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Ano Global Contra a Dor nas Mulheres
Mulheres Verdadeiras, Dor Verdadeira
Differences in Pain Between Women
and Men
Diferencias de Dolor entre los Hombres y las
Mujeres
Diferenças de Dor entre os Homens e
as Mulheres
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Diferenças de dor
relacionadas com o sexo: evidências
Geralmente, as mulheres informam experimentar uma
dor maior recorrente, dor mais intensa e dor mais
duradoura que os homens.
As evidências das diferenças da dor relacionadas
com o sexo são muito diversas e incluem ciência
básica, epidemiologia e pesquisa clínica.
Por exemplo, os estudos experimentais mostram que
as mulheres têm menores limiares de dor e menor
tolerância à dor diante da presença
de diversos estímulos de dor em comparação
com os homens.
Prevalência de condições
dolorosas nos homens e as mulheres
Existem diferenças relacionadas com o sexo
nas taxas de prevalência para determinadas condições
dolorosas.
Existem mais condições dolorosas quando
há mais prevalência feminina que masculina.
Alguns exemplos de condições dolorosas
quando há mais prevalência feminina incluem:
Fibromialgia, síndrome do intestino irritável,
transtorno temporomandibular, artrite reumatóide
e osteoartrite, enxaqueca com aura.
Alguns exemplos de condições dolorosas
quando há mais prevalência masculina
incluem: cefaléia em salvas, doença
cardíaca coronária, gota, espôndilo-artrite
anquilosante, úlcera duodenal, doença
pancreática.
Outros fatores exercem um impacto nas diferenças
relacionadas com o sexo na experiência da dor
As experiências de dor também variam
consideravelmente dentro dos sexos.
Foi descoberto que as mudanças nos hormônios
sexuais modulam a dor (por ex., ciclo menstrual, gravidez).
As diferenças de dor relacionadas com o sexo
podem variar durante o transcurso da vida. Muitas
das diferenças de prevalência da dor
relacionadas com o gênero que foram observadas
(quer dizer, dor de cabeça, abdominal e visceral)
parecem reduzir-se depois dos anos reprodutivos.
As diferenças de dor relacionadas com o sexo
também podem variar segundo as diferentes culturas.
Diferenças no tratamento da dor relacionadas
com o sexo
Existem diferenças na analgesia relacionadas
com o sexo.
Existem diferenças relacionadas com o sexo
nos efeitos secundários associados com os fármacos,
inclusive os analgésicos.
Também encontram-se diferenças relacionadas
com o sexo nos tratamentos não-farmacológicos
para a dor crônica.
Razões pelas quais as dores e a analgesia
nos homens e nas mulheres são diferentes
Os mecanismos biológicos incluem os hormônios
sexuais, a genética e as diferenças
anatômicas. Alguns destes fatores biológicos
(quer dizer hormônios gonadais) se tornam menos
evidentes nos anos da pós-menopausa.
As influências psicossociais incluem: emoção
(por ex., ansiedade, depressão), estratégias
para afrontar problemas, papéis de gênero,
comportamentos saudáveis e uso de serviços
de atenção médica.
O que se deve fazer?
Deve-se ter em conta as diferenças relacionadas
com o sexo na pesquisa da dor.
Deve-se aumentar a consciência das semelhanças
e diferenças existentes entre os sexos quando
se considera a dor e a analgesia.
Deve-se compreender melhor as diferentes necessidades
dos homens e das mulheres em matéria de saúde.
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Ano Global Contra a Dor nas
Mulheres
Mulheres Verdadeiras, Dor Verdadeira
Epidemiology of Pain in Women
Epidemiología del Dolor en las Mujeres
Epidemiologia da Dor nas Mulheres
Diferenças de gênero nas taxas
de condições de dor comum na população
em geral (1,2)
Os padrões de prevalência relacionados
especificamente com a idade e o sexo diferem para
as distintas condições de dor. Porém,
as taxas de prevalência das condições
de dor crônica mais comuns são mais altas
entre as mulheres que entre os homens. Por exemplo,
em estudos de adultos baseados na população,
a proporção mulher:homem é de
aproximadamente 1,5:1 em média para a dor de
cabeça, pescoço, ombro, joelho e costas;
de aproximadamente 2:1 para condições
de dor buco-facial; e de 2,5:1 para as enxaquecas;
e a proporção de gênero para a
fibromialgia (uma condição menos prevalente
mas geralmente, com efeitos incapacitantes) é
superior a 4:1.
