Artigo 01
Predição de dor crônica pós-operatória: teste DNIC pré operatório identifica pacientes de risco.
Yarnitsky D, Crispel Y, Eisenberg E, Granovsky, Ben-Num A, Sprecher E, Best L, Granot M.
Pain. 2008; 138(): 22-28
Comentado por Fabíola P Minson
Anestesiologista, Área de atuação em Dor AMB, Hospital Israelita Albert Einstein – HIAE (SP)
Resumo: A susceptibilidade para o desenvolvimento de dor crônica representa um desafio para a equipe de saúde. Os procedimentos cirúrgicos, principalmente aqueles associados com lesões nervosas, podem evoluir para dores persistentes e incapacitantes. Estudos observacionais mostram que doenças e lesões semelhantes podem causar experiências dolorosas diferentes em cada indivíduo. Atualmente não temos como predizer quais pacientes relacionados a quais procedimentos são de risco para o desenvolvimento destas dores crônicas. Existem evidências de que o sistema de analgesia endógeno tem um papel determinante na forma como cada organismo reage aos eventos nociceptivos e pode ser avaliado pelo teste de Controle Inibitório Noxico Difuso (DNIC). Este é um teste psico-físico, com índice calculado pela diferença na intensidade da Dor a dois estímulos nóxicos térmicos aplicados no antebraço, no repouso e após “condicionamento”do sistema modulatório endógeno através da imersão em água quente da mão contralateral ao sensor.
O artigo questiona se a eficiência ao teste DNIC pode prever o desenvolvimento de dores crônicas após toracotomias em pacientes sem dor pré-operatória. O teste foi aplicado em 62 pacientes, no período de 1 a 3 dias antes da cirurgia. Os procedimentos foram realizados por duas técnicas cirúrgicas uniformes e sob anestesia balanceada (anestesia geral combinada com epidural). Todos pacientes foram acompanhados pelo mesmo protocolo de analgesia pós operatória e foram avaliados 2 vezes ao dia durante a fase aguda, tanto no repouso, como na elevação do membro superior ipsilateral a incisão e a tosse. Eles também foram questionados em relação a presença e intensidade da Dor crônica até 29 semanas após a toracotomia.
A avaliação mostrou que 36 pacientes (58%) desenvolveram dores crônicas, sendo positiva a correlação entre intensidade de dor forte na fase aguda e a persistência da dor crônica. O índice de DNIC eficiente (positivo) antes da cirurgia resultou em dores crônicas pos operatórias menos freqüentes e menos intensas. Outros parâmetros avaliados como idade, gênero, tipo cirúrgico, dose ópioide utilizada e limiar de dor não foram estatisticamente significantes como preditores de dor. A eficiência do DNIC representa modulação da dor e não o limiar de ativação das vias nociceptivas.
A relevância deste artigo é evidenciada ao mostrar que a incidência e a intensidade de dor crônica pós toracotomia ou outra cirurgia pode ser prevista por um método de avaliação dinâmico simples aplicado em poucos minutos no pré-operatório em pacientes sem dor prévia. A utilização de parâmetros psico-físicos dinâmicos pode prever a possibilidade de desenvolver dor no futuro, identificar pacientes de risco e minimizar as dores. A aplicação deste método na rotina pode implementar controle da dor de forma individualizada.
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