão: A diabete melito é responsável por vários tipos de neuropatias, que são raramente encontrada em crianças, porém podem evoluir para uma síndrome dolorosa mantida pelo sistema nervoso simpático. A síndrome dolorosa regional tipo I  em crianças, normalmente com boa resposta aos tricíclicos e anticonvulsivantes. Iniciar com bloqueio normalmente não é uma conduta realizada por clínico de dor acostumado a crianças, porque há necessidade de anestesia geral e seus riscos.

Referência: Silva PY, SilvaJF.Dor em pediatria. In: Márquez JO.Dor neuropática em criança. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan,2006;13:116-121.


3.11.16 - AMBULATÓRIO DA DOR: O QUE MAIS A CRIANÇA E O ADOLESCENTE COM CÂNCER PODEM ESTAR SENTINDO? – Oral

Daniela B. Rodrigues, Carla G. Dias, Eliana M. Caran
IOP - GRAACC/UNIFESP

Introdução: O Ambulatório da Dor do Instituto de Oncologia Pediátrica -IOP-GRAACC/UNIFESP, acompanha crianças e adolescentes que apresentam dor de intensidade moderada ou severa, de diferentes etiologias, durante todas as fases do tratamento oncológico. Este estudo teve como objetivo identificar os sintomas prevalentes, além da dor, nas diversas fases do tratamento oncológico e nos diferentes tipos de câncer que acometem crianças e adolescentes atendidos neste ambulatório.

Método: Estudo descritivo, retrospectivo exploratório, realizado por meio da análise do prontuário dos pacientes atendidos no Ambulatório da Dor do IOP no período de Agosto/2005 a Agosto/2008. Os dados coletados foram referentes à primeira consulta realizada neste Ambulatório, antes da introdução da terapêutica medicamentosa.

Resultados: No período analisado, foram atendidos 124 pacientes, sendo que 51% eram do sexo feminino e a faixa etário predominante foi dos 12 aos 17 anos (31,4%).  Com relação à fase de tratamento, aproximadamente 30% dos pacientes estavam na fase de recidiva da doença e 30% considerados fora de possibilidades de cura, e 33% na fase de diagnóstico e tratamento. Os sintomas mais apresentados pelos pacientes que estavam na fase de diagnóstico foram insônia, náusea e boca seca, e dos que estavam na fase de tratamento foram cansaço, ansiedade e anorexia. Dentre os pacientes que estavam na fase de recidiva, os sintomas mais comuns foram náusea e anorexia, cabendo ressaltar que nesta fase geralmente o principal sintoma apresentado é a dor. Para os pacientes considerados fora de possibilidades de cura, os principais sintomas foram cansaço, insônia e boca seca, além de uma gama de outros sintomas como anorexia, perda de peso, sonolência, fraqueza, obstipação, retenção urinária. Nestes casos, nossos resultados assemelham-se aos descritos nos trabalhos de Wolfe, J. et al 2000 e Hinds, P.S. et al, 2005 onde aproximadamente 89% das crianças que morrem devido ao câncer apresentam de 2 a 8 sintomas que causam desconforto.

Conclusões: Os resultados deste estudo evidenciaram a necessidade de pesquisas relacionadas ao diagnóstico precoce dos diferentes sintomas nas diversas fases do tratamento do câncer infantil. O diagnóstico precoce possibilitará o planejamento precoce das intervenções multidisciplinares, no controle dos diferentes sintomas, visando a melhora da qualidade de vida do paciente e família durante todo o tratamento do câncer infantil.

Referência: Hinds PS et al. End-of-life care for children and adolescents. Semin Oncol Nurs, 2005; 21(1):53-62.  


3.12 – DOR NO IDOSO

3.12.1 - ASSOCIAÇÃO ENTRE DOR E ATIVIDADES COTIDIANAS EM IDOSOS RESIDENTES EM ASILOS – Oral

Luciana Araújo dos Reis, Thaiza Teixeira Xavier, Gilson de Vasconcelos Torres, Isnara Teixeira de Mello
Universidade Federal do RN - Universidade Estadual da Bahia

Introdução: Este estudo teve por objetivo analisar a influência da dor quanto à localização, intensidade e duração na capacidade funcional de idosos institucionalizados. Trata-se de um estudo de caráter exploratório descritivo com delineamento transversal e abordagem quantitativa. O local de estudo foi a Fundação Leur Brito, sendo a amostra constituída por 60 idosos, desse total, 50% eram do sexo masculino, sendo a idade mínima de 60 anos, máxima de 104 e média de 77,6 (±11,64) anos. O instrumento de pesquisa utilizado para a coleta de dado foi um formulário estruturado de entrevista constituído de quatro partes: 1) Caracterização sóciodemográfica e de saúde; 2) Aspectos relacionados à dor (tempo e localização); 3) Avaliação da dor pela Escala Numérica e 4) Capacidade funcional medida pelo Índice de Barthel. Com a aplicação do Teste Qui-quadrado (x2) verificou-se diferença estatística entre presença de dor e as atividades: banho (p-valor=0,015), vestir-se (p-valor= 0,041), transferência para higiene intima (p-valor=0,001), transferência cama e cadeira (p-valor=0,032), deambulação (p-valor=0,010) e subir escadas (p-valor=0,008). Sendo ainda encontrada diferença estatística entre a pontuação total de Barthel (dependente/independente) e presença de dor, p-valor<0, 000. Mediante ao exposto pelos dados deste estudo faz-se necessário uma atuação multidisciplinar no controle adequado da dor e manutenção e/ou recuperação da capacidade funcional, capaz de assegurar uma melhor qualidade de vida, com uma maior independência e autonomia para os idosos. Descritores: Idoso, dor, atividades cotidianas.

Referência: Garcia RA, Carvalho JAM. O envelhecimento da população brasileira: um enfoque demográfico. Cad. Saúde Pública. 2003 mai/jun; 19(3): 725-733.


3.12.2 - AVALIAÇÃO DA DOR, CAPACIDADE FUNCIONAL E CONDIÇÕES DE SAÚDE EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS - Pôster

Luciana Araújo dos Reis, Thaiza Teixeira Xavier, Gilson de Vasconcelos Torres, Claudio Henrique Meira Mascarenhas
Universidade Federal do RN - Universidade Estadual da Bahia

Introdução: O processo de envelhecimento populacional brasileiro vem sendo marcado por um crescente aumento no número de idosos portadores de doenças crônico-degenerativas e incapacitantes que representam para o idoso certa dependência e são agravadas pela presença dor. Nesta perspectiva este estudo teve por objetivo avaliar a dor, capacidade funcional e condições de saúde de idosos institucionalizados. Trata-se de um estudo de caráter exploratório descritivo com delineamento transversal e abordagem quantitativa. O local de estudo foi a Fundação Leur Brito, sendo a amostra representada por 60 idosos. O instrumento de coleta foi um formulário estruturado constituído de três partes: 1) Caracterização sóciodemográfica e de saúde; 2) Aspectos relacionados à dor (tempo e localização); e 3) Avaliação da dor pela Escala Numérica associada a uma figura humana visando à localização da dor.  A análise dos dados foi descritiva com confecção de tabelas de freqüência, média, mediana, valor mínima e máxima e dispersão desvio-padrão. Participaram do estudo 60 idosos, 50% de cada sexo, sendo a idade mínima de 60 anos, máxima de 104 e média de 77,6 anos (±11,64), 73,3% eram analfabetos, 100% recebiam um salário mínimo e eram aposentadoria. 85,0% moram no asilo no intervalo de 1 a 10 anos, 77,6% apresentavam doenças osteomusculares sendo as mais citadas artrite, artrose, artralgia e osteoporose (73,7%). A prevalência de dor foi de 73,3%, sendo a dor intensa relatada por 61,4% dos idosos e a intensidade variando entre 0 a 10, com média de 5,6 (± 3,91). O tempo de dor entre 1 a 10 anos correspondeu a 90,9% dos relatados, variando de 1 a 25, com média de 5,5 (±4,6). Quanto à localização o segmento de maior distribuição foram os MMII (53,3%) e coluna (23,3%). Mediante ao exposto pelos dados deste estudo faz-se necessário uma atuação multidisciplinar no controle adequado da dor e manutenção da capacidade funcional, capaz de assegurar uma melhor qualidade de vida, com uma maior independência e autonomia para os idosos. Descritores: Idoso, dor, atividades cotidianas.

Referência:  Garcia RA, Carvalho JAM. O envelhecimento da população brasileira: um enfoque demográfico. Cad. Saúde Pública. 2003 mai/jun; 19(3): 725-733.


3.12.3 - COMPORTAMENTO QUANTI-QUALITATIVO DA DOR EM IDOSOS PARTICIPANTES DE UM GRUPO DE CONVIVÊNCIA PARA A TERCEIRA IDADE - Oral

Luciana Araújo dos Reis, Thaiza Teixeira Xavier, Gilson de Vasconcelos Torres, Claudio Henrique Meira Mascarenhas
Universidade Federal do RN - Universidade Estadual da Bahia

Introdução: O envelhecimento populacional acompanhado da longevidade somado as doenças crônico-degenerativas não transmissíveis que acompanham o idoso, tem apresentado uma parcela significativa de idosos acometidos por dor crônica. Nesta perspectiva este estudo teve por objetivo analisar o comportamento quanti-qualitativo da dor em idosos participantes de um grupo de convivência para a terceira idade. Trata-se de uma pesquisa exploratória descritiva com delineamento transversal e abordagem quantitativa. O local de estudo foi um grupo de convivência para a terceira idade no município de Jequié/BA, sendo a amostra composta por 27 idosos. O instrumento utilizado constituiu-se de: 1) Caracterização sociodemográfica e de saúde; 2) Mini-exame do estado mental; e 3) Questionário para dor McGill. Os dados foram analisados de maneira descritiva e posteriormente apresentados em tabelas. A faixa etária variou entre 60 a 78 anos de idade, sendo 92% do sexo feminino, 66% aposentados, 44,4% possuíam primeiro grau e 29,6% eram alfabetizados. A prevalência de dor foi de 100%, sendo que 77,7% apresentavam dor a mais de 6 meses e as localizações mais freqüentes foram a coluna lombar (44,4%), ombro direito/tórax superior e joelho (29,6%). A intensidade de dor variou de 2 a 10 pontos, sendo mais relatada a dor insuportável (58,3%). As patologias pré-existentes mais freqüentes foram artrose (16,3%) e hérnia discal (7,2%). Os resultados desse estudo mostram-se compatíveis com os encontrados na literatura e denotam a importância de avaliar a dor em idosos, uma vez que a dor pode interferir na realização de atividades de vida diária e conseqüentemente na qualidade de vida. Descritores: Idosos, Dor, Comportamento.

Referência: Barro N. Manifestações clinicas da dor crônica e princípios de tratamento. Dor, Diagnóstico e tratamento. 2004 out./nov./dez; 1(3).


3.12.4 - PREVALÊNCIA E LOCALIZAÇÃO DA DOR EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS – Pôster

Luciana Araújo dos Reis, Thaiza Teixeira Xavier, Gilson de Vasconcelos Torres, Luana Araújo dos Reis
Universidade Federal do RN - Universidade Estadual da Bahia

Introdução: Com o avançar da idade, a dor assume maior importância devido à sua expressiva prevalência aliada às freqüentes limitações dela decorrente.  Nesta perspectiva este estudo teve por objetivo identificar a prevalência e a localização da dor em idosos institucionalizados. Trata-se de um estudo de caráter exploratório descritivo com delineamento transversal e abordagem quantitativa. O local de estudo foi a Fundação Leur Brito, sendo a amostra representada por 60 idosos. O instrumento utilizado para a coleta foi um formulário estruturado constituído de três partes: 1) Caracterização sóciodemográfica e de saúde; 2) Aspectos relacionados à dor (tempo e localização); e 3) Avaliação da dor pela Escala Numérica associada a uma figura humana visando à localização da dor.  A análise dos dados foi descritiva com confecção de tabelas de freqüência, média, mediana, valor mínima e máxima e desvio-padrão. Participaram do estudo 60 idosos, 50% de cada sexo, sendo a idade mínima de 60 anos, máxima de 104 e média de 77,6 anos (±11,64), 73,3% eram analfabetos, 100% recebiam um salário mínimo e eram aposentadoria. 85,0% moram no asilo no intervalo de 1 a 10 anos, 77,6% apresentavam doenças osteomusculares sendo as mais citadas artrite, artrose, artralgia, esporão do calcâneo, osteoporose e artrite reumatoíde (73,7%). A prevalência de dor foi de 73,3%, sendo a dor intensa relatada por 61,4% dos idosos e a intensidade variando entre 0 a 10, com média de 5,6 (± 3,91). O tempo de dor entre 1 a 10 anos correspondeu a 90,9% dos relatados, variando de 1 a 25, com média de 5,5 (±4,6). Quanto à localização o segmento de maior distribuição foram os MMII (53,3%) e coluna (23,3%). Mediante ao exposto pelos dados deste estudo faz-se necessário uma atuação multidisciplinar na avaliação e controle da dor na terceira idade visando à prestação de uma melhor assistência e conseqüente melhor qualidade de vida a esta população. Descritores: Idoso, dor, localização, prevalência.

Referência: Garcia RA, Carvalho JAM. O envelhecimento da população brasileira: um enfoque demográfico. Cad. Saúde Pública. 2003 mai/jun; 19(3): 725-733.


3.12.5 - A PERCEPÇÃO DA DOR EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS, NUM ABRIGO PÚBLICO NO MUNICIPIO DE PARNAÍBA-PIAUÍ – Pôster

Vilela Daisy de Araújo, Rodrigues Glauco Lima, Tatmatsu Jose Carlos Rocha Silverio, Julia Ester Goulart
Instituição Publica Para Idosos de Parnaíba Piauí

Introdução: Nos dias atuais, não se dispõe de um levantamento detalhado sobre o idoso Institucionalizado no país, nenhum estudo especifico no estado do Piauí. A se julgar pelas projeções estatísticas, que apontam para o envelhecimento da população brasileira e, principalmente, para o grande aumento da população de idosos acima de oitenta anos de idade, pode-se prever um considerável aumento na demanda por instituições de longa permanência nas próximas décadas, sobrecarregando os cofres públicos e trazendo uma série de prejuízos aos idosos, tais como perdas de autonomia e identidade e a segregação geracional. Isto faz com que seja importante a reflexão sobre os novos  papéis a serem desenvolvidos pelas instituições de longa permanência.Não apenas no intuito de reduzir esses prejuízos, mas, também, de promover a qualidade de vida e o crescimento pessoal de seus residentes.Partindo do pressuposto da necessidade de serem repensados esses locais no sentido de garantir resultados mais favoráveis à velhice institucionalizada,este trabalho procura analisar as instituições de longa permanência, enquanto ambientes de moradia, podendo ser articuladas com o atual paradigma do envelhecimento bem-sucedido. Teorias recentes sobre o envelhecimento bem-sucedido têm apontado para novas abordagens, que consideram tanto os ganhos quanto as perdas inerentes ao processo de envelhecimento. Tais teorias trazem novas possibilidades de conciliação para a aparente contradição entre o conceito do envelhecimento bem-sucedido e a institucionalização da velhice. A definição de envelhecimento bem sucedido, para os diversos pesquisadores implica que pessoas que envelhecem de forma bem-sucedida são aquelas que apresentam um baixo risco de doença, dor e incapacidades; que estão utilizando ativamente habilidades de resolução de problemas, conceitualização e linguagem; que estão mantendo contatos sociais e estão participando em atividades produtivas. A dor é um sintoma complexo, subjetivo e individual. Pode ser interpretada como uma evidência de comprometimento da integridade física e/ou emocional do indivíduo, representando uma eficiente via de informação dos diversos segmentos corporais com a consciência. Sintoma particularmente importante em qualquer faixa etária, freqüentemente associada ao sofrimento ou ao desconforto, a dor deixou de ser entendida como uma simples sensação para ser, hoje, reconhecida como uma experiência sensorial muito complexa, modificada pelas características da memória, das expectativas e das emoções de cada um.Na gerontologia devido as alterações nervosas.


.12.6 - CARACTERIZAÇÃO DA DOR CRÔNICA DE PACIENTES IDOSOS – Pôster

Maíra L. Escórcio, Andréa G. Portnoi, João C. P. Gomes, Manoel J. Teixeira
FMUSP

Introdução: O aumento da expectativa de vida tem contribuído para o aumento da população idosa. O IBGE estima que, em 2025, 15% da população brasileira será constituída de idosos, equivalendo a 30 milhões. A idade não parece estar associada a mudanças nas respostas à dor, porém os efeitos do envelhecimento se evidenciam quando o decréscimo natural das reservas funcionais passa a influir nos mecanismos de percepção da dor . Se por um lado, os idosos parecem ser mais vulneráveis à dor crônica, por outro, parecem ser também mais tolerantes e apresentar menos comportamentos de dor e respostas emocionais. Para ter maior conhecimento sobre as queixas de dor de idosos brasileiros, este trabalho se propôs a caracterizar a sensação dolorosa de uma amostra dessa população.

Método: Foram revisados prontuários de 182 doentes atendidos na Liga de Dor no período de maio de 2004 a maio de 2007. Destes, foram selecionados os prontuários de pacientes com idade superior a 60 anos (n=52, 29% da amostra total) para caracterizar a dor crônica no idoso. A média de idade foi de 70 anos (dp= 6,85 anos), 69% eram mulheres; 53% eram casados e a escolaridade média foi de 5 anos (dp=4,9). Procediam principalmente da Bahia (28%) e São Paulo (25%).

Resultados: Constatou-se, quanto ao diagnóstico, a predominância de síndromes degenerativas e metabólicas de duração superior a 5 anos que afetavam especialmente a coluna lombar e os membros inferiores. A dor recebeu predominantemente o diagnóstico de síndrome dolorosa miofascial (35%) com duração superior a 5 anos, constante, progressiva, com alta intensidade, ocorrendo em plano profundo e principalmente noturna. A dor piorava com movimentos e esforço físico e melhorava com analgésicos e repouso, implicando em sério prejuízo social em termos de atividades cotidianas e lazer.

Conclusões: A forma como a dor é percebida se reflete em seu tratamento e em políticas assistenciais voltadas para esta população. É possível que o predomínio de síndrome miofascial possa estar relacionado às condições degenerativas e metabólicas, porém pode também estar associado à imobilidade e à evitação de esforço e movimento, que resultam da presença e demais características da dor.

Referência:  Silva MC. O processo de envelhecimento no Brasil: desafios e perspectivas. Textos Envelhecimento. Rio de Janeiro, 2005; 8(1).


3.12.7 - FATORES CLÍNICOS, SOCIAIS E DEMOGRÁFICOS ASSOCIADOS AO LOCUS DE CONTROLE DA DOR EM IDOSOS RESIDENTES NA COMUNIDADE - PôsterLouise G. de Araújo, Leani S. M. Pereira, Rosana F. Sampaio, Fabiana C. M. Silva
UFMG/UNI-BH

Introdução: A dor crônica tem sido considerada um problema de saúde pública de magnitude crescente e é apontada como um dos sintomas mais significativos decorrentes da transição demográfica e epidemiológica do processo do envelhecimento. Estudos sugerem que os fatores psicológicos, sociais e demográficos exercem um papel relevante na iniciação e na perpetuação dos sintomas de dor e parecem importantes na predição dos comprometimentos funcionais advindos dessa disfunção. Analisou-se a percepção do locus de controle (LC) da dor em idosos e sua associação com variáveis clínicas, demográficas e sociais.

Método: Estudo observacional de corte transversal, com 162 idosos (71,8±6,6 anos) comunitários, brasileiros, com dor crônica músculo esquelética, selecionados por conveniência, sem alterações cognitivas. Foram aplicados questionário clínico-sócio-demográfico estruturado, avaliação da auto percepção de saúde, forma C da Multidimensional Health Locus of Control Scale (Pain Locus Control- PLOC-C), escala análoga visual de dor (EAV), escala de depressão geriátrica (GDS) e Timed Up and Go (TUG). Foram utilizados os testes de Kruskal-Wallis e Mann-Whitney e a análise de regressão linear multivariada para analisar o LC da dor e as variáveis clínicas, demográficas e sociais que se associam ao LC da dor.

Resultados: Os idosos mostraram perceber preferencialmente o LC da dor em profissionais de saúde e interno. Baixa escolaridade e maior pontuação na GDS associaram-se a maior percepção de LC da dor ao acaso (R2 ajustado=0,13). Ser separado, utilizar apenas tratamento medicamentoso para o controle da dor e pior desempenho no TUG associaram-se à menor percepção do LC da dor interno (R2 ajustado=0,10). Ser avaliado em locais de atendimento associou-se à maior percepção de LC da dor em profissionais de saúde quando ajustado para a pontuação na EVA (R2 ajustado=0,04). Morar sozinho e pior pontuação na GDS associaram-se a maior percepção do LC da dor em outras pessoas (R2 ajustado=0,10).

Conclusão: Os achados fortalecem as evidências de influências dos fatores clínicos e sócio-demográficos na percepção da dor crônica em idosos da comunidade.

Referência: Dellarozza MSG, Pimenta CAM, Matsuo T. Prevalência e caracterização da dor crônica em idosos não institucionalizados. Cad. Saúde Pública 2007;23(5):1151-1160.  


3.13 – DOR NA MULHER

3.13.1 - O MANEJO DA DOR NO PÓS-OPERATÓRIO DA CIRURGIA DE ENDOMETRIOSE E PLÁSTICA - Pôster

Fabiola P. Minson, Wanessa P. Mateus, Kenia Y. Kanai, Marcia Morete
Hospital Israelita Albert Einstein

Introdução: A dor foi definida pela Associação Internacional para Estudo da Dor (IASP) como uma experiência sensorial e emocional desagradável que é associada a lesões reais ou potenciais ou descrita em termos de tais lesões. A dor deve ser avaliada e reavaliada frequentemente durante o período de pós-operatório e a freqüência poderá ser influenciada pelo porte e natureza da cirurgia, pela resposta à analgesia e durante mudanças no tratamento analgésico.

Objetivo: Descrever as medidas utilizadas para manejo da dor no pós-operatório de cirurgia de endometriose e plástica.

Método: Estudo exploratório, descritivo e retrospectivo realizado em uma clínica cirúrgica feminina de um hospital privado de grande porte. A coleta foi realizada através da análise de 28 prontuários de pacientes que durante o período de internação nessa unidade cirúrgica realizaram cirurgia plástica e de endometriose.

Resultados: Do total de 28 pacientes em pós-operatório de cirurgia de endometriose e de plástica, 8 (28,6%) não apresentaram escore de dor no pós-operatório, sendo que 03 (37,5%) eram da plástica e 5 (62,5%) de endometriose. Das pacientes que apresentaram dor, 1 (3,6%) da cirurgia plástica apresentou escore de 1 a 3 e nenhuma de endometriose apresentou esse escore, 3 (11%) de cirurgia plástica e 1 (3,6%) de endometriose apresentaram escore de 4 a 6 e ainda 9 (32%) de pacientes de plástica e 6 (21,2%) de endometriose escore igual e maior a 7. Em relação ao manejo da dor no pós-operatório, 14 (50%) das pacientes de cirurgia plástica e 10 (35,5%) de endometriose fizeram uso de antiinflamatório não esteróide (AINE), enquanto 4 (14,5%) não tinham em prescrição nenhum tipo de AINE programado. Quanto ao uso de opióde fraco 15 (53,6%) das pacientes de plástica e 6 (21,4%) das de endometriose haviam prescrito esse fármaco, embora 7 (25%) não possuíam opióde fraco em suas prescrições. Em relação aos opióides fortes apenas 02 (7,1%) de cirurgia plástica e 1 (3,6%) de endometriose fizeram uso desse tipo de fármaco, no entanto 25 (89,3%) não fizeram uso de nenhum opióde forte.

Conclusão: embora a avaliação da dor no pós-operatório seja de extrema importância, ainda necessitamos reforçar quanto ao uso da escada analgésica para manejo adequado da dor, onde a seleção do fármaco de seguir uma escada crescente de complexidade, magnitude e custos, respeitando as necessidades e as tolerâncias de cada indivíduo.

Referência: Teixeira MJ, Correa CF, Pimenta CA. Dor: conceitos gerais. São Paulo: Limay, 1994.


3.13.2 - USO DE MÉTODOS NÃO-FARMACOLÓGICOS PARA ALÍVIO DA DOR DURANTE A GESTAÇÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA – Pôster

Fabiane da S. C. A.  Wille, Loanny M. Barbosa, Karina M Siqueira, Ana Karina M.  Salge
Faculdade de Enfermagem - UFG

Introdução: Durante a gestação, a mulher passa por diversas alterações tanto fisiológicas quanto psicossociais. Muitas destas são atribuídas à modificações hormonais e são responsáveis pelos sinais e sintomas gestacionais e juntamente com as alterações posturais e biomecânicas, pelas dores e desconfortos inerentes a este período (NOVAES, 2006). Trata-se de um relato de experiência realizado por acadêmicas do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás, que traz a experiência vivenciada em um grupo de 20  gestantes carentes, da cidade de Goiânia-GO. O objetivo foi a aplicação de métodos não-farmacológicos para alívio das dores e desconfortos inerentes ao período gestacional e relatar os resultados obtidos a curto prazo. O trabalho foi desenvolvido em 3 encontros, utilizando-se os seguintes métodos: palestras, vídeo explicativo, grupos de discussão, uso de técnicas e dinâmicas em grupo. Após as discussões com o grupo, percebemos que os desconfortos mais freqüentes relatados, em uma amostra de 17 gestantes, foram: lombalgia(23%),dores em baixo ventre (31%), dores em membros inferiores (13%), cefaléia (10%) e outras (23%). Foram apresentadas às gestantes as técnicas de: Alongamento, Massagem Corporal e Relaxamento Muscular Progressivo. Ao final das atividades, as participantes referiram estar mais tranqüilas e terem observado redução da intensidade e freqüência das queixas iniciais. As autoras acreditam que além dos possíveis benefícios às gestantes, o uso de métodos não-bioquímicos de alívio da dor constitue-se em um novo e importante campo de atuação e pesquisa para a Enfermagem, considerando-se as novas diretrizes de Assistência ao Parto e Puerpério e o Movimento pelo Empoderamento e Retomada do Parto e Gestação, por quem lhe é de direito, as próprias mulheres.

Palavra-chave: gravidez; cuidado pré-natal; terapias alternativas; dor.

Referência: NOVAES, F.L.; SHIMO, A.K.K.; LOPES, M.H.B.M. Lombalgia na Gestação. Revista Latino-americana de Enfermagem. 2006; 14 (4)620-624.


3.13.3 - A DOR NA MULHER: PUBLICAÇÕES DOS ÚLTIMOS 10 ANOS - Pôster

Thamara Petrella, Lucimara D. Chaves
USCS

Introdução: A dor é caracterizada como uma experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada à lesão real ou potencial dos tecidos. Cada indivíduo experiência a dor de forma diferente (CHAVES, LEÃO; 2007). Estudos indicam que as mulheres sentem mais dor e tem maior risco de experimentar inúmeras condições dolorosas. Pesquisas demostram uma relação mulher:homem de prevalência de condições dolorosas da ordem de 1,5:1 em dor lombar, no ombro e joelhos, 2:1 em dor orofacial, 2,5:1 em migrânea e 4:1 em fibromialgia (GARCIA, 2007).

Objetivos: Analisar as publicações em periódicos indexados na base de dados Medline, nos últimos dez anos, sobre o tema dor na mulher.

Método: Trata-se de um estudo exploratório na vertente quantitativa. A base de dados selecionada foi a Medline. Na pesquisa foram cruzados os descritores dor e mulher com o operador boleano and. Foi realizado um recorte histórico para o levantamento de dados, que ficou delimitado nos últimos dez anos.

Resultados: Foram encontrados 33 artigos (100,0%), porém após a leitura 17 (51,5%) foram descartados por não terem como foco a dor na mulher. Dos 12 artigos classificados, 8 foram publicados nos EUA (66,6%), 2 na Inglaterra (16,6%), 1 na Austrália (8,4%) e 1 na Noruega (8,4%). Quanto aos periódicos 6 (50,0%) são específicos de enfermagem e os demais são da área de psiquiatria, saúde da mulher, saúde pública, emergências e medicina. Referente à abordagem os artigos foram agrupados por temáticas: impacto físico, emocional e sócio-econômico (41,7%); percepção e expressão da dor (41,7%); tratamento farmacológico (8,3%%); prevalência e causas da dor (8,3%).

Conclusões: A partir do estudo pode-se observar que são escassos as pesquisas referentes à dor na mulher, apesar da ocorrência e fatores predisponentes, que podem corroborar para o seu sofrimento.  Os enfermeiros publicaram mais sobre o tema nos últimos 10 anos, sendo o impacto da dor e a percepção e expressão da mulher os objetos de estudo das publicações. Faz-se necessário a realização de estudos nacionais e internacionais sobre o tema pela equipe multidisciplinar, que possam contribuir para o diagnóstico e manejo do sintoma.

Referência: Chaves LD, Leão ER. Dor 5º sinal vital: reflexões e intervenções de enfermagem. São Paulo: Martinari, 2007.


3.13.4 - A EXPERIÊNCIA FEMININA DA DOR PÉLVICA CRÔNICA: UMA PERSPERCTIVA ANALÍTICA - Pôster

Luisa Moraes, Ida Kublikowski, Adrianna Loduca, Tchia Lin
Universidade de São Paulo

Introdução: O interesse em estudar aspectos psicológicos envolvidos na ocorrência da Dor Pélvica Crônica deu-se pelo fato de que, embora este tipo de dor tenha como conseqüências prejuízos físicos, sociais, econômicos e psíquicos para o doente  é um tema ainda pouco estudado, principalmente no Brasil. A dor pélvica costuma ser tratada como um sintoma associado a outras patologias como endometriose e prostatite crônica, sendo raro o estudo dela como um fenômeno em si que demanda atenção especial.

Objetivo: Compreender de que forma a dor esta circunscrita na história de vida de uma mulher que sofre de dor pélvica crônica.

Método: Trata-se de um relato de caso. O sujeito foi uma mulher de 68 anos que estava em tratamento interdisciplinar em um Centro de Dor de São Paulo.  Os instrumentos utilizados foram: Entrevista semi-dirigida, Linha da Vida e Retrato da Dor. Foram realizados quatro encontros com a participante. A analise dos resultados baseou-se na formação de diferentes categorias (percepção: de si, do trabalho, do relacionamento conjugal, da família e da doença) que foram interpretadas de acordo com conceitos da Psicologia Analítica.

Resultados: Analisando os dados, foi possível apreender que a paciente apresenta prejuízo nas relações familiares, sociais e conjugal, além de afastamento das atividades profissionais, que tem como conseqüências percepção negativa de si mesma, diminuição da auto-estima e auto-cuidado, aumento da sobrecarga doméstica e do stress, contribuindo para a manutenção do quadro algico apesar dos sucessivos tratamentos aos quais foi submetida. Foi possivel compreender que este sintoma a dor é um símbolo que tem como canal de expressão o corpo e aponta para uma disfunção no eixo ego-self  . No caso da participante da pesquisa, este símbolo surge como um grito por autonomia que aparece a partir de um desequilíbrio entre os dinamismos matriarcal e patriarcal, sufocando a individualidade feminina.

Conclusão: Evidenciou-se que a compreensão do significado da Dor Pélvica Crônica no contexto de vida do doente pode otimizar a escolha de condutas terapêuticas mais assertivas sob o enfoque multidisciplinar.

Referência: Lin, T Y. Dor Pelviperineal. In: Teixeira, Manoel J. (org) Dor: Contexto Interdisciplinar. Curitiba: Editora Maio, 2003.


3.13.5 - DOR CRÔNICA E O FEMININO: REDESCOBRINDO-SE ATRAVÉS DA DANÇA DO VENTRE - Pôster - Michele Tognini, Flavia Hime, Adrianna Loduca, Tchia Lin Universidade de São Paulo

Introdução: A dor crônica possui amplo impacto na vida do individuo, principalmente no que diz respeito à forma como se relaciona com o próprio corpo. Quando o quadro álgico estabiliza-se, as mulheres passam a se deparar com questões referentes ao Feminino(1).

Objetivo: Pesquisar se a prática de movimentos corporais, baseados na Dança do Ventre, contribui para o resgate do Feminino em mulheres com dor crônica. 

Método: A amostra foi composta por três mulheres entre 46 e 56 anos que haviam passado por um programa psicoeducativo em um Centro de Dor. Foi realizado um grupo de estrutura vivencial de oito encontros de 90 minutos. Cada sessão foi composta pela execução de movimentos corporais baseados na Dança do Ventre e discussões sobre o  Feminino. Foram definidos como indicadores de êxito do trabalho a  melhora da qualidade de vida (QV) e o aumento da auto-estima. Os instrumentos utilizados foram:  questionário de QV WHOQOL-100, técnica projetiva grupal de percepção corporal e observações do pesquisador. Os recursos foram aplicados em dois tempos: início e término do processo e todo o material foi analisado a luz da Psicologia Analítica.

Resultados: No início pode-se observar que as participantes tinham uma visão esteriotipada do Feminino (altruismo, submissão e desvalorização do desejo sexual) e a QV restrita e focada na dor. Ao final do trabalho foi identificado que a prática dos movimentos realizados ampliaram a consciência corporal, aumentaram a auto-estima e o resgate de desejos, rompendo com a visão esteriotipada do Feminino. Os dados do WHOQOL demonstraram melhora da QV, nas áreas: dor e desconforto físico, relações pessoais, sentimentos positivos e diminuição dos negativos com relação à vida, diminuição do senso de dependência de medicação ou tratamentos. Apesar de terem sido identificadas mudanças na auto-estima e imagem-corporal através dos relatos e análise do material projetivo, o questionário não detectou mudanças significativas. Possivelmente, as questões do  WHOQOL não permitem a avaliação desses aspectos a curto prazo.

Conclusão: A  Dança do Ventre, quando inserida neste contexto, facilita o resgate do Feminino nas mulheres rompendo com a  posição de doente e vitima comum no convívio com algias crônicas.

Referência: Loduca, A. O Tratamento da Dor Crônica na Minha Biografia. Um Estudo Sobre a Compreensão Psicológica da Adesão ao Tratamento na Clínica de Dor. São Paulo, 2007. Tese de Doutorado em Psicologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.


3.13.6 - TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR DE DOENTES COM DOR PELVIPERINEAL CRÔNICA NÃO VISCERAL - Pôster

Telma Zakka, Lin Yeng, Manoel J. Teixeira, Adriana Loduca
Universidade de São Paulo

Introdução: Doentes com dor pelviperineal crônica não visceral (DPC) apresentam dor nas regiões abdominal baixa e/ou pélvica, sem causas viscerais específicas. Estruturas neurológicas e ou musculoesqueléticas podem ser causas da dor. A Síndrome Dolorosa Miofascial (SDM) lombar, glútea, de assoalho pélvico e músculos da coxa representam importante causa de DPC, podendo ser gerada ou perpetuada por traumatismos, neoplasias, doenças metabólicas, infecções, doenças viscerais e distúrbios psiquiátricos. As neuropatias periféricas, geralmente após procedimento cirúrgico, podem afetar os nervos pudendo, ilio-hipogástrico, ilioinguinal e genitofemoral . A dor de origem  psicogênica é mais rara. O objetivo do presente estudo é analisar as características clínicas da DPC e os resultados do tratamento multidisciplinar enfocando os procedimentos de reabilitação.

Métodos: Avaliou-se 125 doentes (70% mulheres) com DPC na Divisão de Medicina Física e Reabilitação do Centro de Dor do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, de 2000 a 2008. Todos os doentes foram submetidos a avaliações ginecológica, urológica e proctológica para excluir doenças viscerais. História clinica detalhada geral e especifica e exame físico, com ênfase em aspectos fisiátrico e neurológico foram realizados, buscando anormalidades neuropáticas central ou periférica, pontos-gatilho (PGs) miofasciais ou bandas de tensão em assoalho pélvico, região lombossacral, glúteos e membros inferiores. Quando necessário, foi efetuada avaliação psiquiátrica e ou psicológica. A intensidade de dor foi avaliada através da escala analógica verbal. O tratamento multidisciplinar incluiu: analgésicos e antiinflamatórios não esteroidais, antidepressivos, neurolépticos, e/ou anticonvulsivantes, fisioterapia; agulhamento seco e /ou infiltração com anestésico local de PGs.

Resultados: Identificou-se SDM nos músculos do assoalho pélvico, lombar e glúteos em 100% dos doentes e dor neuropática em 27%. O tratamento multidisciplinar contribuiu para a melhora de 56% dos doentes.

Conclusão: A síndrome dolorosa miofascial e as neuropatias periféricas são causas freqüentes de dor pelviperineal não visceral. O diagnostico correto da origem da dor e o tratamento multidisciplinar são de extrema importância para a reabilitação desses doentes.

Referência: Teixeira M J; Lin T Yeng; Kaziyama HS. DOR: Síndrome Dolorosa Miofascial e Dor Músculo-esquelética.


3.14 – NEURALGIA PÓS-HERPÉTICA

3.14.1 - ESTUDO ABERTO OBSERVACIONAL DE ASPECTOS CLÍNICOS RELEVANTES RELACIONADOS À NEURALGIA PÓS HERPÉTICA E RESULTADOS DO TRATAMENTO FARMACOLÓGICO PROLONGADO - Pôster

Massako Okada, Luis B. S. Vale, Manoel J. Teixeira
Universidade de São Paulo

Objetivo: avaliar a influência de dados demográficos e aspectos clínicos relevantes e resultado de tratamento farmacológico em doentes com neuralgia pós herpética (NPH).

Casuística e método: Estudo aberto observacional de 182 doentes com NPH que receberam tratamento farmacológico nos últimos dez anos no Centro de Dor da Clínica Neurológica do HCFMUSP. Foram avaliadas as relações entre as variáveis: sexo, idade, duração da dor, nível de acometimento do Herpes Zoster e outras doenças associadas com drogas analgésicas e antineurálgicos (AINHs, opióides fracos e fortes, antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes e neurolépticos.

Critérios de inclusão: doentes com mais de três meses de doença e avaliação do tratamentos iniciados após seis de dor. Avaliação dos resultados foram divididos nos tempos 3, 6, 12, 24, 36 e >36 meses pela escala visual analógica de 0-10.

Resultados: Sexo- F= 124,    M = 58, teste X2  p 0,615,  Idade- < 65 anos =64,    > 65 anos = 118,            teste X2  p 0,922.  Nível de acometimento ? Trigêmeo – 41,   Cervical ? 22,   Torácico ? 108,  Lombar – 11,  teste X2  p 0, 263. Duração da dor - < 8 meses  = 89 > 8 meses  = 92,                      teste X2  p 0,012.  Doenças associadas- Ausente = 49,  Diabete melito = 28, Hipotireiodismo = 6,   HIV+ = 7 D, Reumatológica = 12,     Neoplasia = 22,              Outros = 57,                       Razão de verossimilhança p = 0,680.

Conclusões: Não houve relação significativa entre sexo, idade, nível de acometimento com resultado do tratamento.   Melhora significativa na dor nos doentes com duração da dor inferior a oito meses. É recomendado tratamento precoce nos doentes com NPH.

Referência: Hempenstall K, Nurmikko TJ, Johnson RW, et al. Analgesic Therapy in Postherpetic neuralgia: a quantitative systematic review.


3.15 – DOR VISCERAL

3.15.1 - ÚLCERA PÉPTICA COM MANIFESTAÇÕES ANGINOSAS E DE DOR PLEURÍTICA – Pôster

Jules R. Borges
Cais Colina Azul - Aparecidade de Goiânia - GO

Introdução: A doença ulcerosa péptica entra no rol de diagnósticos diferenciais de dor torácica aguda, pois pode simular Síndrome Coronariana. Este trabalho ilustra o caso de uma paciente que abriu quadro de úlcera péptica não perfurada com dor de caráter pleurítico.

Relato de caso: Paciente de 34 anos, sexo feminino, iniciou dor precordial constrictiva após estresse emocional, com irradiação para ombro e braço esquerdos, muito intensa, contínua, durando cerca de 2 horas, melhorando discretamente com a posição sentada, piorando à inspiração profunda e com decúbito dorsal, acompanhada de náuseas, sudorese,  dispnéia de início súbito, ortopnéia e lipotímia. Sem história de DM, HAS e tabagismo. Sedentária, com IMC 28 kg/m². Antecedentes familiares de coronariopatia. Ao exame, ansiosa, afebril, acianótica, pálida, sudoréica, com fácies de dor; MVF, 26ipm, sem ruídos adventícios, sem tiragens; RCR 2T BNF sem sopros, sem atrito pericárdico, 96bpm; PA 150x90mmHg; sem dor à digitopressão do precórdio, abdome indolor. Recebeu AAS, Captopril e Nitrato via oral e Dolantina 50 mg IV, persistindo com dor. Encaminhada a Unidade Coronariana. ECG, Raios-X de tórax e gasometria arterial, normais. Troponina I e CPK-MB não indicaram sofrimento miocárdico. Alta após 6h, com dor menos intensa, recorrente, duração de 20 min e intervalos de 3 h. Procurou serviço de Ortopedia, sem detecção de doença osteomuscular. Persistindo com a queixa álgica, chegou ao CAIS, com dor epigástrica à palpação, abdome normotenso, sem sinais de peritonite. Solicitada EDA, que evidenciou bulbo com úlcera ativa. Referiu cessação da dor após o 7º dia de tratamento com Pantoprazol. Paciente foi, então, encaminhada para seguimento em ambulatório de Gastroenterologia.

Discussão: O caso relatado, devido ao quadro clínico florido apontou para muitas direções na investigação diagnóstica. A abordagem inicial de paciente adulto com dor torácica aguda deve se iniciar por investigação de Angina Instável e IAM, já que correspondem a 15 a 30% dos casos, sobretudo na presença de fatores de risco cardiovascular. Devem-se investigar causas cardíacas não-isquêmicas, pulmonares, gastroesofageanas, osteomusculares e psico-emocionais de acordo com a história clínica, exame físico e  dados laboratoriais.

Referência: Bassan R, Pimenta L, Leães PE, Timerman A. Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz de Dor Torácica na Sala de Emergência. Arq Bras Cardiol, 2002; 79 (supl II).     