Ainda não se sabe com claridade se as pesquisas
mostram taxas de dor mais altas nas mulheres porque
as mulheres têm mais probabilidades de ter estas
condições em primeiro lugar (quer dizer,
maiores taxas de incidência) ou se as condições
têm uma maior duração nas mulheres.
As mulheres têm mais probabilidades que os homens
de experimentar dores múltiplas em forma simultânea.
Ter condições de dores múltiplas
está associado com níveis mais altos
de incapacidade e doenças psicológicas
que com o fato de ter uma única condição
de dor; e ter dores múltiplas é um fator
de risco para o início de novas condições
de dor.
Fatores de risco para a dor relacionados
com o sexo e o gênero (3,5)
O hormônio reprodutor feminino, o estrogênio,
claramente desempenha um papel em algumas condições
de dor (por ex., enxaqueca, dor associada com o transtorno
temporomandibular). No caso de outras condições
de dor, a evidência de compromisso hormonal
é menos clara. Porém, as taxas de muitas
das condições comuns de dor aumentam
no caso das meninas à medida que transita na
puberdade; enquanto que as taxas para os adolescentes
homens são estáveis ou aumentam numa
proporção menor que para as mulheres.
Os homens e as mulheres respondem de modo diferente
às distintas classes de medicamentos opióides,
o que sugere que o sistema opióideo endógeno
pode diferir nos sexos e é possível
que isto tenha uma influência nos coeficientes
de dor.
As mulheres têm mais probabilidades de experimentar
depressão que os homens, e a depressão
parece ser um fator de risco para as condições
de dor comuns; de modo similar, as mulheres experimentam
mais condições físicas que os
homens, e se supõe que a presença de
tais co-morbidades é um fator de risco para
a dor.
Epidemiologia das condições
de dor específicas da mulher (6,9)
A dismenorréia (períodos menstruais
dolorosos) é extremamente comum e afeta entre
40 e 90% das mulheres. Aproximadamente 15% das mulheres
descrevem sua dor menstrual como insuportável.
A prevalência e a gravidade da dismenorréia
são maiores na última etapa da adolescência
e durante a juventude.
A dor pélvica crônica (não-menstrual)
pode ser provocada por condições ginecológicas
(por ex., endometriose, infecção) ou
condições não-ginecológicas
(incluídas dor relacionada com a síndrome
do intestino irritável ou com a bexiga). A
partir de um importante estudo realizado nos EUA,
se descobriu que a prevalência da dor pélvica
crônica provocada por todas as causas era de
15% entre as mulheres em idade de conceber.
A vulvodínia é uma dor crônica
na área vulvar na ausência de causas
infecciosas, dermatológicas, metabólicas,
auto-imunitárias ou neoplásicas conhecidas.
Em um estudo realizado na comunidade, mais de 18%
das mulheres informaram dor na região vulvar,
das quais 12% informou dor pungente ou dor ao tato
e mais de 6% informou sensações persistentes
de coceira ou ardor, porém, se desconhece em
que medida estas condições tiveram sua
origem nas causas médicas mencionadas anteriormente.
Aproximadamente 45% das mulheres experimentam dor
na zona lombar/cintura pélvica durante a gravidez.
Um quarto de todas as mulheres tem dor suficientemente
intensa como para requerer atenção médica.
Depois do parto, aproximadamente 25% das mulheres
experimentam dor na zona lombar/cintura pélvica,
e aproximadamente 5% de todas as mulheres experimenta
dor intensa.
A dor de parto é quase universal e se experimenta
em mais de 95% dos partos.
