|
O
trabalho do profissional da saúde em relação
à dor constitui o trabalho de um detetive à
procura do verdadeiro criminoso.
O processo de diagnóstico de dor pelo profissional
da saúde tem como objetivo principal a identificação
do(s) agente(s) causal(is), a origem, a intensidade
e a influência de fatores psicossociais sobre
a dor, visando determinar o método mais adequado
para seu tratamento.
São realizados os seguintes procedimentos:
HISTÓRICO (ou
ANAMNESE): É constituído
pelas perguntas do profissional e pelas informações
fornecidas pelo próprio paciente.
São coletadas informações sobre
a forma como aconteceu a dor, sua duração
e periodicidade, a localização, como
evoluiu, fatores que podem ter contribuído
para o seu agravamento ou alívio. Também
procura-se verificar as repercussões da dor
nas atividades diárias do paciente, fatores
que podem contribuir para a dor, como o estado de
ânimo, relacionamento familiar, atitudes frente
à dor, crenças, valores do indivíduo
e da família.
O profissional da saúde procura também
obter informações sobre os medicamentos
e outras terapias previamente utilizados pelo paciente
e seus resultados.
Algumas doenças se manifestam pela dor, como
os cálculos renais e biliares que provocam
dores agudas ao tentarem abrir caminho através
de canais estreitos; a pleurisia (inflamação
da membrana que recobre os pulmões), que provoca
uma dor que atinge o ponto máximo quando se
inspira profundamente; ou uma doença do coração
que pode ser acompanhada por um tipo de dor que se
assemelha a uma garra cravada no peito.
O histórico pode ser complementado por outras
ferramentas auxiliares, tais como:
· desenhos representativos do corpo do paciente,
onde ele mesmo pode indicar os pontos afetados pela
dor;
· desenhos da forma como essa dor se manifesta;
· escalas qualitativas ou quantitativas, nas
quais se pede ao paciente para indicar um valor para
a sua dor em números (de 1 a 5 ou de 1 a 10)
ou por desenhos onde indica uma gradação
de faces, de sorridentes a chorosas (escala de faces).
Nos casos de dor crônica é dada especial
atenção a outros fatores que podem ter
contribuído para o aparecimento da dor, tais
como atividades físicas ou sobrecargas exercidas
pelo paciente (importante para determinar as doenças
osteo-musculares relacionadas ao trabalho - DORT),
bem como as posições do corpo ao deitar-se,
sentar-se, alterações comportamentais,
tipo de sono, atividade sexual, apetite, hábitos
alimentares, atividades domiciliares e laborativas,
atividades de lazer e muitas outras.


Também podem ser aplicados ao
paciente alguns questionários desenvolvidos
para detectar a existência de fatores emocionais
e sociais, uma vez que a ansiedade, depressão
e outros podem contribuir para os maus resultados
do tratamento a ser estabelecido.
EXAME CLÍNICO:
De posse de todas essas informações
e muitas outras que não listamos aqui, o profissional
deve proceder ao exame físico do paciente,
na tentativa de tornar mais precisas as informações
obtidas no Histórico e visando detectar, de
forma mais segura, a origem da dor, sua localização
e estabelecer o diagnóstico.
Para tal, o profissional da saúde deve se valer
da observação criteriosa do paciente,
uma vez que as manifestações mais comuns
da dor podem se apresentar na forma de choros ou gemidos,
expressões no rosto como o enrugamento ou contração
muscular, movimentos do corpo considerados como defensivos
contra a fonte da dor, principalmente na dor aguda,
uma vez que na dor crônica o organismo muitas
vezes está “acostumado” com estas
sensações. Também deve ser observada
a estrutura músculo-esquelética para
constatar-se possíveis deformidades, atrofias
e outras manifestações anormais.
Outros recursos importantes no exame são os
testes ou manobras clínicas especiais que podem
auxiliar determinados diagnósticos como tendinites,
compressão de nervos, e outros.
Pode-se valer também de alguns dispositivos
especiais como o DOLORÍMETRO por exemplo, que
permite dimensionar a dor. Faz parte ainda do exame
a palpação de diferentes estruturas
do corpo, que permitem delimitar áreas dolorosas,
consistência muscular, alterações
em órgãos internos como fígado,
baço e outros e em determinados casos a presença
de PONTOS GATILHO, que são pequenas áreas
de dor intensa, localizadas em músculos muito
tensos. Quando essas áreas são pressionadas
com os dedos, pela introdução de uma
agulha ou mesmo espontaneamente, desencadeiam dor
numa região distante.
Por esta descrição, que apesar de longa
não detalha ainda todo o processo que o profissional
aplica para ajudar o paciente, pode-se observar a
real complexidade do assunto DOR.
EXAMES COMPLEMENTARES:
Devido à complexidade do quadro doloroso, pode
ser necessária a execução de
exames que complementem o exame clínico, que
no entanto permanece o melhor instrumento na identificação
das causas do quadro doloroso apresentado.
Esses
exames podem ser classificados nos seguintes grupos:
ELETROFISIOLÓGICOS:
Aqueles que determinam através de aparelhos
o funcionamento de tecidos. Alguns exames desse grupo
são, dentre outros : a eletromiografia, o exame
de ondas positivas, a presença de fibrilações.
EXAMES DE IMAGEM:
Os exames de imagem e auxiliam os Profissionais da
Saúde a identificar as anormalidades dos locais
afetados e que ajudam a confirmar lesões em
tecidos e órgãos. O mais conhecido deles
é a radiografia simples (ou raio-X). A medicina
conta hoje com modernos dispositivos de exame como
a tomografia computadorizada, a ultrassonografia,
o mapeamento ósseo e os estudos funcionais
de imagem, dentre outros.
EXAMES LABORATORIAIS:
Os exames de sangue são importantes para detectar
ou excluir anormalidades inflamatórias, metabólicas,
degenerativas, entre outras. Podem ser verificadas
alterações no funcionamento de algumas
estruturas do corpo através de alguns exames
específicos, como exames de líqüido
sinovial (que “banha” as articulações)
ou de líqüido cefalorraquidiano (que “banha”
a medula espinhal), bem como biópsias ou exames
para verificar o funcionamento de glândulas
(diabetes) e outros.
Topo
|