3.16 – DOR ONCOLÓGICA

3.16.1 - TITULAÇÃO DE OPIÓDE COM BOMBA DE PCA EM DOR DE DIFÍCIL CONTROLE - Pôster

Glauco Pimentel, Erina Uemura, Daniel Neves
Faculdade de Medicina de Marília

Introdução: Dor oncológica pode ser causada por um componente neuropático (compressão nervosa) e por estímulos diretos de nociceptores, ou na maioria das vezes por um componente misto. A dor deve ser tratada de acordo com a escala analgésica da OMS. A utilização de bomba de infusão com analgésicos opióides é uma excelente estratégia para mensurar, em curto prazo, a dose de analgésicos necessária para o tratamento efetivo da dor de difícil controle com o tratamento convencional, além de aliviar dores incidentais.

Relato de caso: mulher, 49 anos, branca, tabagista de meio maço de cigarros por dia por 36 anos apresenta neoplasia pulmonar EC IV com metástases adrenais e cerebral, apresentado dispnéia e dor torácica importante (VAS=10). A paciente fazia uso de morfina sem controle adequado de sua dor. Optou-se então por converter a dose de morfina em uso para fentanil (dose de conversão: 83 mcg/h) acrescida de bomba de PCA com bôlus de 1mL (17,2 mcg) com intervalo de bloqueio de 7 minutos, e posteriormente para fentanil transdérmico. A paciente refere melhora significativa da dor em curto prazo. Com a conversão para via oral, houve estabilização da dor até o seu óbito devido à gravidade do caso em questão.

Discussão: a paciente estava em estágio terminal de sua neoplasia de pulmão, apresentando metástases. Portanto o objetivo do tratamento era paliativo e não curativo, visando à melhor qualidade de vida possível considerando-se o caso em questão. A relevância desse relato de caso consiste no fato de essa ser a primeira experiência de titulação de dose de analgésicos opióides com bomba de infusão na FAMEMA.

Referência: Dor oncológica. Costa C.A.; Santos C.; Alves P.; Costa A. Revista Portuguesa de Pneumologia 2007; 6:855-867.


3.16.2 - PACIENTE PORTADORA DE TUMOR DE MAMA COM SÍNDROME DE DOR FANTASMA EM MEMBRO PARÉTICO: ESTUDO DE CASO - Pôster

Érica A. Nogueira, Ellen B. Paixão, Anke Bergmann, Fabíola C. B. Moreno
Instituto Nacional do Câncer

Introdução:  Trata-se de um caso de tumor de mama e dor fantasma, cuja fisiopatologia ainda é muito controversa na literatura.

Relato de caso: Mulher 50 anos, tumor de mama esquerda IV e metástases para a pele. Tratada com cirurgia, Quimioterapia adjuvante (Qt), Radioterapia (Rxt) adjuvante e hormonioterapia em 2007. Em 08/06/2007 foi submetida à ooforectomia por tumor primário de ovário. Ao exame neurológico: paresia de MSE, diminuição funcional e da força, parestesia, lesão cutânea tipo plastrão no local da mastectomia, linfedema e dor contínua latejante no ombro, EVA= 6. Conduta da fisioterapia: adaptação do braço à tipóia e enfaixamento do membro afetado. Em 07/03/2008 é encaminhada à Clínica da Dor, onde referia dor moderada no ombro à E há cinco meses, com síndrome de dor fantasma com piora progressiva, parestesia, força muscular diminuída, sensibilidade = 0, mobilidade no membro = 0, linfedema 4+/4+, performance/status = 2 a 3, KPS= 60%, EVA= 8. Laudos: mamografia - linfonodo axilar e linfonodos densos e glososos na região aureolar; cintilografia óssea - processo degenerativo em joelhos e ossos do tarso; TC de tórax- massa no plano de clivagem iniciando-se no tórax até ao terço superior do abdome, presença de linfonodomegalias infra-carinal, pré-vasculares e axilares à D. Vinha em  uso de morfina 30 mg de 4/4 h e seis resgates/dia sem alívio da dor.

Conduta: metadona 50 mg 2x dia, gabapentina 600 mg 12/12 h e resgate com morfina 30 mg. Após uma semana obteve controle antiálgico e relato de alucinações pelos familiares. Reduzida a metadona, mantido a gabapentina 600 mg e morfina SOS. Suspende-se o tamoxifen e a paciente é encaminhada ao centro de suporte terapêutico oncológico para continuar o tratamento paliativo. Em 21/03/2008 apresenta-se grave com insuficiência respiratória vindo a óbito.

Discussão:A dor fantasma é descrita como uma sensação sensorial desagradável no seguimento que foi ressecado, amputado ou lesionado. A fisiopatologia é controversa, porém estudos contribuem para sua compreensão, como a teoria do mecanismo periférico na gênese da dor espontânea com hiper excitabilidade do nervo lesado e sensibilização central. A imagem ocorre no córtex senso motor primário. (Wallace, 1996; Dijkstra, 2007; Drummond, 2005). Seria necessário um tempo maior de acompanhamento da paciente para delinear em que parte do membro parético iniciava a dor fantasma e que vias sofreram ou não neuroplasticidade. 

Referência: Wallace SW, Wallace AM. J Pain after breast surgery: a survey of 282 women.1996.Pain, 66.195-205.


3.16.3 - RELATO DE CASO: TOLERÂNCIA A MORFINA VENOSA EM PACIENTE COM CÂNCER - Oral

Caio Marcio Barros de Oliveira, Luis Gustavo Baaklini, Adriana Machado Issy, Rioko Kimiko Sakata
Universidade Federal de São Paulo

Introdução: Aproximadamente 80% dos pacientes com câncer em estágio avançado apresentam dor moderada ou intensa decorrentes de múltiplas causas. O alívio da dor é essencial tanto antes do tratamento antitumoral quanto em condições de lesão irreversível.

Relato de caso: ID: AMS, 53 anos, casado, balconista, natural da Bahia, residente em SP há 35 anos. QD: Dor lombossacra há 2 meses. HPMA: Paciente começou a apresentar dor lombossacra constante com irradiação para membros inferiores e dificuldade de permanecer em pé por período prolongado. Também apresentava piora da dor ao movimento e em decúbito dorsal e alívio em decúbito ventral. Relatava diminuição de 4kg em 2m e febre há 3 dias. AP: etilista (1L de destilado/dia/30a); tabagista (1maço/dia/40ª). EF: linfadenomegalia cervical e redução da força motora em membros inferiores. Diagnóstico: CEC de base de língua estágio IV-C, com metástase óssea e hepática.  Tratamento na enfermaria: morfina 40mg/4h IV + dipirona 1g/6h + cetoprofeno 100mg/8h IV Conduta da Clínica de Dor: morfina 40mg/4h VO, dipirona 1g/4h VO + carbamazepina 200mg/8h VO + amitriptilina 12,5mg, com controle álgico satisfatório.

Discussão: O paciente apresentava dor nociceptiva e neuropática e foi medicado apenas com opióide e, nesses casos , a associação de coadjuvantes (ex. carbamazepina e amitriptilina) melhora o resultado, o que reforça o tratamento multimodal para alívio da dor dos pacientes com câncer. Outro problema é a administração por via venosa, que, além de não manter a concentração plasmática por tempo prolongado, provoca períodos com excesso de medicação e períodos com falta de analgesia. Além disso, há desenvolvimento de tolerância, fazendo com que seja necessária grande dose, como ocorreu com este paciente. A via oral é a de escolha por tratar-se de via de fácil uso pelos pacientes e que mantém o nível plasmático adequado. Além disso, o uso da via oral permite que o paciente tenha alta hospitalar, mantendo o esquema analgésico satisfatório e confortável.

Referência: Mandalà M, Moro C, Labianca R, Cremonesi M, Barni S. Optimizing use of opiates in the management of cancer pain. Ther Clin Risk Manag 2006; 2:447-53.


3.16.4 - SINTOMAS DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO EM PACIENTES COM DOR ONCOLÓGICA - Pôster

Aíza L. de Almeida, Elismar P. A. Silva, Wariston José L. Dias, Marco Aurélio S.
Rodrigues
Instituto Maranhense de Oncologia Aldenora Belo

Introdução: A dor acarreta sofrimento emocional e diminuição da qualidade de vida. Freqüentemente, são observados perturbações de ansiedade e depressão no doente com dor. Com o objetivo de estudar a ocorrência de sintomas de ansiedade e depressão em pacientes com dor oncológica e correlacionar com a intensidade da dor, foram avaliados 32 pacientes em um ambulatório de dor do hospital de referência para tratamento do Câncer em São Luís-MA. O estudo foi descritivo, de caráter exploratório, prospectivo, com análise quantitativa dos dados. Utilizaram-se dois instrumentos de coleta. O primeiro um questionário constituído por variáveis sócio demográficas e a Escala de Classificação Numérica (NRS) de avaliação da dor. E o segundo uma ficha protocolo contendo a Escala Hospitalar para Ansiedade e Depressão (HADS). A HADS possui duas sub-escalas: a HADS-A para ansiedade com sete itens e a HADS-D para depressão com sete itens também. A coleta de dados ocorreu no mês de abril de 2008, pelos próprios pesquisadores, durante a consulta médica. Após análise dos dados percebe-se uma estreita relação da dor oncológica com sintomas de Ansiedade e Depressão.  O sexo feminino apresentou pontuações mais elevadas de ansiedade na HADS-A, 30,8% no escore de 8 a 10 (médio) e 30,8% no escore de 11 a 21 (elevado). Enquanto o sexo masculino apresentou pontuações na HADS-A menos elevadas, todos os homens demonstrou-se com escore de 0 a 7 (baixo). Ao se analisar os sintomas de depressão ambos os sexos apresentaram escore baixo na HADS-D, 61,5% nas mulheres e em todos os homens. No entanto, percebe-se um percentual relativamente importante de mulheres com pontuação elevada, 26,9% com escore de 11 a 21. Quando se relacionou Ansiedade com a intensidade da dor, a correlação foi significativa. Os pacientes que apresentaram dor intensa pela Escala de Classificação Numérica de avaliação da dor (NRS), 26.3% demonstraram escore médio e 26,3% escore elevado na HADS-A. E quando se relacionou Depressão com a intensidade da dor, a correlação foi relativamente significativa. Os pacientes que apresentaram dor intensa, a maioria (73,7%) apresentou escore baixo na HADS-D (0 a 7). Os resultados obtidos permitiram identificar ocorrências de sintomas de ansiedade e depressão, sendo que o aparecimento de sintomas de ansiedade foram mais prevalentes que os sintomas de depressão e mais comum no sexo feminino, com significativa relação com a intensidade da dor.

Referência:  PIMENTA, C. A. et al. Dor crônica e depressão: estudo em 92 doentes. Rev. Esc. Enf. USP. São Paulo, v. 34, n. 1, p. 76-83, mar.,2000.


3.16.5 - RADIOTERAPIA NO ALÍVIO DA DOR DE METÀSTASE ÓSSEA ? RELATO DE CASO - Pôster

Adriana S. Freire, Ana Caroline V. Aurione, Juliano V. R. de Paula, Jardel P. A.Teixeira
Universidade Federal de Goiás

Introdução: A dor é a manifestação clínica mais comum da metástase óssea e o seu tratamento é paliativo, consistindo de quimioterapia, radioterapia, hormonoterapia, difosfonatos, terapia medicamentosa e mais recentemente, isótopos radioativos. A principal modalidade de tratamento é a radioterapia.

Relato de caso: Paciente feminina, 73 anos, com hipertensão e diabetes mellitus controladas, após diagnóstico de câncer colo-retal, há três anos e meio, foi submetida à colectomia parcial, protectomia e quimioterapia. Evoluiu com metástase hepática, sendo realizado hepatectomia parcial. Permaneceu bem por três anos, quando iniciou com dor em coluna torácica, dificuldade na movimentação dos membros inferiores e tosse. Os exames demonstraram metástases pulmonares e em coluna. O estudo tomográfico computadorizado da coluna dorsal evidenciou duas lesões osteolíticas, comprometendo os corpos vertebrais de T 2 e L1, havendo extensão para canal raquiano no primeiro nível descrito. À cintiloografia óssea, nota-se hiperconcentração em D1, D2, D3, D4, L4 e L5. Iniciou quimioterapia e visando minimizar a dor, reduzir o uso de opióides e manter os movimentos, iniciou radioterapia em campo de coluna torácica posterior (C7 a T4) com dose diária de 2,5Gy até dose de 37,5 Gy, e em campo de coluna lombar posterior (L2 a S1) com dose diária de 3Gy até dose total de 30Gy. Paciente relata melhora na movimentação dos membros inferiores e alívio da dor, havendo redução significativa da medicação anti-álgica, permanecendo sem medicação durante alguns dias. Após seis meses de tratamento, paciente evolui com múltiplas metástases cerebrais, apresentando-se comatosa e inconsciente, sendo internada sem melhora. Foi proposta radioterapia de cérebro total visando melhora parcial do quadro, mas com possibilidade de não haver resposta. Família optou por não tratar. Paciente foi a óbito três meses depois.

Discussão: O controle da dor é importante para melhorar a qualidade de vida do doente com câncer avançado, principalmente naqueles com metástases ósseas e dentre os locais mais comuns destas, estão as vértebras, correspondendo a 69%. A radioterapia é eficaz no controle temporário da dor, assim como na diminuição ou controle local da destruição óssea, contribuindo para a manutenção da função. A paliação efetiva ocorre em aproximadamente 80% dos casos e a duração da resposta é variável, mas geralmente, ela costuma ser por vários meses.

Referência: Jesus-Garcia, R.; Puertas, E.B.; Oliveira, C.E.A.S.Oliveira.; Chagas, J.C.M.; Korukian, M.; Segreto, R.A.; Ribalta, J.C.L.R; Lima, M.F.O. - Resultado do tratamento de lesões metastáticas na coluna vertebral. Rev.Bras.Ortop.28(11-12):803-808.1993.


3.16.6 - PERFIL DE DOR ONCOLÓGICA NA MULHER EM SERVIÇO DE ATENDIMENTO AMBULATORIAL - Pôster

João Batista Garcia, Igor S. Furtado, Maria Helena A. Costa, Daniele S. Véras
São Luís - MA

Introdução: Estudos indicam que o sexo feminino sente mais dor e tem maior risco de experimentar inúmeras condições dolorosas. Isto se torna mais evidente em pacientes com câncer, nas quais estão implicados também fatores psíquicos e emocionais. O objetivo deste trabalho foi avaliar o perfil das pacientes atendidas no Ambulatório de dor crônica do Instituto Maranhense de Oncologia Aldenora Belo (IMOAB).

Metodologia: Análise retrospectiva de 68 prontuários de mulheres com câncer acompanhadas pela Liga Acadêmica de Dor no Ambulatório de dor crônica do IMOAB. Analisaram-se os parâmetros: idade, estado civil, remuneração, órgão de origem do câncer, características da dor, acompanhamento psicológico, tratamentos anteriores e condutas adotadas.

Resultados: A média de idade foi de 53,51 ± 15,1 anos. Apenas 22,1% (15) dos pacientes eram casadas e 41,2% (28) aposentadas.  Em torno de 10% (7) estavam em acompanhamento no serviço de psicoterapia. Os tumores mais prevalentes foram os de colo de útero e de mama, com 26,5% (18) dos pacientes cada um, seguidos pelo mieloma múltiplo, com 10,3% (7).  A dor foi referida como contínua e intensa em 17,64% (12) dos pacientes, principalmente nos tumores de colo de útero e mama com 33,3% (4) e 25% (3), respectivamente. Alteração de força dos membros foi observada em 25% (17) das pacientes, 76,4% (13) destas chegando a impedir o movimento. A radioterapia foi realizada em 60,3% (41) das pacientes e destas 78% (32) também foram submetidas à quimioterapia. Metástase à distância estava presente em 25% (17) dos casos, sendo que naquelas com tumor de colo de útero evidenciou-se invasão locorregional e doença avançada em mais da metade dos casos. Os analgésicos mais utilizados foram os opióides, em 77,9% (53) das prescrições, seguido de AINE em 52,9% (36).

Conclusão: O conhecimento do perfil clínico de mulheres atendidas em um serviço de dor oncológica proporciona maior alívio dos sintomas e humanização no manejo dessas pacientes, muitas vezes, com diagnóstico de doença incurável.

Referência: Janz NK, et al. Symptom experience and quality of life of women following breast cancer treatment. J Womens Health (Larchmt);16(9):1348-61, 2007.


3.16.7 - AVALIAÇÃO DA DOR EM PACIENTES ONCOLÓGICOS COM METÁSTASE ÓSSEA - Pôster

Silvia  Moura, Alexandre Andrade, Silmara Rodrigues, João B. S. Garcia
Instituto Maranhense de Oncologia Aldenora Belo

Introdução: A doença óssea metastática é responsável por grande parte dos tumores malignos. Clinicamente, a dor é o principal sintoma sendo geralmente intensa; porém, na sua ausência, pode somente se mostrar através de uma fratura patológica. O mecanismo álgico não está claro, sugere-se a osteólise como agente causal .O objetivo deste estudo foi avaliar a dor em pacientes oncológicos atendidos ambulatorialmente portadores de metástase óssea.

Métodos: Foram avaliados retrospectivamente 97 pacientes atendidos em Serviço especializado em Dor Oncológica, os quais foram primeiramente agrupados como possuindo ou não metástase; em seguida, o grupo com metástase foi classificado como possuindo metástase óssea ou não-óssea e analisado em separado. Foi utilizado o Statistical Package for Social Sciences (SPSS) v.10.0 para a análise dos dados, com aplicação de qui-quadrado para análise de variáveis categóricas, com nível de significância de 5%.

Resultados: Dentre os avaliados, 40,2% possuíam metástase comprovada no momento da pesquisa; destes, a metástase era do tipo óssea em 53,8% (21,6% do total de avaliados). Não houve diferença entre os grupos com ou sem metástase quanto ao sexo, idade, periodicidade e tempo de dor. No grupo com metástase, a dor foi intensa em 51,3%; nos sem metástase esse valor caiu para 32,8% (p=0,105). Considerando apenas os pacientes com metástase, não houve diferença entre aqueles com metástase óssea e os com outros tipos de metástase quanto ao sexo, idade, periodicidade e tempo de dor. No grupo com metástase óssea, a dor foi intensa em 71,4%; quando analisamos os que têm metástase não-óssea, esse valor caiu para 27,8% (p=0,033).

Conclusões: Observou-se que houve tendência à associação entre a presença de metástase e a intensidade da dor, sendo a metástase óssea relacionada significativamente às dores mais intensas.

Referência: Meohas W, Probstner D, Vasconcellos R, Lopes A, Rezende J, Fiod N. Metástase óssea: revisão da literatura. Rev. Brasileira de Cancerologia, 2005; 51(1): 43-47.


3.16.8 - INTENSIDADE DA DOR: COMPARAÇÃO ENTRE AS ESCALAS NUMÉRICA E VERBAL EM PACIENTES ONCOLÓGICOS – Pôster

Silmara Rodrigues, Silvia Moura, Alexandre Andrede, João B. S. Garcia
Instituto Maranhense de Oncologia Aldenora Belo

Introdução: A avaliação da dor é o primeiro passo para a cura ou seu controle. A caracterização através da intensidade faz parte dessa avaliação e usada como parâmetro na determinação terapêutica. A comparação entre as várias escalas tem sido objeto de estudo há tempos, objetivando determinar se elas são intercambiáveis e igualmente eficazes. A Escala Numérica (EN) e a Escala Verbal (EV) são consideradas válidas para avaliar a intensidade da dor em muitos contextos clínicos. Este estudo visa comparar duas escalas de intensidade da dor numérica e verbal quanto às características relacionadas e se estas são equivalentes.

Métodos: Foram avaliados 43 pacientes consecutivamente atendidos em Serviço especializado em dor oncológica. A avaliação foi retrospectiva, consistindo em análise de prontuários e fichas protocolos pertencentes ao serviço. Foi utilizado o programa SPSS v.10.0 para a análise dos dados, que consistiu em análise de frequência e aplicação de teste qui-quadrado para comparação entre variáveis categóricas, adotando-se um nível de significância de 5%.

Resultados: Dentre os avaliados, 18,2% relataram dor ≤4; 29,5% de 5 a 7 e os 52,3% restantes relataram dor ≥ 8. Quando avaliada a dor pela escala verbal, os valores foram de 15,9%, 34,1% e 50% para as dores leve, moderada e intensa, respectivamente. Comparando-se as escalas numérica e verbal, notamos que, dentre os pacientes que classificaram sua dor como leve, 28,6% deram nota ≥ 5; ainda mais, dentre estes últimos, a metade deu nota ≥ 8 para a dor que classificaram como leve. Já dentre aqueles que classificaram a dor como intensa, 100% deram nota ≥ 5 (p < 0,001).

Conclusões: Apesar das semelhanças percentuais apresentadas entre EV e EN para os três graus de dor, constatou-se uma discordância entre o valor dado pela EN em relação às dores classificadas como leves e intensas, refletindo o não entendimento dos pacientes às escalas utilizadas em nosso serviço.

Referência: Sousa, Fátima Faleiros; Silva, José Aparecido da. A métrica da dor (dormetria): problemas teóricos e metodológicos. REV. DOR 2005 - Jan/Fev/Mar, 6(1): 469-513


3.16.9 - DOR NO CÂNCER: AVALIAÇÃO DE CRENÇAS E ATITUDES SOBRE A DOR NO CÂNCER ENTRE ENFERMEIROS - Pôster

Márcia M. F. Zago, Ismael S. Praxedes, Maria G. L. Cordeiro
Universidade de São Paulo

Introdução: O câncer atinge um número significativo de pessoas em todo mundo e a dor oncológica atinge 50% dos pacientes durante todo o curso da doença e na fase avançada, a dor pode chegar a 75% (Bonica, 1990). As crenças e as atitudes dos doentes sobre dor e analgesia influenciam na apreciação, na expressão e no manejo da dor. Informações errôneas, medos infundados dos doentes sobre efeitos colaterais dos medicamentos, medo de desenvolver tolerância e habituação ao fármaco são freqüente nos doentes com dor (Pimenta; Portnoi, 1999). De acordo com Pimenta (2003), a dor oncológica é de fácil controle e seu alivio é um direito da pessoa e deve ser respeitado pelos profissionais.

Método: Desenvolvemos um estudo descritivo com análise quantitativa utilizando dados do questionário aplicado para avaliar as crenças e atitudes sobre a dor no câncer entre enfermeiros participantes de um curso de especialização em oncologia que trabalhem em instituições oncológicas e em geral que atendam pacientes com este sintoma. Dentre os participantes, 100% do sexo feminino com idade 21 a 30 anos concluíram a graduação entre 2001 e 2005. 100% concordam que o enfermeiro tem um papel importante no manejo da dor em pacientes oncológicos.

Resultados: A maior freqüência concorda que o conhecimento interfere na avaliação da dor no paciente e que práticas alternativas ajudam no alivio da dor. Que não existe dor quando não há sinais físicos, que a dor pode ser controlada com analgésicos, os narcóticos devem ser administrados num esquema regular, que estes pacientes irão desenvolver dependência. A maior freqüência concorda que o paciente é a pessoa mais apropriada para julgar sua dor, que os opiáceos causam depressão respiratória, não concordam que as crianças e adolescente tem sensação de dor diminuída e que os analgésicos não devam ser administrados até que a causa da dor seja estabelecida, que a experiência prévia de dor ensine as pessoas a serem tolerantes a um novo episódio de dor, não concordam que a dor aguda é mais intensa que a dor no câncer.

Conclusões: Os resultados mostram a necessidade de um estudo mais amplo com enfermeiros especializados sobre o assunto, visto que, este é um problema que atinge todos os pacientes com câncer.

Referência: Bonica, J.J. The management of pain. Philadelphia: Lea & Febiger, p. 461-480, 1990. Pimenta, C. A. de M.; Portnoi, A. G. Dor e cultura. In: ______. Carvalho, M. M. M. J. de (org.). Dor: um estudo multidisciplinar. São Paulo, Summus, 1999. Cap. 7, p. 159-173.


3.16.10 - VALIDAÇÃO DO INVENTÁRIO BREVE DE DOR PARA PACIENTES BRASILEIROS COM DOR ONCOLÓGICA – Oral

Karine A. S. L. Ferreira, Miako Kimura, Charles S. Cleeland, Manoel J. Teixeira Universidade de São Paulo

Introdução: O Inventário Breve de Dor (Brief Pain Inventory-BPI) é um instrumento multidimensional mais utilizado para avaliação da dor no mundo, tanto na prática clinica diária como em ensaios clínicos para avaliar intervenções para prevenção e tratamento da dor devido ao câncer e outras causas. Foi originalmente desenvolvido em inglês por Cleeland e cols., tendo sido traduzido e validado em diferentes línguas, mas não para o português. É uma escala pequena e de fácil compreensão pelo paciente e/ou cuidador, que inclui 9 itens que avaliam a intensidade da dor pior, média e no momento (escala 0 a 10), a efetividade do tratamento e o impacto da dor no sono, humor, atividades, trabalho, bem-estar, etc.

Objetivos: Traduzir e validar a versão brasileira do BPI. Casuística e método: 143 pacientes com dor oncológica em atendimento no Ambulatório de Dor Oncológica do Centro Multidisciplinar de Dor do HCFMUSP preencheram o BPI, o EORTC-QLQ-c30, o Inventário de Depressão de Beck e tiveram seu desempenho funcional avaliado pela Escala de Performance Status de Karnofsky (KPS). O BPI foi traduzido para o português e retro-traduzido para o inglês por indivíduos nativos com fluência da língua. A versão em inglês e a original foram comparadas por um comitê de juízes, incluindo os autores da escala, especialista em dor, especialista em validação de instrumento, oncologista e cirurgião oncologista. A versão final foi preenchida pelos pacientes, sendo posteriormente testadas as suas propriedades psicométricas: validade de construto (análise fatorial confirmatório no programa LISREL 8.8), known-groups validity (teste t-student), validade convergente (coeficiente de correlação de Spearman), confiabilidade (coeficiente alfa de Cronbach).

Resultados: Foram identificados 2 domínios (intensidade da dor: itens 3-6 e 8 e interferência: itens 9a-9g), com bom ajuste do modelo (RMSEA=0,104, GFI=0,81, NFI=0,91). O BPI mostrou validade convergente (correlação moderada a forte entre ambos os domínios com a escala de dor do EORTC-QLQ-c30 e com o questionário de dor McGill, r>0,51). Os escores do BPI diferiram significativamente entre pacientes com doença metastática e locoregional e entre os com KPS ≥70 e <70. A confiabilidade para ambos os domínios foi aceitável (Cronbach-alfa= 0,91 para intensidade e 0,87 para interferência). Tempo médio para preenchimento (5 min).

Conclusão: o BPI é um instrumento válido e confiável para avaliar dor em pacientes com câncer e requer um curto tempo para sua aplicação. 

Referência: Cleeland CS, Gonin R, Hatfield AK, Edmonson JH, Blum RH, Stewart JA et al. Pain and its treatment in outpatients with metastatic cancer. N Engl J Med. 1994;330(9):592-6.


3.16.11 - DOR NO PACIENTE ONCOLÓGICO:ADENOCARCINOMA DE CÉLULAS CLARAS BILATERAL DO OVÁRIO - Pôster

Larissa Abrahão, Laryssa Kataki, Flávia Teixeira
Uberaba - MG

Introdução: A neoplasia de ovário é o tumor que se origina das células do epitélio superficial, embriologicamente relacionado com o epitélio celômico. É o câncer ginecológico mais letal e o 3º mais comum do sistema reprodutivo feminino. Acomete mulheres entre 40-70 anos, e é causa comum de dor pélvica em casos avançados.

Relato de caso: Paciente 50 anos, negra, solteira, vendedora, natural de Uberaba-MG, apresentou-se no ambulatório de ginecologia, com dor em fossa ilíaca direita,tipo cólica, de início súbito, moderada intensidade, sem irradiação, iniciada há 3 semanas,com piora há 3 dias, tornando-se de forte intensidade. Afirma dispareunia há 3 meses. Nega fatores de melhora ou piora. Relata episódio semelhante há 1 ano, com febre aferida de 39°C. E.F.: BEG e afebril. Abdome tenso no baixo ventre, sem VCM, RHA diminuídos, com dor à palpação superficial e profunda em FID e hipogastro, descompressão brusca dolorosa nas mesmas regiões. Exame ginecológico: colo e útero dolorosos à palpação. Anexos com dor importante e abaulamento do direito. Fundo de saco posterior com abaulamento e doloroso à palpação. Solicitada rotina de abdome agudo.US abdominal: abscesso tubo ovariano à direita. US transvaginal: massa sólido-cistica retro uterina com expansão para a região anexial direita. Paciente submetida à laparotomia exploradora devido à massa anexial. Observado tumor de ovário bilateral com cápsula rota bilateralmente. Aspirado 20 ml de líquido peritoneal para citologia e pesquisa de células neoplásicas.Realizado anexectomia bilateral + histerectomia abdominal total. Evidenciado metástase em retroperitônio, próximo ao ureter esquerdo. Liquido ascítico: sedimentos com hemácias, células mesoteliais, plaqueta e linfócitos. Sem evidência de neoplasia.Biópsia peritoneal: tecido conjuntivo fibroso infiltrado por adenocarcinoma de células claras. Ovários: com carcinoma de células claras que infiltra as superfícies externas dos ovários. Tubas uterinas sem alterações. Tecido conjuntivo fibroso e adiposo das goteiras parieto cólicas sem evidências de neoplasia.  Diagnóstico: adenocarcinoma de células claras bilateral do ovário III-C. 

Discussão: Tendo em vista os aspectos de dor sob o ponto de vista oncológico, podemos ressaltar a importância do diagnóstico precoce de doenças como o adenocarcinoma de células claras bilateral de ovário, já que nesta, a dor por comprometimento peritoneal/extra-peritoneal surge em casos avançados da doença, como sintoma clínico importante para o diagnóstico.

Referencia: Sogimig. Neoplasias benignas e malignas dos ovários e das trompas. IN: Ginecologia e obstetrícia, manual para concursos.Rio de Janeiro:GuanabaraKoogan, 2003, 322-330.


3.16.12 - HÁ ASSOCIAÇÃO ENTRE DOR ONCOLÓGICA E NÍVEIS PLASMÁTICOS DAS CITOCINAS PRÓ-INFLAMATÓRIAS TNF-ALFA, IL-6, IL-8 E IL-1-BETA - Oral

Karine A. S. L. Ferreira, Miako Kimura, Fernando de Queiroz Cunha, Manoel J. Teixeira Universidade de São Paulo

Objetivos: avaliar a associação entre dor oncológica crônica e as citocinas pró-inflamatórias interleucina-6 (IL-6), IL-8, IL-1beta e TNF-alfa.

Casuística e método: 220 pacientes ambulatoriais com câncer, que não haviam recebido nenhum tratamento antineoplásico nos últimos 30 dias, foram avaliados pelo Inventário Breve de Dor, Questionário de Dor McGill (MPQ), Inventário de Depressão de Beck, Escala de Desempenho Funcional de Karnofsky e a escala de QVRS, EORTC-QLQ-c30. Os níveis plasmáticos das citocinas foram dosados através do teste imunoenzimático Elisa e comparados entre pacientes com dor leve (G1), moderada a intensa (G2) e sem dor (G3) usando a Anova ou o teste de Kruskal-Wallis seguido por análise de múltiplas comparações. Os pacientes do G1 e G2 apresentavam apenas dor oncólogica e estavam em uso de analgésicos. Os do G3 tinham câncer, mas não apresentaram dor ou fizeram uso de analgésicos nos últimos 14 dias. 23 voluntários saudáveis (G4) foram incluídos como controle. A análise de Árvore de Classificação e Regressão (CART) avaliou a relação entre citocinas e níveis de dor, ajustada por características clínicas, demográficas e sintomas. As correlações foram avaliadas pelos testes de Spearman e Pearson.

Resultados: Os pacientes do G2 (n=49) apresentaram significativamente (p<0,05) maiores níveis de IL-6 e IL-8 que todos os demais grupos. Os níveis do TNF-alfa e da IL-1beta foram maiores no G2 que no G1 (n=76) e G4, mas não diferiram significativamente do G3 (n=95). Entre pacientes com dor (n=125) foram observadas correlações significativas (p<0,05) ou com tendência a significância entre: IL-6 e a pior dor (r=0,23) e o escore total do MPQ (r=0,18); TNF-alfa e os descritores afetivos do MPQ (r=0,33); IL-8 e escore total do MPQ (r=0,16); escalas de sintomas de dor e IL-6 (r=0,21). A análise de CART selecionou o estádio da doença, a IL-8, a insônia moderada a intensa, a fadiga leve a intensa e a idade ≤ 48 anos como preditores de dor. O maior percentual de casos com dor moderada a intensa foi observado entre os com estádio IV da doença e IL-8 > 5,20 pg/ml.

Conclusões: o aumento das citocinas pró-inflamatórias IL-6, IL-8, IL-1b e TNF-alfa esteva relacionado ao aumento da dor. A IL-6 e IL-8 estavam associadas à ocorrência de dor moderada a intensa.Os resultados sugerem que tratamento com antagonistas/inibidores das citocinas IL-6, IL-8, IL-1b e TNF-alfa pode contribuir para o alívio da dor.

Referência: Ferreira KASL. Dor e qualidade de vida relacionada à saúde de pacientes com câncer: influência das citocinas pró-inflamatórias TNF-α, IL-6, IL-8 e IL-1b.  [Tese] São Paulo (SP): Escola de Enfermagem da USP; 2008.  


3.17 - DOR PÓS-OPERATÓRIA
3.17.1 - EVOLUÇÃO DA DOR PÓS-OPERATÓRIA EM PACIENTES SUBMETIDOS A TORACOTOMIAS – Pôster

Thaiza Xavier, Gilson Torres, Luciana Reis, Melissa Gurgel
Natal - RN

Introdução: A avaliação da dor pós-operatória deve ser sistematizada, diária e registrada de forma detalhada visando à satisfação do paciente com analgesia, compreensão do diagnóstico etiológico e avaliação da eficácia terapêutica. Neste sentido, o objetivo do estudo foi investigar a evolução da dor pós-operatória referida pelos pacientes submetidos à toracotomia.

Método: Trata-se de um estudo descritivo com delienamento trasnsversal, realizado no Hospital Promater Natal/RN,  conveniado ao SUS para realizar toracotomias. A amostra foi composta por 68 pacientes, 41 do sexo masculino e 27 do sexo feminino, com idade média de 55(±14,4) anos. Os instrumentos utilizados foram a ficha de avaliação fisioterapêutica e a escala numérica de dor. Os procedimentos foram realizados, após aprovação pelo Comitê de Ética da UFRN, através da aplicação dos instrumentos do primeiro ao quinto dia de pós-operatório. A escala numérica era mostrada ao paciente, sendo escolhido o número de zero a dez que melhor representava a sua dor.

Resultados: Com relação a intensidade dolorosa 9 pacientes não apresentaram dor pós-operatória, sendo 2 do sexo masculino e 7 do feminino. Dos 59 pacientes com dor (58 submetidos a esternotomia e 1 a toracotomia póstero-lateral, para procedimentos cardíacos), 39 foram do sexo masculino cuja a média da intensidade da dor no 1ºDPO foi 4 (±2,8), no 2ºDPO foi 3,4 (±2,9), no 3ºDPO foi 2,4 (±2,9), no 4ºDPO foi 1,3 (±2,4)  e no 5ºDPO foi 0,5 (±1,8). Já as pacientes do sexo feminino, a dor apresentou a seguinte evolução, 4,5 (±2,9), 3,6 (±2,7), 2,2 (±2,6), 1,0 (±2,2) e 1,0 (±2,3), do 1ºDPO ao 5ºDPO, respectivamente.

Conclusões: A evolução da dor pós-toracotomias apresentou uma tendência de leve a moderada na escala numérica de dor. Constatou-se que a dor relatada pelos pacientes apresentou-se mais intensa no 1º e 2º dias de pós-operatório.

Referência: Pimenta CAM, Teixeira MJ. Questionário de dor McGill: proposta para adaptação para língua portuguesa. Rev Brasileira de Anestesiologia. 1997 mar-abr; 47(2):177-186.


3.17.2 - FATORES ASSOCIADOS A DOR PÓS-TORACOTOMIAS E ATRIBUIÇÃO DE ÍNDICES NUMÉRICOS POR PROFISSIONAIS DE SAÚDE - Pôster

Thaiza Xavier, Gilson Torres, Luciana Reis, Roberta Azoubel

Introdução: A opinião de profissionais sobre procedimentos dolorosos realizados no pós-operatório de toracotomias pode influenciar positivamente na compreensão mais integral e dinâmica dos pacientes. Neste sentido, objetivou-se com este estudo atribuir índices numéricos a fatores associados a dor pós-toracotomia por profissionais de saúde.

Método: Trata-se de um estudo descritivo com delineamento trasnsversal, realizado com profissionais de saúde que atendem pacientes submetidos a toracotomias. A amostra foi composta por 30 profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e fisioterapeutas). O instrumento utilizado foi a ficha de avaliação fisioterapêutica contendo os fatores associados a dor de interesse para este estudo (tempo de cirurgia, tipo de incisão cirúrgica, dreno torácico, tipo de anestesia, idade e sexo). Os procedimentos foram realizados, após aprovação pelo Comitê de Ética da UFRN, através da aplicação do instrumento, sendo solicitado aos profissionais de saúde que atribuíssem índices de 1 a 3 para cada fator de risco.

Resultados: Os juízes atribuíram índices em ordem crescente para cada fator associado a dor: tempo de cirurgia de até 3 horas, índice 2, mais de 3 horas, índice 3; tipo de incisão cirúrgica: esternotomia, índice 2, toracotomia póstero-lateral, índice 3; dreno torácico lateral, índice 3, mediastinal, índice 2 e lateral associado a mediastinal, índice 3; tipo de anestesia: geral, índice 3 e geral com peridural, índice 1; idade: adulto e idosos receberam o mesmo índice de dor (2); sexo: masculino, índice 3 e feminino índice 2.

Conclusões: Percebeu-se que os juizes ao compararem os fatores associados a dor apresentaram uma tendência para índices que graduaram em ordem crescente de dor cada fator analisado. A necessidade de graduar fatores de dor é imprescindível para realização de uma conduta eficaz e para minimizar a dor pós-operatória, auxiliando desta forma, nos procedimentos fisioterapêuticos.

Referência:  Pimenta CAM, Teixeira MJ. Questionário de dor McGill: proposta para adaptação para língua portuguesa. Rev Brasileira de Anestesiologia. 1997 mar-abr; 47(2):177-186.


3.17.3 - INCIDÊNCIA DE DEPRESSÃO RESPIRATÓRIA NO PÓS-OPERATÓRIO: ANALGESIA VENOSA E PERIDURAL COM OPIÓIDES - Oral

Maria do Carmo B. C. Fernandes*, Leonardo T. D. Duarte, Verônica V. Costa, Renato Â. Saraiva
Hospital Sarah – Brasília

Introdução: A analgesia controlada pelo paciente (ACP), por via venosa ou peridural, é uma técnica segura e eficaz no tratamento da dor pós-operatória. O uso de opióides, entretanto, não é isento de risco, sendo a depressão respiratória a complicação mais temida. A incidência dessa complicação, descrita na literatura, varia de 0,1 a 11%. Os objetivos deste estudo foram descrever a incidência de depressão respiratória, associada ao tratamento da dor pós-operatória com opióides, administrados por via peridural ou venosa e também as características dos pacientes que apresentaram essa complicação.

Método: Trata-se de um estudo de incidência, retrospectivo, em pacientes operados no Hospital Sarah Brasília entre dezembro/1999 e dezembro/2007. Foram coletadas informações acerca do sexo, idade, peso, estado físico (ASA), técnicas de anestesia e analgesia, dosagem do opióide, e tempo decorrido do início da analgesia até o aparecimento da depressão respiratória. Foram definidos como casos de depressão respiratória, freqüência respiratória ≤ 8 irpm, uso de naloxona, ou saturação periférica de oxigênio abaixo de 90%.

Resultados: Foram avaliados 2790 pacientes submetidos a cirurgias ortopédicas, torácicas e urológicas. Foram observados sete casos de depressão respiratória pós-operatória, com incidência de 0,25%. Entre esses casos, seis pacientes foram tratados com analgesia venosa com morfina, enquanto o último recebeu analgesia peridural com fentanil. Seis pacientes eram do sexo feminino (86%) e classificados com estado físico ASA II (86%). A média de idade foi de 30,5 ± 24,7 anos (mínimo de 7 e máximo de 66 anos). O tempo médio do término da anestesia até a ocorrência da depressão respiratória foi de 18,1 ± 26,3 horas (mínimo de 1h e máximo de 72h). A ocorrência de depressão respiratória se associou de forma estatisticamente significativa com ACP venosa com morfina (p=0,001) e idade menor que 16 anos (p<0,05). Todos os casos foram diagnosticados oportunamente e tratados com sucesso.

Conclusões: A incidência de depressão respiratória encontrada foi semelhante à descrita na literatura, sendo mais freqüente em crianças e adolescentes, no sexo feminino, e com a analgesia controlada pelo paciente pela via venosa com morfina.

Referência: Shapiro A, Zohar E, Zaslansky R, Hoppenstein D, Shabat S, Fredman B. The frequency and timing of respiratory depression in 1524 postoperative patients treated with systemic or neuraxial morphine. J Clin Anesth 2005;17(7):537-42.


3.17.4 - DOR PÓS-OPERATORIA EM PACIENTES ORTOPÉDICOS: CARACTERIZAÇÃO DA INTENSIDADE DOLOROSA E TRATAMENTO FARMACOLÓGICO – Oral

Rosemeire  Andre, Luciane  Vigo, Eliseth Leão
Hospital Samaritano – SP

Introdução: O manejo da dor e conforto do paciente ortopédico no pós- operatório imediato leva os profissionais de saúde a uma busca contínua de conhecimento na prevenção e no controle adequado da dor, o que motivou a realização deste trabalho.

Objetivos: Verificar a prevalência de dor no pós-operatório imediato em pacientes ortopédicos. Verificar o tratamento farmacológico prescrito no que se refere a: fármaco, via de administração e esquema terapêutico. Relacionar a intensidade dolorosa com a terapêutica prescrita.

Método: Estudo descritivo realizado mediante análise documental, em março/2008, em um hospital geral, de médio porte, da cidade de São Paulo. A amostra foi constituída por 45 pacientes adultos, submetidos procedimentos cirúrgicos ortopédicos, em pós-operatório imediato. Os dados foram obtidos do prontuário do paciente. Os dados foram analisados mediante estatística descritiva.