Uso da atenção médica
e incapacidade relacionados com a dor (3,6)
É mais provável que mais mulheres procurem
atenção médica para a dor que
os homens, o que tem como conseqüência
uma alta proporção de mulheres em muitos
ambientes de tratamento de dor. É possível
que o fato de que as mulheres tenham uma maior taxa
de procura de tratamento se deva ao fato de que geralmente
a dor é mais intensa para as mulheres do que
para os homens.
Não está claro se é mais provável
que as mulheres ou os homens experimentem incapacidade
para trabalhar associada com condições
de dor; existem muitos fatores que afetam as taxas
de incapacidade para trabalhar, como o tipo de trabalho
e as responsabilidades familiares. Porém, quando
se define a incapacidade em termos de limitações
para realizar atividades da vida cotidiana, assim
como ausência no trabalho, as mulheres apresentam
taxas mais altas de incapacidade relacionadas com
a dor.
Se bem que as taxas variam segundo populações,
uma média de aproximadamente 20% das meninas
informa faltar à escola devido à dismenorréia.
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Ano Global Contra a Dor nas
Mulheres
Mulheres Verdadeiras, Dor Verdadeira
Sex Differences in Pain - Basic Science Findings
Diferencias de Dolor Relacionadas con el Sexo: Hallazgos
Científicos Básicos
Diferenças de dor relacionadas com
o sexo: Descobertas Científicas Básicas
Por que é importante estudar as diferenças
relacionadas com o sexo em animais de laboratório
(ratas e ratos)?
1. Usar animais de laboratório permite implementar
técnicas experimentais muito mais poderosas
a fim de abordar o problema (por ex: manipulação
genética, registro eletrofisiológico,
administração de um fármaco experimental),
o que leva ao descobrimento de mecanismos subjacentes.
2. É pouco provável que os animais desempenhem
papéis estereotipados relacionados com o gênero,
e assim, é provável que as diferenças
observadas tenham uma origem "biológica"
mais que "sociocultural".
Estudam-se geralmente animais de laboratório
de ambos os sexos?
NÃO. Um censo recente sobre trabalhos de pesquisa
publicados na Pain revelou que 79% da totalidade dos
estudos empregaram somente machos, 8% somente fêmeas
e só 4% foi explicitamente desenhado para avaliar
as diferenças relacionadas com o sexo, no caso
de que existissem. Observe que isto se contrapõe
com a situação dos seres humanos, na
qual, na atualidade, se estudam geralmente ambos os
sexos.
Que descobertas nesta área conseguiram um
consenso?
1. Os roedores machos são geralmente mais sensíveis
que as fêmeas em relação à
analgesia mediada com opióides, tanto de fármacos
opiáceos como de liberação endógena
(ou seja, analgesia induzida por estresse); estes
efeitos são maiores quando são usados
opiáceos de menor eficácia (por ex.,
morfina).
2. Geralmente, os hormônios esteróides
afetam claramente, em grande medida, a sensibilidade
à dor nos roedores (estrógeno, progesterona
e testosterona), ainda que a direção
do efeito seja variável.
3. É provável que se encontrem diferenças
de dor/analgesia relacionadas com o sexo dentro da
via descendente moduladora da dor (substância
cinzenta periaqueductal-bulbo rostroventral-medula
espinal).
4. Aparentemente, existem mecanismos analgésicos
específicos para cada sexo que envolvem fatores
neuroquímicos e genéticos, pelo menos,
parcialmente divergentes. Estes fatores podem estar
relacionados com o fenômeno de analgesia induzida
pela gravidez.
5. As diferenças relacionadas com o sexo interatuam
de forma importante com os antecedentes genéticos.
Que descobertas continuam sendo controvérsias?
1. Uma descoberta controversa é se os roedores
macho e fêmea diferem significativamente no
que diz respeito à sua sensibilidade aos estímulos
nocivos. Aparentemente, a resposta depende em grande
parte da prova utilizada e dos antecedentes genéticos
da população estudada.
2. Outra descoberta controversa é se a sensibilidade
à dor/analgesia difere ao longo do ciclo menstrual
(o equivalente ao ciclo menstrual para os roedores).
Os estudos realizados informaram tais diferenças,
mas as direções dos efeitos são
contraditórias.
