Premio J. Valério
GANHADOR DO PRÊMIO V. J. VALÉRIO
DE INCENTIVO AO ESTUDO DA DOR – 2008
Categoria: MELHOR ESTUDO CLÍNICO
Categoria: Síndromes dolorosas
Modalidade de Apresentação: Oral
Instituição: Centro Multidisciplinar de Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Autores: Karine A.S.L Ferreira, Miako Kimura, Fernando de Queiroz Cunha, Manoel J. Teixeira
HÁ ASSOCIAÇÃO ENTRE DOR ONCOLÓGICA E NÍVEIS PLASMÁTICO
DAS CITOCINAS PRÓ-INFLAMATÓRIAS
TNF-ALFA, IL-6, IL-8 E IL-1-BETA
Objetivos: Avaliar a associação entre dor oncológica crônica e as citocinas pró-inflamatórias interleucina-6 (IL-6), IL-8, IL-1beta e TNF-alfa.
Casuística e método: 220 pacientes ambulatoriais com câncer, que não haviam recebido nenhum tratamento antineoplásico nos últimos 30 dias, foram avaliados pelo Inventário Breve de Dor, Questionário de Dor McGill (MPQ), Inventário de Depressão de Beck, Escala de Desempenho Funcional de Karnofsky e a escala de QVRS, EORTC-QLQ-c30. Os níveis plasmáticos das citocinas foram dosados através do teste imunoenzimático ELISA e comparados entre pacientes com dor leve (G1), moderada a intensa (G2) e sem dor (G3) usando a ANOVA ou o teste de Kruskal-Wallis seguido por análise de múltiplas comparações. Os pacientes do G1 e G2 apresentavam apenas dor oncólogica e estavam em uso de analgésicos. Os do G3 tinham câncer, mas não apresentaram dor ou fizeram uso de analgésicos nos últimos 14 dias. 23 voluntários saudáveis (G4) foram incluídos como controle. A análise de Árvore de Classificação e Regressão (CART) avaliou a relação entre citocinas e níveis de dor, ajustada por características clínicas, demográficas e sintomas. As correlações foram avaliadas pelos testes de Spearman e Pearson.
Resultados: Os pacientes do G2 (n=49) apresentaram significativamente (p<0,05) maiores níveis de IL-6 e IL-8 que todos os demais grupos. Os níveis do TNF-alfa e da IL-1beta foram maiores no G2 que no G1 (n=76) e G4, mas não diferiram significativamente do G3 (n=95). Entre pacientes com dor (n=125) foram observadas correlações significativas (p<0,05) ou com tendência a significância entre: IL-6 e a pior dor (r=0,23) e o escore total do MPQ (r=0,18)\; TNF-alfa e os descritores afetivos do MPQ (r=0,33); IL-8 e escore total do MPQ (r=0,16)\; escalas de sintomas de dor e IL-6 (r=0,21). A análise de CART selecionou o estádio da doença, a IL-8, a insônia moderada a intensa, a fadiga leve a intensa e a idade como preditores de dor. O maior percentual de casos com dor moderada a intensa foi observado entre os com estádio IV da doença e IL-8 > 5,20 pg/ml.
Conclusões: o aumento das citocinas pró-inflamatórias IL-6, IL-8, IL-1; e TNF-alfa esteve relacionado ao aumento da dor. A IL-6 e IL-8 estavam associadas à ocorrência de dor moderada a intensa. Os resultados sugerem que tratamento com antagonistas/inibidores das citocinas IL-6, IL-8, IL-1; e TNF-alfa pode contribuir para o alívio da dor. Agradecimento: FAPESP.
Referência: Ferreira KASL. Dor e qualidade de vida relacionada à saúde de pacientes com câncer: influência das citocinas pró-inflamatórias TNF-alfa, IL-6, IL-8 e IL-1. [Tese] São Paulo (SP): Escola de Enfermagem da USP; 2008.
GANHADOR DO PRÊMIO V.J. VALÉRIO
DE INCENTIVO AO ESTUDO DA DOR – 2008
Categoria: MELHOR ESTUDO EXPERIMENTAL
Categoria: Fisiologia, anatomia e modelos animais
Modalidade de apresentação: ORAL
Instituição: Aracaju - SE
Autores: Luis Felipe S. da Silva, Josimari M. De Santana e Kathleen A. Sluka
ATIVAÇÃO DE RECEPTORES NMDA NO BULBO E NÚCLEO GIGANTOCELULAR MEDIA HIPERALGESIA PRODUZIDA POR INJEÇÃO INTRAMUSCULAR REPETIDA DE SALINA ÁCIDA
Introdução: Iinjeções repetidas de salina ácida no músculo gastroncêmio induz hiperalgesia mecânica primária (músculo) e secundária (cutânea). Estudos prévios demonstraram que microinjeção de anestésico dentro do bulbo rostro ventromedial e do núcleo gigantocelular reverte a hiperalgesia muscular e cutânea. Outros estudos têm descrito a participação de receptores NMDA no bulbo rostral ventromedial na hiperalgesia visceral. Assim, objetivou-se avaliar o envolvimento do receptor NMDA no bulbo rostral ventromedial e núcleo gicantocelular na hiperalgesia muscular e cutânea mediada por injeções intramusculares repetidas de salina ácida.
Métodos: Ratos machos Sprague-Dawley (250-350 g) foram cirurgicamente implantados com cânula guia no bulbo rostral ventral e núcleo gigantocelular. Após dois dias de aclimatação, os ratos receberam duas injeções, com intervalo de cinco dias, de salina ácida (pH 4.0; 1.0 ml) no gastrocnêmio esquerdo. 24h após a segunda injeção intramuscular, os ratos foram microinjetados com um antagonista de receptor NMDA ou salina no bulbo rostroventral ou núcleo gigantocelular. Sensibilidade nociceptiva mecânica foi mensurada com os filamentos de von Frey aplicados contra a pata (cutânea) e o tweezer aplicado no músculo gastrocnêmio (músculo). Ambos os testes foram realizados antes da primeira injeção, antes e 24h depois da segunda injeção, depois da microinjeção de drogas (0.5 µl) no bulbo rostroventral ou núcleo gigantocelular: 30, 60 e 120 minutos.
Resultados: Bloqueio de receptores NMDA no bulbo rostroventral reverteu hiperalgesia muscular e cutânea. Entretanto, bloqueio de receptores NMDA no núcleo gigantocelular reverteu a hiperalgesia cutânea, mas não a muscular. Houve expressão de NR1 fosforilado em ambos bulbo rostroventral ou núcleo gigantocelular.
Conclusões: Estes resultados sugerem que receptores NMDA no bulbo rostroventral mediam tanto hiperalgesia primária quanto secundária, mas os receptores no núcleo gigantocelular mediam apenas hiperalgesia secundária após o insuto muscular. Sugere-se que injeção intramuscular de salina ácida induz aumento na neurotrasnmissão de glutamato que ativa receptores NMDA localizados nas áreas envolvidas na modulação da dor. Supported by National Institutes of Health, AR052316.
Referência: 1. Kozela E, Popik P. A complete analysis of NMDA receptor subunits in periaqueductal grey and ventromedial medulla of morphine tolerant mice. Drug Alcohol Depend. 2007 Jan 12;86(2-3):290-3. 2. Tillu DV, Gebhart GF, Sluka KA. Descending facilitatory pathways from the RVM initiate and maintain bilateral hyperalgesia after muscle insult. Pain. 2008.
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