Resultados: Dos pacientes avaliados, quanto ao sexo: 51 % masculino, 49 % feminino, média de idade 56 anos,  submetidos a: artroscopia de joelho (22%), de ombro (11%); nartroplastia de joelho (15,5%),  de quadril (7%); artrodese de coluna (8%)  e outros (36,5%). A dor foi referida por 51% dos pacientes, com média de intensidade cinco (Escala Numérica Verbal), mais prevalente no sexo feminino (68%) e 48,8% dor ausente. Tratamento farmacológico foi prescrito para 100%: dipirona (82%); tramadol (75,5%), cetoprofeno (64%), morfina (33%), oxicodona e tenoxican (17,7%), cetocoralato (15,5%), administrados por via endovenosa (97,7%). Os intervalos de administração foram variados: 12/12h (84%), 6/6h (71%), 8/8h (60%) se necessário (46%) e a critério médico? (2%). Ao final das 24h, 80% encontravam-se sem dor e 20% com dor: leve (33%), moderada (42%) e intensa (25%). Observou-se que a dor moderada/intensa se relacionou aos pacientes com procedimentos cirúrgicos mais complexos (31%) e com esquema de administração de 8/8h (60%).

Conclusão: O tratamento farmacológico prescrito para o total dos pacientes mostrou-se efetivo para a sua maioria. Os fármacos prescritos e os intervalos de administração foram variados. Os dados revelaram que os pacientes com procedimentos mais complexos poderiam ter um melhor manejo do quadro doloroso, sugerindo revisão específica do processo de gerenciamento da dor para essa clientela.

Referência: Chaves LD. Dor 50 Sinal Vital: Reflexões e Intervenções de Enfermagem. Editora. Maio: São Paulo, 2004.
 


3.17.5 - INFLUÊNCIA DA TOSSE NO COMPORTAMNETO DA DOR DE PACIENTES SUBMETIDOS À CIRURGIA CARDÍACA – Pôster

Thaiza T. Xavier, Luciana A. dos Reis, Melissa P. Gurgel, Gilson de V. Torres
Hospital Promater - Natal (RN)

Introdução: Na prática clínica a queixa dolorosa decorrente de cirurgias de grande porte, como a cardíaca, dificulta a realização do atendimento fisioterapêutico. Objetivou-se investigar a influência da tosse no comportamneto doloroso dos pacientes submetidos à cirurgia cardíaca.

Métodos: Trata-se de um estudo descritivo, prospectivo, realizado no Hospital Promater Natal/RN. A população foi composta por 71 pacientes submetidos a cirurgia cardíaca, dos quais 10 pacientes constituíram a amostra por apresentarem a tosse como sendo a responsável pela presença da dor no pós-operatório. Os instrumentos utilizados foram a ficha de avaliação fisioterapêutica e a escala numérica de dor que varia de zero a dez pontos. Os procedimentos foram realizados, após aprovação pelo Comitê de Ética da UFRN, por meio da aplicação dos instrumentos no pré e pós-operatório, utilizou-se o teste estatístico Mann-Whitney, no programa SPSS versão 15.0.

Resultados: Dos 71 pacientes avaliados, 10 queixaram-se de dor no pós-operatório associada ao fator tosse sendo 60% do sexo masculino e 40% do sexo feminino, com idade média de 55,2(±14,5) anos. Quanto ao comportamento da dor observou-se que 40% pacientes apresentam dor leve e 60% dor moderada. A média da dor referida pelos pacientes foi de 4,8(±1,8) no sexo masculino e 3,5(±1,7) no feminino e ao serem submetidas ao Teste Mann-Whitney, não observou-se significância estatística (p-valor=0,276).

Conclusões: A dor predominou como moderada quando houve presença da tosse, não observou-se diferença da intensidade dolorosa quando comparada entre o sexo masculino e feminino. Percebeu-se a necessidade de identificar a causa da tosse para que a dor decorrente da mesma seja minimizada no pós-operatório de cirurgia cardíaca.

Referência: Giacomazzi C.M., Lanf V.B., Monteiro M.B. A dor pós-operatória como contribuinte do prejuízo na função pulmonar em pacientes submetidos a cirurgia cardíaca. Braz J cardiovasc Surg; 2006: 21 (4) 386-392. 2.


3.17.6 - ANALGESIA COM LASER DE BAIXA INTENSIDADE NA DOR PÓS-OPERATÓRIA EM CIRURGIA CARDIO-TORÁCICA: UMA NOVA POSSIBILIDADE TERAPÊUTICA EFICAZ - Pôster

Nathaly C. Pinto, Mara Helena C. Pereira, Maria Cristina Chavantes, Noedir A. G. Stolf InCor/HCFMUSP

Introdução: As cirurgias cardiotorácicas representam procedimento cirúrgico de grande porte, os pacientes estão sujeitos a vários tipos de morbidades nos períodos trans e pós-operatórios, sendo a dor a complicação mais freqüente no período pós-operatório (PO). Sua incidência após esternotomia e toracotomia varia de 60%-70% de intensidade forte durante movimentação em ambos os procedimentos. Sabe-se que as complicações são muito citadas na literatura, porém há uma escassez de estudos em tratamentos preventivos eficazes, como por exemplo, na analgesia, particularmente, no PO. O objetivo deste estudo foi avaliar a utilização do Laser de Baixa Intensidade (LBI) em pacientes submetidos à cirurgia cardiovascular, a fim de prevenir e amenizar a dor no POI.

Metodologia: Foram estudados 34 pacientes submetidos à esternotomia ou toracotomia, com idade média de 60 anos, apresentando fatores de risco intrínsecos, divididos em dois grupos: Grupo Placebo (G1) terapia convencional + laser pointer, e Grupo Laser (G2) terapia convencional + irradiação Laser na incisão cirúrgica. Foi empregado o Laser Diodo no infravermelho de acordo com o Índice de Massa Corpórea (IMC), aplicados pontualmente ao redor da ferida cirúrgica no PO imediato (menos de 6hs), 1° PO e 3° PO.

Resultados: Estudos in vitro e in vivo têm sugerido que a modulação da inflamação é um dos inúmeros prováveis mecanismos biológicos da ação do LBI. Este modula marcadores inflamatórios bioquímicos produzindo efeitos antiinflamatórios locais. Verificou-se que no 3º PO, o G1 revelou que 41% dos pacientes apresentavam dor superior a 5 na Escala Visual Analógica (EVA), onde o G2 apresentou 6% dos pacientes com dor acima de 5 quando comparamos os 2 grupos. No 7º PO, 83% dos pacientes do G2 não apresentavam mais dor, enquanto no G1 apenas 35% estavam sem dores. Além disso, os pacientes do G2 apresentaram maiores sinais de processo inflamatório na incisão cirúrgica e deiscência. A permanência hospitalar no Grupo Laser foi 2 vezes menor do que no Grupo Placebo.

Conclusão: O grupo placebo evidenciou o dobro dos pacientes com dor quando comparado com Laser. O LBI denotou ser um seguro e efetivo instrumento em prevenir a dor no período pós-operatório, cost-effectiveness, levando uma recuperação funcional mais rápida e com menor morbidade.

Referência: Karu,T.I. Cellular mechanisms of Low Power Laser Therapy: new questions. In: Lasers in Medicine and Dentistry, vol.3, Ed. Z. Simunovic, Vitgraf: Rieka, 2003, p. 79-80.


3.17.7 - ANALGESIA PÓS-OPERATÓRIA EM PACIENTES SUBMETIDAS À EMBOLIZAÇÃO DE ARTÉRIA UTERINA PARA TRATAMENTO DE MIOMA - Oral 

Bruno Preza, Ana Laura Giraldes, Rioko Sakata, Americo Yamashita
Unifesp - EPM

Introdução: A embolização da artéria uterina é um procedimento que pode causar dor moderada a intensa. O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia da analgesia por via peridural continua ou intermitente no tratamento da dor após embolização da artéria uterina.

Método: Foram investigadas 26 pacientes submetidas a anestesia peridural com 18ml de bupivacaína 0,5% com vaso-constritor e 100mcg de fentanila e cateter introduzido em L1-L2. As pacientes do G-1 receberam analgesia peridural intermitente em bolo de 5ml de solução (bupivacaína 0,1% e fentanila 10mcg/ ml) a cada 4 horas e as do G-2, analgesia com infusão de 2,5ml/h de solução (bupivacaína 0,1% e fentanila 5mcg/ml) por meio de bomba de infusão. Todas receberam cetoprofeno (100mg/8h IV) e dose complementar de solução analgésica peridural (bupivacaína 0,1% e fentanila 10mcg/ ml) até 2vezes/4h; havendo necessidade recebiam tramadol  (100mg) por via venosa.Todas foram acompanhadas por 36h, sendo avaliados intensidade da dor, quantidade de analgésico complementar e efeitos colaterais. Foram utilizadas a Escala Numérica Verbal (ENV) e a Escala Analógica Visual (EAV).

Resultados: Foram excluídas 2 pacientes, 1 de cada grupo, por perda de cateter. As médias da intensidade da dor pela escala numérica verbal de zero a 10 (ENV) foram: T4 (G1= 1,2 e G2= 1,0); T6 (G1=3,8 e G2=1,25); T8 (G1=3,1 e G2=1,08); T10 (G1=4,5 e G2= 1,4); T12 (G1= 5,6 e G2= 2,8); T16 (G1=3,5 e G2=3,1); T20 (G1=4,1 e 2,3); T24 (G1= 3,2 e G2= 2,3); T28 (G1=3,1 e G2=1,3); T32 (G1=2,5 e 1,1); T36 (G1= 2,3 e G2= 1,1) sem diferença significativa entre os grupos e entre as escalas de avaliação de dor. O número de complementações de resgate peridural e tramadol foram respectivamente de 15 e 5 no G1 e de 27 e 4 no G2. Não houve diferença estatisticamente significante no número de complementações analgésicas. A incidência de náusea e vômito foi de 50% no G1 e 58% no G2.

Conclusões: A eficácia a anestesia peridural com bupivacaína e fentanila  em bolo foi semelhante a de infusão de 2,5ml/h de bupivacaína e fentanila.

Referência: Ryan JM, Gainey M, Glasson J et al. Simplified pain-control protocol after uterine artery embolization. Radiology, 2002; 224(2): 610-1.


3.17.8 - AVALIAÇÃO DA DOR CRÔNICA PÓS-CIRÚRGICA EM PACIENTES SUBMETIDOS A OPERAÇÕES CARDÍACAS – Pôster

João B. S. Garcia, Ivana de M. Almeida, Letácio S. G. Ferro, Giovanne S. de Oliveira Hospital Universitário Presidente Dutra (HUUPD)

Introdução: A dor crônica pós-cirurgia cardíaca é reconhecida como uma importante complicação pós-operatória, com incidência descrita acima de 50%.Muitos aspectos relacionados a este tipo de dor ainda estão pobremente caracterizados, e o número de estudos que examinaram os fatores de risco ainda é limitado. O objetivo deste trabalho foi avaliar a ocorrência de dor crônica pós-cirúrgica em pacientes submetidos a operações cardíacas no HUUPD, bem como suas características, o impacto sobre as atividades diárias dos pacientes e os possíveis fatores de risco associados com sua presença.

Método: Foi realizado um estudo transversal, observacional e descritivo. Foram catalogadas as 354 operações cardíacas realizadas no HUUPD no ano de 2005, sendo utilizadas neste trabalho apenas as que envolveram esternotomia. Os prontuários foram analisados para captação dos pacientes, que foram convocados por telefone. Foi aplicado questionário contendo dados demográficos, antecedentes mórbidos pessoais, tipo de operação, dor pré-operatória, dor no pós-operatório intra-hospitalar e dor presente no momento da avaliação.Realizou-se exame físico em busca de alterações de sensibilidade, dor, reflexos e força muscular.Os dados foram digitados e analisados no programa Epi Info versão 3.2.2.

Resultados: A taxa de perda foi de 30,7%. O intervalo entre a operação e a avaliação variou de 19 a 30 meses. Houve um discreto predomínio do sexo masculino (57,1%) e a média de idade foi 51,3±18,6 anos.Encontrou-se uma ocorrência de dor crônica pós-cirúrgica em pacientes submetidos a operações cardíacas em 38,1% dos pacientes, do tipo pontada, ardor e queimação, de caráter intermitente, leve a moderada em 87,6% deles, associada a distúrbios do sono em um terço dos casos.Houve associação entre o sexo feminino, a presença de dor pré-operatória, a presença da dor no pós-operatório intra-hospitalar e logo após a alta hospitalar com o desenvolvimento de dor crônica.

Conclusões: Concluiu-se que a ocorrência de dor crônica em nosso trabalho foi de 38,1%.Os padrões de dor mais referidos sugerem dor de origem neuropática, leve a moderada e intermitente.Os possíveis fatores de risco para dor crônica após cirurgia cardíaca foram o sexo feminino, a presença de dor pré-operatória, a presença da dor no período pós-operatório intra-hospitalar e logo após a alta hospitalar.

Referência: Alston, R.P.; Pechon, P. Dysaesthesia associated with sternotomy for heart surgery. Br. J. Anaesth., v. 95, p. 153-8, 2005.


3.17.9 - O IMPACTO DAS INTERVENÇÕES APLICADAS AOS ENFERMEIROS PARA O CONTROLE DA DOR PÓS-OPERATÓRIA. – Pôster

Magda A. S. Silva, Cibele A. M. Pimenta, Mara Helena C. Pereira
InCor/HCFMUSP

Introdução: Avaliar a dor é condição necessária mas não suficiente para prover adequada analgesia. Foi objetivo deste estudo avaliar os efeitos da intervenção Treinamento, Avaliação e Registro Sistematizado de Dor sobre a intensidade da dor, o consumo suplementar de morfina, o tratamento de efeitos colaterais e a satisfação com a analgesia dos doentes, no pós-operatório de cirurgia cardíaca. Foram estudados 182 doentes, no Grupo I (GI,N=55), Grupo II (GII,N=66) e Grupo III (GIII,N=61). Todos receberam a mesma orientação pré-operatória e submeteram-se ao mesmo protocolo medicamentoso para o controle de dor e dos efeitos colaterais. As intervenções foram aplicadas na equipe enfermagem e os resultados foram obtidos diretamente com o doente. No GI a equipe de enfermagem não recebeu Treinamento e realizou a avaliação da dor conforme rotina da instituição. Nos GII e GIII toda a equipe de enfermagem participou do Treinamento. No GII a equipe de enfermagem utilizou a Ficha Sistematizada sobre Dor e seu Controle, a cada duas horas. No GIII a equipe de enfermagem não utilizou esta ficha. Os doentes dos três Grupos também foram avaliados pela pesquisadora nas primeiras 30 horas, a cada 6 horas (6 Momentos). Os resultados foram analisados pelos testes de Kruskal-Wallis, Dunn, Friedman, Qui-quadrado e Verossimilhança. O nível de significância adotado foi de 5%. Os Grupos foram semelhantes quanto à idade, sexo, escolaridade, tipo de cirurgia, tipo de dreno e estado físico. A dor ao repouso e à tosse foi menos intensa no GII. Ao repouso observou-se diferença no Momento 2 (p=0,012) e à tosse, nos Momentos 2, 3, 4 e 6 (p=0,021, p=0,005, p=0,048 e p=0,001, respectivamente). Na dor à inspiração profunda não houve diferença intergrupos. No GII observou-se maior uso de morfina suplementar (p=0,002), maior número de doentes recebendo morfina (p=0,002) e maior média na relação dose de morfina/doente (p=0,022). O GI foi o que menos recebeu antiemético (p=0,019, Momento 2) mas teve a maior ocorrência de náusea e vômito (p=0,032, Momento 6). Prurido ocorreu somente uma vez e não houve depressão respiratória. A satisfação com a analgesia foi mais elevada no GII nos Momentos 2 e 3 (p=0,001 e p=0,012). O treinamento associado à Ficha Sistematizada sobre a Dor e seu Controle incitou os enfermeiros a intervirem mais vezes para o ajuste da analgesia, melhorou o controle da dor e a satisfação dos doentes.

Referência: Rond M, Wit R, van Dam F et al. Daily pain assessment: value for nurses and patients. J Adv Nurs.1999; 29(2):426-44.


3.17.10 - AVALIAÇÃO DA DOR NO PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA CARDÍACA – Oral

Luciano R. Lima, Livya G. L. Amaral, Marina M. Stival, Lílian V. Pereira
Hospital Geral de Anápolis - GO

Introdução: A dor pós-operatória caracteriza-se como dor aguda prevalente no âmbito hospitalar, comumente associada a dano tecidual.

 Objetivos: avaliar a dor pós-operatória em clientes submetidos a cirurgias cardíacas por esternotomia ao repouso, tosse, vômito e inspiração profunda segundo a localização, intensidade e qualidade.

Metodologia: estudo tipo coorte, prospectivo, desenvolvido em um hospital geral de Anápolis-GO. Participaram 62 clientes, com idade média de 54,5 anos; Dp=12,1 anos, 56,5% do sexo masculino. Instrumentos utilizados: Escala Numérica (0-10) (intensidade); MPQ-Short-Form (qualidade). A localização foi investigada pelo número de áreas de dor por paciente. Os dados foram representados por medidas descritivas de centralidade e de dispersão e teste não paramétrico de associação.

Resultados: a revascularização do miocárdio foi a cirurgia realizada em 43,5% dos casos e a 1ª queixa de dor surgiu em média 10,7 horas; DP=7,4 horas após o término da intervenção, com escores de intensidade elevados representados pela MO=10; Q1=3, Q3=8, MIN=1, MAX=10. Os escores de intensidade de dor foram maiores no 1° PO (MO=5, MD=5, Q1=3, Q3=7, MIN=1, MAX=10) e a menores no 5º PO (MO=2, MD=2, Q1=1, Q3=3, MIN=1, MAX=9) (p<0,01). A localização da dor não variou ao longo da internação, sendo prevalente na região peitoral D/E (40,3%). No 6° PO as mulheres sentiram dor leve (MO=2, MD=3, Q1=2, Q3=5, MIN=1, MAX=6) (p<0,01). No último dia de internação 33,8% dos pacientes queixaram dor leve-moderada (MO=1, MD=2, Q1=1, Q3=3, MIN=1, MAX=6). A qualidade da dor foi descrita por cansativa/exaustiva (95,2%), doida (91,9%), enjoada (87,1%), rachando (82,3%) castigante/cruel (74,2%) calor/queimação (64,5%), com maior impacto no 1º, 2º e 3º PO.

Conclusão: A intensidade da dor pós-operatória nessa amostra foi maior no 1º PO e menor no 5º PO. Ao repouso, tosse, inspiração profunda e vômito observou-se redução da intensidade após o dia 4º PO. A dor em mulheres foi mais intensa que a dos homens no 6º PO. Destaca-se o elevado número de pacientes que receberam alta hospitalar ainda sentindo dor.

Referência: Mueller XM, et al. Pain location, distribution, and intensity after cardiac surgery. Chest aug; 2000, 118(2):391-6.


3.17.11 - AVALIAÇÃO DA DOR EM PACIENTES SUBMETIDOS À ANGIOPLASTIA CORONÁRIA TRANSLUMINAL PERCUTÂNEA - ACTP - Pôster - Luciano R Lima*,

Kássia N. Souza, Marina M. Stival, Lílian V. Pereira
Hospital Geral de Anápolis – GO

Introdução: A ACTP é um procedimento invasivo que pode ocasionar desconforto e dor devido à inserção de um cateter em uma artéria e insuflação de um balão para restabelecer o fluxo sanguíneo.

Objetivo: Avaliar a dor de pacientes submetidos à ACTP, segundo a localização, intensidade e qualidade. Metodologia: estudo descritivo de abordagem quantitativa, com delineamento transversal. Participaram 30 pacientes, com idades entre 30 e 76 anos (M=58,3 anos; Dp=13,671anos), 80% eram do sexo masculino, 56% com ensino fundamental incompleto e 86% casados. Os dados foram coletados por meio de instrumento padronizado, utilizando-se a Escala Numérica - EN (0-10) e a Escala de Avaliação de Dor Relembrada MAPC no período de junho a julho de 2008.

Resultados: Oitenta por cento dos clientes submeteram-se à ACTP pela primeira vez. A intensidade de dor, mensurada por meio da EN, mostrou que 100% dos clientes julgaram sua dor atribuindo escores 1 (40%), 2 (44%), 3 (16%) (MO=  , MD= , MAX= 3; MIN=1)  apontado intensidade leve de dor. Quanto à MAPC, 80% afirmaram sentir a mínima dor possível e 20% a pior possível. A intensidade, mensurada pela escala de descritores verbais apontou sem dor (20%), dor fraca (30%), dor leve (27%), moderada-intensa (13%) e martirizante e forte (10%). Todos estavam completamente aliviados e extremamente animados ao final do exame. A localização da dor foi relatada na região inguinal (82%), lombar (13%) e frontal (5%). Quanto à qualidade da experiência dolorosa apontamos pontiaguda e queimação (16%), difusa (24%) e dormência (10%) como as palavras mais utilizadas para descrever a dor sentida.

Conclusão: as duas escalas apontaram ausência de dor ou dor de intensidade leve nestes clientes, descrita por palavras do agrupamento sensitivo-discriminativo, frequentemente no local da punção arterial (82%).

Referência: Bassan R, Souza P. de, Bassan F. Inquérito nacional de unidades de dor torácica-2002. Rev SOCERJ 2004; 17(2):140-147.


3.17.12 - AVALIAÇÃO DA DOR EM PACIENTES CIRÚRGICOS: FALHAS NO SEU REGISTRO - Pôster

Américo Cezar Jr., Lucimara D. Chaves
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Guarulhos

Introdução: A dor é um sintoma freqüente e que acomete milhares de pessoas em todo o mundo. O controle da dor no pós-operatório é essencial para a assistência integral ao paciente cirúrgico, visto que estímulos dolorosos prolongados parecem predispor à maior morbidade e complicações nesse período.

Objetivos: Caracterizar a população estudada quanto ao sexo, idade e tipo de cirurgia; avaliar a dor em pacientes de uma clínica cirúrgica quanto à intensidade da dor; correlacionar os dados obtidos das avaliações com a freqüência de registros de relatos de queixas de dor realizados pela equipe de enfermagem no prontuário do paciente, bem como a presença de prescrição analgésica.

Métodos. Trata-se de uma pesquisa descritiva, exploratória na vertente quantitativa. A amostra foi composta por 24 pacientes internados na clínica cirúrgica adulto de um hospital privado do município de São Paulo, em 1° pós-operatório (PO) de cirurgia gastrintestinal. Cada paciente foi avaliado uma vez ao dia, por meio da escala visual analógica numérica e os valores mensurados foram registrados em impresso específico. Além disso, foram coletados dados no prontuário de cada paciente quanto aos registros de relatos de queixa de dor, realizados pela equipe de enfermagem e existência de prescrição analgésica.

Resultados: A maioria dos sujeitos estudados era do sexo feminino (83,4%) e a média da idade dos participantes de 39,5 anos. Das cirurgias realizadas, as mais freqüentes foram a colecistectomia videolaparoscópica seguida de Apendicectomia (25,0% e 20,8% respectivamente). O sintoma dor foi identificado em 41,7% dos pacientes, que o quantificaram entre 1-3. Ainda, 20,8% quantificaram a dor entre 4-6, e 16,7% entre 7-9. Apesar do resultado da analgesia demonstrar-se satisfatório quanto à intensidade (entre 1-3 no 1º PO), a maioria (79,2%) sentiu algum tipo de dor e a sua localização e intensidade não foram registradas em prontuário, pela equipe de enfermagem, na mesma freqüência em que ocorreram (79,2%). Os prontuários dos pacientes estudados demonstravam que 100,0% deles contavam com prescrição analgésica de horário e em alguns casos estavam associadas ao regime se necessário.

Conclusões: Embora o resultado de analgesia tenha se demonstrado satisfatório, demonstraram-se falhas em seus registros. Sugere-se, portanto, a utilização de um protocolo de avaliação para adequado gerenciamento do sintoma.

Referência: Drummond JP. Neurofisiologia. In Drummond JP. Dor aguda: fisiopatologia, clínica e terapêutica. São Paulo: Atheneu; 2000. p.1-25.


3.17.13 - ANALGESIA CONTROLADA PELO PACIENTE COM METADONA EM PACIENTE COM DOR AGUDA REFRATÁRIA A MORFINA E FENTANIL. - Oral

George M. G. Freire, Irimar P. Posso, Eloisa B. Espada, Fernando Okano
FMUSP

Introdução: Por causa de sua longa meia-vida, a metadona não tem sido usada pelo método de analgesia controlada pelo paciente (ACP). Neste relato de caso, a metadona foi usada por essa técnica em paciente politraumatizado, que apresentou tolerância a outros opióides.

Relato de caso: Paciente masculino, 30anos, 75 kg, motorista, sem história de uso prévio de opióides e/ou drogas ilícitas. Vítima de atropelamento há 10 dias com fratura de bacia, sendo colocado fixador externo, lesão intraperitoneal de bexiga, fratura de braço e perna esquerda, fasceíte necrotizante em períneo e coxa direita, com colostomia. Internado na UTI, apresentando dor incidental com intensidade 8-9 pela escala verbal numérica (EVN). Em uso de morfina 2mg IV 4/4h e dipirona 2g VO 6/6h. Foi admitido pela Equipe de Controle de Dor, sendo introduzida metadona 10mg VO 8/8h e iniciada a técnica de ACP venosa com morfina, bolus de 2 mg, intervalo de 5min e limite de 4h de 20mg. No dia seguinte, melhora do quadro álgico com EVN = 4. Depois de 3 dias houve piora do quadro álgico com EVN-6, sendo introduzida 300mg VO 8/8h de gabapentina. Persistiu a dor intensa, EVN = 9-10, durante as mobilizações para banho e curativos. Foi aumentado o bolus para 3 mg e mantido intervalo entre doses de 5 minutos após 2 dias, novo aumento para 5 mg com o mesmo intervalo. O paciente apresentou muita sonolência sem alívio da dor incidental EVN = 8, sendo a dose de metadona VO aumentada para 20mg de 8/8h. Em razão da analgesia insuficiente com acentuação da sonolência foi trocado a solução de ACP para fentanil 0,001%, só bolus de 3 ml e limite 4h de 20ml. Evoluiu com bom controle da dor, porém após 2 dias apresentou dor intensa mesmo em repouso EVN = 8. Introduzida ACP com metadona 0,1%, bolus: 1ml, intervalo 5min e limite de 10ml em 4h, apresentando a partir de então adequado controle da dor em repouso e incidental.

Discussão: O uso de metadona pela técnica de ACP foi uma opção após a utilização de dois outros opióides, morfina e fentanil, pois houve desenvolvimento de tolerância com ambos. Como já estava recebendo a metadona por via oral, optou-se por dose inicial baixa de bolus. A meia-vida longa da metadona e sua ação antagonista de receptor NMDA contribui para impedir o surgimento da tolerância.

Referência: Fitzgibbon DR, Ready LB. Intravenous high-dose methadone administered by patient controlled analgesia and continuous infusion for the treatment of cancer pain refractory to high-dose morphine. Pain. 1997;73:259-61.


3.17.14 - PRESCRIÇÃO DE ANALGÉSICOS PELO CIRURGIÃO PARA A ANALGESIA PÓS-OPERATÓRIA DE PACIENTES SUBMETIDOS A CIRURGIAS ABDOMINAIS. - Pôster

Áquila L. Gouvea, João P. F. Bragagnollo, Carlos A. Marquesi, Irimar P. Posso
FMUSP

Introdução: A análise da terapêutica analgésica prescrita pelos médicos cirurgiões aos seus pacientes no pós-operatório imediato deve ser estudada para verificar se a prescrição tem sido feita obedecendo aos conhecimentos atuais da analgesia pós-operatória.

Método: Após aprovação pela Comissão de Ética e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, foram incluídos 47 pacientes com idade entre 25 e 70 anos, submetidos à cirurgia abdominal. Após serem admitidos na sala de recuperação pós-anestésica foi analisada a descrição da operação e a prescrição de analgésicos pelo cirurgião, sendo anotada a localização e extensão da incisão, o tipo e doses dos analgésicos prescritos.

Resultados: As operações realizadas foram 21 colecistectomias, 5 prostatectomias, 5 herniorrafias incisionais, 4 colectomias, 4 histerectomias, 2 pancreatectomias, 2 derivações bileo-digestivas 3 gastroplastias, e 1 gastroenteroanastomose. A incisão única foi realizada em 27 pacientes e foram 11 medianas supra e infraumbilicais, 9 transversas, 5 infraumbilicais e 2 supraumbilicais, com extensão de 17,37±5,73 cm. Nas cirurgias videolaparoscopicas as incisões foram de aproximadamente 1 cm, tendo sido realizadas 4 incisões em 10 pacientes, 3 incisões em 9 pacientes e 5 incisões em 1 paciente. Foi prescrita dipirona na dose de 2 gramas de 6/6h para 34 pacientes e 1 grama de 6/6h para 9 pacientes. Foi prescrito o cetoprofeno na dose de 100mg de 12/12h para 13 pacientes e 100mg de 8/8h para 1 paciente. Foi prescrito tenoxicam na dose de 20mg 8/8h para 1 paciente. O tramadol foi prescrito para 35 pacientes sendo 100mg de 6/6h para 13 pacientes, 100mg de 8/8h para 8 pacientes, 100mg de 12/12h para 2 pacientes, 50mg de 6/6h para 6 pacientes e 50mg de 8/8h para 6 pacientes. A associação dipirona e tramadol foi usada em 31 pacientes, dipirona, tramadol e cetoprofeno em 6 pacientes e dipirona e cetoprofeno em 7 pacientes.

Conclusões: Os resultados permitem verificar que na maioria dos pacientes a prescrição dos analgésicos dipirona, tramadol e cetoprofeno foi feita respeitando as doses e os intervalos corretos entre elas. A associação mais usada foi dipirona e tramadol que tem sido eficaz para o controle das dores de cirurgias abdominais. O antiinflamatorio não esteroidal foi usado em 29,7% dos pacientes, devido aos seus efeitos colaterais especialmente em paciente submetido a cirurgias de grande porte. Deve ser destacado que a meperidina não foi prescrita para nenhum dos pacientes estudados.

Referência: Dolin SJ, Cashman JN, Bland JM. Effectiveness of acute postoperative pain management: I. Br J Anaesth 2002; 89:409-23.


3.17.15 - CLONIDINA POR VIA REGIONAL OU SISTÊMICA PARA CIRURGIA DE MEMBRO SUPERIOR - Pôster

Daniela C. Ikeda, Ana L. A. Giraldes, Rioko K. Sakata, Adriana M. Issy
Unifesp

Introdução: A clonidina é freqüentemente utilizada para tratamento da dor aguda e crônica através da administração por diferentes vias. Os estudos são controversos em relação ao efeito analgésico em bloqueio de plexo braquial. A sua ação está associada a ligação aos receptores adrenérgicos alfa-2 existentes nas terminações nervosas pré-sinápticas com redução da liberação de neurotransmissores excitatórios e diminuição da transmissão neural. A ligação aos receptores pós-sinápticos causa aumento do fluxo de potássio e hiperpolarização do neurônio. O objetivo deste estudo foi comparar o efeito analgésico da clonidina utilizada por via sistêmica ou regional em pacientes submetidos à cirurgia óssea de membro superior.

Método: Em estudo piloto duplo-cego, 28 pacientes foram distribuídos de forma aleatória em dois grupos. Os pacientes do G1 (n= 13) receberam 29ml de bupivacaína a 0,375%, com vasoconstritor 1/400.000 associado a 150mcg (1ml) de clonidina no plexo braquial e injeção subcutânea de solução salina 0,9% (1 ml) na região cervical do mesmo lado operado; os do G2 (n=15), 29ml de bupivacaína a 0,375%, com vasoconstritor 1/400.000 associado a 1 ml de solução salina a 0,9% no plexo braquial e injeção subcutânea de 150mcg (1 ml) de clonidina na região cervical do mesmo lado operado. O bloqueio do plexo braquial foi feito por via interescalênica. Foram avaliados: início da analgesia, duração da analgesia, intensidade da dor (a partir de 4 horas do bloqueio até 7 dias) e consumo de opióide (codeína).

Resultados: Não foi observada diferença estatisticamente significante entre os grupos em relação ao início da analgesia (G1= 9,1±5,4min e G2= 7,4±3,7min), duração da analgesia (G1= 775,4±302,9min e G2= 834,1±292,0min); intensidade da dor nos tempos T12 (G1= 2,3±3,7 e G2= 2,7±3,9), T24 (G1= 5,1±3,4 e G2= 5,1±2,9) e T7dias (G1= 1,1±2 e G2= 0,5±1,4) e consumo de opióide em 24h (G1= 82,5±94,1mg e G2= 43,8±23,3mg).

Conclusão: De acordo com os resultados preliminares não houve diferença no efeito analgésico da clonidina utilizada por via sistêmica ou regional no bloqueio de plexo braquial em pacientes submetidos à cirurgia óssea.

Referência: Eisenach JC et al- Alpha2-adrenergic agonists for regional anesthesia. A clinical review of clonidine (1984-1995). Anesthesiology, 1996; 85(3): 655-674


3.17.16 - AVALIAÇÃO DA DOR PÓS-OPERATÓRIA EM CIRURGIA DE COLECISTECTOMIA POR VIDEOLAPAROSCOPIA - Pôster

Aiza L de Almeida,
Elismar A. Silva, Etiane R. M. da Silva, Flávia A. C. Costa
Hospital Aliança/ São Luís – MA

Introdução: A dor pós-operatória é um tipo de dor comum, não adequadamente tratada, apesar dos avanços científicos nesta área e a avaliação da dor pela equipe de enfermagem ainda não é uma prática rotineira nos serviços em nossa realidade. Com o objetivo de avaliar a dor pós-operatória em um grupo de pacientes submetidos à cirurgia de colecistectomia por videolaparoscopia, foram avaliados 15 pacientes em uma instituição de caráter privado, no período de 24 de setembro a 24 de outubro do ano de 2007 em São Luís-MA. O estudo foi descritivo, de caráter exploratório, prospectivo, com análise quantitativa dos dados. Para avaliação da dor Utilizou-se a Escala de Classificação Numérica (NRS). Quando se avaliou a dor, optou-se em dividir a avaliação em tempos pré-determinados. Escolheu-se avaliar na segunda e sexta hora após o procedimento cirúrgico e doze e vinte quatro horas depois.Os resultados demonstram que a maioria dos pacientes investigados (66,6%) eram mulheres e estavam na faixa etária de 31 a 40 anos. A maioria dos pacientes (56%) apresentou-se sem dor na segunda hora, e 22% apresentaram dor leve e moderada, respectivamente. Na sexta hora o percentual sem dor continuou o mesmo. E houve um aumento do acometimento da dor moderada, de 22% passou para 33%. Nas doze horas após o procedimento 78% dos pacientes mantiveram-se sem dor, não houve dor leve, mas 22% apresentaram dor moderada. A alta precoce impossibilitou a avaliação da dor nas vinte quatro horas após o procedimento. Necessário se faz estudos posteriores, a fim de que se possa entrevistar o paciente em sua residência na tentativa de se avaliar a dor de todos os pacientes após vinte quatro horas. A experiência na avaliação da dor de forma sistematizada é salutar para fomentar a discussão sobre o assunto e chamar atenção da enfermagem para a implantação da dor como quinto sinal vital.

Referência: Avila, I. B. R. De; Caregnato, R. C. A. Dor no pós-operatório imediato: cuidado baseado em evidencias. Rev. SOBECC. São Paulo: v. 14, n. 4, out/dez, 2007.


3.17.17 - TENS EM ALTA FREQUÊNCIA REDUZ DOR AGUDA PÓS-OPERATÓRIA APÓS HERNIORRAFIA INGUINAL - Oral

Josimari M. de Santana, Danilo R. Guerra, Ronaldo Q. Gurgel, Walderi M. Silva Junior
Aracaju – SE

Introdução: Alguns estudos tê demonstrado o efeito hipoalgésico da TENS após procedimentos cirúrgicos do compartimento abdominal baixo. O objetivo deste estudo aleatório, duplamente encoberto e controlado por placebo foi verificar se a TENS de alta frequência reduz a dor pós-operatória de tecidos somáticos pós cirurgia de herniorrafia inguinal.

Métodos: Quarenta e cinco homens submetidos à cirurgia para correção de hérnia inguinal unilateral foram aleatoriamente alocados em um dos dois grupos): TENS Alta Frequência (100 Hz; n=23), TENS Placebo (n=22). Quatro eletrodos circulares foram aplicados próximos à cicatriz cirúrgica, de forma cruzada. A estimulação (ativa ou placebo) foi promovida i2 e 4 horas após a cirurgia por um período de 30 minutos. A escala numérica de 10 pontos e a versão brasileira do Questionário de dor de McGill (Br-MPQ) foram utilizados para mensurar a intensidade de dor pós-operatória antes e após aplicação da TENS 2 e 4 horas após a cirurgia, como também 8 horas após a cirurgia e no momento da alta hospitalar (geralmente correspondente a 24 horas pós-cirúrgicas). O consumo de analgésicos no período pós-operatório também foram registrado.

Resultados: A intensidade de dor pós-operatória foi significantemente reduzida nos sujeitos que receberam TENS de alta frequência em comparação aos pacientes que receberam estimulação TENS placebo (p=0.001) de acordo com a escala numérica e o índice de dor do Br-MPQ. O consumo de analgésicos no período pós-operatório foi significantemente diminuído no grupo que recebeu TENS ativa em comparação a TENS placebo. A maioria dos pacientes (95% a 100%) afirmaram que o uso da TENS foi confortável e que utilizariam a TENS novamente em um futuro procedimento cirúrgico.

Conclusões: Sugere-se que TENS em alta frequência de estimulação tem potencial analgésico para dor  pós-operatória proveniente de herniorrafia inguinal.

Referência:  Rakel B, Frantz R. Effectiveness of transcutaneous electrical nerve stimulation on postoperative pain with movement. J Pain. 2003 Oct;4(8):455-64. 2.


3.17.18 - ALTA E BAIXA FREQUÊNCIA DE TENS REDUZEM DOR PÓS-OPERATÓRIA VISCERAL APÓS LAQUEADURA TUBÁRIA - Oral

Josimari M. de Santana, Gabriela R. Lauretti, Valter J. Santana Filho
Aracaju - SE

Introdução: Existem poucos estudos sobre o uso da TENS para o alívio da dor visceral. O objetivo deste estudo aleatório, duplamente encoberto e controlado por placebo, foi investigar se a TENS reduz a dor pós-operatória visceral após cirurgia de laqueadura tubária via esteroscopia quando combinada a fármacos analgésicos.

Métodos: Sessenta mulheres submetidas a esterilização laparoscópica através de colocação de anéis de Yoon foram aleatoriamente alocadas em três grupos (20 em cada um): TENS alta freqüência  (100 Hz), TENS baixa frequência (4 Hz) e TENS placebo. Quatro eletrodos foram aplicados próximos à cicatriz umbilical, e a estimulação (ativa ou placebo) foi promovida imediatamente após a cirurgia assim que as pacientes chegaram à Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA) por um período de 30 minutos. A escala numérica de 10 pontos e a versão brasileira do Questioonário de dor de McGill (Br-MPQ) foram utilizados para mensurar a intensidade de dor pós-operatória antes e após aplicação da TENS. A duração de permanência na SRPA e o consumo de analgésicos também foram registrados.

Resultados: A intensidade de dor pós-operatória foi significantemente reduzida nos grupos que receberam TENS de alta e baixa frequência combinadas à medicação analgésica de rotina em comparação ao grupo TENS placebo (p=0.001) de acordo com a escala numérica e o índice de dor do Br-MPQ. Os pacientes selecionaram iguais proporções de descritores emtre as categorias sensorial e afetiva (p=0.002). O descritor cólica foi selecionado por totalidade das pacientes em todos os grupos de estudo. A maioria dos pacientes (90% a 100%) afirmaram que o uso da TENS foi confortável e que utilizariam a TENS novamente em um futuro procedimento cirúrgico.

Conclusões: Este estudo sugere que tanto alta quanto baixa frequências de TENS reduzem a intensidade da dor pós-operatória após laqueadura tubária no período pós-operatório quando combinado a agentes farmacológicos.

Referência: Rakel B, Frantz R. Effectiveness of transcutaneous electrical nerve stimulation on postoperative pain with movement. J Pain. 2003 Oct;4(8):455-64.


3.18 - OUTRAS

3.18.1 - AVALIAÇÃO DO EFEITO ANTINOCICEPTIVO DA ADMINISTRAÇÃO DE CO2 POR VIA TRANSDÉRMICA X BLOQUEIO DO GÂNGLIO ESTRELADO EM PACIENTES PORTADORES DE SDCR I – Pôster

Gabriela Rocha Lauretti; Cristina de Sá Resende, Izabel Carolina Pacheco Rocha Lima, Raquel de Oliveira, Maria do Carmo Cárdia Julião Freitas
USP

Introdução: O SNA está  envolvido na homeostase do organismo, cuja disfunção (como na SDCR  tipo I) resulta em exacerbação do tônus simpático com diminuição do fluxo sanguíneo arterial osteoporose, acúmulo de ácido lático na musculatura, fraqueza muscular, queda temperatura, alodinia, hiperalgesia e perda da função.No tratamento clássico, além do uso de antidepressivos e anticonvulsivantes, incluimos bloqueios do gânglio estrelado (BGE). Mas a realização do BGE pode complicar com hematoma local, dor à injeção, bloqueio epidural e/ou intratecal, punção arterial, etc. Recentemente, a administração de CO2 via transdérmica, por fluxo contínuo e controlado demonstrou resultar em melhora da cicatrização local e analgesia, podendo corroborar com o tratamento de pacientes portadores de SDCR tipo-1.

Objetivos: Avaliar de forma prospectiva o efeito antinociceptivo da administração de CO2 por via transdérmica em pacientes portadores de SDCR tipo-1 em membro superior.