Que genes/proteínas foram implicados nas diferenças
da dor/analgesia relacionadas com o sexo?
1. Receptores de estrógeno.
2. Receptores opióides Mu/Kappa/Delta (MOR,
KOR, DOR).
3. Receptores GABA-A.
4. Receptor N-metil-D-aspartato (NMDA).
5. Receptor melanocortina-1 (MC1R).
6. Receptor Orfanina FQ/Nociceptina (OFQ/N).
7. Proteína cinasa A/C.
8. Canais de potássio de retificação
interna acoplados à proteína G (GIRK2).
9. Canal iônico sensível ao ácido
(ASIC).
10. Receptor alfa 2 adrenérgico.
Que novos desenvolvimentos interessantes tiveram lugar
recentemente?
1. Interação do contexto sexual e social
nos ratos.
2. É possível que as diferenças
relacionadas com o sexo sejam produzidas diretamente
pelos genes ligados aos cromossomos sexuais (X e Y),
mais que pelos hormônios gonadais.
3. Existem diferenças sexuais relacionadas
com a picada e a dor.
4. As diferenças de dor/analgesia relacionadas
com o sexo já estão presentes desde
o momento do parto.
5. Existem diferenças relacionadas com o sexo
no que diz respeito à tolerância e a
dependência da morfina.
6. Existem diferenças relacionadas com o sexo
no que diz respeito aos mecanismos de inflamação.
Que diferenças existem entre as diferenças
relacionadas com o sexo nos roedores e nos seres humanos?
1. Não é claro se os opióides
são mais efetivos nos homens que nas mulheres.
Existem informações a favor de ambos
os pontos de vista. Por outro lado, a bibliografia
baseada no estudo de animais apóia enfaticamente
a teoria de que a eficácia dos opióides
é maior nos machos.
2. As diferenças entre as mulheres e as diferentes
espécies de roedores no que diz respeito a
variações cronológicas e hormonais
durante o desenvolvimento fetal, a puberdade, o ciclo
ovariano e sua progressão durante a senescência
reprodutiva são considerações
importantes na hora de traduzir as descobertas das
pesquisas entre os roedores fêmeas e as mulheres.
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of Pain, September 2007.
Ano Global Contra a Dor nas
Mulheres
Mulheres Verdadeiras, Dor Verdadeira
Sex Hormones and Pain
Las Hormonas Sexuales y el Dolor
Os Hormônios Sexuais e a Dor
A dor, e em particular a dor crônica, apresenta
importantes diferenças relacionadas com o sexo.
Poderia haver várias razões que justifiquem
a maior reatividade das mulheres, em comparação
com os homens, diante de estímulos dolorosos
similares, desde os genes até influências
hormonais e culturais. A diferença entre os
dois sexos é multifacetária, e incluem
a freqüência da dor crônica, o tipo
de síndrome de dor experimentada, as características
das complicações que se desenvolvem
etc.
A percepção da dor varia segundo as
fases do ciclo menstrual nas mulheres com dor crônica
(1). Por exemplo, a dor temporomandibular é
mais intensa no período pré-menstrual
e durante a menstruação (2). Os andrógenos
e os estrógenos são essenciais para
o desenvolvimento e a manutenção adequados
dos sistemas reprodutores masculino e feminino. Também
desempenham um importante papel fisiológico
na atividade e no bem estar dos homens e das mulheres.
Os estrógenos podem afetar a nocicepção
e a dor
A administração de estrógenos
nas mulheres e nos homens pode aumentar a incidência
das condições de dor crônica (3,4).
Estes efeitos podem dever-se às ações
induzidas a nível periférico e central.
Por exemplo, os estrógenos:
1. Aumentam o fator de crescimento neural (nerve growth
factor, NGF) nos gânglios da raiz posterior
(5).
2. Induzem a expressão do c-Fos (um dos primeiros
sinais da plasticidade neuronal) no hipocampo (6).
3. Ativam a cinasa MAP (um fator de crescimento) mediante
um mecanismo que parece não utilizar receptores
estrogênicos (7).