Metodologia: Após consentimento, 12 pacientes com SDCR tipo-1 em membro superior foram avaliados de forma prospectiva e duplamente-encoberta. Cada paciente foi submetido à seqüência de 5 BGE com 30 mcg de clonidina + 70 mg de lidocaína, no membro afetado e após 4 semanas à administra-ção de CO2 por via transdérmica no membro, com agulha de insulina, a fluxo contínuo de 20 L por minuto, com volume total de 90 ml, com garroteamento distal à articulação do cotovelo para manter o gás no local administrado. A administração de CO2 e BGE 1 vez por semana, por 5 semanas consecutivas. A analgesia foi avaliada utilizando-se a EAV 10 cm. A incidência de efeitos adversos foi avaliada. P<0,05 foi considerado significante.Resultados- A administração de CO2 resultou em 5-7 dias de analgesia, comparada com 2-4 dias com a realização do BGE (EAV< 3 cm) (p<0,05). A realização do BGE resultou em 2 caso de hematoma local, 80% com desconforto local, 2 casos de rouquidão, e 1 caso de dispnéia transitórias. A administração de CO2 por via transdér-mica resultou em queixa de desconforto local (EAV 5-6 cm) durante os primeiros 2 minu-tos da administração do gás. Um paciente queixou-se de dor VAS 7 cm imediata-mente após a soltura do garrote.Sem outros efeitos adversos.

Conclusões: A administração de CO2 por via transdérmica resultou em maior tempo de analgesia (4 versus 3 semanas), melhora do turgor e textura da pele (p<0,5), sendo uma técnica vantajosa para pacientes portadores de SDCR tipo-1.

Referência: Gann C. Reflex sympathetic dystrophy/complex regional pain syndrome.AAOHN J. 2008 Feb;56(2):88.


3.18.2 - A ACUPUNTURA EM DOR PÉLVICA CRÔNICA DE CAUSAS UROLÓGICAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA - Pôster

Débora A. B. Sasso, Rafael F. Dezorzi, Sílvio H. A. Maia, Ademilson R. Ferreira
Universidade Estadual de Londrina – PR

Introdução: A dor pélvica crônica (DPC) é uma dor com duração de mais de seis meses que causa severa debilidade ou que requer tratamento médico ou cirúrgico. Uma das causas mais prevalentes na DPC em mulheres, no sistema genitourinário, é a cistite intersticial (CI). Em homens, a DPC está mais relacionada à prostatite. Como as terapias convencionais para a DPC têm efeito terapêutico limitado, a acupuntura é uma alternativa, já que seu efeito neuromodulatório pode auxiliar no controle da dor. Assim o objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão sistemática da literatura sobre acupuntura em dor pélvica crônica.

Metodologia: Realizou-se uma revisão sistemática de artigos publicados entre 2002-2008, na língua inglesa, utilizando as bases de dados: Pubmed, Medline, Science-Direct, Cochrane Library, Lilacs e trabalhos apresentados nos congressos anuais da American Urologic Association e da International Continence Society. Palavras usadas: acupuncture, chronic pelvic pain, complementary and alternative medicine, intersticial cistitis, prostatitis, urology. Foram excluídos trabalhos realizados com animais e artigos sem resumo.

Resultados: Foram encontrados 12 artigos. Um estudo é randomizado, duplo-cego e compara acupuntura (n=44) e sham-acupuntura (n=45). Pacientes tratados com acupuntura tiveram dobro de melhora dos sintomas com resposta 2,4 vezes mais longa. Outro estudo mostrou que 10 pacientes com Síndrome Dolorosa Vesical (SDV) apresentaram queda significante na pontuação da Escala Analógica Visual (VAS) de dor. Similarmente, estudo sobre o tratamento de SDV causada por CI, a VAS diminuiu em média 31 mm. Nenhum efeito colateral significativo foi descrito nos trabalhos.

Conclusão: Em pacientes com DPC, a acupuntura pode ser uma alternativa para tratar a dor e sintomas urológicos. Contudo, são necessários estudos controlados e randomizados sobre acupuntura no tratamento da DPC.

Referência: Bordman R, Jackson B. Below the belt: Approach to chronic pelvic pain. Can Fam Physician. 2006; 52:1556-1562.


3.18.3 - AUTOMEDICAÇÃO E DOR EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS - Oral

Layz A. Ferreira, Gisely C. Ferraz, Marina M. Stival, Lílian V. Pereira
Goiânia - GO

Introdução: A automedicação (AM) é potencialmente prejudicial à saúde individual e coletiva, pois nenhum medicamento é inócuo à saúde. No Brasil, estudos apontam elevada prevalência de automedicação com analgésicos entre estudantes da área da saúde.

Objetivos: 1) estimar a prevalência de automedicação entre universitários com dor, 2) identificar os locais da principal dor, a fonte geradora e os medicamentos mais utilizados na AM.

Metodologia: Corte transversal desenvolvido na Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia-GO, no período de 15/05/2008 a 20/06/2008. Participaram 196 estudantes de enfermagem, com dor auto-referida, idades entre 18 e 29 anos (M=20,95; DP=1,9), 96,2% do sexo feminino. Utilizou-se a Escala Numérica de 0 (zero) a 10 (dez) para medir o alívio obtido por meio da AM. Os dados foram compilados e analisados pelo programa SPSS 15.0.

Resultados: Entre os 196 participantes, 126 (64,3%) referiram dor há mais de 6 meses e 60,7%(119) faziam algum tipo de tratamento para dor, sendo mais freqüente o tratamento farmacológico (TF) (93,3%). Os locais prevalentes da principal dor foram cabeça 38 (51,35%) e ombros, MMSS, MMII e região pélvica 21 (28,38%). Trinta e sete por cento deles praticavam a automedicação e o alívio obtido foi moderado-bom (M=7, Q1=5, Q3=9, MIN=0, MAX=10). As principais fontes geradoras da AM foram: o próprio estudante (54,1%), após informar-se sobre o mecanismo de ação da droga e a família (33,9%). As principais causas para a AM foram falta de tempo para ir ao médico (50%) e os próprios conhecimentos ajudam na escolha do medicamento (33,9%). Os medicamentos mais frequentemente utilizados na automedicação incluíram a dipirona (56,8%) e o paracetamol (20,3%).

Conclusão: Os estudantes praticam a automedicação e obtém alívio da dor com analgésicos tipo dipirona e paracetamol. Tal prática advém da falta de tempo para ir ao médico, associada ao fato de seus conhecimentos ajudarem na escolha das drogas. 

Referência: Musial DC, Dutra JS, Becker TCA. A Automedicação entre os brasileiros. SaBios-Rev. Saúde e Biologia. 2007 Jul/Dez; 2(2):5-8.


3.18.4 - DEPRESSÃO: UM TRANSTORNO DE HUMOR BIOPSICOSSOCIAL - Pôster

Pâmila J. M. Pazze, Delenice de S. Alcantâra, Anderson C. S. Feitosa
CAPS – Barreiras (BA)

Introdução: Sabe-se que a Depressão é uma das psicopatologias mais comuns e importante fator de incapacitação no mundo todo, causando prejuízos significativos tanto à sociedade quanto ao próprio indivíduo. Conhecida como o mais comum dos distúrbios afetivos, pode variar de uma afecção muito leve, beirando a normalidade, à depressão grave, acompanhada por alucinações e delírios. O humor deprimido é a marca registrada de todas as depressões, independentemente de suas características adicionais e de sua intensidade, duração e variação. Em busca de melhores compreensões acerca desse transtorno de humor, o presente estudo tem como objetivo compreender, a partir de uma visão interdisciplinar, como um quadro de Depressão se manifesta e suas implicações na vida do paciente, assim como as possíveis intervenções a serem desenvolvidas no tratamento da dor causada. Para tanto, no período de abril e maio de 2008, por meio de um estudo de caso, foi avaliado um paciente do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), do sexo feminino, com idade de 33 anos, solteira, residente na cidade de Barreiras-BA, apresentando como queixas principais, isolamento, delírios, cefaléia, ansiedade, angústia e alucinação. O estudo foi realizado, durante cinco visitas, através de observações e de entrevistas semi-estruturadas, em que foram levantadas informações da vida e do quadro patológico da paciente. Os aspectos abordados abarcam o desencadeamento da patologia, sua evolução e, prejuízos causados nas funções cognitivas, afetivas e comportamentais, além dos fatores biológicos e físicos. Faz-se perceber a importância da compreensão e entendimento do processo, para viabilizar o tratamento e a promoção de uma melhor intervenção. Foi ratificada a importância, dentro de um modelo integrativo, de um atendimento mais abrangente e interdisciplinar como essencial para a promoção de saúde, diferentes visões que possam produzir um entendimento mais completo da dinâmica do paciente. Inferiu-se que a qualidade de vida e o bem-estar do paciente requerem, em relação à execução do diagnóstico e das intervenções terapêuticas e farmacológicas, uma adequação que favoreça uma melhor condução da patologia e uma redução das perdas e incapacitações.

Referência: Dalgalarrondo, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.


3.18.5 - ÚLCERAS DE PERNA E DOR – Pôster

Paula Oliveira, Bruna Ferreira, Marlene Martins, Lílian Pereira
Faculdade de Enfermagem – UFG

Introdução: A dor é um dos principais problemas enfrentados por clientes portadores de úlceras de perna e a troca diária do curativo pode intensificar esta experiência, gerando sofrimento adicional. Objetivo: avaliar a dor em úlceras de perna antes, durante e após o curativo.

Metodologia: Corte transversal, realizado com 76 usuários com úlceras de perna, atendidos em 12 UBSs e Ambulatório do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, Goiânia-GO, no período de abril a setembro de 2007. A intensidade da dor foi medida antes, durante e depois do curativo por meio de uma Escala Numérica (EN) de 0 (zero) a 10 (dez) e a qualidade pelo Questionário de Dor de McGill (MPQ). A localização foi registrada em diagramas corporais.

 Resultados: 69,7% do sexo masculino; média de idade = 57,8 anos; Dp=13,2 anos; classe socioeconômica D/E (72,4%); aposentados (61,8%). As úlceras venosas prevaleceram (51,3%), seguidas pelas diabéticas (30,3%) e arteriais (10,5%) as mais dolorosas (p=0,002). O tempo de convívio com a ferida foi <1 ano em 40,8% dos casos e de 1-5 anos em 35,5%; a maioria atingiu epiderme, derme e tecido subcutâneo (55,3%) com sinais flogísticos (65%). A prevalência de dor foi de 75% antes, 76,3% durante e 64,5% depois do curativo, de intensidade leve-moderada (MED=3-5; Q1=2-3; Q3=6-7; MIN=1; MAX=10) com escores correlacionados positiva e significativamente antes/durante (rho=0,57, p=0,0001); durante/depois (rho=0,51, p=0,0001) e antes/depois (rho=0,57, p=0,001) do curativo. A limpeza da ferida foi fator prevalente (52,6%) de piora da dor. O descritor mais utilizado para descrever a dor nas feridas foi cansativa (63,2%) do agrupamento afetivo-motivacional do MPQ.

Conclusões: Os usuários com úlceras de perna sentem dor antes, durante e depois do curativo, de intensidade leve-moderada, exacerbada durante a limpeza da ferida. Os descritores escolhidos com maior freqüência apontaram a multidimensionalidade da experiência dolorosa, com ênfase na dimensão afetivo-motivacional.

Referência: Cooper SM, Hofman D, Burge SM. Leg ulcers and pain: a review. Lower Extremity Wounds 2003; 2(4):189-197.


3.18.6 - IMPACTO DA DOR NAS ATIVIDADES COTIDIANAS DE USUÁRIOS COM ÚLCERA DE PERNA – Pôster

Bruna Ferreira, Paula Oliveira, Marlene Martins, Lílian Pereira
Faculdade de Enfermagem – UFG

Introdução: A dor é o principal motivo de procura por assistência à saúde, sendo considerada hoje um grave problema de saúde pública( PERES et al, 2007).

Objetivo: Avaliar o impacto da dor em úlceras de perna nas atividades cotidianas de usuários do SUS. Metodologia: corte transversal, realizado com 76 usuários com úlceras de perna, atendidos em 12 UBSs e Ambulatório do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, Goiânia-GO, no período de abril a setembro de 2007. As variáveis incluiram: sexo, idade, situação socioeconômica e conjugal, atividades cotidianas (de lazer, familiares) e dor (localização, intensidade, qualidade, duração). A intensidade da dor foi medida antes, durante e depois do curativo por meio de uma Escala Numérica (EN), de 0 (zero) a 10 (dez), a localização por meio de diagramas corporais, a qualidade investigada por meio do Questionário para Dor de McGill (MPQ) e o prejuízo pela Escala de Copos de 5 pontos.

Resultados: em relação à dor auto-referida pelos usuários ante/ durante e depois do curativo, observamos uma prevalência de 75%, 76,3% e 64,5% respectivamente, podendo ser classificada como dor de intensidade leve-moderada. Quanto à qualidade da experiência dolorosa, os descritores mais freqüentemente escolhidos foram: cansativa (63,2%), latejante (55,3%), enjoada (56,4%), como pontada (48,7%), fina (48,7%) e como fisgada (46,1%) do agrupamento afetivo-motivacional e sensitivo-discriminativo do MPQ. Entre as atividades cotidianas mais prejudicadas pela dor apontamos o lazer (39,7%), sono (28,2%), sendo o prejuízo classificado como total (MED= 3 , Q1=0  , Q3=4  , MAX= 5 , MIN=0 ) e moderado (MED=2  , Q1=0  , Q3= 3  , MAX= 5 , MIN= 0 ). Apesar de apresentarem menor freqüência, observamos relatos de prejuízo na movimentação (25,6%); humor (20,5%), vida sexual (19,2%); alimentação e relacionamento familiar (12,8%) sendo a intensidade do prejuízo total à moderado.

Conclusões: usuários com úlceras de perna sofrem prejuízo em suas atividades cotidianas, o que impacta negativamente sua qualidade de vida.

Referência: Aigner M, Graf A, Freidl M, Prause W, Weiss M, Kaup-Eder B, Saletu B, Bach M. Sleep disturbances in somatoform pain disorder.


3.18.7 - A INTERDISCIPLINARIDADE FRENTE AO QUADRO PATOLÓGICO DE ABUSO DE SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS - Pôster

Graciele F. S. Nascimento, Daniela F. S. Nascimento, Pâmila J. M. Pazze, Anderson C. S. Feitosa
Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) - BARREIRAS - BA

Introdução: A compreensão sobre a formação e desenvolvimento do quadro patológico de abuso de substâncias químicas (álcool e droga), não se refere somente aos fatores biológicos, como, também aos psicossociais. Nesta perspectiva, buscou-se uma compreensão que não se restringisse na formação biológica da patologia, mas sim, na totalidade que constitui o sujeito.

Objetivos: este estudo propôs a realização de uma análise interdisciplinar para entender, de forma mais atenta, o quadro patológico e o tratamento do paciente, fazendo-se necessário o entendimento da formação da patologia, do desenvolvimento biopsicossocial do início da fase adulta e do processo de avaliação que subsidia o diagnóstico e o tratamento que a instituição irá proporcionar ao usuário. Método: trata-se de um estudo de caso, que se respaldou na observação direta intensiva e na entrevista semi-estruturada. Contou-se com a participação de um paciente que apresenta o diagnóstico de abuso de substâncias psicoativas do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da cidade de Barreiras-BA, perfazendo cinco encontros com o paciente.

Resultados: durante a efetivação das entrevistas, foram observadas algumas incoerências nos relatos apresentados pelo paciente, as quais podem estar relacionadas aos delírios e alucinações já previstos no prontuário realizado pela equipe do CAPS, ou até mesmo aos efeitos dos medicamentos utilizados. Destacam-se também, dificuldades referentes à memória e realização de tarefas cotidianas relacionadas a atividades profissionais, isto decorrente dos medicamentos que faz uso para o controle de seu estado de humor e ansiedade causados pela abstinência. No que concerne ao tratamento do paciente, este mantêm acompanhamento psicológico freqüente e faz uso diário do Haloperidol, Biperideno, Fenergam e Diazepam, fornecidos pela instituição gratuitamente.

Conclusão: após a concretização do estudo, pôde-se perceber a importância de compreender o indivíduo de forma biopsicossocial, pois na trajetória investigativa, ficou visível que a formação da patologia se constitui dentro de três vertentes: biológica, social e psicológica. Ressalta-se que este estudo foi relevante, no sentido de materializar a relação dialética entre a prática e a teoria estudada, além de proporcionar experiências significativas para postura ética e compromisso social que devem ser aprimorados ao longo do curso.

Referência: DSM-IV-TR. Manual Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais. Trad. Cláudia Dronolles. 4. ed.Porto Alegre: Artmed, 2002.


3.18.8 - TERAPIA LARVAL E DOR -  UMA REVISÃO – Pôster

Letícia C. Franco, Lílian V. Pereira, Ana Paula C. Pessoa, Layz A. Ferreira
Faculdade de Enfermagem - UFG

Introdução: A terapia larval (TL) consiste de miíase secundária induzida de modo artificial, cuidadosamente controlada, visando os efeitos positivos da atividade das larvas sobre os tecidos necróticos, sem efeitos deletérios sobre os tecidos saudáveis/neoformados. Resultados positivos têm sido observados no desbridamento de feridas complexas com a TL, especialmente naquelas infectadas por microorganismos multirresistentes, dada a redução da carga microbiana da ferida. A dor tem sido obstáculo durante o desbridamento mecânico e químico de feridas necróticas/infectadas, daí a necessidade de novos métodos que reduzam a dor e favoreçam o processo de cicatrização.

Objetivo: O objetivo deste estudo foi identificar e analisar, por meio de levantamento bibliográfico, a prevalência de dor durante a TL, a intensidade da dor e a utilização de analgésicos durante esta terapia.

Método: foram verificadas as bases: LILACS, MEDLINE, SciELO, PAHO e Biblioteca Digital da Unicamp, não sendo considerado o período de produção para esta revisão .

Resultados: foram encontradas 118 publicações abordando desbridamento de feridas por meio da TL, sendo selecionados 16 estudos, que satisfizeram os quesitos dessa revisão. Em todos (16) os estudos analisados houve presença de dor durante aplicação da TL. Em cinco artigos os clientes relatavam dor severa no início do tratamento, com posterior redução e em 11 deles houve relato de dor persistente. Apenas cinco (5) utilizaram analgésicos para continuidade do tratamento e alívio da dor, o que permitiu a conclusão do tratamento, com resultados positivos da terapia no desbridamento e limpeza da ferida.

Conclusão: Apesar da eficácia comprovada da TL em feridas de difícil cicatrização, foi evidenciado que a dor está associada a esta terapia, em sua maioria de forma persistente, e em alguns casos intensa. E apesar da pouca utilização de analgésicos, estes podem colaborar na continuidade, no sucesso do tratamento e na melhoria da qualidade de vida de pacientes portadores de feridas.

Referência: Steenvoorde P, Budding T, Oskam J. Determining pain levels in patients treated with maggot debridement therapy.


3.18.9 - FÁRMACOS NA DOR: AUTOMEDICAÇÃO ENTRE ESTUDANTES DE UM CURSO TÉCNICO EM ENFERMAGEM EM UMA ESCOLA DE NÍVEL MÉDIO DA CIDADE DE SÃO PAULO - Pôster

Rosangela C. da Cruz, Marcelo F. Rodrigues, Adilson M. da Silva, Lucimara D. Chaves
Faculdade Santa Marcelina

Introdução: A automedicação é uma prática que acontece em todo o mundo. Estatisticamente, de acordo ABIFARMA 80 milhões de brasileiros fazem uso de medicamentos sem prescrição médica, mas a grande preocupação gira em torno do não-cumprimento da obrigatoriedade da apresentação da receita médica e a carência de informação. A automedicação vem sendo um fenômeno de amplo crescimento, principalmente em relação aos antiinflamatórios não esteroidais, que são as principais drogas vendidas sem prescrição médica na atualidade.

Objetivo: Determinar a prevalência da automedicação na ocorrência do sintoma dor e suas características entre discentes de um curso técnico de enfermagem, em uma instituição de ensino privado no município de São Paulo.

Metodologia: Trata-se de uma pesquisa descritiva, exploratória na vertente quantitativa. Para tanto, foi utilizado um instrumento de coleta de dados contendo questões referentes à prática da automedicação. A amostra foi composta por 51 discentes regularmente matriculados no curso técnico em enfermagem da instituição campo de estudo. O estudo foi realizado após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, de acordo com a Resolução 196/96 do CNS.

Resultados: Observou-se que 63% dos sujeitos da pesquisa afirmaram praticar a automedicação. Quanto à freqüência dessa prática, aproximadamente 50% informaram que a realizam raramente e os 50% restantes afirmaram que realizam com muita freqüência. Desses indivíduos, 21,0% relataram o aparecimento de reações adversas ao uso desses medicamentos. As principais situações para o uso da automedicação foram dores em geral (70%), gripes e resfriados (25%), outras causas (5%). Os medicamentos mais utilizados nesta prática foram dipirona e suas associações (44%), paracetamol (31%), diclofenaco (17%) e outros (8%).

Conclusões: Constatou-se na população estudada alta prevalência na prática da automedicação, na vigência do sintoma dor. Faz-se necessário conscientizar a população da necessidade de se procurar assistência médica na ocorrência de dor, bem como assistência farmacêutica, para ressaltar os riscos do uso indiscriminado de medicamentos.

Referência: IVANNISSEVICH, A. Os perigos da automedicação. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 23, jan 1994.


3.18.10 - AUTOMEDICAÇÃO NA DOR ENTRE ACADÊMICOS DO CURSO DE ENFERMAGEM E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS EM UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DA CIDADE DE SÃO PAULO - Pôster

Rosangela C. da Cruz, Marta Eloísa de C. Barbosa, Adilson M. da Silva, Lucimara D.Chaves
Faculdade Santa Marcelina

Introdução: Automedicação é definida como sendo o ato de medicar-se sem orientação médica. Inúmeros fatores corroboram para a prática da automedicação, entre eles o descumprimento da obrigatoriedade da receita médica faz com que existam aproximadamente 80 milhões de pessoas adeptas a ela. Em geral a população consome grande quantidade de analgésicos e antiinflamatórios por vários motivos, como a facilidade de aquisição. Estima-se que no mínimo 35,0% deles são adquiridos sem prescrição médica (Nascimento, 2005; Arrais, 1997).

Objetivos: Determinar a prevalência da automedicação da população estudada; identificar as principais causas e os medicamentos mais utilizados na automedicação. Metodologia. O presente estudo trata-se de uma pesquisa descritiva, exploratória na vertente quantitativa. A população estudada foi composta pelos estudantes dos cursos de graduação em enfermagem e de administração de empresas, de uma instituição de ensino superior localizada no município de São Paulo. O instrumento de coleta de dados constituiu-se de um questionário. O estudo foi realizado após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, de acordo com a Resolução 196/96 do CNS.

Resultados: Dos alunos do curso de enfermagem, 88,0% responderam ter se automedicado nos últimos 6 meses. Quando questionados com relação à causa da automedicação 90,3% dos entrevistados responderam somente se automedicar quando sentem dor. Com relação aos medicamentos utilizados os antiinflamatórios não esteroidais e analgésicos não opióides corresponderam a 48% das classes medicamentosas mais utilizadas. Entre os entrevistados do curso de administração de empresas, a prevalência de automedicação é de 80,0%. Quanto ao motivo da automedicação 50% responderam se medicar quando sentem dor, sendo que os antiinflamatórios não esteroidais e os analgésicos não opióides correspondem a 60,0% dos medicamentos utilizados. Em ambos os grupos de entrevistados a principal motivo da prática da automedicação foi atribuído a falta de tempo de ir ao médico.

Conclusões: O sintoma dor revelou-se um dos principais fatores para a automedicação, também pode ser identificado que a utilização de medicamentos sem prescrição médica foi altamente prevalente entre os entrevistados. Frente a esta realidade devemos propor medidas educativas e de esclarecimento sobre a questão da automedicação e seus potenciais prejuízos a saúde.

Referência: ARRAIS, P.S.D. et al. Perfil da automedicação no Brasil. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v. 31, n. 1, p. 71-7,1997.


3.18.11 - DOR CRÔNICA EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS - Pôster

Camila D. Silva, Gisely C. Ferraz, Polyana C. V. Braga, Lilian V. Pereira
Faculdade de Enfermagem - UFG

Introdução: a dor crônica é uma das principais causas de incapacidade, sendo considerada um verdadeiro problema de saúde pública.

Objetivos: estimar a prevalência de dor crônica auto-referida em estudantes universitários; caracterizar os estudantes segundo variáveis socioeconômicas, demográficas e acadêmicas; caracterizar a dor auto-referida segundo a ocorrência, localização, duração, intensidade e qualidade.

Método: estudo tipo corte transversal desenvolvido na FEN/UFG, Goiânia-GO, no período de maio a junho de 2008. População: 250 estudantes matriculados no Curso de Graduação em Enfermagem. Coleta de dados por meio de entrevista estruturada.

Instrumentos utilizados: Escala Numérica (0-10) (intensidade da dor no pior momento); Diagramas Corporais (localização); Questionário de McGill (qualidade). Considerou-se a principal dor; e crônica, se sentida há 6 meses ou mais. Os dados foram compilados e analisados pelo programa SPSS 15.0 e representados por meio de medidas descritivas. Resultados: 211 estudantes participaram da pesquisa, com idades entre 18 e 29 anos (MO=21; Dp=1,9); 96,2% do sexo feminino; 47% da classe econômica A (A1+A2) (ABA/ABIPEME). 64% participavam de atividades extracurriculares e 26,1% atividade física, regularmente. A prevalência de dor crônica foi de 59,7%, localizada com maior freqüência na cabeça (38%), região lombar (12%) e ombros e MMSS (12%), aparecendo frequentemente à tarde (40,5%) e permanecendo por algumas horas do dia (44,5%). Em 46% dos casos o convívio com a dor variou de 1 a 5 anos, e em 19% deles de 5 a 10 anos. A intensidade da dor foi muito forte (escores 7,8,9) para 49,2% dos estudantes; moderada para 32,5% deles (escores 5,6); leve para 12,7% (escores 1,2,3,4) e pior dor possível (5,5%) (escore 10) (MD=7, MO=8, Q1=5, Q3=8, MAX=10, MIN=2, M=6;  Dp=2,1). Os estudantes do 5º período do curso foram os que apresentaram maior prevalência de dor crônica (65,3%). Não houve associação significativa entre classe econômica, prática de atividades extracurriculares e de atividade física com dor crônica (p>0,05).

Conclusões: a prevalência de dor crônica é alta nesta população estritamente de jovens, tem intensidade elevada e atinge principalmente a cabeça.

Referência: Teixeira MJ, Braum Filho JL, Marquez JO, Yeng LT. Dor: contexto interdisciplinar. Curitiba (PR): Maio; 2003. 535-45.


3.18.12 - A INTERNALIZAÇÃO DA DOR NO TRATAMENTO DE TERAPIA OCUPACIONAL - Pôster

Vívian R. R. Coelho, Ciomara M. P. Nunes
UFMG

Introdução: Segundo Nunes (2007), a dor é um sintoma que acompanha quase todos os processos de deterioração da saúde, envolve globalmente o bem-estar, afeta a qualidade do sono, as interações sociais e as habilidades físicas. Produz limitações funcionais e incapacidades que nem sempre podem ser observadas pelo terapeuta ocupacional, mas é refletida por interferir diretamente no cotidiano e transformar o desempenho em AVD’s, trabalho e lazer de forma significativa. Estar ou ser doente é uma posição social, um papel desenvolvido e, muitas vezes, reforçado pela família, mediado pela cultura. Internalizar a dor é assumir a identidade da dor, o indivíduo passa a ser a dor, como se a dor substituísse parte de sua identidade. Muitas vezes essa internalização é feita com o intuito de ter atenção da família, de re-assumir um papel na sociedade.

Objetivos: Demonstrar os resultados da intervenção da Terapia Ocupacional na internalização da dor.

Materiais e métodos: Trata-se de estudo de caso de dor relacionado ao trabalho, cujos prinicipais sinais e sintomas foram as limitações dos movimentos do ombro e cotovelo. No processo de avaliação de amplitude de movimento, foi encontrada redução da flexão e abdução do ombro e extensão do cotovelo, com os resultados em 60º, 45º e 90º, respectivamente. A funcionalidade medida pelo Health Assistment Questinare (HAQ) apresentou índice de 1,38 e Perfil de Saúde de Nottingham (PSN) mostrou índice de 10. Com o objetivo de reduzir a dor e aumentar a amplitude de movimento, foram adotados procedimentos cinesioterápicos de alongamento, fortalecimento, resistência e orientações.

Resultados: Não houve resultados significativos da intervenção terapêutica ocupacional, a dor persistiu no ombro e cotovelo e irradiou para outros segmentos corporais. Na reavaliação de amplitude de movimento, foram encontrados: 100º de flexão do ombro, 90º de abdução do ombro e 130º de extensão do cotovelo. Na reaplicação do HAQ e PSN, obteve-se índice de 1,5 e 9, respectivamente.

Conclusão: A internalização da dor interferiu significativamente na intervenção da Terapia Ocupacional, além de influenciar no quadro algico.

Palavras chave: Internalização, Dor, Terapia Ocupacional


3.18.13 - INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA OCUPACIONAL NA MUDANÇA DO COMPORTAMENTO; E NO CONTROLE E GERENCIAMENTO DA DOR CRÔNICA - Pôster

Daniele Leão, Tatiane Carneiro de Araújo, Pollyanne de Bastos Calú, Ciomara Maria Pérez Nunes
UFMG

Introdução: A Terapia Ocupacional (TO) atua diretamente com o objetivo de resgatar e construir a Participação de seus clientes nas diferentes áreas e tarefas da vida. De acordo com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde da Organização Mundial da Saúde (CIF-OMS), a saúde caracteriza-se pela Funcionalidade dos indivíduos, ou seja, por sua Participação ou envolvimento social. A TO possui como diferencial e potencializador de sua intervenção o conhecimento e propriedade sobre a atividade, a capacidade e sobre o fazer humano. A incapacidade da dor se expressa nas limitações da participação social e a TO focaliza suas intervenções, inclusive com saberes de outras disciplinas científicas, na melhoria da qualidade de vida e bem-estar. Foram utilizadas, concomitantemente, ferramentas centradas na abordagem cognitivo-comportamental e na atividade humana, para controle e gerenciamento da dor. O objetivo foi a mudança do comportamento mórbido que reforça e/ou aumenta o aparecimento da dor e lesões.

Método: Estudo quantitativo por ensaio clínico não controlado, a partir da intervenção da TO em grupo, de usuários com dor crônica, atendidos no ambulatório do Hospital das Clínicas-UFMG. Os resultados dos questionários padronizados: Inventário Breve de Dor (forma reduzida) , Inventário Multidimensional da Dor  e McGill de Dor e respectivos escores foram analisados e comparados na avaliação e reavaliação.

Resultados: As dez sessões se organizaram por: recolhimento e análise da ficha de controle diário da dor (FCDD); relaxamento; dessenssibilização; apresentação e discussão do tema divididos entre físicos e psíquicos; atividade de vivência da temática, concluídas com a confecção de um produto final; distribuição de um objeto mnemônico referente ao tema; re-distribuição da FCDD. Esboço dos resultados avaliação/reavaliação:  Interferência da dor nas últimas 24hrs: média 5,23/1,08 e moda 2/0.  Interferência do estilo de vida: média 3,89/2,02 e moda 4/1.  Índice de estimativa de dor total: média 0,72/0,36 e moda 1/0.

Conclusão: Os resultados indicam que a intervenção da TO com grupo para controle da dor crônica pode ser uma das ferramentas que, baseada no modelo da CIF-OMS, promove a reconstrução do cotidiano a partir do resgate das atividades / capacidades dos indivíduos, modificando o modo operatório do dia-a-dia e do ambiente de sua Participação, culminando em saúde e bem-estar.


3.18.14 - BENEFÍCIO IMEDIATO DA ACUPUNTURA NA ANALGESIA DA CERVICOBRAQUIALGIA – Pôster

Rosângela A. dos Reis, Débora Fales P., Júlio A. Ponte, Vanessa Couto B.
São Luís - MA

Introdução: As doenças do disco intervertebral, por vezes, causam dores incapacitantes de difícil tratamento, seja ele farmacológico ou intervencionista. Faz-se necessária a utilização de técnicas não convencionais no tratamento dessas patologias, como a acupuntura, que é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como estimulação de certos pontos no corpo usando agulhas, moxibustão, eletricidade, laser ou acupressão? Dentre as lesões discais, a hérnia cervical é a segunda em prevalência. Apresentamos um caso de cervicobraquialgia em paciente de 42 anos, masculino, decorrente de hérnia cervical, em C5 e C6, que se iniciou de forma súbita. De evolução rápida, a dor foi graduada pelo paciente como nível 10 na escala analógica, impossibilitando-o de exercer suas funções diárias. Refratário a tratamentos convencionais, a terapia acupunturísta reduziu a dor de forma imediata e possibilitou ao paciente retomar suas atividades usuais.


3.18.15 - DOR DE DIFÍCIL CONTROLE EM MEDICINA DIAGNÓSTICA - Pôster

George M. G. Freire, Antonio S. B. Nt, Mara L. P. Oliveira, Alaine C. Silva
Hospital Israelita Albert Einstein

Introdução: Os exames diagnósticos e/ou terapêuticos realizados fora do centro cirúrgico e na maioria em pacientes não internados estão crescentes. O número de exames é grande e a capacidade de leitos da Sala de Recuperação de Pós-Anestésica (SRPA) é adequada ao fluxo desde que não haja atrasos importantes na alta dos pacientes. A dor de difícil controle é o principal fator de aumento do tempo de permanência na SRPA.

Método: De janeiro a abril deste ano, foram selecionadas as fichas de anestesias assinaladas pelo anestesista como dor de difícil controle, um dos indicadores de qualidade. Resultados Foram 25 casos apontados como dor de difícil controle, o paciente mais jovem tinha 16 anos e o mais idoso, 82. A faixa etária de maior número de casos foi a de 41 a 50 anos, 7 casos . Não houve diferença entre os sexos, 12 femininos e 13 masculinos. Os exames que causaram dor foram: colangiopancreatografias (5), tratamento de varizes de esôfago (4) biópsias hepáticas (2), colonoscopias (2), associação endoscopia digestiva alta e colonoscopias (2), biopsia de próstata (2), embolização hepática (2), ecoendoscopias (2), punção abdominal guiada por US(2), ressonância de quadril (1), embolização de tumor renal(1). O tempo de permanência destes pacientes na SRPA variou de 45 a 200 minutos.

Conclusões: O funcionamento de uma SRPA em medicina diagnóstica requer uma ocupação de leitos que não permite longa permanência, devido ao grande número de exames realizados. O controle adequado de dor e de efeitos colaterais são fundamentais para o bom andamento do serviço sem comprometimento da segurança do paciente. A observação das condições álgicas mais freqüentes alerta o anestesiologistas da necessidade de tratamento mais precoce destes indivíduos aumentando a satisfação, evitando a permanência prolongada na SRPA sem gerar maior custo para a instituição.

Referência: Kamming, D. et al: Pain Management in Ambulatory Surgery. J Perianesth Nurs. 2004 Jun; 19(3):174-82.


3.18.16 - DIFERENÇA ENTRE GÊNEROS NO PERFIL DE PACIENTES ATENDIDOS EM SERVIÇO DE DOR – Pôster

Thiago T. Silva, Elmar Torres N., Ana C. M. Costa, Eugênio Santos N.
Casa da Dor

Introdução: A dor é uma experiência sensório-emocional que pode ser expressa das mais variadas formas, estando em interdependência com todo o arsenal de experiências que constituem a identidade do indivíduo que a experimenta. Nesse contexto, surgem tentativas de se categorizar os pacientes com dor benigna (não oncológica) sob as mais diversas variáveis, na esperança de se conseguir criar um perfil psicossocial dos pacientes que possa explicar as diferenças nas características da dor e na resposta à medicação instituída. Objetiva-se mostrar que as possíveis diferenças entre os gêneros refletem em diferenças clínicas dos pacientes e por isso optou-se por realizar tal pesquisa.

Métodos: Foram avaliados 118 pacientes consecutivamente atendidos em Serviço de Dor de Hospital Universitário no Estado do Maranhão durante os anos de 2004 a 2008. A avaliação foi retrospectiva, consistindo em análise de prontuários e fichas protocolos pertencentes ao Serviço. Foi utilizado o Statistical Package for Social Sciences (SPSS) v.10.0 para a análise dos dados.

Resultados: Dos 118 avaliados, 67 eram do sexo feminino (56,8%) e 51 do masculino (43,2%). Dentre as características sócio demográficas avaliadas: idade, cor, estado civil, escolaridade, renda e profissão houve diferença significante apenas no estado civil (p = 0,031), com maior prevalência de casados entre os homens (49% versus 26,9%) e a inexistência de divorciados entre os homens avaliados, contra 7,5% dentre as mulheres. Mulheres e homens não diferiram quanto a intensidade da dor (12,9% versus 10,6% para dor leve, 27,4% versus 29,8% para dor moderada e 59,7% versus 59,6% para dor intensa, respectivamente, com p = 0,920). 46,7% das mulheres referiram dor contínua; nos homens, esse valor foi de 71,1% (p = 0,012). Quanto à peridiocidade, observou-se que entre as mulheres a diferença entre dor continua e intermitente não era tão significativa (46,7% e 53,3% respectivamente), porém entre os homens notou-se diferença significativa (p=0,012) e a maioria relatou sofrer de dor do tipo contínua (71,1%).

Conclusões: Diferenças significativas entre os gêneros foram observadas apenas em relação ao estado civil e qualidade da dor. Houve maior prevalência de dor crônica nos casados e nos tipos pontada e fisgada entre os homens. No que diz respeito à peridiocidade percebeu-se que entre os homens ocorreu uma predileção pela dor contínua, não vista na análise feita entre as mulheres.

Referência: NOGUEIRA Mariana et. al. As diferenças entre homens e mulheres no enfrentamento da dor crônica. REV. DOR 2008 - Abr/Mai/Jun, 9(2): 1242-1252.


4 – TRATAMENTO COM FÁRMACOS

4.1 - TOLERABILIDADE E EFICÁCIA DO ESCITALOPRAN NO TRATAMENTO DA SÍNDROME  FIBROMIÁLGICA ASSOCIADA À SÍNDROME DA HIPERSENSIBILIDADE QUÍMICA - Oral

Ma Teresa Jacob, Luiz Jacob, Beatriz Jacob
Clínica Jalbut Jacob

Introdução: A Síndrome Fibromiálgica (SF) freqüentemente apresenta como comorbidade a Síndrome da Hipersensibilidade Química (SHQ). Os antidepressivos, principalmente os duais, utilizados no tratamento da SF para estimular o mecanismo inibitório da dor, com freqüência causam efeitos colaterais indesejáveis, principalmente na presença da SHQ, levando ao abandono do tratamento medicamentoso. Neste estudo procuramos avaliar a eficácia e tolerabilidade do escitalopran (ES), inibidor seletivo da recaptação de serotonina, no alívio da dor em pacientes portadores de SF associada à SHQ.

Métodos: Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2007, foram avaliados 48 pacientes portadores de SF segundo os critérios do Colégio Americano de Reumatologia, 43 do sexo feminino e 5 do sexo masculino, com idade entre 19 e 87 anos. Todos referiam dor generalizada e antecedentes de interrupção dos antidepressivos utilizados anteriormente no tratamento, por incidência de efeitos colaterais. Prescrevemos ES 10 mg pela manhã desde a primeira consulta e mantivemos todas as outras terapias coadjuvantes ( psicoterapia, alongamento, reeducação postural, condicionamento físico, inativação de pontos gatilhos, etc). A escala numérica foi utilizada como parâmetro subjetivo de avaliação. O ES foi suspenso na ausência de efeitos analgésicos ou na presença de efeitos adversos.

Resultados: O resultado pré estabelecido como ideal (80% de alívio na dor) foi obtido em 36 pacientes (75%) após 2,3 meses (1 a 5 meses) de tratamento, 7 pacientes (14,6%) não apresentaram alívio, e 5 (10,42%) interromperam o tratamento por efeitos colaterais ( 4 por constipação, 1 por disfunção sexual).

Conclusão: 1- O ES foi bem tolerado em portadores de SF em associação com SHQ. 2- O medicamento foi eficaz no alívio da dor em número significativo de pacientes. 3- Os efeitos colaterais não foram freqüentes, e este fato, em conjunto com a eficácia, fez com que os pacientes mantivessem o tratamento medicamentoso.

Referência:  1-Slotkoff AT, Rodrilovic DA, Clauw DJ. The relationship between fibromyalgia and the multiple sensitivity syndrome. Scand J Rheumatol 1997; 15, 239, 52.


4.2 - REAÇÃO CUTÂNEA GRAVE A CARBAMAZEPINA - Oral

João B. S. Garcia, Anamada B. Carvalho, Letácio S. G. Ferro, Rosyane M. Rocha
Imoab

Introdução: O Herpes Zoster (HZ), resultante da reativação do vírus varicela zoster,tem como principal complicação a Neuralgia Pós-Herpética (NPH). Entre os fármacos utilizados para o tratamento desse quadro álgico detaca-se a Carbamazepina (CBZ),um anticonvulsivante bem tolerado, porém freqüentemente relatado como causa de reações cutâneas. O objetivo desse trabalho é relatar um caso de Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ)/Necrólise Epidérmica Tóxica (NET) secundário ao uso de CBZ em uma paciente com NPH.

Relato de caso: Paciente do sexo feminino,61 anos, foi encaminhada em agosto/2007 para o Serviço Ambulatorial de Dor,apresentando quadro álgico contínuo,há 15 dias,em região torácica e dorso com irradiação para 5ºespaço intercostal E, intenso (EN=10),com característica de queimação,fisgada,latejante,alteração de força de membro superior ipsilateral e sudorese,que piorava com o frio e melhorava com Butilescopolamina. Ao exame físico, apresentava lesões crostosas e eritematosas em região dorsal do tórax sugestivas de infecção por HZ,com alodinia e disestesias intensas em dermátomo acometido. Foi iniciado CBZ 300mg/dia, Amitriptilina (AMT) 12,5 mg à noite e realizado infiltração com anestésico local na região afetada.Após vinte dias,retornou ao ambulatório,evoluindo com rash cutâneo leve. Optou-se pela retirada da CBZ.Duas semanas depois, foi internada na enfermaria da clínica médica com febre e quadro de urticária e exantema generalizado,erupções cutâneas eritematosas e bolhosas e máculas purpúricas por todo o corpo. Foi mantido o AMT e iniciado Codeína e Dipirona como adjuvante para o controle da dor. Paciente evoluiu com piora do quadro clínico geral,erosões de mucosas e destacamento simétrico da epiderme em face, pescoço,tórax,dorso,membros superiores e inferiores, sugestivo de SSJ em transição para NET. Foi transferida para a UTI e,após duas semanas,foi a óbito.

Discussão: A SSJ e a NET são reações cutâneas graves reativas e induzidas por drogas. A SSJ é caracterizada por erosões mucosas e máculas purpúricas cutâneas disseminadas, freqüentemente confluentes,e destacamento epidérmico limitado a menos de 10% da superfície corporal. A sobreposição ou transição SSJ-NET está representada pelos casos com destacamento epidérmico entre 10% e 30% e a NET pelos casos com máculas purpúricas disseminadas e destacamento epidérmico acima de 30%. A incidência é rara,no entanto a ocorrência aumenta em pacientes usuários de determinados fármacos, sendo a CBZ comumente implicada no desenvolvimento deste tipo de reação.

Referência: CRIADO, P. R. Severe cutaneous adverse reactions to drugs. An. Bras. Dermatol., Rio de Janeiro, v. 79, n. 4, p. 471-488, jul./ago. 2004.


4.3 - ALERGIA A OPIÓIDES EM PACIENTE ONCOLÓGICO: UM DESAFIO - Pôster

Flavia C. Silva, Fabíola C. B. Moreno, Carmen D. Barros, Roselene Oliveira
Instituto Nacional do Câncer

Introdução: Opióides raramente provocam reações alérgicas verdadeiras, porém, quando detectadas, compostos da morfina e codeína são os principais responsáveis.

Relato de caso: J. S. C, 50 anos, matriculada no Inca em 05/09/06, com história de anemia há 1 ano tratada com Sulfato ferroso. Relata dor lombar crônica agudizada há 2 semanas. Referiu ser alérgica a Tramadol, Meperidina e contraste iodado. Nesta consulta, exames foram solicitados e agendado punção de medula óssea para o dia seguinte. Em 14/09/06, com diagnóstico de mieloma múltiplo IgG III A confirmado, iniciou dexametasona 40mg/dia por 4 dias. Houve melhora da dor lombar mensurada pela escala visual analógica (EVA) 4. Inventário ósseo em 15/09/06 mostrou osteopenia difusa, alterações degenerativas e lesões llíticas em úmero esquerdo. Sem evidência de compressão medular.  Durante o acompanhamento hospitalar evoluiu com lombalgia de intensidade variável sendo medicada com analgésicos como paracetamol e outros antiinflamatórios não esteróides (AINES). Apresentou farmacodermia com o uso de codeína, metadona, morfina, tramadol, sulfametoxazol / trimetropim, talidomida, captopril, amoxicilina, leucovorina, moxifloxacino, cefalexina e dipirona. Foi submetida a vários ciclos quimioterápicos com vincristina, adriamicina e dexametasona (VAD) e ciclofosfamida, etoposide e dexametasona (CED), além de infusão mensal de pamidronato, sem resposta hematológica satisfatória. Após cada ciclo de CED, usou G-CSF que mesmo com redução de dose, aumentava a sua queixa álgica. Em dezembro de 2007 foi submetida a transplante autólogo.  Encaminhada ao ambulatório da Clínica da Dor em 09/07/08 quando apresentava dor generalizada pouco aliviada com paracetamol, EVA 7 com exacerbações (EVA 10).  A possibilidade do início do fentanil transdérmico 12,5 μg/h foi então considerada.

Conclusões: Testes in vitro e in vivo concluíram que a ativação dos mastócitos da pele é dependente da ativação da proteína G dessas células. Tanto a medicação quanto a via de administração ainda não foram consideradas. Esperamos com esta conduta alcançar o controle analgésico adequado sem evidência de hipersensibilidade vista anteriormente.

Bibliografia: Blunk JÁ, Schmelz M, Zeck S, Skov P, Likar R, Koppert W. Oduced Mast Cell Activation and Vascular Responses Is Not mediated by μ-Opioid Peceptors: An In Vivo Microdialysis Study in Human Skin.Anesth Analg; 98:364-70, 2004.


4.4 - OPIÓIDES EM DOR CRÔNICA NÃO-ONCOLÓGICA: EXPERIÊNCIA DA CLÍNICA DE DOR DO HUCFF-UFRJ - Pôster

icardo Cunha, Tereza Lourenço, Giselane Figueredo
UFRJ

Introdução: Ao final do séc XX os opióides tem seu uso preconizado e incentivado para o controle da dor aguda e oncológica.O que sabemos é que são subutilizados e mal empregados.Um dos maiores entraves ao uso é o temor da adicção,complicação rara em clínicas de dor,principalmente se não houver história prévia de abuso. O objetivo deste estudo é revelar a prevalência de pacientes com dor não-oncológica da Clínica de Dor do HUCFF em uso de opióides,assim como a incidência de adicção e tolerância.

Metodologia: Após a análise do banco de dados da Clínica de Dor do HUCFF, todos os pacientes em tratamento de dor não-oncológica,em regime ambulatorial até abril de 2008, e que estavam recebendo prescrição de opióides foram incluídos.Procedeu-se o registro do opióide em uso, a dose, o tempo de uso, a presença de adicção, e a variação da dose (tolerância) a partir do início do tratamento e a patologia dolorosa. Resultados:Atualmente 36 pacientes estão em uso de opióide:20 com codeína,10 com metadona e 6 com oxicodona. O tempo médio de acompanhamento é de 12, 42 e 9 meses respectivamente. Os pacientes em uso de codeína  após estabilização são encaminhados de volta à clínica de origem, os em uso de opióides fortes mantém o vínculo com a Clínica de Dor, principalmente pelo rigor do monitoramento dos efeitos adversos, entre eles o comportamento de busca. A oxicodona ainda esbarra no alto custo de manutenção para pacientes do serviço público. Nas patologias que predominam são as artrites. Quanto aos possíveis efeitos colaterais, durante o acompanhamento dos em uso de opióides fortes, não foi observada tolerância, incluindo um paciente em uso de metadona há 6 anos. Apenas um caso de adicção ocorreu (6%), em um paciente já previamente adicto, dado que vai de encontro com as afirmações de Portenoy. O uso de opióides é suspenso quando as metas não são atingidas. Como não existem testes validados para risco de dependência e por pensarmos que uma Clínica de Dor não pode se furta ao uso desses fármacos seguimos a orientação onde só um médico prescreve o paciente, anota-se o quantitativo fornecido, avaliação mensal e um controle rígido para pacientes de maior risco.

Conclusão: Os opóides mostraram-se seguros e sem efeito de tolerância à longo prazo. Seu uso em dor crônica ainda é relativamente modesto, seja por temor ou por falta de conhecimento. Nisso as Clínica de Dor tem um importante papel, o da informação. 

Referência: SCHNEIDER, J.P. Management of chronic pain: a guide to appropriate use of opioids. The Journal of Care Management, v. 4, n. 4, p. 10-20, Aug 1998.


4.5 - USO DE OPIÓIDES EM DOR CRÔNICA NÃO-ONCOLÓGICA - Pôster

Elmar Torres N., Thiago T. Silva, Ana C. M. Costa, João B. S. Garcia
CASA DA DOR

Introdução: A prevalência de dor crônica não-oncológica(DCNO) é crescente, compromete a qualidade de vida, as atividades habituais, relações sociais e a evolução dos portadores. O uso de antiinflamatórios não hormonais (AINH) e analgésicos adjuvantes ainda são as primeiras opções na dor crônica. Porém, o uso de opióides pode ser justificado, quando outros tratamentos foram ineficazes, monitorando os pacientes cuidadosamente e baseando-se em relatos de consensos que enfatizam a importância de uma abordagem padronizada. O objetivo deste estudo foi analisar a prevalência do uso de opióides em pacientes com DCNO e a relação desta conduta com alguns dados como início e intensidade da dor.

Métodos: Foram estudados pacientes com dor crônica (duração mínima de seis meses) atendidos consecutivamente no Ambulatório de Dor do Hospital Universitário Presidente Dutra através da consulta de prontuários. Foram avaliados: uso ou não de opiódes fracos ou potentes, além da evolução da intensidade da dor. Todos os dados foram analisados pelo programa estatístico Epi Info 3.4.3 . O grau de significância adotado foi de 0,05 e o teste do qui-quadrado foi adotado para avaliar associação entre duas variáveis.

Resultados: De um total de 104 pacientes estudados, 30 (28,8%) tiveram como conduta a prescrição de opióides, sendo que 25 (83,3%) utilizaram opióide fraco (tramadol ou codeína) e 5 (16,7%) fizeram uso de opióide forte (metadona). Observou-se que 80 (76,9%) pacientes apresentavam inicio de dor maior ou igual a 1 ano, dentre os quais 23 (28,8%) usaram algum tipo de opióide (p=0,0016). Verificou-se ainda na análise desses pacientes que 92 (88,5%) referiam dor moderada a intensa, dos quais 28 (30,4%) tiveram o opióide como o fármaco prescrito(p=0,266). Não houve diferença significativa entre o uso de opióide fraco ou forte e a intensidade da dor pela escala verbal.

Conclusões: Houve relação significante  apenas com o tempo de início e evolução da dor (superior a 1 ano), não ocorrendo diferença significativa entre a intensidade da dor e o uso de opióides no tratamento da dor crônica não-oncológica. A opção por esses fármacos pode ser uma alternativa considerável, baseado no tempo e duração da dor na ausência ou falha de tratamento anterior.

Referência: BALLANTYNE, J. C.; MAO, J. Opioid therapy for Chronic Pain. N. Engl. J. Med., v. 349, n. 20, p. 1943-1953, November 2003.


4.6 - RESULTADOS DO TRATAMENTO DE DOENTES COM DOR PÓS MASTECTOMIA - Pôster

Massako Okada, Joaci O. de Araújo, Ywzhe S. A. Oliveira, Manoel J. Teixeira Universidade de São Paulo

Objetivos: avaliar resultados do tratamento de doentes com dor pós mastectomia.

Casuística e métodos: Estudo aberto observacional de 10 doentes com dor pós mastectomia por neoplasia de mama. Eram do sexo feminino 90% dos casos; idade média de 56,7anos (mín de 42 e máx de 82 anos) atendidos no Centro de Dor da Clínica Neurológica do HCFMUSP. Resultados: A média da duração da dor era de 61,2 meses (mín de seis e máx de 120). O diagnóstico da condição álgica era em 50% de dor neuropática (DN) associado a síndrome dolorosa miofascial (SDM), 25% apenas de DN e 25% de SDM. Todos foram tratados com antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes (20%), opióides fracos (30%) e fortes (30%). Resultados do tratamento de acordo com escala visual analógica (EVA 0-10) média inicial de 8,8 (6-10) e final de 3,7 (0-8).

Conclusões: Dor pós-mastectomia é condição álgica grave e incapacitante. A associação de drogas antineurálgicas e analgésicos são eficazes em 60% dos casos.

Referência: Teixeira MJ, Okada M. Dor neuropática. Dor: contexto interdisciplinar. Editor: Manoel Jacobsen Teixeira. Editora Maio, 2003 pg 343-326.


5 - TRATAMENTO INTERVENCIONISTA

5.1 - ESTUDO COMPARATIVO ENTRE O BLOQUEIO EPIDURAL COM E SEM RADIOSCOPIA NO    TRATAMENTO DA LOMBOCIATALGIA POR HÉRNIA DISCAL LOMBAR – Pôster

Tiago S. Freitas, Monique F. Silva, Carlos E.F. Ávila, Vinícius C. Lorca
Hospital Universitário de Brasília

Introdução: A lombociatalgia por hérnia discal é  freqüente e vários  trabalhos mostram o uso da  infiltração epidural com corticóides e anestésicos em seu tratamento. Os resultados são variáveis pela falta de homogeneidade dos estudos: diferentes escalas de dor , técnicas de bloqueio, duração do quadro doloroso, questões trabalhistas  , falta de grupos controle. Este estudo analisa um dos fatores que influenciam nos resultados desta técnica: infiltração com ou sem uso de radioscopia por Tomografia Computadorizada.

Método: Estudo prospectivo de pacientes selecionados aleatoriamente para bloqueio epidural com corticóides com ou sem  tomografia . Realizado protocolo: exame físico e neurológico, identificação e duas escalas de avaliação do quadro doloroso (EAV, Roland-Morris modificado).

Critérios de exclusão: dor por mais de 6 meses , déficit motor e  intervenções prévias. Critérios de inclusão: lombociatalgia por hérnia discal lombar sem resposta ao tratamento conservador e exame de imagem confirmatório .Realizado  bloqueio epidural :80 mg de metilprednisolona e 0,5 ml de bupivacaína 0,25% e avaliação com as mesmas escalas acima citadas, em 1 e 6 meses. Comparou-se o risco de ausência de melhora das escalas entre os dois grupos. Na análise estatística, utilizado o Teste do Qui-quadrado.

Resultados: 31 pacientes submetidos ao bloqueio epidural lombar sem radioscopia foram comparados com outros 31 guiados por tomografia (TC). No grupo sem radioscopia, a melhora do VAS e Roland-Morris em pelo menos 50% após o primeiro mês ocorreu em 38,7% dos pacientes, em comparação com 54,83% daqueles  guiados por TC , sendo a redução do risco relativo  de ausência de melhora em pelo menos 50% de 26,31%, porém, sem significado estatístico (p=0,2).Em seis meses, a melhora das escalas  foi descrita em 19,35% no primeiro grupo e em 35,48% no segundo grupo. Os dados revelaram uma redução de risco relativo igual a 20% com TC ,sem significância estatística entre os dois grupos (p= 0,7 e IC=0,2 2,01).

Conclusões: A melhora das escalas em 50% ou mais foi superior no grupo com radioscopia, mas não houve diferença de redução de risco relativo em 1 mês e  6 meses do procedimento entre os dois grupos .

Referência: Koes BW, Scholten RJ, Mens JM, et al. Efficacy of epidural steroid injections for low-back pain and sciatica: a systematic review of randomized clinical trials. Pain 1995;63:279-88.    


5.2 - USO DO BLOQUEIO PERCUTÂNEO DO GÂNGLIO DE GASSER NO TRATAMENTO DAS CEFALÉIAS AUTONÔMICAS EM PACIENTES COM TUOMRES DE HIPÓFISE - Oral

Tiago S. Freitas, Marx P.W. Cambraia Hospital Universitário de Brasília

Introdução: A incidência de cefaléia em pacientes com adenomas hipofisários é alta e a sua fisiopatologia sofreu mudanças , onde a hipótese de compressão mecânica da sela túrcica  foi susbtituída por alterações no sistema trigemino-hipotalâmico. Vários autores tem descrito casos isolados de cefaléias de padrão autonômico intratáveis clinicamente , sobretudo mulheres portadoras de tumores produtores de hormônio de crescimento e prolactina. Os raros casos de resposta clínica são pacientes que fazem uso do octreotídeo injetável, entretanto estes mesmos  se tornam aditos.

Objetivo: O objetivo deste trabalho é descrever uma alternativa de tratamento destes pacientes , fazendo uso do bloqueio percutâneo do gânglio trigeminal visando controlar esta síndrome dolorosa.

Método: Durante o ano de 2007 e 2008 cerca de 12 pacientes operados de tumores de hipófise e com cefaléias de difícil tratamento clínico foram encaminhados ao ambulatório de Neurocirurgia Funcional do Hospital Universitário Brasília. Os mesmo foram submetidos à protocolo específico: identificação, dados histopatológicos da lesão, semiologia da dor, escala especifica para avaliação da cefaléia(teste de impacto de cefaléia ou TIC-6), exames radiológicos complementares e um protocolo de tratamento, que consistia em fase inicial clínica e posterior fase de três bloqueios do gânglio de gasser percutâneo(técnica de Hartel) com uso de clonidina e bupivacaína, em caso de falha do tratamento clínico. A resposta  foi analisada aos 3 e 6 meses após o procedimento.

Resultados: Cerca de 4 pacientes obtiveram boa resposta ao tratamento clínico(associação de antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes, agonistas dopaminérgicos) e oito mantiveram cefaléia com classes substancial ou intensa no TIC-6. Estes pacientes foram submetidos ao bloqueio do gânglio de gasser sob radioscopia . Dos pacientes submetidos ao bloqueio cerca de 50% obtiveram reduções significativas na escalas de TIC-6, o restante manteve o quadro doloroso.

Conclusão: O bloqueio do gânglio trigeminal constitui uma importante opção terapêutica no tratamento desta rara síndrome dolorosa quando comparado às opções descritas na literatura.

Referência:  Levy, MJ.; Jager HR.; Powell M.; Matharu M.S.; Meeran K.; Goadsby P.J. Pituitary volume and headache-size is not everything. Arch.Neurol., 61(5):721-725,2004.


5.3 - BLOQUEIO NEUROLÍTICO SUBARACNÓIDEO PARA TRATAMENTO DE DOR ONCOLÓGICA - Pôster

João B. S. Garcia, Antônio F. B. Júnior, Letácio S. G. Ferro, Eugênio dos Santos Neto 
IMOAB

Introdução: O uso de analgésicos sistêmicos no controle da dor em alguns pacientes com câncer, incluindo opióides, não opióides e adjuvantes podem ter eficácia limitada e associação freqüente om efeitos adversos. Sem o controle adequado da dor, pacientes com câncer experimentam sofrimento, angústia e diminuição da qualidade de vida. Em algumas situações, o uso de técnicas intervencionistas para o controle da dor tem grande valor. O objetivo desse trabalho é mostar o uso de bloqueio neurolítico subaracnóideo em paciente com quadro de dor oncológica persistente e de dificil controle.

Relato de caso: Paciente do sexo masculino, 19 anos, com história de tumoração em quadril e diagnóstico de osteossarcoma, realizou estadiamento que revelou metástases pulmonares bilaterais e ósseas. Foi internado referindo dor em quadril iniciada desde julho/2007, de forte intensidade, com aumento progressivo e constante, do tipo pontada e aperto, evoluindo com desconforto respiratório leve e hemoptóicos. Após o primeiro ciclo de quimioterapia evolui com melhora do quadro geral e doloroso por duas semanas. Foi submetido a radioterapia paliativa analgésica em quadril obtendo melhora da dor, com diminuição da necessidade de opióides. Depois do segundo ciclo de quimioterapia, o paciente evoluiu com pneumotórax hipertensivo e piora da dor. Em abril/2008 após melhora do quadro infeccioso e das complicações respiratórias, realizou terceiro ciclo de quimioterapia. Apesar da estabilidade da doença, vinha apresentando forte dor em quadril com necessidade de até 360mg de morfina/dia, dipirona 6 vezes/dia, amitriptilina 25mg/dia e diclofenaco 150mg/dia, quando foi iniciado rodízio de opióide sem sucesso. Foi considerada a hipótese de procedimento neurolítico para controle adequado da dor. Realizou-se bloqueio subaracnóideo com álcool a 100% com melhora importante do quadro álgico, com leve incontinência fecal e moderada retenção urinária como efeitos adversos. Ao exame físico no dia da alta referia ausência de dor em repouso e dor moderada à movimentação do quadril e extensão da coxa, em uso de metadona 15mg/dia, dipirona 40gts 6/6h e amitriptilina 25mg/dia.

Discussão: O bloqueio neurolítico intratecal é uma importante opção para o tratamento da dor quando se estabelece critérios de indicações específicos. Promove analgesia satisfatória da dor oncológica de difícil controle quando as medicações sistêmicas não promovem o efeito desejado e produzem efeitos colaterais não toleráveis.

Referência: EIDELMAN, A. et al. Interventional therapies for cancer pain management: important adjuvants to systemic analgesics.


5.4 - ANÁLISE CLÍNICA E ELETRONEUROMIOGRÁFICA EM PACIENTES SUBMETIDOS À RIZOTOMIA POR CATETER BALÃO NO TRATAMENTO DA NEURALGIA TRIGEMINAL - Pôster
Tiago S. Freitas, Daniel R. Pimentel, Giovanni P. Uzuelli
Hospital Universitário de Brasília

Introdução: A neuralgia trigeminal essencial é clinicamente definida na literatura e o tratamento inicial  é sempre medicamentoso com os procedimentos cirúrgicos sendo indicados em  pacientes sem alívio satisfatório ou com intolerância às medicações . A microcompressão por cateter balão constitui uma das técnicas percutâneas utilizadas para o tratamento da neuralgia trigeminal. Com relação às suas complicações , a literatura mostra uma alta incidência de déficit motor em musculatura mastigatória (24-100%) , maior inclusive que os outros procedimentos percutâneos.

Objetivo: O objetivo deste estudo foi analisar os aspectos clínicos e eletroneuromiográficos desta complicação (lesão do ramo motor do nervo trigêmeo) relacionada ao procedimento.

Método: No período de Jan.2007 à jun 2008, os pacientes submetidos à balonização do nervo trigêmeo no Serviço de neurocirurgia funcional do HUB realizaram protocolo : análise clínica  do déficit  da musculatura mastigatória (comprometimento da mastigação e analise do desvio da mandíbula, realizada por bucomaxilofacial) e estudo eletroneuromiográfico  previamente ao procedimento e com 1, 3 e 6 meses pós-operatório.

Resultados: 26 pacientes foram submetidos ao procedimento de microcompressão do nervo trigêmeo e à avaliação do protocolo acima exposto.  11 pacientes apresentaram sinais de déficit mastigatório objetivo , 80% com disfunção moderada e o restante com disfunção leve. Pacientes com disfunção leve apresentaram reflexo do piscamento e eletromiografia de masseter normais. Dos pacientes com disfunção moderada todos apresentaram lentificação do reflexo do piscamento e  50% cursaram com eletromiografia de masseter com potencias polifásicos e remodelamento da atividade motora com 1 e 3 meses pós-operatórios, mostrando-se ausentes aos 6 meses. Ocorreu a normalização clínica da função mastigatória em todos os pacientes no controle de 6 meses.

Conclusão: A alteração do ramo motor do trigêmeo na microcompressão por cateter balão é  clínica e eletroneuromiograficamente transitória e sem  repercussão clinica na função mastigatória.

Bibliografia: Brown J.A.; Pilitsis J.G. Percutaneous ballon commpression for the treatment of trigeminal neuralgia : results in 56 patients based on based on ballon compression pressure monitoring. Neurosurg Focus 18(5):E10,2005.


5.5 - ANÁLISE DE 22 ANULOPLASTIAS COM BIACUPLASTIA TRANSDISCAL POR RADIOFREQÜÊNCIA - Oral

Paulo de Carvalho, Nathalie de Carvalho, Paulo de Carvalho Jr, Paloma Costa de Carvalho
UNIRIO

Introdução: A incidência de discopatia degenerativa vem crescendo muito com o aumento da espectativa de vida. A proposta de remodelação eletrotérmica do anel fibroso mostrou-se anacrônica e apresentando maior incidência de complicações e insucessos, quando comparada com a biacuplastia transdiscal por radiofreqüência. A melhora imediata da dor decorre da ação da radiofreqüência  a baixa temperatura (45º C) sobre as terminações nervosas do anel fibroso do disco intervertebral acometido.

Objetivos: Mostrar uma nova tecnologia para o tratamento das dores discogênicas, com melhores resultados e menores riscos, demonstrando-se a técnica utilizada.

Casuística:  23 anuloplastias transdiscais por biacuplastia com radiofreqüência, em pacientes com quadro clínico de dor discogênica, decorrente de discopatia degenerativa, comprovada pela RM.

Método: Avaliação clínica, seguida de ressonância magnética e bloqueio teste do suposto disco algógeno. Punção percutânea bilateral, com agulha, do disco lombar acometido, guiada por intensificador de imagem. Através dessa agulha se introduz, bilateralmente, um eletrodo de radiofreqüência, com circulação de soro fisiológico, em torno do mesmo, utilizando-se uma bomba contínua para o resfriamento. O procedimento é acompanhado por um software, com duração de 15 minutos, inibindo a transmissão das fibras que conduzem a dor, cujas terminações se localizam no anel fibroso do disco degenerado.


5.6 - ALGORITMO DAS RIZOTOMIAS FACETÁRIAS PARA OTIMIZAÇÃO DOS RESULTADOS - Oral

Paulo de Carvalho, Nathalie de Carvalho
UNIRIO

Introdução: o conhecimento detalhado da patologia facetária constitui importante alicerce no diagnósticio e tratamento. A lombalgia, lombociatalgia e dor facetária, embora sejam distintas, podem apresentar sintomas comuns.  A síndrome da falência das cirurgias da coluna vertebral decorrem, na sua maioria, da indicação incorreta. Um paciente mal selecionado leva a cirurgia ao fracasso.

Objetivos: Apresentar um algoritmo para otimizar os resultados das rizotomias facetárias

Casuística:  10475 rizotomias facetárias, por diversas técnicas, nos últimos 35 anos.

Método: Avaliação clínica, seguida de exames de imagem e bloqueio teste. Punção percutânea da articulação facetária acometida, guiada por intensificador de imagem, praticando-se a rizotomia por RF do ramo medial. A síndrome facetária pode ocorrer após laminectomias alargadas, instabilidade da coluna vertebral, artrose sacro-ilíaca, estímulo dos nociceptores discais, dos ligamentos ou das próprias facetas articulares. Nesse último caso se indica a rizotomia facetária, quando a dor é refratária ao tratamento conservador. A clínica deve ser corroborada pelos resultados cirúrgicos, no que concerne à indicação e técnica empregada. São de extrema valia as decisões lógicas e comparativas, criando-se um algoritmopara as rizotomias facetarias, na busca da otimização do resultado cirúrgico.


6 – TRATAMENTO FÍSICO

6.1 - AVALIAÇÃO DA DOR DE PACIENTES PORTADORES DE ÚLCERAS VENOSAS SUBMETIDOS A TERAPIA FÍSICA DESCONGESTIVA – Pôster

Roberta Azoubel, Thaiza T. Xavier, Luciana A. dos Reis, Gilson de V. Torres
Clínica Escola de Fisioterapia da UESB

Introdução: A avaliação da dor de origem venosa sendo ela primária ou pós-trombótica quando diagnosticada melhora com elevação dos membros inferiores e piora com o ortostatismo prolongado. Objetivou-se avaliar a dor de pacientes portadores de úlceras venosas submetidos à terapia física descongestiva.

Método: Trata-se de um estudo descritivo, pareado, transversal realizado na Clínica Escola de Fisioterapia UESB. A amostra foi composta por 20 pacientes acompanhados durante seis meses, dos quais 10 (3 do sexo masculino) com idade média de 65,5(±10,28) anos, foram distribuídos para o grupo de intervenção (GI): tratado com curativo associado a terapia física descongestiva e 10 (7 do sexo masculino) com idade média de 61,9 (±11,66) para o grupo controle (GC) submetidos apenas ao curativo. Os instrumentos utilizados foram a ficha de avaliação fisioterapêutica e a escala numérica de dor. Os procedimentos foram realizados após aprovação pelo Comitê de Ética da UESB, através da aplicação dos instrumentos mensalmente.

Resultados: A média da dor no GI foi no 1º mês 4,1(±2,5); 2º mês 3,6(±1,9); 3º mês 3,0(±1,5); 4º mês 2,0(±0); 5º e 6º mês sem dor. E no GC foram no 1º mês 4,8(±3,4); 2º mês 4,6(±2,8); 3º mês 5,0(±2,1); 4º mês 5,8(±2,7); 5º mês 3,6 (±2,8) e 6º mês 3,4(±3,28). Ao serem submetidos ao Mann-Whitney Test não observou-se diferença significativa entre os meses 1,2 e 3. Enquanto nos meses 4, 5 e 6 houve significância estatística entre os grupos (p=0,026; p=0,001; p=0,000, respectivamente).

Conclusões: Constatou-se que os pacientes submetidos ao tratamento com terapia física descongestiva apresentaram redução da dor principalmente nos três últimos meses de tratamento quando comparados com o GC.

Referência: Meiriño A, D’Angelo W, D’Angelo S, D’Angelo JA. Terapia física desconjestiva compleja en pacientes con edema braquial postmastectomia. Universidade Nacional Del Nordeste. Comunicaciones Científicas y Tecnológicas [periódico em la Internet] 2005 [citado 2008 mar 25].


6.2 - AVALIAÇÃO DA INTERVENÇÃO PREVENTIVA À DOR NA REDUÇÃO DOS ÍNDICES DE ABSENTEÍSMO EM UM HOSPITAL DA REDE PRIVADA - Pôster

Dalton Dallemule, Raul Melero, Adriana Irikawa
Equipe de Promoção da Saúde -  HSH

Introdução: Atualmente o desenvolvimento de terapêuticas e hábitos preventivos está sendo utilizado por empresas nos diversos ramos como forma de reduzir índices de absenteísmo por lesões ocorridas durante as atividades laborativas.

Objetivos: Avaliar o índice de absenteísmo dos funcionários dos setores da Unidade de Terapia Intensiva e Semi Intensiva de um hospital da rede privada de Santo André frente à intervenção preventiva a dor. 

Materiais e métodos: Foram acompanhados 41 funcionários que compõem os setores UTI e Semi Intensiva durante período de fevereiro a abril de 2008. Foram utilizadas as técnicas fisioterapêuticas de mobilização vertebral de Maitland composta de Mobilizações Postero-Anterior, Postero-Anterior Lateral. A avaliação da intensidade da dor foi feita pela escala visual analógica (EVA).

Resultados: Do total de funcionários 41% necessitaram de intervenção por queixas de dor na coluna vertebral. Destes houve um predomínio da coluna cervical em 70,59% e da coluna lombar em 47,06%. Durante o período de intervenção houve uma redução da EVA (3,25 p/ 1,12), manutenção do índice de absenteísmo em (0) com aumento para (4) no mês seguinte quando não houve mais intervenção. Na intervenção houve manutenção em (0) o número de dias de afastamento aumentando para (10) após a mesma.

Conclusão: Houve manutenção dos índices de absenteísmo e dor, durante o período de intervenção fisioterapêutica, que aumentou após cessá-la, demonstrando a importância do acompanhamento constante para preservar os resultados obtidos.

Bibliografia:  Maitland G. Manipulação Vertebral de Maitland. 6ª Ed. Medsi, 2003 US Preventive Services Task Force. Centro de Promoção da Saúde - CPS, 10 - Clínica Geral, HCFMUSP.


6.3 - EFEITOS DO TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO NO ABSENTEÍSMO POR DOR NA COLUNA VERTEBRAL EM FUNCIONÁRIOS DE HOSPITAL DA REDE PRIVADA  Pôster

Dalton Dallemule, Raul Melero, Adriana Irikawa
Equipe de Promoção da Saúde -  HSH

Introdução: Os problemas que acometem a coluna vertebral ocasionados por má postura, esforços repetitivos e atitudes laborativas incorretas, representam alto índice de absenteísmo e encargos previdenciários.

Objetivos: O objetivo deste estudo foi verificar os efeitos da intervenção fisioterapêutica, nos índices de absentísmo do bloco cirúrgico de um Hospital da rede privada.

Materias e métodos: Foram avaliados 42 funcionários que compõem o bloco cirúrgico pelo período de setembro a novembro de 2007, sendo que 38% necessitou de tratamento fisioterapêutico para dor na coluna vertebral. Destes houve um predomínio da coluna cervical em 93,75% e da coluna lombar em 6,25%. Foram utilizadas as técnicas de mobilização vertebral de Maitland, composta de Mobilizações Postero-Anterior, Postero-Anterior Lateral, tratados no período de dezembro de 2007 a janeiro 2008 e avaliado a intensidade da dor pela escala visual analógica (EVA).

Resultados: Houve redução do número de atestados por lesões da coluna vertebral (15 p/ 01), redução do numero de dias de afastamento (14 p/ 03) e redução da intensidade da dor referida pelos funcionários tratados (3,8 p/ 0,8 - Valor médio).

Conclusão: As técnicas fisioterapêuticas de mobilização vertebral pelo método Maitland são eficazes para a redução do número de afastamentos médicos por dor na coluna vertebral.

Bibliografia: Maitland G. Manipulação Vertebral de Maitland. 6ª Ed. Medsi, 2003 Canadian Task Force on Preventive Health Care


7 - ACUPUNTURA

7.1 - A SUPERAÇÃO DA DOR ATRAVÉS DO USO DA ACUPUNTURA EM ATLETAS COM FASCITE PLANTAR - Pôster

Flavio Godoy Moreira, Katia Rubio
Clínica Dr. Godoy Moreira e USP

Introdução: Atletas de certas modalidades esportivas tendem a apresentar algumas patologias em função de sobrecarga mecânica e excesso de tensão. É o caso da fascite plantar em corredores de longa distância que chegam a percorrer 120 quilômetros nos treinos ao longo da semana. Diante do grande nível de exigência dos membros inferiores que a modalidade demanda várias intervenções têm sido tentadas no sentido de proporcionar bem-estar ao atleta. A dor provocada por essa patologia leva à ausência de treinos e competições, comprometendo às vezes uma temporada ou mesmo a carreira do atleta. A acupuntura tem sido uma das técnicas adotadas para facilitar a recuperação de atletas tanto pelo imediatismo da recuperação como pela ausência de riscos de efeitos colaterais. Relato do caso.

Objetivo: O objetivo deste trabalho é discutir o uso da acupuntura em corredores de prova de fundo com diagnóstico de fascite plantar. O estudo foi realizado com 7 corredores de ambos os sexos, com idade entre 35 a 45 anos, que correm provas de rua e olímpicas e apresentavam queixa de dor na região da fascia plantar e pólo plantar de calcâneo. Foi aplicada a Escala de Categoria Verbal e Numérica de Dor pré e pós o tratamento com acupuntura. O tratamento foi iniciado com acupuntura por três semanas consecutivas com duas sessões por semana. Foram utilizados os pontos B40, B57, B60 e R3->R1. Radiologicamente um apresentava calcificação retro-aquileana, em três esporão de calcâneo e outro uma discreta artrose tíbio-talar. Todos os atletas fizeram tratamento medicamentoso, ortótico e fisioterápico anteriormente, sem obter resultados satisfatórios. Após 5 sessões de acupuntura, obtivemos remissão completa da dor. Os pacientes retornaram progressivamente às atividades esportivas sem queixas. No decorrer de 1 mês ainda estavam sem dor, apesar de não estarem mais em tratamento pela acupuntura.

Discussão: Os resultados indicam que a acupuntura atuou sobre a dor na região da fascia plantar e pólo plantar de calcâneo de forma satisfatória, permitindo aos atletas cumprirem o planejamento de treinos e competições proposto. Embora seja difícil provar a eficácia isolada da acupuntura, por não termos um grupo controle, é possível afirmar que a aplicação deste procedimento favoreceu o recrudescimento da dor e proporcionou um estado de bem estar dos atletas, não obtido anteriormente com outros tratamentos. Índice de dor Pré Acupuntura         8          9          8          8          7          9          7. Índice de dor Pós Acupuntura     0          1          0          0          0          1          0

Bibliografia: WADSWORTH, L (2006) Acupunture in sports medicine. Current Sports Medicine Reports 5 (1): 1-3.


7.2 - LOMBALGIA TRATADA POR ACUPUNTURA - Oral

Carmen D. Barros, Fabíola C. B. Moreno, Flavia C. Silva
HEMORIO

Introdução: Mais de 50% da população acima de 18 anos sofre com lombalgia a cada ano. Insatisfeitos com o resultado dos tratamentos convencionais procuram ajuda na Acupuntura assim como muitos pacientes com dor crônica não oncológica tratados com opióides.

Relato de caso: Paciente feminina, 68 anos, diagnóstico de Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI) em março de 1997, no Hemorio. Tratada com Prednisona 20 mg até 18/07/97. Alta em 08/09/03. Recaída da PTI em julho de 2005, submetida à pulsoterapia com Metilprednisolona. Iniciou posteriormente Prednisona 120mg/dia, reduzida durante acompanhamento ambulatorial. Em agosto de 2007 apresentou lombalgia de forte intensidade. Durante consulta no ambulatório de Fisiatria foi observada redução da flexão anterior da coluna. Exames radiológicos da coluna dorsal e lombo-sacra mostraram desmineralização óssea, colapso parcial dos corpos vertebrais de T12, L1 e L2, redução dos espaços intervertebrais correspondentes além de L4-L5, e artrose interapofisária inferior. Primeira consulta no ambulatório de Acupuntura em 28/11/07 relatava dor lombar em ardência e em queimação, com grande dificuldade de deambular. Usava Codeína 60mg V.O. de 6/6h e Paracetamol SOS. Não conseguia quantificar a sua dor pela escala visual analógica (EVA), limitando-se a referí-la como dor fraca, moderada ou forte (momento inicial da consulta). Foi tratada com Craniopuntura de Wen e pontos sistêmicos relacionados à sua patologia, obtendo alguma melhora no final da sessão. Com acupuntura semanal, em 15 dias relatava dor de fraca intensidade. Redução da Codeína em um mês de tratamento, dor EVA 0. Sessões de acupuntura marcadas quinzenalmente, recebendo alta do ambulatório em 30/01/08, mantendo-se sem dor até o momento.

Conclusões: Tratamentos de baixo custo e com poucos efeitos colaterais podem ajudar muito na redução da medicação anti-álgica prescrita e na melhora dos sintomas, proporcionando alívio aos pacientes.

Bibliografia: Cherkin DC, Sherman K, Hogeboom CJ, Erro JH, Barlow WE, Deyo RA, Avins AI. Efficacy of acupuncture for chronic low back pain: protocol for a randomized controlled trial. Trials. 2008 Feb 28; 9:10.


7.3 - INFLUÊNCIA DA ACUPUNTURA NA QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES COM CEFALÉIA – Pôster

Laidilce Zatta T, Patrícia Vasconcelos P. de, Juliano Santos R.S. dos, Virginia Brasil B.
Hospital de Medicina Alternativa de Goiânia

Introdução: Discussões que envolvem temas como saúde e qualidade de vida têm se tornado comuns. O interesse pela qualidade de vida passou a ser um dos resultados esperados, tanto das práticas assistenciais, quanto das políticas públicas para a promoção da saúde e prevenção de doenças. Cada vez mais se valoriza o impacto que uma nova terapêutica promove na qualidade de vida. Entre essas novas terapêuticas, destaca-se a acupuntura, que é uma técnica da medicina chinesa de ampla utilização, e tem como característica mais sobressalente o seu potente efeito analgésico (SALAZAR e REYES, 2004). Devido a esse efeito, entre as enfermidades listadas pela Organização Mundial de Saúde para tratamento por meio da acupuntura, tem-se a cefaléia, que é a dor que mais atinge o ser humano (PATRÍCIO et al., 2002). Objetiva-se verificar junto aos pacientes com cefaléia as principais razões que justificam a procura pelo tratamento realizado por meio da acupuntura e identificar aspectos que evidenciam mudanças na qualidade de vida dos pacientes com cefaléia após adesão à acupuntura.

Métodos: Estudo descritivo-analítico, qualitativo, desenvolvido no Hospital de Medicina Alternativa de Goiânia/GO. A população foi composta por pacientes com cefaléia em tratamento com acupuntura. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas. Dados analisados segundo a técnica de Análise de Conteúdo (BARDIN, 1979). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Materno Infantil de Goiânia (protocolo n° 071/04). Resultados: Foram entrevistados 12 sujeitos, entre 24 e 76 anos, de diferentes atividades profissionais, maioria com 1º grau incompleto e católicos. Foram identificadas duas categorias: Melhora dos Sintomas e Qualidade de vida: um equilíbrio geral. A maioria dos entrevistados procurou esse tratamento por indicação de outros profissionais e usuários. Esses entrevistados afirmaram que a acupuntura proporcionou alívio da dor, e dessa forma puderam voltar à rotina de vida. Com a melhora dos sintomas, houve melhora da qualidade de vida.

Conclusões: Houve redução do quadro doloroso proporcionado pela cefaléia, após o tratamento com acupuntura, e conseqüentemente melhora da qualidade de vida. Os profissionais da saúde devem manter-se atualizados quanto à temática, para posteriores indicações a esse tratamento.

Referência: SALAZAR, Jose Antônio Cabana; REYES, Roberto Ruiz. Analgesia por acupuntura. Rev Cubana Méd Milit, v. 33, n. 1, Jan/Mar. 2004.


7.4 - SIGNIFICADOS DA ACUPUNTURA NA QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES COM DOR ATENDIDOS NO HOSPITAL DE MEDICINA ALTERNATIVA - Pôster 

Laidilce Zatta T, Raphaela Xavier M, Ana Salge K. M, Rúbia Xavier C. M
Hospital de Medicina Alternativa de Goiânia

Introdução: Nos últimos séculos, diversas mudanças ocorreram no que diz respeito ao paradigma que envolve os conceitos de mundo orgânico. O Ministério da Saúde, buscando atender a necessidade de se conhecer, apoiar, incorporar e implementar experiências, apresentou no ano de 2006, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS. Observa-se que essas práticas vêm crescendo quanto à aceitação de usuários e profissionais dos serviços de saúde, além de colaborar para a qualidade de vida daqueles que aderem a esse tipo de tratamento. Entre elas, destaca-se a acupuntura, que é uma prática de cuidado que visa à totalidade do sujeito, preocupando-se com as diferenças individuais de cada paciente e evidenciando um enfoque global1. Objetiva-se: identificar os significados atribuídos pelos pacientes com dor à acupuntura; identificar as vantagens/desvantagens da acupuntura segundo os pacientes com dor e identificar as contribuições da acupuntura para a qualidade de vida desses pacientes.

Método: Trata-se de uma pesquisa descritivo-analítica, qualitativa, desenvolvida num hospital especializado em terapias alternativas, localizado em Goiânia-GO. Recebeu parecer favorável do Comitê de Ética do Hospital Materno-Infantil de Goiânia (nº protocolo 071/04). A coleta de dados foi realizada entre janeiro e fevereiro de 2008, por meio de entrevista gravada, norteada por um roteiro semi-estruturado, constando de questões referentes ao significado da acupuntura para pacientes com dor, percepções do usuário quanto às vantagens e desvantagens da acupuntura e sua influência na qualidade de vida.

Resultados: A amostra constituiu-se de 15 usuários, a maioria do sexo feminino, faixa etária entre 24 e 75 anos, casados, nível de escolaridade fundamental incompleto e todos procedentes de Goiânia. Faziam tratamento com acupuntura há aproximadamente três meses. Os dados obtidos foram analisados segundo a convergência de termos mais incidentes nos discursos e permitiram a identificação das categorias: A acupuntura enquanto possibilidade de tratamento da dor, Vantagens e desvantagens da acupuntura; e Acupuntura e qualidade de vida.