4. Aumentam a quantidade de espinhas dendríticas
e sinapse excitadora nos neurônios hipocâmpicos
(8).
5. Excitam rapidamente os neurônios que se encontram
no córtex cerebral, o cerebelo e o hipocampo
mediante um mecanismo não-genômico (9).
6. Potenciam a união do glutamato aos receptores
N-metil-D-aspartato (NMDA) (8,10).
7. Aumentam os potenciais pós-sinápticos
no hipocampo mediante o incremento das correntes mediadas
pelos receptores de kainato (9).
Todos estes efeitos podem aumentar a nocicepção
e a dor.
Além de seu papel hiperalgésico, parece
que os estrógenos também desempenham
um papel importante na indução da antinocicepção.
Por exemplo, a simulação da gravidez
em ratas ovariectomizadas, com altos níveis
plasmáticos de estrógenos e progesterona,
provoca um aumento do limiar da dor (11). Estes efeitos
analgésicos podem estar relacionados com o
fato de que os estrógenos regulam o controle
transcricional da síntese de opióides
e dos receptores opióides delta e kappa na
lâmina 11 da medula espinhal (12). A administração
de estrógeno nas mulheres aumenta a união
no cérebro do receptor opióide induzido
pela dor, o que sugere que o estrógeno exógeno
melhora o funcionamento do sistema opióide
endógeno (13).
Os andrógenos podem afetar a nocicepção
e a dor
Encontrou-se uma relação inversa entre
a testosterona plasmática e os transtornos
do pescoço e ombros relacionados com o trabalho
nas mulheres que trabalham (14). Descobriu-se que
a terapia com baixas doses de testosterona transdérmica
melhora o limiar da angina de peito nos homens com
angina de peito estável crônica (15).
Nos ratos, a testosterona desempenha um papel protetor
na artrite induzida por adjuvantes (16); e a testosterona,
administrada tanto em ratos como em ratas, muda as
respostas induzidas pela formalina (17,18) e a analgesia
(19).
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Ano Global Contra a Dor nas
Mulheres
Mulheres Verdadeiras, Dor Verdadeira
Gender and the Brain in Pain
El Dolor Asociado con el Género y el Cerebro
A Dor Associada com o Gênero e o Cérebro
Várias revisões demonstraram que as
mulheres respondem aos estímulos nocivos e
possivelmente nocivos experimentando mais dor que
os homens (1,2). Em particular, as mulheres tendem
a ter um limiar de dor reduzido em comparação
com os homens; as mulheres sentem dor diante de estímulos
de menor intensidade que os homens. Além disso,
existem muitas condições de dor que
são mais freqüentes em mulheres: Berkley
enumerou 38 transtornos de dor clínica que
prevalecem nas mulheres, mas somente 15 que prevalecem
nos homens, e 24 que não têm prevalência
no sexo. Então, é tentador sugerir que
as mulheres têm um perfil biológico que
as predispõe a experimentar dor diante de intensidades
de estímulos de dor mais baixas e, assim, sofrem
um grau de dor clínica desproporcionado.
Esta hipótese geral está respaldada
por estudos em animais que demonstraram, por exemplo,
maior analgesia induzida pelo estresse mediada com
opióides em ratos em comparação
com ratas (3,4). A analgesia induzida pelo estresse
pode ser suprimida pelo estrógeno, o que aumenta
a possibilidade de que as diferenças hormonais
entre os homens e as mulheres contribuam a diferenças
quanto à percepção da dor (5).
Em comparação, evidências mais
recentes, obtidas utilizando a tomografia por emissão
de pósitrons para avaliar diretamente a união
dos opióides in vivo, demonstraram maior disponibilidade
de receptores opióides e ativação
de opióides endógenos durante a presença
de um estímulo nocivo em um estado de comparação
de estrógeno alto com estrógeno baixo
(6). As diferentes funções dos distintos
mecanismos mediados com opióides sob distintas
condições ainda não foram pesquisadas.