Conclusão: A reflexão e estudo em torno dos diferentes significados da acupuntura em pacientes com dor é fundamental, pois essa prática proporciona efeito analgésico, e com esse resultado contribui para melhora da qualidade de vida de seus usuários. Estudos sobre a temática devem ser realizados, para maior divulgação da terapia acupuntural.

Referência:  Chan CS, Chow SP. Eletroacupuncture un the treatment of post-traumatic sympathetic dystrophy. British Journal of Anaesthesia 1981; 53(1):899-902.


7.5 - DESATIVAÇÃO DE PONTOS-GATILHO COM ACUPUNTURA NAS REGIÕES FACIAL E CERVICAL EM PACIENTE COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR Pôster

Monique N. C. Muniz, Aline M. Almeida, Mercia H. S. L. De Souza, Rosangela Alencar
Instituto de Acupuntura Médica do Maranhão

Introdução: A atividade mandibular envolve os músculos mastigatórios e as articulações temporomandibulares que, comumente, são acometidos por quadros álgicos denominados disfunção temporomandibular (DTM). A DTM é causa freqüente de procura por assistência médica e sua prevalência é maior no sexo feminino. Encontra-se na literatura relação entre a dor facial e o aparecimento de pontos-gatilho nos músculos da região cervical. Os pontos-gatilho são emaranhados neurofibrilares que se tornam ativos quando dolorosos à palpação devido a mecanismos ainda não elucidados. Devido à comunicação entre os nervos dos plexos cervical e braquial, ocorre em grande escala cervicalgia associada a dores irradiadas para os membros superiores. A acupuntura, método terapêutico não farmacológico que visa a analgesia principalmente da dor crônica, produz ativação das vias descendentes do controle da dor através de estímulo periférico. Esse relato de caso mostra a eficácia da acupuntura como único meio terapêutico utilizado para cessar a ativação dolorosa de uma paciente com disfunção temporomandibular.

Relato de caso:. Paciente DMV, sexo feminino, 47 anos com queixa de dor em mandíbula esquerda há um ano. Relatou dor em peso na articulação temporomandibular esquerda com dificuldades de abertura da boca e protrusão da mandíbula. Fez uso de placa para correção da articulação temporomandibular sem melhora do quadro álgico. Referiu irradiação da dor para a região cervical e membro superior esquerdo, dor tipo pontada no ouvido ipsilateral e labilidade emocional. Afirmou como fator atenuante a mastigação. Ao exame físico, tem-se o achado de pontos dolorosos em região occipital, músculos esternocleidomastóideo e trapézio. O tratamento foi feito com Acupuntura, sendo prescrito VB2, Id18, VB8, TA 17 e TA 21 como pontos locais e Ig4 e F3 como pontos sistêmicos. A paciente foi submetida a 10 sessões de acupuntura, sendo que a partir da quinta obteve cessação das dores facial e cervical.

Discussão: Sabe-se que há interação segmentar e supra-segmentar relacionada à resposta à dor. A acupuntura age sobre esses níveis do Sistema Nervoso diminuindo a percepção da intensidade dolorosa a partir da desativação dos pontos-gatilho. Como as vias da dor têm conexão com o sistema límbico, no caso relatado é observado o restabelecimento do equilíbrio emocional da paciente, além de ser comprovada a eficácia analgésica da acupuntura sobre a dor crônica.

Referência: ROSTED, P.; Bundgaard, M.; PEDERSEN,A.M.L. The use of acupuncture  in treatment of temporomandibular dysfunction-an audit. Acupuncture in Medicine 2006; 24(1): 16-22.


7.6 - ACUPUNTURA NO ALÍVIO DA DOR - Pôster

Camila L. Guimarães, Adriana S. Freire, Ana Caroline de C. Dantonio, Ana Caroline V. Aurione
Universidade Federal de Goiás

Introdução: Dor intensa é a principal queixa dos pacientes e muitos optam pela acupuntura como modalidade terapêutica alternativa aos tratamentos convencionais. Felizmente a acupuntura oferece bons resultados, diminuindo ou mesmo cessando dores muito intensas de qualquer natureza.

Método: Revisão bibliográfica sobre acupuntura no alívio da dor.

Resultados: A acupuntura tradicional, como agora é praticada, envolve a inserção de agulhas de aço inoxidável em várias áreas do corpo (pontos de acupuntura), quantificados em cerca de 2000. Várias teorias foram elaboradas com o intuito de explicar os efeitos analgésicos da acupuntura, como por exemplo a teoria das comportas, do processo semelhante à memória, dentre outras. Trabalho de neurofisiologia revela que através da inserção de agulhas há estimulação de fibras sensitivas A e C, as quais levam os estímulos até o corno posterior da medula e este ascende pelo trato espino-talâmico. Na medula são liberadas substâncias analgésicas como a substância P, somatostatina e encefalina e no tálamo são liberadas a endorfina, encefalina e neurotransmissores. Vários trabalhos mostraram que a maioria dos pacientes obtém uma diminuição significativa da dor logo nas primeiras sessões (média de 50% de diminuição da dor na primeira sessão), porém há a necessidade de um tratamento mais prolongado para um melhor resultado. Quanto aos efeitos colaterais ou a piora das dores com o uso da acupuntura, estes foram muito baixos.

Conclusões: Diversos estudos clínicos demonstram que a acupuntura é uma modalidade efetiva de tratamento em diversas condições de dor, incluindo neuralgia, cervicalgia, lombalgia, enxaqueca, artrite, bursite, fibromialgia e muitas outras. A acupuntura  mostra-se como uma forma eficaz de tratamento das dores crônicas, embora, assim como nos tratamentos tradicionais, tenha melhores respostas em certas patologias em detrimento de outras.

Referência: Levitt EE, Walker FD. Evaluation of acupunture in the treatment of chronic pain. J Chronic Dis 1975; 28(5-6):311-6.


7.7 - A EFICÁCIA DA ACUPUNTURA COMO TRATAMENTO COMPLEMENTAR NA CEFALÉIA ENXAQUECOSA – Pôster

Maria C. V. Figueiredo, Leylane B. Pinto, Rosângela R. A. dos Reis, Mércia H. S. L de Souza
Instituto de Acupuntura Médica do Maranhão

Introdução: A elevada prevalência da enxaqueca, doença crônica comum que afeta o sistema nervoso central, explicita a relevância de um tratamento que vise minimizar os transtornos causados pela mesma. É uma das cefaléias mais incapacitantes, de caráter intermitente e pulsátil, acompanhada em geral de fotofobia, fonofobia e náuseas. Nesse contexto surge a acupuntura, terapia da medicina chinesa, que, através da inserção de agulhas em áreas específicas do corpo, promove o equilíbrio do mesmo ao bloquear a aferência dolorosa através da inibição tanto da atividade de neurônios transmissores de dor em nível medular quanto da aferência nociceptiva por meio da ativação de sistemas supressores de dor segmentares e supra-segmentares.

Relato de caso: L.M.P.P., 44 anos, branca, dona-de-casa, natural e procedente de São Luís- MA. Há dezesseis anos, iniciou quadro de cefaléia crônica intermitente, latejante, hemicraniana, de forte intensidade, com irradiação variável. Relatava piora das crises com atividade física, ansiedade e período pré-menstrual, com ausência fatores de melhora. A paciente tinha como fatores desencadeantes insônia, sinusite e ingestão de alimento específico. A intensidade da dor era amenizada com o uso de sumatriptana e meloxicam. Iniciou o tratamento com acupuntura em agosto de dois mil e cinco e o realizou em seis etapas, cada uma com dez sessões. Inicialmente, relatava quadro de cefaléia intensa, com incapacidade para atividades diárias. Da segunda à décima sessão, referiu melhora de 90%. Nas etapas subseqüentes, relatava pouca ou ausência de dor. Após oito meses, obteve alta por melhora significativa do quadro.

Discussão: É demonstrado que a acupuntura pode bloquear a aferência dolorosa. Observou-se no caso descrito, a eficácia do bloqueio neuronal pela resposta positiva da paciente a melhora do quadro álgico logo nas primeiras sessões.

Conclusão: Conclui-se que é possível obter melhora da dor ao utilizar acupuntura como terapia complementar.  Vê-se a necessidade de mais estudos conclusivos em relação ao benefício da acupuntura no tratamento da enxaqueca.

Referência: TEIXEIRA, Manoel Jacobsen. Dor: Manual para o Clínico. São Paulo, 2006.


7.8 - TRATAMENTO DE DOR CRÔNICA COM ACUPUNTURA E EQUIPE INTERDISCIPLINAR EM GRUPO DE DOR EM AMBULATÓRIO DE SERVIÇO PRIVADO NO GRANDE ABC ? SÃO PAULO - Pôster

Margarete S. Augusto, Tânia C. Buzeto, Karen C. M. Silva, Ronaldo Kalaf
Santa Helena Assistência Médica

Introdução: A dor é umas das principais razões que levam as pessoas a procurar os serviços de saúde. Ela é a expressão de uma experiência multidimensional, englobando aspectos afetivos, cognitivos e neurovegetativos. A dor crônica gera importantes repercussões sócio-econômicas: elevados custos para os sistemas de saúde e prejuízo na qualidade de vida dos indivíduos. Assim, o tratamento da dor crônica continua um desafio e centros interdisciplinares para dor têm sido criados com o objetivo de atender às necessidades específicas destes pacientes.

Objetivo: O objetivo deste trabalho é descrever os resultados iniciais de um grupo interdisciplinar de dor no ambulatório da Santa Helena Assistência Médica, localizada no Grande ABC paulista.

Método: Análise retrospectiva dos dados dos pacientes acompanhados no grupo de março a junho de 2008, e que receberam alta após melhora clínica. Os pacientes participantes do grupo inicialmente eram avaliados pela enfermagem, com ênfase na avaliação da dor através da Escala Visual Analógica (EVA) e seleção para encaminhamento aos diferentes profissionais, baseados em critérios pré-estabelecidos pela equipe. Foram analisadas características dos pacientes como idade, sexo, diagnósticos, intensidade da dor no início e ao fim do tratamento, e profissionais envolvidos no atendimento de cada paciente.

Resultados: Foram analisados dados de 22 pacientes através de prontuários, com idade média de 57 anos, sendo 14 mulheres e 8 homens. Os principais diagnósticos eram: hérnia de disco (8 casos), lombalgia (5 casos), osteoartrose generalizada (4 casos) e fibromialgia (2 casos). Os pacientes foram encaminhados pela Ortopedia grupo de coluna, Geriatria e Neurologia. Do grupo, todos os pacientes foram avaliados pela Psicologia e realizaram Acupuntura; 17 consultaram com a nutricionista e 13 realizaram RPG. Foram realizadas 8,5 sessões de acupuntura em média. Na avaliação inicial, 17 pacientes apresentavam dor intensa (77,3 %), 4 dor moderada (18,2 %) e apenas 1 dor leve (4,5%). Na avaliação final, a maioria dos pacientes não apresentava dor (68,2%), 5 pacientes apresentavam dor leve (22,7%), e apenas 2 de intensidade moderada (9,1%).

Conclusões: A realização de Acupuntura e o atendimento interdisciplinar permitiram redução importante na intensidade da dor dos pacientes acompanhados ambulatorialmente no Grupo Interdisciplinar de Dor no ambulatório da Santa Helena Assistência Médica.

Referência: Flor H, Fydrich T, Turk DC. Efficacy of multidisciplinary pain treatment centers: a met-analytic review. Pain 1992; 49:221-230


7.9 - ESTUDO CONTROLADO DA ACUPUNTURA EM TRATAMENTO DE DOR E DISFUNÇÃO DA ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR - Oral

Karime S. Pereira, Norton M. Carneiro, José N. Gil, Susana C. Domenech
Universidade Federal de Santa Catarina

Introdução: As dores orofaciais são em sua maioria fator de privação e a disfunção temporomandibular, de etiologia multifatorial, concorre entre as mais prevalentes. Atualmente, em países de diferentes culturas, a acupuntura cresce como opção terapêutica e compreender seus mecanismos de ação tornam-se fundamentais.  Este estudo, de caráter experimental, avaliou a eficácia da acupuntura no controle da dor e disfunção temporomandibular relacionada aos músculos da mastigação.

Métodos: Dentre vinte mulheres (20-60 anos), apenas onze foram selecionadas por não apresentarem comprometimento sistêmico importante e a acupuntura foi a única variável introduzida durante cinco consultas subseqüentes a anamnese. Oito perfizeram o grupo experimental e três como controle. Cinco pontos na face bilateralmente e um ponto nas mãos foram selecionados para a eletroestimulação percutânea através de agulhas (0,20 X 40,0) mm. O aparelho emitia entre 5 e 20 Hz de freqüência durante 20 minutos. A ficha clínica continha o controle da dor (escala numérica de 0-10), consumo voluntário de analgésicos e a presença de bruxismo do sono. Para as comparações entre dor inicial e final entre os grupos, se utilizou o test t para dados dependentes e teste de Wilcoxon; para as comparações entre grupo experimental e grupo controle se utilizou o teste de Mann-Whitney (p< 0,05%).

Resultados: Findada cada aplicação, expressivo relaxamento e sonolência foram relatados pelo grupo experimental. Estatisticamente, depois das cinco sessões de acupuntura, em relação à dor inicial e final, ocorreu significativa diminuição da dor no grupo experimental, bem como considerável redução no consumo voluntário de analgésicos quando comparado ao grupo controle. A acupuntura mostrou-se capaz de diminuir significativamente a dor no grupo que a utilizou, sendo que não se encontraram diferenças significativas para o grupo controle. Em relação ao bruxismo do sono, das vinte mulheres avaliadas, quinze delas apresentaram facetas de desgaste em esmalte e somente três haviam usado placas miorrelaxantes e feito algum tipo de fisioterapia manual.

Conclusão: Há décadas, ficou demonstrado que a integridade do sistema nervoso é condição determinante para os efeitos da acupuntura sendo imprescindível compreender que neuromodulação é o termo que melhor explica seus efeitos. É consenso que a disfunção temporomandibular está fortemente relacionada a aspectos biopscicossociais, assim como ao bruxismo do sono. A prática da acupuntura fundamentada nos conhecimentos atuais de neurofisiologia se evidencia como um importante recurso terapêutico em Odontologia, podendo restaurar padrões funcionais ao sistema estomatognático.


8 – TRATAMENTO PSICOSSOCIAL E COGNITIVO

8.1 - PSICOTERAPIA DE GRUPO PARA DOR CRÔNICA: COMO PODE AJUDAR? - Pôster

Daiane Silva, Eliana Porto, Daniella Ataídes, Rosely Domingues
Universidade Católica de Goiás

Introdução: O objetivo desse trabalho foi de desenvolver um modelo de psicoterapia de grupo para atender as necessidades dos pacientes com dor crônica. A literatura empírica, aponta que a dor crônica é influenciada e exacerbada em decorrência do estresse no cotidiano, a vivencia de relacionamentos interpessoais, as formas de lidar com as emoções e o sentido que é dado à dor. Participaram dessa pesquisa três grupos de cinco, quatro e seis participantes do sexo feminino com idade entre 30 e 58 anos. Foram aplicados protocolos de psicoterapia de grupo com oito a 13 sessões na clínica escola da UCG. Foram aplicados antes e depois Inventários de Depressão e Ansiedade de Beck e o questionário de dor McGrill. O protocolo abordou os seguintes temas: As relações no grupo; Históricos individuais da dor; Histórias de vida; A relação entre sentimentos e Dor; Como vejo minha realidade; Como enfrento os problemas; Atividades prazerosas versus viver em função da dor; Aceitação: dando novo significado à dor; Pensamentos distorcidos em relação às pessoas e aos relacionamentos do cotidiano; Conceituando a assertividade e colocando-a em prática; Preconceito e Percepção de si mesma; Lidando com as diferenças interpessoais. O trabalho foi realizado por duas terapeutas em cada grupo, com funções de terapeuta e co-terapeuta em esquema de rodízio. As sessões foram gravadas, transcritas e analisadas de maneira indutiva com objetivo de identificar as questões que emergem durante as sessões e os processos que mais contribuíram para o progresso do grupo. Surgiram as seguintes categorias: Intervenções específicas; Aprendizagem interpessoal ao vivo no grupo; Melhora no cotidiano; Processos cognitivos e emocionais ao vivo no grupo; Manejo de fontes de estresse; Efeitos sociais do quadro clínico, Redes de apoio, Exclusão social; Manejo da dor: focado em emoções ou no problema, Efeitos de medicação; Efeitos de exercícios físico; Compreensão das variáveis históricas: Atribuições causais do aumento da dor; Aspectos facilitadores do grupo; Diferenças individuais e Contextos de vida.
Conclusão: Concluímos que o grupo não só ajuda ensinando lidar com dor, mas aborda uma variedade de aspectos pessoais e sociais que influenciam na piora ou na melhora da dor.

Referência: Gatchel, R. J., Robinson, R. C., & Stowell, A. W. (2006) Psychotherapy with chronic pain patients.


8.2 - A ARTETERAPIA NO COMBATE À DOR - Oral

Agnaldo Lacerda Souza Junior, Auxiliadora do Espírito Santo, Ana Cláudia Afonso Valladares, Carolina Bonfim de Paiva
Hospital de Urgências de Goiânia

Introdução: A imagem quando usada dentro de um processo arteterapêutico, torna-se de imediato um veículo de comunicação não verbal, mas expressivamente simbólico, utilizando estratégias artísticas. Esta pesquisa terá como base fundamentos da teoria Junguiana e usará como processo de decodificação das imagens o conjunto de estratégias arteterapêuticas denominado amplificação no contexto do trabalho arteterapêutico.

Objetivo: Apresentar subsídios teórico-práticos relativos aos problemas vivenciados por indivíduos que foram acometidos por algum tipo de situação traumático-psicológica com o propósito de facilitar a melhor configuração de universos imagéticos, através do processo arteterapêutico.

Metodologia: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, baseada em estratégias descritivas e exploratórias. Foi realizado no Hospital de Urgências de Goiânia, e constituiu-se de acompanhamento individual em pacientes adultos de ambos os sexos. Ambos tinham sido acometidos por acidente traumato-ortopédico e submetidos à amputação.

Resultados: A análise dos resultados foi baseada na modificação imagética e do comportamento dos pacientes. Percebeu-se que no transcorrer dos estudos das atividades desenvolvidas no processo arteterapêutico, além de ter beneficiado bastante no aspecto emocional dos pacientes, principalmente no resgate da auto-estima, autoconfiança, proporcionou mais credibilidade nas suas próprias capacidades, como a correlação entre produções de imagens mentais e a transformação de estados dolorosos.


8.3 - ALVOS TERAPÊUTICOS PARA O TRATAMENTO PSICOLÓGICO EM PORTADORES DE FIBROMIALGIA - Oral

Marilene Martins, Luc Vandenberghe
Universidade Católica de Goiás

Introdução: A Fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica que vem associada a uma variedade de sintomas e queixas subjetivas relacionadas à exacerbação e manutenção da dor. Geralmente esta complexidade não é levada em conta nos modelos de tratamento para dor crônica.

Método: Este estudo teve como objetivo construir um conjunto de alvos para um tratamento psicológico integrativo da Fibromialgia. Participaram do estudo cinco portadoras de Fibromialgia do sexo feminino com idade entre 45 e 52 anos. Os dados foram coletados por meio de entrevistas abertas semi-estruturadas, e gravações das doze sessões de psicoterapia. As intervenções foram norteadas pelas tendências atuais da terapia comportamental. Os dados foram submetidos à análise indutiva seguindo os preceitos da Grounded Theory. 

Resultados: Os alvos terapêuticos que emergiram deste trabalho foram agrupados em cinco temas: Vivências Interpessoais, Estratégias de Enfrentamento Interpessoal, Vivências Subjetivas, Emoções Negativas e Emoções Positivas.

Conclusões: A complexidade dos aspectos relacionados à dor na Fibromialgia sustenta a tese de que as queixas apresentadas pelos pacientes devem ser trabalhadas a partir do contexto de vida como um todo e não focadas apenas em aspectos isolados da dor.

Referência: Hayes, S. C. (2006). Behavioral Conceptualization and treatment for chronic pain. The Behavior Analyst Today, 7, 253-261.


8.4 - IMPACTO DE TÉCNICA DE RELAXAMENTO PARA CONTROLE DA DOR NOS SINTOMAS DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO - Pôster

Lilian Hennemann Krause, Melanie Noël Maia
UFRJ

Introdução: A Técnica de Relaxamento utilizada pretende empoderar os pacientes no controle da dor através de informação, percepção da tensão muscular e uso do imaginário1. Na dor/doença crônica o sofrimento psíquico e problemas sociais geralmente estão associados, porém os transtornos de humor nem sempre são percebidos, apesar de sua alta prevalência. A Hospital Anxiety and Depression Scale (HAD) é um instrumento simples que auxilia o diagnóstico de transtornos de humor. O escore para pontuação máxima é de 21 pontos para cada sub-escala de sintomas ansiosos e depressivos com ponto de corte 8/9 respectivamente. Este trabalho foi realizado na Clínica de Dor do HESFA e tem como objetivo avaliar o impacto dos sintomas de ansiedade e depressão dos pacientes que participaram do Grupo de Controle da Dor.

Método: Foram selecionados os pacientes que participaram do Grupo de Controle da Dor, com freqüência ≥ 80%, com dor crônica agravada por tensão muscular e amplificação psicogênica e disposição para participar do grupo. Cada sessão tinha como conteúdo: tema educativo com discussão em grupo + treinamento de discriminação muscular + exercícios respiratórios + imaginação guiada. A aplicação da HAD foi feita no primeiro e no último encontro. Nenhum dos pacientes teve sua prescrição alterada durante o estudo, e todos já estavam em uso da medicação corrente há pelo menos 2 meses.

Resultados: Conforme os critérios adotados foram avaliados 14 pacientes (13 do sexo feminino e 1 masculino), com faixa etária média de 64,71 anos. Seis pacientes (42,86%) alcançaram nota de corte para ansiedade e dois pacientes (14,29%) para depressão no primeiro questionário. No segundo questionário, cinco pacientes mantiveram-se acima do ponto de corte para ansiedade, e houve um novo caso de depressão, totalizando três. A pontuação média para ansiedade foi 7,93 no primeiro questionário e 6,35 no segundo; para depressão, 5,29 e 5,71 respectivamente.

Conclusões: A participação no Grupo de Controle da Dor foi mais eficiente no alívio dos sintomas de ansiedade do que dos sintomas depressivos. Acreditamos que o método utilizado, além de ensinar aos pacientes maneiras de aliviar o desconforto físico propriamente dito, desempenhe um papel ainda maior em seu estado emocional, uma vez que o coloca como sujeito importante e determinante para o controle de seus sintomas.

Referência: ANDRASIK, F. Relaxation and biofeedback for chronic headaches. In Holzman A.D., Turk D.C. (Eds), Pain Management. Perganon Press, Oxford, 1986.


8.5 - A MUSICOTERAPIA COMO TÉCNICA COMPLEMENTAR NO TRATAMENTO DA DOR CRÔNICA - Pôster

Anandra Pizzolato, Railane Macedo, Laryssa Leão, Andréa Almeida
UTI do Hospital de Referência de Gurupi

Introdução: Estudos recentes ressaltam a relevância da música como método alternativo no tratamento de pacientes com dor crônica nos aspectos físicos e emocionais. A mesma possui dados promissores obtendo resultados efetivos quando utilizada, devido ter uma melhor aceitação do paciente e custo relativamente baixo.

Objetivo: Este estudo visa avaliar os benefícios que a música transmite ao paciente com dor crônica.

Metodologia: Foram utilizadas como fonte de pesquisa, pacientes da Unidade  de Terapia Intensiva do Hospital de Referência de Gurupi, literaturas, artigos e revistas.

Referencial teórico: A música é uma forma milenar de equilibrar sensações cerebrais, proporcionando a homeostasia. 

Resultados: Atualmente a música está sendo utilizada como forma associativa no tratamento medicamentoso nos pacientes com dor crônica. Ela age no sistema nervoso central através da interação dos hemisférios direito e esquerdo que vão captar e interpretar essas informações, resultando assim, no bem-estar do indivíduo. A musicoterapia pode ser indicada para pacientes psiquiátricos, com doenças crônicas, portadores de necessidades especiais, entre outros.

Conclusão: Portanto, a musicoterapia tem papel essencial no tratamento alternativo, atingindo níveis satisfatórios na redução do limiar de dor, a qual foi avaliada pela  analgesia natural, utilizando-a como método complementar na terapia medicamentosa.

Referência: BENENZON, Rolando. Teoria da musicoterapia: Contribuição ao conhecimento do contexto não-verbal. 182 p.


8.6 - ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO SERVIÇO DE TERAPIA DA DOR E CUIDADOS PALIATIVOS DA FUNDAÇÃO CENTRO DE CONTROLE DE ONCOLOGIA DO AMAZONAS. STDCP/FCECON - Pôster

Pontes, Antonina C., Cardoso, Mirlane G. M
Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas

Introdução: A Organização Mundial de Saúde conceitua saúde como sendo bem-estar físico, psíquico e social do indivíduo, ocorrendo conjuntamente. Em 1997 dentro da filosofia dos cuidados paliativos o atendimento domiciliar foi implantado no STDCP/FCECON. Somente em 2006 ocorreu a inclusão do profissional da área social na equipe multiprofissional, passando o serviço a dispor de uma equipe adequadamente estruturada atuando na assistência ao paciente com câncer avançado e seus familiares. A necessidade do assistente social no tratamento paliativo surgiu em decorrência de uma nova especialidade de cuidado, contemplando uma perspectiva profundamente humana, que reconhece a necessidade dos pacientes e familiares no âmbito do sofrimento que envolve os aspectos físico, psíquico, culturais e socioeconômicos.

Objetivo: O objetivo do presente trabalho é divulgar a experiência inicial e dificuldades na implementação de uma  rotina do profissional social, agora como membro de uma equipe multiprofissional no Serviço de Terapia da dor e cuidados Paliativos da FCECON. Materiais e métodos: Um processo de reconstrução histórica do STDCP, identificando através de coletas, organização, análise e interpretação. Neste sentido a assistência social iniciou sua prática na triagem social (avaliação semi-estruturada) onde são fornecidas informações referente a sua implantação, método de agendamento, e atendimento ambulatorial/domiciliar, para planejamento das intervenções e viabilização dos benefícios sociais, priorizando na vida dos pacientes oncológicos os aspectos econômicos, profissionais e familiares.

Resultado: No período de 2006 a 2008 foram realizados 246 atendimentos sociais à pacientes e familiares, sendo em nível ambulatorial 152 e em nível domiciliar 94.

Conclusões: Concluímos que a Assistente Social sustenta a inclusão no âmbito domiciliar e ambulatorial da equipe interdisciplinar que atua integralmente numa perspectiva humanista de ordem biopsicossocial no sentido de oferecer assistência global.

Referência: ROVERE, H.H. O serviço social nos centros de tratamento de Dor.


8.7 - MANIFESTAÇÕES DEPRESSIVAS IDENTIFICADAS NO TRATAMENTO PALIATIVO DA FUNDAÇÃO CENTRO DE CONTROLE DE ONCOLOGIA DO ESTADO DO AMAZONAS ? UM ESTUDO DE CASO - Pôster

Arce Romena B. M, Cardoso Mirlane G. M
Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas

Introdução: A Organização Mundial de Saúde conceitua saúde como sendo o bem-estar físico, psíquico e social do indivíduo ocorrendo conjuntamente e não apenas a ausência de enfermidade ou doença. A partir deste conceito entende-se e confirma-se a relação existente entre mente e corpo tão estudada desde os primórdios da Psicologia e outras ciências afins. A Psicologia tem importância em todas as situações relacionadas à saúde do ser humano, e o psicólogo como profissional da promoção da saúde deve atuar e investigar as implicações emocionais que podem influenciar em patologias orgânicas e vice-versa.

Relato de caso: No presente trabalho pretende-se demonstrar as manifestações depressivas identificadas em um paciente oncológico em tratamento paliativo na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas. Tal fato justifica-se pela severidade da doença e a inclusão de conseqüências emocionais, orgânicas, sociais e espirituais na vida do paciente. Para este estudo selecionou-se uma paciente encaminhada ao Serviço de Terapia da Dor e Cuidados Paliativos da Fcecon, 64 anos, casada, aposentada, nível socio-economico adequado, portadora de câncer de mama com metastases ósseas e um importante quadro álgico de difícil controle.

Discussão: apresentar-se-á uma analise isolada de um caso clinico, mas que retrata a rotina no Serviço de Terapia da Dor e Cuidados Paliativos da Fcecon, com intuito de analisar de forma especial o Transtorno Depressivo dos pacientes oncológicos, já que os sintomas apresentados sejam eles da esfera cognitiva, afetiva, motora ou social, geram seqüelas emocionais intensas nestes pacientes, principalmente naqueles que se encontram na fase de terminalidade, onde a angustia se torna algo aterrorizante para o psiquismo humano. Com o tratamento oferecido pelo STDCP da Fcecon, obteve-se no caso em estudo diminuição dos principais sintomas depressivos apresentados, alem de propiciar um reforço egoico mais adaptativo diante da morte.

Referência: CARVALHO, M M. Psicooncologia no Brasil: Resgatando o Viver. São Paulo: Ed. Summus, 1998.


8.8 - O PAPEL DAS PRÁTICAS E CRENÇAS RELIGIOSAS NA PERCEPÇÃO E RESPOSTAS À DOR CRÔNICA - Pôster

Marília L. Assis, Andréa G. Portnoi, Mariana F. A. Rivera, Márcia E. Cerdeira
FMUSP

Introdução: Considera-se espiritualidade a propensão para encontrar um significado através de conceitos transcendentes é mais ampla do que religiosidade, uma de suas expressões. As pessoas diferem na maneira como percebem, compreendem e respondem à dor e ao sofrimento, assim, este estudo se propôs a verificar se práticas e crenças religiosas influenciam a percepção e o enfrentamento da dor.

Método: Foram avaliadas 17 mulheres com dor músculo-esquelética: 9 praticantes (P) e 8 não-praticantes (NP) de sua religião. Todas preencheram: Termo de Consentimento Pós-Esclarecimento, Inquérito de Fatores Demográficos, Escala Visual Analógica, Questionário de Dor McGill, Questionário Beck de Depressão, Escala de Sintomas de Ansiedade na Dor e Questionário de Estratégias de Enfrentamento da Dor. Também responderam a três questões: a) Qual a diferença entre ser praticante e não-praticante de sua religião? b) Acreditar em entidade superior ou ter uma religião pode ajudar na dor? Como? c) Depois do aparecimento da dor, sua maneira de ver sua fé ou sua religião mudou? Como?

Resultados: As amostras diferiram quanto à idade e à escolaridade. P apresentou mais tempo de dor e NP maior intensidade. A comparação entre fatores não foi significante, porém as médias revelaram maiores escores de ansiedade cognitiva e sintomas leves de depressão. Os escores de Rezar/Esperar foram semelhantes, P utilizava mais Reinterpretação da Dor e Ignorar a Dor do que NP que utilizava mais a Catastrofização. O significado atribuído às práticas e crenças religiosas foi associado à presença e freqüência aos cultos, à compreensão dos ensinamentos e compromisso de utilizá-los, e, esteve relacionado à espiritualidade em conteúdos afetivos e míticos. Tornou-se, porém mais ambíguo em sua relação com a dor: incerteza se a dor era ou não de origem divina, dificuldades de compreensão, redução da espiritualidade e também o aumento desta.

Conclusões: Não houve diferenças significantes entre fatores sensoriais, afetivos e cognitivos entre P e NP. Talvez uma amostra maior e com maior controle demográfico, permitisse confirmar as diferenças observadas. Os significados atribuídos foram associados aos cultos, vinculados aos ensinamentos e relacionados à espiritualidade, porém, ficaram ambíguos na sua relação com a dor.

Referência: Underwood-Gordon L, Peters DJ, Bijur P, Fuhrer M. Roles of religiousness and spirituality in medical rehabilitation and the lives of persons with disabilities. A commentary. Am J Phys Med Rehabil 1997; 76(3):255-7


8.9 - CRISE DISSOCIATIVA OU PSEUDO-EPILÉPTICA: UM RELATO DE DOR EXPRESSA NO CORPO – Oral

Renemilda Cacique Barbosa de Góes, Bruno Kneip, Abouch V. Krymchantowisk, Antonio Egidio Nardi
Instituto de Neurologia Deolindo Couto

Introdução: O objetivo deste artigo é apresentar o caso de uma paciente de 33 anos, internada por quinze dias no Hospital Universitário de Neurologia Instituto Deolindo Couto-  UFRJ O diagnóstico diferencial foi realizado por uma equipe multidisciplinar, discutindo as possibilidades de tratamentos e de uma análise dos aspectos econômicos da epilepsia, não apenas o custo/beneficio e efetivo do tratamento, como as medidas psicossociais e os custos intangíveis que uma investigação diagnóstica produz. Paciente,sexo feminino relata apresentar crise convulsiva, crises de ausência e crises de difícil controle medicamentoso desde os cinco anos de idade. Várias internações, inclusive com suspeita clínica de esclerose múltipla. Chegou ao Instituto de Neurologia Deolindo Couto/URFJ,apresentando estado de mal epiléptico com convulsões subentrantes de início parcial à direita com generalização secundária. Estava em uso de fenobarbital e fenitoína. Apresentava-se lúcida, orientada e com hematomas decorrentes de punção venosa realizada em outro hospital.O exame neurológico mostrava ausência de reflexos patelares bilateralmente, paresia do membro superior e inferior direito, com desvio da comissura labial para direita e anestesia em todo o dimídio direito. Presenciamos alguns abalos com a cabeça e o tronco, quase sempre com os olhos semi-abertos, e abalos clônicos, rítmicos em face inferior à direita. Apresentou crises por período de 30 segundos, outras longas e histriônicas e ainda, crise parcial com movimentos clônicos em hemiface direita e com generalização secundária, com duração de 45 segundos. Realizada a TCC e a RNM, sem contraste, as duas com resultado normal. Nos últimos dias, a paciente apresentou crise leve focal e sem perda da consciência. Nos três últimos dias apresentou convulsões seguidas umas às outras, sem haver entre elas recuperação do nível de consciência. Paciente transferida para emergência, diante da possibilidade de ser necessário intubação orotraqueal e utilização de sedação profunda com midazolam, com objetivo de controlar as crises. Exames laboratoriais sem alteração. Paciente passou a apresentar apenas crises não focais e crises claramente dissociativas.  O vídeo-EEG corroborou o diagnóstico de crises pseudo-epilépticas. Paciente saiu assintomática, sem crises conversivas/dissociativas. Paciente continua em tratamento medicamentoso e freqüentando a terapia semanalmente, apresentando-se seis meses sem crises. Desfez a formação dos sintomas que se apresentavam no corpo e passou a expressar a sua dor pela linguagem. Papel da Psicanálise.

Referência: Máscaras da Histeria: Revista da FAPESP-2005. Epilepsia.


8.10 - A DOR NO CONTEXTO DA SAÚDE E DO TRABALHO - Pôster

Ciomara Maria Pérez Nunes, Felipe Cavalacanti Dourado, Pollyanne Bastos Calú, Tatiane Carneiro Araújo
UFMG

Introdução: A dor no contexto da saúde e trabalho absorve toda a complexidade dinâmica, mutante e perversa da civilidade humana. Passam os ciclos históricos e de produção, se modificam os desafios, e o ser humano mantém no trabalho sua fonte de identidade psicossocial, sua estruturação psíquica, seu lugar no mundo, ultrapassando para isso o sentido humanamente estrito da dor. O ciclo funcional da dor tem similaridade com os estágios do stress: reação de alarme; estágio de resistência ou adaptação; fase de exaustão. As ações terapêuticas ocupacionais se diferenciam em cada estágio, de cuidados com a saúde, dos riscos de adoecimento e do agravamento dos sintomas; da recolocação no trabalho e intervenção organizacional; da reabilitação profissional.

Metodologia: Transposição do conceito de stress para a avaliação, objetivos e programa de intervenção multidisciplinar no controle da dor com nexo causal com o trabalho. Estudo transversal de acompanhamento ambulatorial e em local de trabalho.

Conclusão: A representação psicossocial do corpo na interface com o trabalho, os mecanismos geradores da dor relacionada ao trabalho e as estratégias de enfrentamento do stress são a expressão da funcionalidade e da incapacidade. Os pressupostos causais da dor no trabalho e os mecanismos de promoção da saúde, prevenção do adoecimento, controle e reformulação do modo operatório acompanham as perspectivas da Terapia Ocupacional partir dos componentes da saúde organizados pela Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde CIF, da Organização Mundial de Saúde OMS. A evolução de controle do stress associada ao conceito da CIF OMS facilita a avaliação e programa de intervenção multidisciplinar no controle da dor com a participação da efetiva da Terapia Ocupacional.

Referência: NUNES, Ciomara M. P. & MELO, Andréa G. Terapia ocupacional e a dor no campo das relações entre saúde e trabalho.


8.11 - UM ESTUDO SOBRE INDICADORES QUE PODEM INTERFERIR NA ADESÃO AO TRATAMENTO INTERDISCIPLINAR - Oral

Adrianna Loduca, Rosane Mantilla, Renata Palaia, Manoel Teixeira
Universidade de São Paulo

Introdução: Uma das dificuldades do tratamento dos doentes com dor crônica é a falta de adesão ao tratamento interdisciplinar e, apesar de este ser um dos métodos mais efetivos para o manejo da dor, há poucos dados sobre o assunto na literatura nacional. 

Objetivo: Analisar a inserção da dor crônica na história de vida de indivíduos com dor crônica que participaram de um Programa Psicoeducativo (PP) de 12 semanas, na busca de indicadores que auxiliassem na compreensão da adesão ao tratamento interdisciplinar proposto em um Centro de Dor.

Método: Pesquisa qualitativa realizada em duas etapas, com sete doentes (IM=43 a) com dor não oncológica, iniciando tratamento interdisciplinar. Na primeira, foi avaliado como a dor se inseriu na história de suas vidas, e a participação de cada um no PP (inicio, durante e final). Os indicadores de êxito foram: fases de prontidão para mudança ,  padrões de convívio com a dor, VAS e  objetivos pessoais. A segunda etapa foi realizada dois anos após o término PP, revendo todos os parâmetros de avaliação e diversos aspectos da vida de cada indivíduo. A discussão da narrativa dos doentes baseou-se na análise de conteúdo.

Resultados: No início do PP a maioria estava na fase de contemplação, padrão dependência e o objetivo pessoal restrito a cura da dor. Durante o PP as expectativas e o convívio com a dor foram se modificando. Ao final todos referiram menor intensidade de dor, a maioria estava na fase de preparação, padrão repulsa e havia estabelecido meta pessoal desvinculada da dor.Após dois anos, a maioria encontrou-se na mesma fase e padrão do final do PP e todos haviam procurado concretizar as metas pessoais estabelecidas. Nenhum doente voltou a ter a mesma intensidade de dor referida no inicio do PP e seguiram os tratamentos propostos; os dois que tiveram uma recaída não atribuíram à piora ao tratamento, e sim a problemas psicossociais.

Conclusão: O PP melhora as incapacidades dos doentes e diminue intensidade de dor, entretanto há necessidade de maior enfoque na motivação  e  na afetividade dos doentes. Estes aspectos mostraram-se indicadores que interferem na adesão ao tratamento interdisciplinar.

Referência: Kerns, RD.; Rosenberg, R. Predicting responses to self-management treatments for chronic pain application of the pain stages of change model.Pain. 2000;(84):49-55.  .


8.12 - O ENFRENTAMENTO DA DOR POR MEIO DA ARTETERAPIA: RELATO DE QUATRO CASOS - Pôster

Agnaldo Lacerda S. Jr., Carolina B. de Paiva, Ana Cláudia A. Valladares, Andréa Amália C. Pimentel
HDT - GOIÂNIA

Introdução: Arteterapia é um modo de trabalhar utilizando a linguagem artística como base da comunicação paciente-profissional. Utiliza, para isso, as técnicas de desenho, pintura, modelagem, construções, sonorização, musicalização, dança, drama e poesia. É aplicada na avaliação, no tratamento, na profilaxia (prevenção), reabilitação e educação dos pacientes, inclusive naqueles com queixa de dor.

Relato de caso: Os pacientes foram avaliados antes e depois das atividades pela escala de dor de faces dando notas de 0 a 5. 1) Criança do sexo masculino de 7 anos internado com meningite bacteriana aguda no HDT e representando plasticamente a sua dor. 2) Criança do sexo feminino de 8 anos internado com Calazar (leishmaniose visceral) no HDT e representando plasticamente a sua dor. 3) Criança do sexo feminino de 10 anos internado com meningite bacteriana aguda no HDT e representando plasticamente a sua dor. 4) Criança do sexo masculino de 8 anos internado com meningite viral aguda no HDT e representando plasticamente a sua dor.

Discussão: A arteterapia na saúde tem como objetivos: Diminuir o tempo de trabalho terapêutico devido à diminuição da transferência. Tornar o paciente ativo e mais criativo, mais independente. Utilizar a comunicação não-verbal, aumentando a comunicação plena. Desenvolver maior adaptação, flexibilidade e originalidade. Influenciar no dia-a-dia relacionando harmonia e senso estético com maneiras equilibradas de viver. Todos os pacientes acima referidos que se queixavam de dor, a nota pela escala de faces caiu em pelo menos 3 unidades. A população pediátrica é a que mais facilmente aceita essa outra forma de lidar com a doença, pois a expressão da dor em forma de arte possibilita ao paciente descarregar os seus sentimentos interiores na sua obra, além de ser uma atividade lúdica que capta a atenção dos pacientes.

Conclusão: A arteterapia então vem com o intuito de ser um auxiliar no tratamento de pacientes com queixas álgicas e por meio das atividades plásticas que eles desenvolvem, as suas atitudes se tornam mais confiantes. O enfrentamento da dor se tornou menos angustiante nos pacientes referidos e a sua saída do ambiente hospitalar foi menos traumática como de costume.

Referência: NAINIS, Nancy et al. Relieving Symptoms in Cancer: Innovative Use of Art Therapy. J Pain Symptom Manage.