Os avanços relacionados com a tecnologia de
diagnóstico por imagens do cérebro permitem
que as diferenças cerebrais entre gêneros
possam ser avaliadas diretamente nas populações
humanas. Existem por exemplo, diferenças estruturais
relacionadas com o gênero, o que inclui o tamanho
e a morfologia do corpo caloso, a área hipotalâmica
pré-óptica, o plano temporal, a porcentagem
de substância cinzenta no cérebro humano
e a densidade dos neurônios. Além disso,
está muito bem estabelecido que os homens e
as mulheres têm diferentes habilidades espaciais
e verbais, e estas diferenças se correlacionam
com as diferenças de gênero na função
cerebral (7). As diferenças clínicas
e de comportamento observadas na resposta à
dor também podem estar relacionadas com as
diferenças estruturais e funcionais entre os
homens e as mulheres.
Em 1998, Paulson e outros demonstraram maiores respostas
na ínsula anterior e o tálamo nas mulheres;
e demonstraram ativação pré-frontal
no hemisfério direito nos homens, e no hemisfério
esquerdo nas mulheres ao usar calor nocivo (8). Em
2002, Derbyshire informou uma maior ativação
do córtex cingular perigenual e ventral nas
mulheres e uma maior ativação dos córtices
parietal, sensorial secundário, pré-frontal
e insular nos homens ao usar estímulos de laser
nocivos (9). Além disso, em 2002, Berman e
outros informaram maior atividade insular nos homens
ao receber uma distensão retal aversiva, em
oposição à maior atividade insular
nas mulheres, observada num estudo anterior de distensão
retal realizado por Kern e outros (2001). Mais recentemente,
Moulton e outros (2006) demonstraram uma redução
na ativação no córtex sensorial
primário cingular anterior e pré-frontal
ao receber calor nocivo nas mulheres em comparação
com os homens, um resultado que difere dos de Derbyshire
e outros (2002) e Paulson e outros (1998). Estas descobertas
no campo do diagnóstico por imagens do cérebro
são intrigantes, mas a considerável
variação entre os estudos permanece
aberta a interpretação. As variações
nos padrões de atividade são uma boa
razão para ter cuidados antes de especular
muito no que diz respeito à influência
do gênero nas diferenças do diagnóstico
por imagens do cérebro durante os estímulos
nocivos.
Uma possível razão para esta variabilidade
é o fato de que a dor é complexa e uma
enorme quantidade de fatores pode influenciar as descobertas
em amostras relativamente pequenas. Foi sugerido que
os efeitos de critério, as diferenças
de tamanho corporal, a grossura da pele ou a pressão
arterial sistólica, as expectativas sociais,
a variação cognitiva, o método
de estimulação e as diferentes características
psicológicas, tais como a ansiedade e a depressão,
estão relacionadas com as diferenças
de gênero observadas na resposta à dor.
Também se começou a prestar maior atenção
à flutuação biológica
produzida pelo ciclo menstrual.
Estão aumentando os estudos de diagnóstico
por imagens do cérebro relacionados com o tema,
e existe uma interessante possibilidade de elucidar
as possíveis fontes de variação
a fim de compreender mais claramente os mecanismos
subjacentes à dor em geral, assim como o modo
em que os fatores de sexo e gênero contribuem
a estas variações.
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Copyright International Association for the Study
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Ano Global Contra a Dor nas
Mulheres
Mulheres Verdadeiras, Dor Verdadeira
Pain During Pregnancy
Dolor Durante el Embarazo
Dor Durante a Gravidez
A dor durante a gravidez é uma afecção
a qual se presta pouca atenção, mas
que tem um impacto significativo sobre a saúde
pública (1). As dores agudas ou crônicas
em mulheres grávidas são difíceis
de tratar, sobretudo porque se deve alcançar
um equilíbrio entre os interesses da mãe
e os do feto.
Quando a dor não é tratada adequadamente,
podem se dar efeitos psicológicos adversos
(2) que podem causar depressão pré-natal
ou pós-natal. Muitos casos de depressão
pós-parto começam antes do parto (3).
A dor maltratada pode incrementar o risco de imobilidade
da mãe ao aumentar o tempo que deve permanecer
na cama. Por sua vez, isto pode causar problemas como
tromboses venosas profundas ou embolia pulmonar. Quanto
mais tempo permaneçam a mãe e o bebê
no hospital, aumenta o risco de que contraiam infecções
nosocomiais (4).