9.2 - INDICADOR DE DOR COMO QUALIDADE ASSISTENCIAL EM SERVIÇO DE EMERGÊNCIA - Pôster

Rafaela A. M. Caliman, Maria F. Z. Gatti
Hospital Samaritano - SP

Introdução: A dor é uma das principais causas que leva o indivíduo a procurar um serviço de emergência.  Estudos revelam que muitas vezes não se faz a indicação correta do fármaco ou dá-se preferência ao monitoramento da dor até que se conheça o diagnóstico médico. Com objetivo de caracterizar o gerenciamento da dor em um serviço de emergência realizamos um estudo descritivo, em hospital privado de São Paulo, de 09/2007 a 06/2008. Os dados foram obtidos de 912 prontuários, com análise do índice de avaliação, prevalência e tipo de dor, prescrição farmacológica, reavaliação na alta e transferência e avaliação do processo de gerenciamento da dor, para os enfermeiros. Foram avaliados 896 pacientes (98,2%), com idade média de 56,4 anos, 42,7% do sexo masculino e 57,3% feminino. A prevalência da dor foi de 51,6%, destes, 48% apresentava dor visceral, 23,6% músculo-esquelética, 5,7% neuropática, 0,6% oncológica e 22,1% outros tipos de dor. Receberam tratamento com analgésico e/ou antiinflamatório 41% dos pacientes. Para os demais (10,6%), foram utilizadas outras classes de medicamentos (ansiolíticos, anticoagulantes), medidas não farmacológicas (compressa fria e quente, posicionamento, controle de luminosidade e ruídos) e procedimentos (lavagem intestinal). Na alta hospitalar, 81% dos pacientes não apresentava dor, 11,3% dor leve, 6,7% moderada e 0,9% intensa. Na transferência, 78,3% sem dor, 11,4% dor leve, 7,7% moderada e 2,6% intensa. O gerenciamento da dor foi considerado eficaz para 91% dos pacientes. O gerenciamento ineficaz (9%) diz respeito ao intervalo prolongado para a reavaliação após a administração do analgésico, à ausência de registro da reavaliação no momento da transferência ou da alta, à ausência de avaliação (1,8%) e aos casos de alta com dor intensa.

Conclusão: Concluímos que diversas medidas foram utilizadas para o tratamento da dor e, sob a ótica dos enfermeiros, o gerenciamento é eficaz. A capacitação da equipe, o feed back do próprio indicador e o treinamento periódico são poderosos aliados no gerenciamento da dor. Por meio dos indicadores é possível analisar os processos, o que viabiliza a identificação das dificuldades e possibilita a implantação de melhorias que sejam adequadas às características de um serviço de emergência.

Referência:    Teixeira MJ. Dor: contexto interdisciplinar 1ª ed. Curitiba: Maio; 2003.


9.3 - AVALIAÇÃO E CONTROLE DA DOR NO INSTITUTO NACIONAL DE TRAUMATOLOGIA E ORTOPEDIA - Pôster

Márcio C. Rondinelli, Waleska  C. Sampaio, Jamila F. M.  Santos, Juliane M. Antunes
Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia

Resumo: O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), desde 1999, através da criação da Área de Tratamento e Controle da Dor (AR. DOR), implementa a ação do registro da dor como 5º Sinal Vital e aplicação do protocolo analgésico correspondente, favorecendo uma assistência de qualidade e  proporcionando o máximo de alívio da dor e consequentemente seus benefícios. A estratégia de mensuração da dor no INTO acompanha todo o ciclo do paciente no hospital, desde sua internação até a alta. Este artigo se propõe a avaliar a similaridade do registro da enfermagem plantonista* e a equipe de enfermagem da Clínica da Dor; descrever a adesão da equipe médica ao protocolo analgésico e seus resultados; e identificar os Centros de Atenção Especializada** que tiveram maior prevalência de pacientes com dor. Para tanto avaliamos 100 prontuários escolhidos aleatoriamente incluindo todas as especialidades ortopédicas atendidas no hospital, utilizamos formulário próprio para coleta de dados. Os resultados apresentados nesta pesquisa vieram a comprovar a resolutividade e eficácia da Clínica em questão, corroborando para qualificação da reabilitação do paciente. Além disso, verificamos a aplicabilidade do protocolo analgésico instituído no hospital.


9.4 - IMPORTÂNCIA DA AVALIÇÃO CLÍNICA E INVESTIGAÇÃO DA CAUSA DA DOR CRÔNICA EM PACIENTE COM CÂNCER - Pôster - Moreno C. B. Fabíola, Claro S.

Flavia, Oliveira Roselene, Cavalcanti Ismar
Instituto Nacional do Câncer

Introdução : Homem, 53 anos anos, portador de adenocarcinoma de esôfago, foi submetido a esôfagogastrectomia sob anestesia geral e peridural contínua, evolui com dor lombar crônica de características neuropáticas. Conseguido controle da dor com metadona 5mg 12/12h e amitriptilina 25mg. Após investigação diagnóstica da causa da dor foi diagnosticado espondilodiscite.

Relato de caso: Homem, 53 anos admitido no INCA  com quadro de dor abdominal e perda ponderal, diagnosticado Adenocarcinoma de esôfago em junho/2007. Submetido a esôfagogastrectomia sob anestesia geral e peridural em outubro do mesmo ano. Após 1 mês iniciou quadro de dor lombar contínua, em aperto, piora ao movimento irradiando para membros inferiores com sensação de formigamento. Realizada Ressonância Nuclear Magnética de coluna lombo-sacra diagnosticado processo degenerativo entre L5-S1. Tratado com cetoprofeno, dipirona e fisioterapia. Em fevereiro de 2008 , é atendido pela 1ª vez na clínica dor, ainda referindo dor pela escala visual analógica (EVA=7), tendo como conduta terapêutica: Paracetamol 500mg + codeína 30mg  VO 4/4h, baclofeno 10mg/noite, dipirona SOS e solicitada nova RNM .Retorna com dor EVA=10, sendo mudada a medicação para metadona conseguindo o controle da dor com 5mg de 12/12h e associação de amitriptilina 25mg/dia (EVA=0). Nova RNM de Coluna Torácica e Lombo-Sacra (02/05/08) mostra redução do espaço intersomático de D12-L1, colapso parcial destas duas vértebras, extenso processo infiltrativo pré e para-vertebral de D11 a L2, compressão do saco dural dando a impressão diagnóstica de Espondilodiscite. Paciente foi internado e submetido à biópsia paravertebral guiada por TC, Gram do fragmento biopsiado com raros polimorfonucleares, BAAR do escarro e fragmento negativos, sendo encaminhado material para cultura. Descartado abordagem cirúrgica pela neurocirurgia. Tratado empiricamente para BK com esquema RIP ( Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida). Recebeu alta em tratamento seguindo em acompanhamento ambulatorial enquanto aguarda resultado das culturas.

Discussão: Este caso reforça a importância da avaliação clínica e investigação diagnóstica da dor crônica que neste relato se mostrou fundamental, pois evitou danos maiores ao paciente e principalmente pela grande probabilidade da causa da dor ser tratável e curável.

Referência: C H Burton, S A Fairham, B Millet, R DasGupta, and  Sivakumaran. Unusual aetiology of persistent back pain in a patient with multiple myeloma: infectious discitis. J Clin Pathol. 1998 August; 51(8): 633-634.


9.5 - COMPARAÇÃO DE DUAS ESCALAS DE MEDIÇAÕ DE DOR PARA CRIANÇAS: O EFEITO DA PRESENÇA DE LÁGRIMAS E SORRISOS NAS ESCALAS DE FACES - Pôster

Claudia Charry P., Joseane dos Santos, José Aparecido S.
USP

Introdução: A escala de faces é um instrumento freqüentemente utilizado na mensuração da intensidade da dor em crianças. Existe atualmente uma grande variedade de formatos disponíveis. O presente estudo pretendeu avaliar o possível viés que podem apresentar as pontuações das crianças quando são aplicadas escalas que contem sorrisos e lágrimas nas faces extremas. Participaram 91 crianças de escolas públicas e privadas da cidade de Ribeirão Preto, com idades entre 6 e 10 anos. As crianças avaliaram uma experiência de dor rememorada na Faces Pain Scale Revised (FPS-R), Escala de Faces da Claro (EFC) e Coloured Analogue Scale (CAS). O primeiro é um instrumento que apresenta faces extremas neutras; o segundo instrumento foi elaborado no Brasil com desenhos do programa Turma da Mônica, e apresenta sorrisos e lágrimas nas faces extremas; e finalmente, o terceiro é um instrumento similar a uma escala analógica visual que possui uma gradação de cor. Os resultados mostraram uma boa correlação entre as pontuações da FPS-R e da EFC, e entre estas e a CAS. Na comparação das pontuações da FPS-R e da EFC, o Teste de Wilcoxon mostrou que existem diferenças e que as pontuações da EFC tendem a ser maiores. Estes dados confirmam os resultados de estudos prévios sobre a tendência das escalas que apresentam sorrisos e lágrimas a produzir valores mais elevados do que aquelas que apresentam faces mais neutras.

Referência: Hicks C, Von Baeyer C, Spafford P, Van Korlaar I, Goodenough B. The Faces Pain Scale  - Revised: toward a common metric in pediatric pain measurement. Pain 2001; 93(2): 173-183..


9.6 - DOR CRÔNICA E SUAS REPERCUSSÕES PSICOSSOCIAIS - Pôster

Mariana Nogueira, Antonio Sergio B. Cavalcanti
Santa Casa de Misericórdia de Mogi Guaçu

Introdução: A dor crônica gera muitas repercussões na vida dos indivíduos, causando prejuízos na área social, familiar e profissional. Diante disso, é freqüente a presença de depressão, ansiedade e desesperança em pessoas que sofrem de dores crônicas. Objetivos: avaliar depressão, ansiedade e desesperança em pacientes com dor crônica e identificar as repercussões geradas pela dor nas áreas de vida desses indivíduos.

Método: O presente estudo foi realizado no ambulatório de neurocirurgia funcional, esterotaxia e dor da Santa Casa de Misericórdia de Mogi Guaçu. Foram avaliados 8 sujeitos com dor crônica há pelo menos 3 meses. Eles responderam ao Inquérito de dados demográficos, ao Inventário de Depressão de Beck, ao Inventário de Ansiedade de Beck, ao Inventário de Desesperança de Beck e a perguntas sobre as áreas social, familiar e profissional de suas vidas.

Resultados: Os sujeitos apresentaram pontuações elevadas nos Inventários de Depressão, Ansiedade e Desesperança de Beck. Todos os doentes relataram que a dor gerou prejuízos na área profissional, 50% deles referiram-se á vida social como empobrecida. Em relação à área familiar 75% revelou problemas no relacionamento familiar.

Conclusão: Os resultados revelaram que a dor gerou repercussões importantes nas áreas sociais, familiares e profissionais das vidas destes indivíduos o que refletiu em elevados escores no Inventário de Depressão, Ansiedade e Desesperança de Beck.


9.7 - CARACTERÍSTICA EPIDEMIOLÓGICA DE PACIENTES ATENDIDOS EM UMA CLÍNICA PARTICULAR DO RIO DE JANEIRO - RJ - Pôster

Artur P. Gosling, Patricìa D. Suassuna, Alexandre C. do Amaral
Centro Multidisciplinar da Dor

Introdução: A dor é uma das principais causas de incapacidade parcial ou total, transitória ou permanente. Traçar o perfil dos pacientes com dor atendidos no consultório de uma clínica particular do Rio de Janeiro / RJ é o objetivo deste estudo.

Método: Foi desenvolvido um estudo retrospectivo, através de pesquisa de prontuários dos pacientes atendidos no ambulatório do Centro Multidisciplinar da Dor, no período de 01 de maio de 2000 a 31 de abril de 2004. Como instrumento de pesquisa foi elaborado um roteiro para transcrever as informações contidas nos prontuários com relação à idade, sexo, tempo de dor, diagnóstico, tempo de tratamento e tipos de tratamentos realizados. A investigação estatística foi através de um inquérito de prevalência com descrição das freqüências pontuais das variáveis do estudo.

Resultados: Foram avaliados 631 prontuários. 66,40% são do sexo feminino e 33,59% masculino. A idade variou entre 04 e 94 anos, apresentando maior concentração entre 40 e 49 anos (24,88%). O diagnóstico de maior incidência foi lombalgia (20,28%), seguido de síndrome dolorosa miofascial (7,92%), cefaléia (7,76%), cervicalgia (5,22%) e fibromialgia (3,80%). 12,51% apresentavam dor superior a 10 anos. 32,96% trataram-se por um período de 11 meses e 38,66% aderiram aos tratamentos médico, fisioterapia e acupuntura.

Conclusão: Identificar as características da população que procura uma clínica de dor nos permite planificar programas de tratamento especializados visando uma melhor intervenção para este coletivo

Referência: IASP- Sociedade Internacional para o Estudo da Dor. Sociedade Brasieleira para estudo da dor. Disponível em: <www.dor.org.br>. Acesso em: 28 de julho 2008.


9.8 - DOR MAL CARACTERIZADA NOS PRONTUÁRIOS DE UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO - Pôster

Carolina Iracema O. Rego, Ioana Russei, Ana Caroline V. Aurione, Adriana S. Freire
UFG

Introdução: Dor é definida pela Sociedade Internacional para o Estudo da Dor (IASP) como uma experiência sensitiva emocional desagradável relacionada à lesão tecidual ou descrita em tais termos. Trata-se de uma manifestação subjetiva muito comum, que envolve mecanismos físicos, psíquicos e culturais. Desde os primórdios, o homem vem, progressivamente, procurando compreender as causas da dor com a finalidade de livrar-se dela. Todas as pessoas, de um modo geral, sabem o que é dor. Entretanto, geralmente, é difícil para alguém descrever a própria dor e impossível conhecer exatamente a experiência de dor de outra pessoa. E devido a essa dificuldade, na formação da disciplina de Semiologia Médica, aprendemos uma metodificação para a caracterização da dor dos pacientes. Segundo PORTO, a dor deve ser caracterizada em localização, irradiação, intensidade, duração, qualidade ou caráter, evolução, relação com funções orgânicas, fator desencadeante ou agravante, fatores atenuantes e manifestações concomitantes. Com a descrição completa de todas essas características fica muito mais simples entender a subjetividade da dor de cada paciente.

Método: Foram analisados 82 prontuários do Serviço de Oncologia de um hospital público a fim de analisar como a dor estava sendo caracterizada pelos médicos do serviço. Este serviço foi escolhido porque poucos estudantes têm acesso ao preenchimento destes prontuários.

Resultados: Nenhum dos prontuários apresentava a caracterização completa da dor. A maioria havia relatado apenas que o paciente queixava-se de dor e a localização da mesma. Muitas vezes a referência a dor era acompanhado do termo paciente poliqueixoso.

Conclusão: Diante da realidade dos prontuários deste serviço conclui-se que a dor, uma manifestação tão importante e difícil de interpretação está sendo menosprezada por médicos, mesmo sabendo que os pacientes oncológicos são comprovadamente grandes conhecidos da dor. É difícil saber onde está a origem deste erro grosseiro dos profissionais. Talvez um erro na formação semiológica, talvez um erro adquirido com a prática médica, mas com certeza um erro prejudicial ao paciente e ao relacionamento médico-paciente.

Bibliografia: Carvalho MMMJ, organizadora. Dor: um estudo multidisciplinar. São Paulo: Summus; 1999.


9.9 - UMA ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR NO TRATAMENTO DA DOR NO HOSPITAL DOS SERVIDORES DO ESTADO RIO DE JANEIRO ? RJ - Pôster

Patricia D. Suassuna, Alexandre C. do Amaral, Artur P. Gosling
Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro

Introdução: A dor é uma das mais freqüentes razões das consultas médicas no Brasil, principalmente nos serviços públicos. O paciente apresenta características que abrangem a dimensão física, emocional e social. Objetivando tratar este paciente e treinar os profissionais de saúde no manejo do paciente com dor foi criado o ambulatório de Neurocirurgia Funcional do Hospital Servidores do Estado (HSE).

Método: O Serviço foi criado há aproximadamente um ano. A equipe é composta por médicos, psicóloga e fisioterapeutas que voluntariamente atendem 01 vez por semana oferecendo assistência nas suas áreas, além de grupos de sala de espera e de relaxamento. Na primeira consulta é realizada uma avaliação multidimensional que, gradativamente foi implantada, e engloba vaiáveis sóciodemográficas, escala de ansiedade (BAI), depressão (BDI), Qualidade de vida (SF36) e de dor (multidimensional - Macgill, e unidimensional Escala Analógica Visual e a Escala Verbal de dor).

Resultados: Foram realizados 160 atendimentos. 58,70% são do sexo feminino e 41,30% masculino. A idade variou entre 18 e 77 anos, apresentando maior concentração entre 41 e 50 anos (33,75%). O dianóstico de maior incidência foram as lombalgias e lombociatalgias com 46,52%, cevicalgias 20,40%, fibromialgia 6,02% e outras 11,16%. 28,88% apresentaram grau de ansiedade grave, 26,60% moderado, 22,00% mínimo e 6,60% leve. 40,62% apresentam depressão moderada, 34,37% depressão mínima, 12,50 % depressão leve e 9,36% depressão grave. Com relação à escala verbal de dor 26,66% consideraram como insuportável 26,66% grave, 26,66% moderada e 8,8% fraca. A escala visual analógica apresentou maior porcentagem na pontuação 8 (oito) com 24,44 %. No SF36 as maiores limitações foram nos domínios dor, limitação por aspectos físicos e estado geral de saúde.

Conclusão: O ambulatório de neurocirurgia funcional direciona a sua atuação no tratamento do paciente com dor crônica. Atua e prega a visão da interdisciplinaridade promovendo a individualização do tratamento e uma abordagem mais completa.

Referência: IASP- Sociedade Internacional para o Estudo da Dor. Sociedade Brasieleira para estudo da dor. Disponível em: <www.dor.org.br>. Acesso em: 28 de julho 2008.


9.10 - PERFIL DA DOR EM IDOSOS COM CÂNCER ATENDIDOS EM UM SERVIÇO ESPECIALIZADO EM DOR ONCOLÓGICA DE SÃO LUÍS-MA - Pôster

Leite, D. R. B, Carvalho, P. M, Nogueira, R. T. E, Costa, M. H. A
São Luís - MA

Introdução: Na ultima década o número de idosos no Brasil cresceu por volta de 17%. Hoje a população brasileira de idosos chega a 14,5 milhões. A população nesta faixa etária encontra-se mais suscetível ao surgimento de cânceres e apresenta um grande número de pacientes com dor oncológica. Hoje o câncer é a segunda causa de morte entre os idosos, sendo que 67% de todas as mortes por câncer ocorrem entre os pacientes acima de 60 anos. Devido a esse quadro, a avaliação da dor oncológica em pessoas idosas tem despertado cada vez mais interesse da comunidade científica. Em consonância com isso, este trabalho tem por objetivo descrever o perfil de dor em pacientes idosos com câncer, comparando-os aos não-idosos.

Metodologia: Consultaram-se os prontuários de 87 pacientes atendidos no ambulatório de dor oncológica de um centro de referência em câncer em São Luís-MA, entre janeiro de 2007 e julho de 2008. Destes, 28 eram idosos (> 60 anos) e 59 não-idosos (até 60 anos).  Foram estudadas as variáveis: intensidade verbal, periodicidade e duração da dor, alteração dos movimentos e do sono. Comparou-se o grupo de idosos ao grupo de não-idosos. Utilizou-se o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) v.10.0 para a análise de dados, com a aplicação do qui-quadrado para comparações das variáveis.

Resultados: Dentre os pacientes idosos, 67,9% eram do sexo feminino, 22,2% eram negros, 23% eram analfabetos, apenas 25% estava em atividade e 51,3% apresentavam dor crônica (duração > 6 meses). Comparando-se o grupo de idosos com o de não-idosos, não se observaram diferenças estatisticamente significativas quanto à intensidade (intensa em 51,9% contra 42,2%), periodicidade (intermitente em 60,0% contra 65,4%) e irradiação da dor (irradiava em 50,0% contra 55,9%). A alteração do sono esteve presente em 32,1% dos idosos, contra 50,8% dos não-idosos (p = 0,105).

Conclusão: Na população estudada, não houve diferença estatisticamente significativa entre idosos e não-idosos quanto à duração, intensidade, periodicidade e irradiação da dor. Houve tendência à menor associação da alteração do sono, importante dado avaliador da qualidade de vida, aos idosos, quando comparados aos não-idosos.

Referência: Bernabei R, Gambassi G, Lapane K, et al. Management of pain in elderly patients with cancer.


9.11 - DIFERÊNÇA DA AVALIAÇÃO DE DOR ONCOLÓGICA ENTRE PACIENTES E SEUS CUIDADORES - Pôster

João B. S. Garcia, Luciana S. Silva, Letácio S. G. Ferro, Rafaela A. Pessôa
IMOAB

Introdução: O manejo da dor corresponde a um aspecto crítico do tratamento de pacientes com neoplasias. Várias dificuldades são encontradas, destacando-se a limitação na avaliação da dor em pacientes com doença avançada devido a dificuldade na comunicação, o que coloca o cuidador como fonte essencial de informação.

 Objetivo: O objetivo deste estudo é identificar se há concordância na avaliação da dor entre pacientes com câncer e seus cuidadores. Foram incluídos 40 pacientes, os quais foram submetidos, juntamente com seus cuidadores, a um questionário demográfico e ao Questionário Resumido de Dor (QRD). Foi avaliada correlação dos escores de dor entre pacientes e cuidadores obtidos no QRD. Para identificar a congruência entre as avaliações foi utilizado o item dor neste momento, considerando-se não-congruente uma diferença entre escores de dor maior que um. A amostra foi dividida em dois grupos (Congruentes e Não-Congruentes), fazendo-se em seguida, a comparação em cada um dos grupos quanto as variáveis demográficas e escores de dor na QRD. No grupo dos não-congruentes, os cuidadores tiveram avaliação considerada superestimada ou subestimada, sendo posteriormente avaliados quanto às características demográficas.

Resultados: Foi observada correlação positiva na percepção da dor entre pacientes e cuidadores nos itens pior dor e dor neste momento. Houve congruência em 50% dos casos. Não foi detectada diferença entre os grupos quanto às variáveis demográficas. Pacientes do grupo não-congruente relataram maiores escores de dor e cinqüenta por cento (50%) dos cuidadores deste grupo superestimaram a dor dos pacientes. Filhos e netos mais comumente superestimaram a dor, enquanto que os cônjuges subestimaram, entretanto estes dados não alcançaram significância estatística.

Conclusão: Conclui-se que neste estudo foi detectada correlação positiva para os itens pior dor e dor neste momento, 50% de congruência entre pacientes e cuidadores, não sendo identificada diferença entre os grupos estudados quanto as características demográficas e por fim, no grupo dos não-congruentes, a avaliação dos pacientes apresentou escores superiores de dor nos itens menor dor e dor neste momento, além de superestimação da dor em 50% das avaliações.

Referência: REDINBAUGH, Ellen M. et al. Factors Associated with the Accuracy of Family Caregivers Estimates of Patient Pain. J Pain And Symptom Management, New York: v.23, p.31-38, 2002.


9.12 - PERFIL DA DOR EM PACIENTES COM ALTERAÇÃO DO SONO EM AMBULATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOR CRÔNICA NO MARANHÃO - Pôster

Leite, D. R. B, Nogueira, R. T. E, Carvalho, P. M, Véras, D. S
São Luís - MA

Introdução: A alteração do sono é freqüentemente observada entre indivíduos com dor crônica. Estes indivíduos têm quatro vezes mais chances de apresentar alteração do sono que os indivíduos sem dor, estando este sintoma associado à piora da qualidade de vida. Neste estudo buscamos identificar fatores álgicos associados aos pacientes com alteração do sono, descrevendo suas possíveis diferenças do grupo sem essa alteração.

Método: Retrospectivamente, foram analisados os prontuários dos 118 pacientes atendidos no período de janeiro de 2004 a julho de 2008 no Ambulatório de Dor Crônica de um Hospital Universitário em São Luís-MA. Comparou-se o grupo com alteração do sono (25,2%) com o grupo sem alteração do sono (74,8%), a partir de diferentes descritores. Utilizou-se o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) v.10.0, com a aplicação do qui-quadrado, para comparações das variáveis.

Resultados: Não houve diferença estatisticamente significante (p >0,1) entre os grupos estudados quanto à presença de alteração do sono em relação ao sexo (29,4% das mulheres e 19,8% dos homens), idade (33,3% dos idosos e 23,9% dos não-idosos) e intensidade da dor (29,5% dos pacientes com dor leve a moderada e 24,2% dos com intensa). Houve uma tendência à associação entre a alteração do sono e os não-negros (58,6% contra 28,6% dos negros; p =0,153). Dos pacientes com alteração do sono, 37,9% apresentava irradiação da dor, enquanto que esse valor chegou a 68,5% no grupo dos que não referiam tal alteração (p =0,003). Quando a dor impedia os movimentos, em 60% dos casos também alterava o sono, enquanto que quando analisamos o grupo sem restrição à movimentação, esse valor cai para 10,7% dos casos (p <0,001).

Conclusão: Na população estudada observou-se uma menor proporção de irradiação da dor naqueles com alteração do sono, quando comparados ao grupo sem alteração do sono. Houve associação positiva entre a presença de alteração do sono e restrição à movimentação e uma tendência à menor associação entre a cor negra e a alteração do sono. Não houve diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos quanto ao sexo, idade, intensidade e tempo de dor.

Referência: Teixeira MJ, Yeng LT. Anormalidades do sono e dor.


9.13 - UTILIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE PELOS PACIENTES COM DORES CRÔNICAS ? ESTUDO DE BASE POPULACIONAL - Pôster

Juliana B. de Souza, Alain Vanasse, Serge Marchand
GROUPE PRIMUS - UNIVERSITÉ DE SHERBROOKE - CANADÁ

Contextualização: A dor é um indicativo de saúde e sua prevalência vem caraterizando-a como um problema de saúde pública em países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Além do impacto biopsicosocial da dor crônica na vida do paciente, economicamente ela também abala nossa sociedade, entre outros pela frequência na utilização de serviços de saúde. Embora diversos estudos comparem a utilização dos serviços de saúde entre algunas síndromes e sujeitos sadiaos, desconhece-se estudos que comparem a utilização de serviços entre diferentes tipos de síndromes. A descrição da utilização dos serviços de saúde é de utilidade tanto dos profissionais de saúde, quanto de políticos e administradores envolvidos no planejamento da saúde.

 Método: Para nosso estudo de base populacional, utilizamos dados de um inquérito canadense de saúde (Canadian Community Health Survey) realizado no ano de 2005. Derivados das variáveis originais do banco de dados, 7 grupos de indivíduos foram formados: saudáveis (S); fibromialgia(FM), lombalgia (LB), artrires e reumatismos, síndrome do cólon irritável (SCI),  enxaqueca e pacientes com comorbidades(COM). Através de MANOVA os grupos foram comparados em função de variáveis sociodemográfica e frequência de consultas a diversos profissionais da saúde. Para analyse de regressão esta última variável foi dicotomizada.

Resultados: 58% da amostra relatou sofrer de dor crônica. Os paientes com dor crônica consultam quase 3 vezes mais que os indivíduos sadios. Há uma diferença significativa entre os grupos de dor crônica e sujeitos sadios na frequência de utilização do sistema de saúde (F6; 57868=259.118; p<0.001).  Pacientes COM consultam mais que pacientes com uma síndrome de dor (p<0.001) e consultam 4,82 (CI: 4.33; 5.37) vezes mais  médicos generalistas que os sujeitos sadios Médicos especialistas e psicólogos são mais procurados por pacientes com SCI e COM (todos os p<0.01). FM conslutam mais enfermeiras e LB consultam predomiantemente chiropratas.

 Conclusão: Comparado aos sujeitos saudáveis, os pacientes com dores crônicas utilizam significativamente mais os services de saúde.


9.14 - ASSISTÊNCIA DOMICILIAR VERSUS SOBREVIDA: ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NO SERVIÇO DE TERAPIA DA DOR E CUIDADOS PALIATIVOS DA FUNDAÇÃO CECON - RELATO DE CASO - Pôster

Cavalcante Liduina M, Azevedo Maria N. C, Assis Ana J. B, Cardoso Mirlane G. M
Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas

Introdução: Os cuidados paliativos compreendem a assistência global e ativa dos pacientes cuja doença não responde a tratamento curativo seja no domicílio, hospital ou hóspices. Os pacientes oncológicos com doença avançada apresentam outros sintomas além da dor, e cabe ao enfermeiro estar capacitado para auxiliar a equipe, pois a literatura demonstra que 50-55% desses pacientes,  preferem o atendimento domiciliar. Estudo recente (2005) registrou os tumores mais freqüentes tratados em domicilio destacando o relevante custo-beneficio deste atendimento, são eles: tumores colo-retais, carcinoma broncogênico, ósseo e neoplasias de orofaringe. Pretende-se identificar os problemas que comprometem o estado geral de uma paciente com câncer avançado, em acompanhamento domiciliar pela equipe multidisciplinar do STDCP/ FCECON.

Relato de caso: A.C.V. 67 anos, casada, costureira, ensino fundamental, portadora de adenocarcinoma de retosigmóide com invasão angio-linfática, submetida à retosigmoidectomia, considerada fora de possibilidade de tratamento. Admitida no STDCP em 16/01/06,  na 1ª visita estabeleceu-se o diagnóstico: paciente acamada, com colostomia funcionante, apresentando caquexia, astenia, insônia, lesão purulenta em região inguinal D e sem dor. Foram repassadas orientações nutricionais e hídricas, de higiene corporal, movimentação ativa e passiva no leito, curativo em região inguinal. Evoluiu com escara em região sacra, dermatite na borda da colostomia e escabiose. Nas visitas seguintes: maior interação familiar, fechamento da escara e redução da úlcera inguinal, deambulação com muletas e melhora dos sintomas. Na 21ª visita apresentou edema em MID, recidiva da úlcera inguinal.

Conduta: elevação de MID movimentação passiva, higiene corporal e intima com banho de assento, curativos com açúcar e fibrase intercalados, mudança de decúbito, hidratação da pele. Evoluiu com ganho de peso e funções fisiológicas normais e colostomia funcionante sem hiperemia nas bordas. Na 36ª   iniciou-se acompanhamento psicológico. Atualmente a paciente se mantém com controle dos sintomas e sem dor, resultados obtidos após 40 visitas de enfermagem, 55 visitas médicas, 15 visitas psico-espirituais, 1 visita social.

Discussão: O relato retrata a rotina da enfermagem dentro da equipe multiprofissional do STDCP/FCECON de forma qualificada e humanizada, que contribuíram para a redução das complicações vivenciadas pela paciente e de sua família oferecendo uma melhor qualidade de vida e aumento de sobrevida.

Referência: MORAES, T M; Atuação do enfermeiro na dor oncológica. In: Dor 5 sinal (2004).


9.15 - AVALIAÇÃO BIOMECÂNICA FUNCIONAL EM PACIENTES DO AMBULATÓRIO DE DOR DA FUNDAÇÃO CENTRO DE CONTROLE DE ONCOLOGIA DO AMAZONAS Pôster

Araújo Vânia M. C, Ferreira Vanessa C. B, Cardoso Mirlane G. M, Santos Eronildes A.
Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas

Introdução: A biomecânica funcional exige suportes dinâmico e estático contra forças gravitacionais significativas. Nos doentes com dor oncológica, porém, estas funções não são realizadas satisfatoriamente, pois adquirem hábitos e padrões que alimentam sua dor evidenciando a perda de informações sobre o funcionamento normal do seu próprio corpo. Este estudo tem como objetivo aplicar o modelo da avaliação biomecânica funcional do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, modificado para os pacientes do Ambulatório de Dor da Fundação Centro de Controle de Oncologia (FCECON).

Materiais e métodos: Participaram deste estudo 110 pacientes, com faixa etária de 20 a 80 anos. A avaliação foi constituída de dois momentos, denominados momento 1 (M1) e momento 2 (M2) realizados com um intervalo de três horas de diferença. Cada momento foi dividido em duas etapas: na primeira etapa foi realizada a entrevista e na segunda etapa foi realizada observação das atividades funcionais da vida diária. Para testar a aplicabilidade da avaliação, as freqüências dos testes funcionais nos M1 e M2 foram distribuídas em 4 grupos: Grupo 1: executaram todas as atividades nos M1 e 2; Grupo 2: não executaram algumas das atividades nos dois Momentos; Grupo 3: executaram as atividades no M1, porém no M2 não executaram uma das atividades alcançadas no M1 e Grupo 4: não realizaram uma ou duas atividades no M1, mas no M2 realizaram tais atividades.

Resultados: A análise estatística dos dados constatou que 92 (84%) dos avaliados mantiveram as respostas no M2, enquanto apenas 18 (16%) mudaram as respostas no M2. A análise dos testes funcionais entre os dois momentos obteve os seguintes resultados: G1: 41 (37%) executaram todas as atividades; G2: 58 (53%) sujeitos não executaram algumas das atividades nos dois Momentos; G3: 7 (6%) executaram as atividades no M1, porém no M2 não executaram uma das atividades alcançadas no M1; G4: 4 (4%) não realizaram uma ou duas atividades no M1, mas no M2 realizaram tais atividades.

Conclusão: Conclui-se, que o modelo de avaliação biomecânica funcional apresenta aplicabilidade e sensibilidade para detectar alterações no desempenho das tarefas funcionais nos paciente sob tratamento no Ambulatório da Dor da FCECON, pois exibiram correlações estatisticamente significativas na amostra estudada. Firmando, dessa forma, a importância do fisioterapeuta como membro de uma equipe multidisciplinar para tratamento da dor oncológica.

Referência: FERNANDES & BERTOLUCCI. Avaliação biomecânica funcional na dor crônica músculo-esquelética (2006). (2001).


9.16 - INVESTIGAÇÃO DAS EXPECTATIVAS DA CLIENTELA DE UM CENTRO MULTIDISCIPLINAR PRIVADO DE DOR DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO - Pôster

Lícia M. de V. Saadi, Alexandre C. do Amaral, Artur P. Gosling, Rogério F. Emygdio Centro Multidisciplinar da Dor

Introdução: Dor é uma experiência subjetiva, única e pessoal. O impacto nas diferentes dimensões produz um sofrimento próprio individual. Na abordagem interdisciplinar, é fundamental conhecer as expectativas dos pacientes para com o tratamento da dor, tendo isso como parte fundamental do processo de reabilitação.

Objetivo: Identificar o perfil de pacientes de um centro multidisciplinar privado para tratamento da dor crônica e suas expectativas quanto ao tratamento.

Método: Foram avaliadas as fichas preenchidas por 113 pacientes de primeira vez, sendo colhidos os seguintes dados: sexo, profissão, idade, diagnóstico, motivo pelo qual veio à clínica e o que espera do tratamento. Foi realizada a estatística descritiva e o teste estatístico não paramétrico de Qui-quadrado.

Resultados: A idade dos pacientes variou de 21 a 88 anos com média de 51,72 anos e 16,96 (DP), 67,3% do sexo feminino e 32,7% do sexo masculino. Estado civil: 8.9% viúvos, 25,7% solteiros, 10,6% divorciados, 54.9% casados. 23% dos pacientes não preencheram o campo referente à sua queixa principal. 26,5% referiram dor na coluna, 22,1% nos membros, 12,4% lombar, 5.3% cervical, 8% dor de cabeça, 0.9% apresentaram queixas respiratórias, 0.9% dor no quadril e 0.9% dor generalizada. Quanto às expectativas, 41,6% dos pacientes esperam reduzir a sensação de dor com o tratamento, 11,5% desejam a cura, 10.6% orientação e diagnóstico, 0.9% reduzir os medicamentos, 0.9% prevenção de piora do quadro, 2,7% expectativas variadas, 4.4% tratamento cirúrgico e 27,4% não preencheram este quesito. O teste Qui-quadrado mostrou associação entre a expectativa de alívio da dor com a queixa principal, sendo esta última com pontos focais mais relevantes, localizados anatomicamente na lombar (16,7%), coluna (38,1%) e Membros (33,3%). Na mesma linha associativa temos que 50,0% das expectativas a respeito do diagnóstico correspondem a 42,9% da queixa principal relativa a dores de cabeça. Tais resultados são ratificados por uma significância p <0,0001. Os resultados sugerem uma maior atenção à demanda dos pacientes ao buscarem um centro de tratamento especializado em dor crônica. Um melhor acolhimento às expectativas destes pacientes poderia proporcionar uma melhor adesão ao futuro tratamento.

Referência: KURICA, GP, PIMENTA, CAM. Adesão ao tratamento da dor crônica: estudo de variáveis demográficas, terapêuticas e psicossociais. Arq. Neuro-Psiqui.v.61,n2B, 2003.


9.17 - PRESENÇA DE SINTOMAS ANSIOSOS E DEPRESSIVOS EM PACIENTES ATENDIDOS NA CLÍNICA DA DOR E CUIDADOS PALIATIVOS DO HUCFF/UFRJ - Pôster

Alcides Raquel S., Coimbra Antonio F., Boareto Albina, Viana Maria Clara
UFRJ

Introdução: A literatura tem evidenciado que, mesmo em quadros eminentemente orgânicos, a influência dos aspectos psicológicos tem sido relevantes na queixa da dor. Os estudos mostram que há uma significativa associação entre dor crônica e transtornos de depressão e ansiedade.

Objetivo: O objetivo deste estudo é determinar a prevalência dos sintomas de ansiedade e depressão em pacientes com dores crônica atendidos na Clínica da Dor Crônica e Cuidados Paliativos do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. A relevância dessa avaliação é a possibilidade de obter informações que permitam caracterizar de modo adequado os sintomas psíquicos presente no pacientes com dores crônicas atendidos nesse serviço de modo a poder proporcionar elementos para a adequação do plano terapêutico oferecidos a esses pacientes.

Método: Estudo descritivo do tipo transversal com amostra de 86 pacientes em atendimento ambulatório da clínica da Dor e cuidados paliativos. Tratou-se de uma amostra de conveniência, em que pacientes que aguardavam consulta eram convidados a responder os questionários propostos. Foram convidados a participar da pesquisa apenas pacientes com Síndrome dolorosa crônica não oncológica. Para avaliação dos sintomas psiquiátricos foram usados o HADS (Hospital Anxiety and Depression Scale), escala que tem boa sensibilidade para avaliar sintomas de ansiedade e depressão em pacientes com dores crônicas. (Castro et al., 2006a).

Resultados: Foram avaliados 86 pacientes atendidos pela Clinica de Dor e Cuidados Paliativos. Destes 72,09% (62) eram mulheres e 27,90% (24) eram homens. A media de idade dos pacientes foi de 54 anos.  No HADS constatou-se que a pontuação na Dimensão Ansiedade variava de 0 a 20, com média de 11,06 superando o ponto de corte habitualmente usado nessa escala para definir possíveis casos de Transtorno de Ansiedade. Na dimensão Depressão a pontuação variou entre 0 e 18 pontos com média em 9,36., próximo ao ponto de corte usado. Considerando a medida conjunta das duas dimensões do HADS, obtivemos variação de 2 a 35 pontos, com média em 20,42 pontos.

Conclusões: Este estudo, com o objetivo de caracterizar e diagnosticar melhor os pacientes com dores crônicas atendidos em um serviço especializado demonstrou o alto comprometimento afetivo desses pacientes. Além disso evidenciou que a presença de sintomas ansiosos é maior nesses casos do que a de sintomas depressivos, o que está em acordo com alguns achados da literatura. (Castro et al., 2006b).

Referência: BOTEGA NJ et al. Transtornos do humor em enfermaria de clínica médica e validação de escala de medida (HAD) de ansiedade e depressão.


9.18 - IMPACTO DA DOR CRÔNICA NAS ATIVIDADES COTIDIANAS DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS - Pôster

Polyana C. V. Braga, Luciana S. Cantuária, Layz A. Ferreira, Lílian V. Pereira
UFG

Introdução: A dor crônica é um problema de saúde pública. No Brasil, 50% das consultas médicas estão relacionadas a ela e a metade dos clientes que a vivenciam podem ficar incapacitados. Objetivos: Mensurar o prejuízo da dor crônica auto-referida por estudantes universitários da saúde em suas atividades cotidianas.

Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, tipo corte transversal, que foi realizado na Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás de 15/05/08 a 20/06/08. A população se constituiu de 126 estudantes, com idades entre 21 e 23 anos, 65,1% do sexo feminino. As variáveis incluiram: sexo, idade, situação socioeconômica e conjugal, nº de filhos, atividades cotidianas (acadêmicas, de lazer, familiares) e dor (localização, intensidade, qualidade, duração). A intensidade da dor foi medida em uma Escala Numérica (EN), de 0 (zero) a 10 (dez), a localização por meio de diagramas corporais, a qualidade investigada por meio do Questionário para Dor de McGill (MPQ) e o prejuízo pela Escala de Copos de 5 pontos. Resultados: o local prevalente de dor crônica foi a cabeça (66,7%) e os escores atribuídos à intensidade dessa experiência, representados pela MD=7, Q1=5, Q3=8, MAX=10, MIN=2, apontaram dor forte. Quanto à qualidade da dor, os descritores mais frequentemente escolhidos foram latejante (53,57%), pontada (51%), cansativa (45,4%), enjoada (43,87%), que incomoda (42,85%), do agrupamento sensitivo-discriminativo e afetivo-motivacional do MPQ. Entre as atividades cotidianas mais prejudicadas pela dor crônica apontamos a capacidade de concentração (77,8%) e o humor (73,0%) (p<0,001), sendo o prejuízo classificado como moderado (MD=2-2, Q1=1-0, Q2=3-3, MAX=4-4, MIN=0-0), respectivamente. Houve correlação positiva e significativa entre intensidade de dor/prejuízo no humor (rho=0,23, p=0,007) e intensidade de dor/prejuízo na concentração (rho=0,27, p=0,002). Embora com menor freqüência, observamos relatos de prejuízo na capacidade de participar das atividades sociais, recreativas e familiares, nas relações com outras pessoas, no sono e nas atividades práticas (p=0,001).

Conclusões: podemos afirmar que a dor crônica tem impacto relevante nas atividades cotidianas dos estudantes, frequentemente no humor e capacidade de concentração, fundamentais para o processo de aprendizagem.

Bibliografia: Palermo TM, Kiska R. Subjective sleep disturbances in adolescents with chronic pain: relationship to daily functioning and quality of life. J Pain Mar; 2005; 6(3):201-7.


9.19 - DOR E TRABALHO, INCAPACIDADE E FUNCIONALIDADE: TERAPIA OCUPACIONAL A PARTIR DA CIF - Oral

Ciomara Maria Pérez Nunes, Tatiane Carneiro Araújo, Pollyanne Bastos Calú, Felipe Cavalacanti Dourado
UFMG

Introdução: A dor é um fenômeno multidimensional, multicausal e multimodal de sensação particular, individual de quem a sente, particularmente quando relacionado ao trabalho. A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece as dificuldades de diagnóstico e tratamento como motivo de preocupação e grande desafio. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) amplia a compreensão e possibilidade de atuação da Terapia Ocupacional  (TO) dirigida à funcionalidade.

Objetivo: apresentar a reconstrução da atuação da TO em Saúde e Trabalho (S&T) a partir da CIF e dos resultados de instrumentos de avaliação padronizados.

Metodologia: reconhecer a dor como sinal de sofrimento que não deve pertencer a S&T em programas de promoção da saúde, que deve ser o sinal principal nas propostas de prevenção do adoecimento em S&T e o sintoma norteador das ações clínicas restauradoras em S&T, além de parâmetro para  à recolocação e reabilitação profissional de trabalhadores. Os instrumentos padronizados de avaliação e o check-list da CIF são os parâmetros de controle da presença de dor e de participação no trabalho analisados quantitativa e qualitativamente.

Resultados: O registro dos resultados da presença e intensidade de dor durante as atividades de trabalho, dos programas de promoção da saúde à reabilitação profissional diminuiu em todas as ações da TO. Os resultados da análise não paramétrica confirmam a análise qualitativa fenomenológica a partir dos nove domínios de participação da CIF.

Conclusão: a TO atua em S&T em diferentes contextos sócio-culturais com objetivo de melhorar a participação  consciente, capacidade de decisão na escolha de ações para o trabalho. A CIF amplia e facilita a atuação profissional e a consolidação dos resultados da intervenção da TO e da participação dos trabalhadores. O campo de atuação se confunde com a origem da TO e, ao mesmo tempo, se mantém atual e em processo de expansão do mercado de trabalho.

Referência: NUNES, Ciomara M. P. & MELO, Andréa G. Terapia ocupacional e a dor no campo das relações entre saúde e trabalho.


9.20 - AS REPERCUSSOES PSICOSSOCIAIS EM UM GRUPO DE DOENTES COM DORES CRÔNICAS - Pôster

Adrianna Loduca, Claudio Samuelian, Cristiane Tacla, Tchia Lin USP

Introdução: É consenso na literatura mundial a relevância dos aspectos psicossociais na avaliação de doentes com quadros álgicos crônicos.

Objetivo: Identificar os impactos psicossociais em um grupo de doentes com dor crônica em um Centro Interdisciplinar de Dor.

Método: Tratou-se de um estudo descritivo. Foram avaliados todos os doentes com quadros de dores crônicas que procuraram o Centro de Dor no ano de 2006 e 2007 e que seguiram em tratamento interdisciplinar (40 doentes, idade média de 44 anos). Os recursos utilizados para avaliação foram: protocolo de avaliação do impacto psicossocial, Diagrama da Dor, Escala Numérica de Dor, Escala de Ansiedade e Depressão Hospitalar  (HAD), Desenho da Figura Humana e Retrato da Dor.

Resultados: O tempo médio de dor foi de 5 anos e a intensidade media de dor foi de 6,4. No HAD 92,5% da amostra apresentou escores  elevados tanto para ansiedade quanto para depressão (maior predomínio da ansiedade).  Em relação aos impactos psicossociais, maioria dos doentes, em sete categorias investigadas (trabalho, família, lazer, vida social, autoimagem e projeto de vida) mais de cinco foram afetadas. Houve maior interferência da dor sobre o trabalho (75% mulheres, 90% homens). Na análise do desenho da figura humana, observou-se presença comum de traços de imaturidade, hostilidade velada e percepção indiferenciada do meio externo, em especial as dificuldades nos relacionamentos interpessoais. No Retrato da Dor, 30% dos sujeitos enfatizaram o aspecto senso perceptivo da dor, enquanto que a maioria (70%) referiu experiências emocionais negativas. Quanto ao enfrentamento da dor, 60% da amostra utilizou recursos mais passivos, enquanto que 40% fez uso de estratégias mais ativas.

Conclusões: Os instrumentos selecionados para o estudo mostraram-se eficazes para avaliar os impactos psicossociais de um grupo de doentes com dor crônica, como também auxiliaram na elaboração de um programa psicoeducativo que teve como foco estimular a adesão e a utilização de estratégias mais ativas para o manejo da dor.

Referência: Botega N.J. Práticas Psiquiátricas no Hospital Geral. Porto Alegre: Artmed; 2002.     


9.21 - DESENVOLVIMENTO E VALIDAÇÃO DA VERSÃO BRASILEIRA DO QUESTIONÁRIO BREVE DE DOR MCGILL - Oral

Karine A.S.L. Ferreira, Manoel Jacobsen Teixeira, Massako Okada, José Siqueira
USP

Objetivos: Desenvolver e validar a versão brasileira do Questionário Breve de Dor McGill (McGill-breve).

Casuística e método: 302 pacientes com dores crônicas de diferentes etiologias (39,1% dor musculoesquelética, 41,1% neuropática e 19,0% outras) em tratamento no Centro Multidisciplinar de Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) responderam a versão longa do Questionário de Dor McGill (LF-McGill) (1,2) e graduaram a intensidade da dor em escala numérica de 0 a 10. As palavras escolhidas por 25% ou mais dos pacientes foram selecionadas para compor o McGill-breve e seus domínios (sensitivo, afetivo e avaliativo), sendo estas posteriormente avaliadas como presente ou ausente e em relação a intensidade em escala numérica de 0 a 10. Os dados foram armazenados e analisados no SPSS versão 13.0. As propriedades psicométricas avaliadas foram: validade de face, validade de critério (coeficiente de correlação de Spearman), validade discriminante (ANOVA, Kruska-Wallis e análise discriminante múltipla -MDA) e consistência interna (Kuder-Richardson 20- KR20).

Resultados: a partir das 78 palavras do LF-McGill foram selecionadas 15 palavras (8 sensitivas, 5 afetivas e 2 avaliativas) (Latejante, pontada, choque, fina-agulhada, fisgada, queimação, espalha, dolorida, cansativa- exaustiva, enjoada, sufocante, apavorante- enlouquecedora, aborrecida, que incomoda, insuportável. O escore total e das dimensões do McGill-breve mostrou: correlação moderada a forte (r>0,4) com a escala numérica e com o escore total do LF-McGill, validade discriminante ao diferir entre pacientes com dores de diferentes etiologias (Wilk’s lambda: sensitivo=0.97, p=0.037; afetivo= 0.91, p=0.000, e escore total=0.95, p=0.001) e intensidade (Wilk´s lambda: sensitivo =0.91, p=0.000; afetivo = 0.93, p=0.000, e escore total =0.89, p=0.000) e apresentou consistência interna moderada (KR-20=0.52).

Conclusão: a versão brasileira do McGill-Breve mostrou ser uma ferramenta útil para avaliar as qualidades da dor e auxiliar no diagnóstico de dores resultantes de diferentes mecanismos, visto que discriminou pacientes com dores de origem neuropática, musculoesquelética e outras. Este pode ser uma alternativa a administração do  LF-McGill.

Referência: Pimenta CAM, Teixeira MJ. Questionário de dor McGill: proposta de adaptação para a língua portuguesa.


9.22 - CONHECIMENTO DOS ENFERMEIROS DE UNIDADES DE INTERNAÇÃO SOBRE AVALIAÇÃO E MANEJO DA DOR – Pôster

Camila B. Barbosa, Karine A.S.L Ferreira, Renata Borges, Eliane Grazziano USP

Introdução: O tratamento da dor pode ser inadequado. Uma justificativa é o desconhecimento da equipe sobre controle e avaliação da dor, dificultando o julgamento da resposta dos pacientes às condutas. O Enfermeiro, prestando assistência ininterrupta, desempenha papel fundamental no controle da dor. O presente estudo visou analisar o conhecimento dos Enfermeiros sobre avaliação e manejo da dor.

Casuística e método: 57 Enfermeiros do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP responderam questionário auto-aplicado e itens do Nurses Knowledge and Attitudes Survey. Os dados foram analisados no programa SPSS 13.0.

Resultados: 93% eram do sexo feminino com idade média 37 anos. 22,8% trabalhavam em Neurologia e 17,5% em UTI. 80,4% estudaram alguma vez sobre avaliação e controle da dor, mas a maioria não considerou anticonvulsivantes e antidepressivos úteis no tratamento (80% e 60% respectivamente).19,6% discordaram da afirmativa de que se que analgésicos prescritos em regime se necessário (SN) devem ser administrados apenas quando o paciente solicitar. Mais de 58% responderam corretamente que antiinflamatórios não hormonais possuem dose teto e 61,4% não sabiam se havia dose teto para a morfina. Mais de 69% concordaram com a afirmativa de que opióides podem causar depressão respiratória e 84,2% consideraram que analgésicos não são a única opção para o alívio da dor.  80,7% consideraram a dor o quinto sinal vital e 98,2% discordaram da afirmativa de que não há intervenção de enfermagem que alivie a dor. Em dois casos clínicos onde ambos pacientes referiam dor 8 (A referiu dor sorrindo e B gemendo), 48,3% consideraram a intensidade da dor de A menor que a referida e 75% considerou a intensidade de dor de B como 8. 40% não administrariam opióide ao paciente A apesar da prescrição de 1 a 3mg/EV de morfina em regime SN. O percentual de pacientes que poderia desenvolver dependência psicológica após 3-6 meses de uso de opióides foi superestimado.

Conclusões: A atuação do Enfermeiro na avaliação e manejo da dor é fundamental. Entretanto é necessário maior treinamento deste profissional para que esteja realmente apto a desenvolver ações individuais e colaborativas no manejo da dor, especialmente no que se refere ao tratamento farmacológico e sinais não verbais. Referência:  McCAFFERY M, FERRELL B. Nurses knowledge of pain assessment and management: how much progress have we made. J Pain Symptom Manage. 1997; 14 (3): 175-188.


9.23 - ATENDIMENTO DO PACIENTE DE DOR CRÔNICA - DESAFIO PARA A GESTÃO PÚBLICA DA CLÍNICA DE DOR NO BRASIL - Pôster - Tereza Lourenço,

Ricardo Cunha, Giselane Figueredo
UFRJ

Introdução: O controle da dor é um dos pontos mais importantes no tratamento de patologias agudas, crônica e oncológicas.No Brasil,  40% da população tem dor crônica,comprometendo à qualidade de vida,o trabalho,gerando problemas de saúde pública e interferindo na economia. Diagnosticar, avaliar, manejar e acompanhar os resultados do tratamento é imprescindível para o controle da dor. O sistema de saúde público tem raros serviços para tratar a dor gerando nas unidades hospitalares que o possuem uma enorme demanda de pacientes. A gestão da Clínica de Dor no serviço público é um desafio, lida com os problemas bio-psico-sociais dos pacientes e com a precariedade de investimentos no setor.Este trabalho apresenta a organização da Clínica de Dor e Cuidados Paliativos do HUCFF visando à agilidade do atendimento do paciente de dor crônica  inserido no Sistema Único de Saúde (SUS) e a utilização do fluxograma assistencial como base para que este receba atendimento multidisciplinar dos profissionais visando a sua reabilitação e melhora da qualidade de vida.

Métodos: Revisão documental e bibliográfica. Pesquisa qualitativa descritiva,análise do trabalho administrativo, assistencial e  dos registros estatísticos.

Resultados: A Clínica de Dor e Cuidados Paliativos do HUCFF é um setor do Serviço de Clínica Médica, possui atividades multidisciplinares conforme a legislação referente ao atendimento do paciente com dor crônica. É gerenciada por um Coordenador e possui 05 médicos, 02 fisioterapeutas e 01 psicóloga, todos com titulação em Dor,recebendo a  assessoria de 01 psiquiatra e de uma assistente social. O fluxo dos pacientes é gerado na demanda interna e de instituições públicas municipais e estaduais. O fluxograma delineia todo o processo assistencial do paciente desde o seu encaminhamento até a sua alta, envolvendo profissionais de saúde, organização de consultas, protocolos clínicos, procedimentos invasivos e não-invasivos, instrumentos de avaliação, técnicas de reabilitação,controle estatístico, custos envolvidos e a produção da pesquisa técnico-científica.

Conclusões: A organização administrativa da Clínica de Dor resultou no atendimento ágil do paciente com dor crônica,a tomada de decisão quanto ao seu tratamento,o acompanhamento da sua reabilitação, readaptação, tendo como conseqüência a melhora da qualidade de vida, a aquisição de dados estatísticos e a produção da pesquisa sobre o tratamento da dor crônica no Brasil.

Referência: BONICA, J.J. The manamgement of pain. 2nd ed. Pennsylvania. Lea &Febiger.1990.


9.24 - ASSOCIAÇÃO ENTRE ESTRATÉGIAS DE EDUCAÇÃO, CRENÇAS E CONHECIMENTO DOS ENFERMEIROS SOBRE DOR - Pôster

Camilla B. Barbosa, Karine A.S.L. Ferreira, Manoel J. Teixeira
USP

Introdução: O aprendizado em dor na Enfermagem se faz de forma inconstante e reduzida. Assim, os profissionais podem não assimilar as informações como um valor e um parâmetro a ser avaliado. O presente estudo objetivou identificar se as estratégias de educação em dor estão associadas ao conhecimento dos Enfermeiros.

Método: 57 Enfermeiros do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP responderam um questionário auto-aplicado. Os dados foram analisados no programa SPSS 13.0 sendo utilizado qui-quadrado. Os resultados foram considerados estatisticamente significantes se o valor de 8804; 0,05.

Resultados: 93% eram mulheres com média de 37 anos e tempo médio de término da graduação de 10 anos. A maioria trabalhava em unidades de Neurologia, UTI e Transplante de Fígado/Gastrologia. 73,2% tiveram algum conteúdo sobre dor na graduação, 80,4% estudaram alguma vez sobre dor e 69,1% participaram de cursos ou eventos sobre o tema. 89,5% discordaram da afirmativa de que o controle da dor é atividade exclusiva do médico. Houve associação entre a participação em cursos ou eventos e a correta classificação de analgésicos não-hormonais como úteis no tratamento da dor (88,6% dos que participaram disseram sim e 41,2% dos que não participaram disseram não p=0,02). A mesma associação não ocorreu entre Enfermeiros que tiveram conteúdo de dor na graduação. Todos profissionais que participaram de cursos ou eventos consideraram opióides úteis no controle da dor e 45,9% discordaram da afirmativa que a morfina deve ser utilizada somente como última alternativa por frequentemente causar dependência física; apenas 23,5% dos que não participaram discordaram da mesma afirmativa (p=0,04). Mais de 35% dos que nunca participaram de cursos e eventos discordaram da afirmativa de que a dor pode ser tratada antes de saber qual é a causa; entre os que participaram a porcentagem foi de 15,8% (p=0,04). Mais de 90% dos enfermeiros determina a dor do paciente pela queixa, não havendo diferença significativa entre os enfermeiros que participaram ou não de eventos e cursos.

Conclusões: A educação continuada em dor aumenta o conhecimento e contribui para a alteração de crenças pouco ajustadas. A participação em cursos e eventos parece ser uma estratégia mais efetiva para o alcance desses objetivos do que o estudo esporádico sobre dor e/ou a breve exposição a conteúdo sobre dor durante a graduação.

Referência:  Lai YH. Are nurses prepared to manage cancer pain A national survey of nurses knowledge about pain control in Taiwan. J Pain Symptom Manage. 2003; 26 (5): 1016-25.


9.25 - SÍNDROME FIBROMIÁLGICA E MENINGEOMA NA COLUNA CERVICAL: RELATO DE CASO - Pôster

Rogério A. A. Oliveira, Maíra T. Rodrigues, Juliana T. Toma, Helena H. S. Kasiyama  FMUSP

Introdução: Fibromialgia (SFM) é uma disfunção sistêmica e crônica caracterizada pela dor musculoesquelética difusa e pontos dolorosos. Pode ser acompanhada de rigidez, fadiga, parestesias, distúrbios do sono e cefaléias. Seus sintomas são inespecíficos, sendo freqüentemente relatados em inúmeras outras condições, inclusive podendo somar-se a outras enfermidades crônicas. O diagnóstico diferencial é complexo: síndrome dolorosa miofascial, poliartrites, polineuropatias periféricas, hipotireoidismo podem ser confundidos com um quadro fibromiálgico. Paciente branca de 64 anos relatou que há nove anos iniciou quadro de dor e perda de força no MID, associado à cervicodorsalgia. Há três anos referiu exacerbação do quadro álgico e dormência na mão direita. Foram feitas as HD de artrose de joelhos e quadril e SFM. Iniciou tratamento com analgésicos e antidepressivos. Há dois anos notou progressiva dificuldade de locomoção e equilíbrio e uma dor em aperto difusa. Só caminhava e fazia as atividades de vida diária com o auxílio de terceiros. Paciente obesa com tratamento medicamentoso para emagrecimento, DM 2 e HAS. Ao exame físico, apresentava fácies de dor e, se auxiliada, marcha parética espástica. Também apresentava triparesia MSD/MMII, reflexos profundos vivos a exaltados no MSD e MID, sinal de Babinski à direita, presença de cervicodorsalgia difusa e um déficit sensitivo MSD. A hipótese foi mielopatia cervical. Retornou duas semanas após com nítida piora dos déficits motores e sensitivos, já com tetraparesia espática e sinal de Babinski bilateral. A RMN revelou extenso tumor intrarraquiano e extramedular ao nível de C2 e C3 com grande compressão medular. Submetida a cirurgia para ressecção do tumor. Confirmou-se a caso de meningeoma. Iniciou reabilitação e evoluiu com importante recuperação funcional. Voltou a ser independente para as atividades de vida diária em dois meses. O meningeoma é um tumor benigno de lenta evolução e que no caso, devido a sua localização, levou à mielopatia cervical com lento e progressivo déficit motor e sensitivo. Tais fatores, conjuntamente com a obesidade e a osteoatrose difusa, concorreram para a geração do quadro álgico difuso diagnosticado e tratado como SFM nos anos que antecederam esta avaliação. Tal atraso no diagnóstico expôs a mesma ao risco de lesões neurológicas graves e risco de vida. O presente caso ilustra a importância da anamnese e do exame neurológico para o diagnóstico correto das síndromes dolorosas e das potenciais neuropatias que podem se expressar com dor.

Referência: KASIYAMA, HHS; YENG, LT; TEIXEIRA, MJ. Síndrome Fibromiálgica In:TEIXEIRA, MJ. Dor, contexto interdisciplinar. 1. ed. Curitiba: Editora Maio,cap. 19, 2003.


9.26 - MANEJO DA DOR CRÔNICA EM PORTADORES DE DOENÇA ARTERIAL OBSTRUTIVA PERIFÉRICA - Pôster

Débora F.A Pedrosa, Ana C. Ramos, Talita C.R da Silva, Fátima A.E Faleiros Sousa
USP

Introdução: A percepção da dor é única, pessoal e subjetiva, exclusiva para cada indivíduo e influenciada por fatores sensoriais, afetivos, cognitivos e sociais. A mensuração da dor nas instituições de saúde vem sendo divulgada como o quinto sinal vital, mas devido a sua subjetividade e dimensionalidade torna-se difícil essa mensuração, sendo necessária a capacitação dos profissionais para tal manejo da dor. O propósito deste estudo foi identificar os descritores de maior e de menor atribuição da dor crônica percebidos pelos portadores de Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP). Utilizamos bloco de papel, caneta e uma escala composta por 50 descritores de dor crônica. Os participantes foram 87 adultos, com idade média de 66,15 anos, 64,3% do sexo masculino, 49,4% casados, 78% pertencentes à religião católica, 56,3% cursaram o ensino fundamental incompleto, 63,2% são aposentados, 41,3% com renda mensal de um salário mínimo e com diagnóstico de DAOP. Para selecioná-los, os critérios foram ter dor crônica (há mais de 3 meses), estar com capacidade física e cognitiva para participar da pesquisa, bem como, não apresentar diagnóstico de Diabetes Mellitus. Foi utilizado o método psicofísico de estimação de categorias por meio de escalas numéricas com alternativas de 0 a 10. Os resultados obtidos mostraram que, dos 50 descritores de dor crônica aplicados para a amostra, 5 (cinco) que apresentaram maior atribuição: Desagradável (MA=7,88±2,48), Perturbadora (MA=7,73±2,86), Forte (MA=7,70±2,98), Chata (MA=7,59±2,71) e Cansativa (MA=7,59±2,97), e os 5 (cinco) descritores de menor atribuição foram: Demoníaca (MA=6,25±3,60), Deprimente (MA=6,20±3,07), Assustadora (MA=6,16±3,28), Angustiante (MA=6,04±3,14) e Desastrosa (MA=5,78±3,59). As dimensões afetivas e as cognitivas da dor foram identificadas nos 5 descritores de maior e nos 5 de menor atribuição à dor pelos portadores de DAOP. Os grupos de palavras atribuídos pelos descritores para avaliar a intensidade da dor poderão ocupar posições que indicam a importância de se considerar a experiência dolorosa em sua subjetividade e multidimensionalidade. Além disso, a utilização dos descritores ressalta a validade e a fidedignidade deste instrumento em auxiliar produtores de conhecimentos e profissional na avaliação, na mensuração e no manejo da dor humana.

Referência: FALEIROS SOUSA, F.A.E. Dor: o quinto sinal vital. Revista Latino Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v.10, n.2, p.446-7, 2002.


9.27 - QUALIDADE DE VIDA EM SERES HUMANOS COM DOR CRÔNICA ISQUÊMICA - Pôster

Débora F.A Pedrosa, Ana C. Ramos, Andressa K.A.P. Pelegrin, Fátima A.E. Faleiros Sousa
USP

Introdução: A isquemia tissular leva a claudicação intermitente e limita a habilidade para caminhada, prejudica o funcionamento físico e qualidade de vida de quem a sente. A percepção da dor é única, subjetiva e influenciada por fatores sensoriais, afetivos, cognitivos e sociais. A qualidade de vida é caracterizada pela subjetividade, multidimensionalidade e a presença de dimensões positivas e negativas. Avaliar a qualidade de vida em portadores de Doença Arterial Obstrutiva Periférica que queixam de dor crônica. Identificamos os clientes portadores de DAOP não diabéticos por meio de prontuário, e que compareceram a um ambulatório especializado de cirurgia vascular de um hospital universitário no interior de São Paulo e Minas Gerais no período de março a agosto de 2008. Os participantes da pesquisa assinaram o termo de consentimento e responderam a um questionário contendo aspectos sócio-demográfico e econômico, após aplicamos o instrumento WHOQOL-bref no qual responderam considerando as duas semanas anteriores. Para caracterização do perfil sócio-demográfico e econômico serão analisados de forma descritiva e cada domínio do instrumento WHOQUOL-bref foi analisado isoladamente e os maiores escores corresponderão à melhor qualidade de vida. Dos 87 clientes entrevistados, com média de idade de 66,15 anos, 64,3% do sexo masculino, 49,4% casados, 78% pertencentes a religião católica, 56,3% cursaram o ensino fundamental incompleto, 63,2% são aposentados, 41,3% com renda mensal de um salário mínimo. Calculamos as médias dos 4 domínios específicos e do domínio geral do WHOQOL-breaf para cada participante e a média total de todos os participantes. A média mínima e a máxima para cada participante em relação ao domínio físico foi 5,14 e 19,42; psicológico 4,66 e 19,33; social 6,66 e 20; ambiental 7 e 18; total 6 e 20. A média total para o domínio físico 11,12±2,70; psicológico 12,70±2,60; social 14,95±3,62; ambiental 12,68±2,19 e geral 12,11±3,53. Os resultados nos levam a inferir que a dor e a claudicação intermitente afetam a qualidade de vida dos portadores de DAOP, a menor qualidade de vida está relacionada ao domínio físico, seguido pelos domínios geral, ambiental, psicológico e social.

Referência: NORGREN, L. et al. Inter-society consensus for the management of peripheral arterial disease (TASC II). Journal of Vascular Surgery, v45, n1 Suplemento, p.S5-S67, 2007


9.28 - A DOR E O SER CRIANÇA COM CÂNCER: REVISÃO DE MODELOS DE AVALIAÇÃO - Pôster

Siqueira Moura, Hilze B.O,  Pedrosa Débora F. A, Faleiros Sousa Fátima A.E
USP

Introdução: A dor é um fenômeno variável e subjetivo que pode afetar a qualidade de vida de crianças que lidam com doenças como o câncer, a sua avaliação nem sempre é tarefa fácil para pesquisadores e para profissionais de saúde, por isso, a importância de se pesquisar sobre os modelos mais usados na avaliação da dor em crianças com câncer. Pesquisa de natureza bibliográfica realizada em artigos e periódicos nacionais e internacionais das bases de dados MEDLINE, SCIELO, LILACS entre outras, abrangendo o período de 1987 a 2008. A literatura aponta alguns modelos para avaliação de dor que podem ser usados em crianças. Entre estes, estão os que investigam a intensidade dolorosa em crianças ainda sem capacidade de abstração, simbolização e quantificação, a saber: Escala de OUCHER, Escala de Cores, Escala Linear Analógica Visual, Escala Linear Analógica Não Visual, Escala de Faces de Claro. Há também, os utilizados diante de procedimentos invasivos: Indicadores Comportamentais de Dor Check-list. Em crianças com câncer, a Escala de Dor Relembrada, a Escala Analógica Visual de Faces, a Escala Douleur Enfant Gustave Roussy, os Descritores de Dor, os Desenhos e os auto-relatos são instrumentos facilitadores na compreensão da dimensão sensitiva, emocional e cognitiva da dor humana na oncologia pediátrica. Nos últimos anos, a avaliação da dor em crianças tem sido pouco explorada quando comparada aos estudos desenvolvidos em décadas anteriores, principalmente, no que tange a instrumentos de medidas válidos e fidedignos. Percebe-se que, este problema, lamentavelmente, agrava-se à medida que a avaliação do quadro álgico vem sendo subestimada pelos profissionais de saúde, resultando em prejuízos no manejo da dor. Compreende-se que, esse estudo é relevante na área da saúde e, em especial, para a oncologia pediátrica uma vez que, permite mostrar alguns instrumentos de avaliação da dor humana em suas múltiplas dimensões, levando em consideração o desenvolvimento infantil e conectando-se com a trama do mundo psíquico, biofísico e social da criança.

Referência:FISHMAN, B. et al. The Memorial Assessment Card: a valid instrument for the evaluartion of cancer pain. Cancer 1987; 60: 1151-1158.


9.29 - AVALIAÇÃO E MENSURAÇÃO DE DOR EM IDOSOS: REVISÃO SISTEMÁTICA - Pôster

Pelegrin Andressa K. A. P, Pedrosa  Débora F. A, Faleiros Sousa Fátima A. E
USP

Introdução: Identificar em periódicos nacionais e internacionais a prevalência de dor em idosos. Revisão sistemática da literatura utilizando os descritores em português e inglês: Idoso, Medição de Dor, Métodos. Critério de inclusão: artigos que trouxeram dor em idosos publicados em português/inglês nos anos de 1990 a 2007, disponível nas bases de dados LILACS, SCIELO e MEDLINE. Encontramos 16 artigos, realizou-se uma leitura minuciosa de cada um visando estruturar as informações pertinentes à temática. A partir da análise crítica dos artigos identificamos que a dor é um problema comum entre os idosos, sendo que a dor crônica afeta mais de 50% dos idosos que vivem na comunidade e mais de 80% dos idosos que residem em instituições de longa permanência. A alta prevalência de dor em idosos está associada a desordens crônicas, particularmente doenças músculo-esqueléticas; aproximadamente 80% dos idosos relatam sentir esta dor.  Doenças cardiovasculares, doenças inflamatórias, procedimentos cirúrgicos e câncer aumentam as queixas álgicas neste grupo etário. Dada a importância de um parâmetro para medirmos a intensidade e alívio da dor foram desenvolvidas inúmeras escalas unidimensionais que medem basicamente a intensidade da dor; e multidimensionais que permitam mensurar a dor clínica e a dor experimental. Para a população idosa foram padronizados poucos instrumentos de mensuração de dor, entretanto, algumas escalas unidimensionais elaborados para indivíduos mais jovens têm gerado dados fidedignos quando utilizadas em idosos. Dentre elas a Escala Verbal, na qual, o paciente quantifica a experiência dolorosa usando frases subjetivas de dor e a Escala Numérica de 11 pontos, de 0 a 10, permite quantificar a dor sentida utilizando números. 5 Observou-se avanço na elaboração de instrumentos de medida de dor, porém, a mensuração da experiência dolorosa em idosos carece atenção na elaboração de escalas que atendam as suas necessidades, especialmente nos casos de déficits cognitivos, sensitivos e motores. A dor está entre os principais fatores que impactam negativamente a qualidade de vida do idoso, limitam suas atividades, aumenta a agitação, o risco para estresse e isolamento social.

Referência: Ferrel B. Pain management in elderly people. J Am Geriatric Soc 1991; 39:64-73.


9.30 - EFEITOS DAS INTERVENÇÕES QUE VISAM REDUZIR O MEDO E EVITAÇÃO DA DOR EM PACIENTES COM DOR LOMBAR CRÔNICA - Pôster

Elaine S. Longo, Marina G. Salvetti, Cibele A. M. Pimenta
USP

Introdução: O modelo de medo e evitação da dor propõe que o modo como a dor é interpretada pode levar o indivíduo a sentir medo e apresentar comportamentos de evitação e hipervigilância da dor, que aumentam o risco de incapacidade e depressão em pacientes com dor lombar. Muitos estudos confirmam a elevada correlação entre a crença de medo, evitação da dor e incapacidade, embora outros estudos não tenham encontrado tal correlação.

Objetivo: identificar os efeitos das intervenções que visam reduzir o medo e evitação da dor em pacientes com dor lombar crônica.

Método: Revisão Sistemática. Foram realizadas buscas em fevereiro de 2008 nas bases de dados PUBMED, EMBASE, CINAHL, PSYCINFO e LILACS. As palavras chave utilizadas foram: low back pain; disability e fear-avoidance belief. Após seleção dos artigos relacionados ao tema, eles foram classificados segundo a Classificação do nível de evidência e recomendação proposta pela Oxford Centre for Evidence-Based Medicine e as intervenções propostas foram analisadas.

Resultados: Foram localizados 758 artigos. Destes, 214 foram removidos por serem repetidos entre as bases, restando 544 artigos, dos quais foram excluídos 524 artigos, que não eram ensaios clínicos ou que não relatavam realização de intervenções relacionadas aos descritores e palavras-chaves utilizados nas buscas. Restaram 20 artigos que se tratavam de ensaios clínicos sobre intervenções para reduzir o medo e evitação da dor. Entre os 20 estudos selecionados apenas um foi excluído, por ter sido escrito na língua francesa. Restaram, então, 19 artigos para leitura e análise na íntegra. Em 13 artigos o nível de evidência foi 1b e o nível de recomendação A, indicando elevada consistência nas evidências encontradas. A intervenção exposição in vivo (melhorar a capacidade funcional através da redução da percepção de atividades como nocivas) é tão efetiva quanto atividade gradual (visa melhorar a capacidade funcional reforçando positivamente comportamentos saudáveis e níveis de atividades) e terapias ativas (fisioterapia, recondicionamento físico e exercícios aeróbios) na redução do medo da dor e evitação de movimento. Há também evidências fortes de que as intervenções baseadas no modelo de medo e evitação da dor são mais eficazes que tratamento padrão (medicamentoso) na redução do medo e evitação do movimento.

Conclusões: A maioria dos artigos (n=13) teve grau de recomendação A, indicando fortes evidências de que a intervenção exposição in vivo é mais ou tão efetiva em relação a outras terapias na redução do medo da dor e evitação do movimento.

Referência: Vlaeyen JWS, Linton SJ. Fear-avoidance and its consequences in chronic musculosketal pain: a


10 – ASPECTOS ÉTICOS, LEGAIS E EDUCAÇÃO

10.1 - QUALIDADE DE VIDA E ATIVIDADES DA VIDA DÍARIA PARA D.O.R.T. E FIBROMIALGIA - Pôster

Ciomara Maria Pérez Nunes, Felipe Cavalacanti Dourado, Daniele Leão
UFMG

Objetivo: Analisar a qualidade de vida através do Perfil de Saúde de Nottinghan (PSN) e o desempenho ocupacional das atividades de vida diária através do Stanford Health Assessment Questionnaire (HAQ) em pacientes diagnosticados com Fibromialgia ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (D.O.R.Ts.). Estudo transversal com um grupo de 18 trabalhadores em processo de acompanhamento terapêutico ocupacional no programa de gerenciamento da dor crônica do ambulatório de um hospital público universitário. Teste e reteste no intervalo de 4 meses de redimensionamento do cotidiano, consciência corporal e prática de atividades de vida diária. Análise de associação dos dados demográficos com a HAQ e com o PSN pelo X2 e análise de variância.

Resultados: A análise de respostas do HAQ mostram associação positiva com os dados demográficos idade e gênero e negativa no diagnóstico e afastamento ou atividade no trabalho, confirmando nossa hipótese inicial de similaridade da população e fragilidade entre os limites da Fibromialgia e as DORTs com sintomas localizados principalmente nos ombros. A qualidade de vida medida pelas 6 variáveis de bem estar que compõem o PSN são significativas (>.05) e a variação acompanha o desempenho das atividades de administração domiciliar que não se adaptaram ou interromperam. A cronificação do processo álgico tem impacto significativo na associação do gênero (teste X2 19.200  sig .000 (1) e reteste X2 o 9.000 sig .000 (1)) com as variáveis dor, sono, reações emocionais, nível de energia e interações sociais e sem associação positiva com habilidades físicas.

Conclusões: Embora existam relatos constantes, porém subjetivos, de diminuição do desconforto do processo álgico da dor crônica destes trabalhadores em acompanhamento terapêutico ocupacional, os indicadores confirmam a similaridade sintomática e sugerem as dificuldades de negociação e modificação no desempenho das tarefas sócio-familiares.

Referência: NUNES, Ciomara M. P. & MELO, Andréa, G. Terapia ocupacional e a dor no campo das relações entre saúde e trabalho.


10.2 - USO INDISCRIMINADO DE MEDICAMENTOS AINES NO CONTROLE DA DOR E INFLAMAÇÃO E A INFLUÊNCIA DA PROPAGANDA - Pôster

Juliana Santana, Aline Aquino, Rejane Rezende, Dione Lima
UFG

Introdução: Pesquisas sobre o perfil da automedicação no Brasil demonstram que os AINES são o principal grupo de fármacos utilizados sem orientação médica (Arrais, 1997). Dentre as causas promotoras do uso irracional, a propaganda e a publicidade são ferramentas do marketing utilizadas para indução do consumo de medicamentos.

Método: Foram monitorados de novembro/2007 a abril/2008 em Goiás, diferentes tipos de mídia, além de visitas a estabelecimentos, visando observar o conteúdo das propagandas ou promoções comerciais de medicamentos. As peças captadas foram analisadas conforme Roteiro de Verificação de Conformidade das Publicidades e Propagandas de Medicamentos, baseado na RDC n° 102/00 constante do Manual de Monitoramento da Propaganda de Produtos Sujeitos a Vigilância Sanitária (Brasil, 2005).

Resultados: Durante o período de captação foram detectadas 102 peças publicitárias com irregularidades, sendo 35 (34,3%) referentes a medicamentos e 67 (65,7%) referente a outros produtos. Das 35 peças relacionadas a medicamentos, 28 (27,4%) se tratavam de medicamentos de venda livre, onde se enquadram os AINES. O preocupante é que de forma geral, as propagandas não alertam os usuários sobre os riscos sanitários envolvidos no consumo irracional dos mesmos (Freitas et al, 2005). Os resultados deste estudo ainda detectaram que a mídia mais utilizada pelos anunciantes é a TV, veículo de massa e de alto impacto sobre a população, e impressos distribuídos nos pontos de venda, o que favorece a aquisição de medicamentos. Uma das conseqüências dessa atitude tem sido a automedicação, prática com riscos imensuráveis no que diz respeito à possibilidade de um diagnóstico incorreto, o retardamento do reconhecimento de um distúrbio, a escolha de terapia inadequada e ocorrência de reações adversas.

Conclusões: A propaganda de medicamentos representa um dos principais recursos de marketing utilizados pela indústria farmacêutica. Os dados encontrados demonstram a necessidade de intervenções imediatas do órgão regulador competente na fiscalização, bem como implantação de programas de conscientização junto a profissionais e comunidade em geral.

Referência: ARRAIS, Paulo Sérgio D., COELHO, Helena Lutéscia L., BATISTA, Maria do Carmo D. S. et al. Perfil da automedicação no Brasil. Rev. Saúde Pública, Fev. 1997, vol.31, no.1, p.71-77.


10.3 - PREOCUPAÇÃO COM A DOR ENTRE OS ESTUDANTES DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS (FM/UFG) DURANTE O CURSO MÉDICO - Pôster

Raphael G. Morais, Noêmia M. C. Guimarães, Lucas V. Eliam, Marco Tulio A. García Zapata
UFG

Introdução: A dor é o sintoma mais comum da prática médica, sendo conceituada com uma desagradável experiência sensorial e emocional associada a uma lesão tecidual já existente ou potencial, ou relatada como se uma lesão existisse. Sabe-se que a dor consiste em uma das principais causas de sofrimento e incapacidade, sendo responsável por imensuráveis repercussões psicológica, sociais e econômicas.

Metodologia: Aplicou-se o questionário Escala de Atitudes Perante a Doença (EAPD) a 330 alunos da FM/UFG. O projeto foi inicialmente submetido ao Comitê de Ética do Hospital das Clínicas da UFG e então procedeu-se uma investigação populacional do tipo corte transversal com seis amostras independentes correspondentes às 6 turmas do curso de medicina. Uma das escalas avaliada na pesquisa foi Preocupação com a dor, compreendendo as questões 4 a 6, sendo cada uma graduada de Não a Praticamente Sempre (0 a 4), totalizando uma soma compreendida entre 0 e 12 pontos para a escala.

Resultados: Dos 325 questionários aplicados, 318 (97,85%) foram respondidos e utilizados para análise. A menor média obtida na escala Preocupação com a dor foi do 5º ano (4,00) e a maior do 1º (5,36). Em todas as questões da escala os indivíduos do sexo feminino obtiveram nota maior do que do sexo masculino. Quando perguntado se ao sentir uma dor, ele tenha receio de que a mesma poderia ser causada por uma doença grave, as opções prevalentes foram: Não (28,30%) e Raramente (31,13%). Já quando questionado se costuma procurar um médico quando uma dor perdura por semanas ou mais, apenas 10,06% responderam Não  19,81% e Raramente, ou ainda, se o acadêmico tem medo de que essa dor prolongada possa ser causa por uma doença grave 33,34% responderam Não e 35,54% Raramente.

Conclusão: A maior média obtida pelos indivíduos do sexo feminino, reforça a idéia de que as mulheres têm uma maior preocupação com a saúde do que os homens. O aluno de medicina, de modo geral, não possui uma preocupação exacerbada em relação à dor. Pelo contrário, os resultados mostram uma aparente despreocupação que nos faz inferir, entre outras coisas, que a aquisição de conhecimentos técnicos e científicos, ao mesmo tempo em que molda a formação acadêmica destes estudantes, os transforma com relação à visão a cerca do sofrimento doloroso, tornando-os indivíduos capazes de subestimar essa sensação; o que pode ser um fator prejudicial na formação médica, pois à medida que o médico subestima essa sensação, pode não tratá-la adequadamente, trazendo prejuízo para seus pacientes.

Referência: Avancine, MATO; Jorge MR. Medos, atitudes e convicções de estudantes de medicina perante as doenças. Psiq Prat Med 2000.


10.4 - ENSINO MULTIDISCIPLINAR DE DOR PARA ACADÊMICOS - DADOS DA LITERATURA - Pôster

Júlio C. D. Andrade, Ricardo B. de Oliveira, Eliane C. L. Guerra, João C. P. Gomes
FMUSP

Introdução: As Ligas Acadêmicas (LA) da Faculdade de Medicina da USP(FMUSP) são entidades formadas por alunos sob supervisão de médicos do Hospital das Clínicas da FMUSP com o objetivo de prestar um serviço assistencial, oferecer atividades didáticas e/ou atividades de extensão acadêmica1. A primeira LA da FMUSP, a Liga de Combate a Sífilis, foi fundada em 1920 sob responsabilidade do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC). Hoje as LA são supervisionadas pelo Departamento Científico do CAOC da FMUSP(DC); em 2007 havia 60 LA cadastradas,44% multidisciplinares. Em 1995 foi criada a Liga de Dor (LD) sob o patrocínio do CAOC e do Centro Acadêmico XXXI de Outubro da Escola de Enfermagem da USP com intuito de: oferecer atendimento ambulatorial a indivíduos com dor por equipe multidisciplinar e multiprofissional; proporcionar aos alunos conhecimentos técnico-científicos relacionados à dor desenvolver cursos, seminários, discussões de casos; estimular e desenvolver as capacidades necessárias para o trabalho em equipe multidisciplinar; estimular o desenvolvimento de pesquisas sobre dor; participar de cursos, simpósios e congressos sobre dor publicar resultados de pesquisas. Atualmente integram a LD alunos das áreas de medicina, enfermagem, odontologia e psicologia.

Objetivo: O objetivo deste trabalho é pesquisar na literatura o ensino inter e multidisciplinar de dor para acadêmicos.

Métodos: Os dados foram pesquisados no Pubmed, LILACS, teses, livros e arquivos do DC.

Resultados:  Encontramos na literatura apenas 1 estudo internacional5 sobre abordagem interdisciplinar de dor no currículo de acadêmicos  e 2 estudos nacionais sobre LA e dor .

Conclusão: Apesar das LA existirem há 88 anos na FMUSP em número crescente, inclusive multidisciplinar, há poucas referências na literatura sobre ensino inter e multidisciplinar de dor para acadêmicos.

Referência: Ligas Acadêmicas. Cardoso AKS, Oyama R. O Bisturi Jornal do CAOC da FMUSP, 2007.

 

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