Os casos graves de dor não tratados na mãe
podem levar a um parto prematuro, quer seja causado
de forma espontânea ou induzido medicalmente
(5). O parto prematuro do bebê (menos de 36
semanas) requer que seja ingressado na unidade de
cuidados intensivos neonatais, que é uma das
formas mais caras de ingresso em um hospital público
(6). Separar a mãe e o recém nascido
pode provocar danos emocionais e estresse em ambos,
e poderia aumentar a morbidade maternal e neonatal.
Epidemiologia
A dor é comum durante a gravidez. Entre 25%
e 56% das mulheres grávidas sofrem de dor dorsal
e quadril. Aproximadamente 8% destas mulheres grávidas
sofrerão deficiências por causa da afecção,
podendo necessitar de hospitalização
(7). Em um terço das mulheres grávidas,
a dor é um problema grave que afeta a vida
diária, o trabalho e o sono normais (7,8,9,10,11).
Não existem definições padrão
para estes casos. Os termos que se usam habitualmente
incluem: dor de cintura pélvica relacionada
com a gravidez, dor da zona lombar relacionada com
a gravidez. Outro termo utilizado é disfunção
da sínfise do púbis, ainda que freqüentemente
se considere que esta disfunção é
mais um problema secundário que coexiste com
dores lombares ou das articulações sacro-ilíacas.
Em um estudo de 870 mulheres mandadas para fisioterapia
por dores de gravidez, mais de 76% se queixou de dores
nas articulações sacro-ilíacas,
e 57% se queixou de dores na sínfise do púbis
(11). Foram encontradas correlações
com aquelas mulheres com: história prévia
de dores lombares e pélvicas, um maior peso
ou índice de massa corporal (IMC) pré-parto
e ao terminar a gravidez, que aumentou a paridade,
ou história prévia de hipermobilidade
e dores durante a gravidez (8).
Mecanismos propostos
Os fatores principais para estas dores são
provavelmente mecânicos, devido à mudança
de postura necessária para suportar o aumento
de massa no abdômen, e hormonais, devido a mudanças
nos ligamentos pélvicos. Não está
claro qual é o hormônio responsável
nesses casos. Ainda que a relaxina atue sobre o tecido
uterino humano mediante a regulação
da expressão das metaloproteinases no útero,
não parece que gere problemas de dor em tecidos
musculoesqueléticos. Exames de ultra-som mostram
uma relação entre a largura da sínfise
do púbis e os casos de dor nesse lugar, independentemente
das concentrações de relaxina sérica.
A gravidez pode afetar a estabilidade dos ossos e
ligamentos tanto na coluna como na pélvis,
que por sua vez requereria atividade muscular para
manter a estabilidade das articulações
relacionadas.
Outros problemas de dor
Outras categorias de casos de dor que levaram a hospitalizações
de mulheres grávidas foram observadas num estudo
de auditoria retrospectiva (12). Entre os casos se
incluem: pinçamento de nervos, dor torácica,
fibroma degenerativo, neuralgia pós-herpética,
síndrome do túnel do carpo, e prolapso
do disco lombar.
Dor pélvica
Pinçamento de nervos
Dor lombar
Artropatia pélvica
Outros
Dor da sínfise do púbis
Dor torácica
Atividade uterina não-progressiva
Prolapso de disco lombar
Fibroma degenerativo
Neuralgia pós-herpética
Tumor
Túnel do carpo
Outros não classificados
Tratamento
Evitar a hospitalização é a meta
mais importante. Uma vez que a dor chega a afetar
as atividades diárias da mulher, se faz necessária
a hospitalização.
As metas do tratamento seriam, em primeiro lugar,
o uso de técnicas não-farmacológicas,
visto que é importante entender que o feto
é um receptor passivo de qualquer medicamento
que se administre.
Entre estas técnicas farmacológicas,
se incluem educação, assessoramento,
e exercício indicado por um fisioterapeuta.
Além disso, o uso de eletro-estimulação
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