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PROJETO "CONTROLE DA DOR NO BRASIL"
( BRASIL SEM DOR )
SOCIEDADE BRASILEIRA PARA
O ESTUDO DA DOR (SBED)
CAPITULO BRASILEIRO DA INTERNATIONAL ASSOCIATION FOR
THE STUDY OF PAIN (IASP)
1-INTRODUÇÃO :
A dor, tanto aguda como crônica
tem recebido a atenção dos profissionais
de saúde a milênios. Hipócrates
na Grécia antiga, já referia que aliviar
a dor é uma obra divina. O professor do Hospital
Universitário de Madri, Antonio Ojugas, na
sua obra "A dor através da história
e da arte" vol. 1 (Editora Atlas Medical Publishing
Ltd. UK. 1999), refere : "Por isso, (referente
a dor e o sofrimento) em todas as civilizações,
em todos os países e em todos os momentos históricos,
tentou-se explicar o que é e porque sentimos
a dor e a forma de combate-la, daí por que
ela foi o motivo mais importante e decisivo para o
desenvolvimento da arte de curar".
Nas últimas décadas, verificamos um
grande interesse e um progresso muito importante na
área de dor. São variados os motivos.
Podemos dizer que o aumento na sobrevida em geral
da humanidade é, um dos determinantes desse
progresso. Nos Estados Unidos, as pessoas com mais
de 65 anos, representam 12% da população
(maior do que a população de adolescentes).
Considerando que na história da humanidade,
em 1830, tínhamos 1 bilhão de habitantes
no mundo (levamos bilhões de anos para atingir
essa cifra), e que de 1830 à 1927, em 97 anos,
tivemos uma segunda duplicação (2 bilhões
de habitantes) e, que em 1960 a população
mundial era de 3 bilhões de habitantes, e em
2000, em quarenta anos, tivemos uma nova duplicação
(6 bilhões de habitantes).De 1970 a 2000 nos
países desenvolvidos, houve um aumento populacional
de 21%, sendo acima de 60 anos de 54% e, nos paises
em desenvolvimento, um aumento de 88%, sendo acima
de 60 anos de 123%. A duração da vida
média no Brasil em 1940 era de 38,5 anos; para
2010 é estimada em 70,6 anos (Washington Novaes,
"Espaço aberto". Estado de São
Paulo. 28/12/01). Assim notamos um rápido e
vultuoso crescimento da população em
geral, com um aumento importante na vida média
da população. As pessoas têm por
tanto um aumento das possibilidades de apresentarem
condições dolorosas características
dessa faixa etária e, ficam mais expostas à
outras condições potencialmente dolorosas
(doenças, traumas etc).
Um aumento da sobrevida em relação aos
traumas, justifica uma maior incidência e prevalência
das dores em geral. Relativamente aos acidentes de
trânsito, um levantamento feito na Inglaterra
em 1990, mostrou uma prevalência de 4655 óbitos/ano
na ocasião. Comparando-se 1930 (4% de óbitos)
com 1990 (1,6%), verifica-se uma queda na mortalidade.
As guerras, também demonstram números
indicativos de maior sobrevida entre soldados feridos.
Na I grande guerra a média de óbitos
das tropas norte americanas, foi de 6,3% em relação
aos feridos em geral. Na II guerra mundial essa média
caiu para 4,5% (R. Gordon. A assustadora história
da medicina, pg.111, Ediouro S.A, 1996). Já
na guerra do Vietnam (1965-1975), a média anual
de óbitos, foi de 1,8% /ano, com sobrevida
de 82% dos gravemente feridos e, 10 mil soldados com
amputações de membros, número
maior que de os somados da II guerra e da guerra da
Coréia juntos (Page T., Pimlott J.: The Vietnam
Experience. Cap.15, pg 75. Barnes & Noble Inc.1995)
Entre os sobreviventes, ocorreu um elevado número
de seqüelas de dores crônicas.
O aumento da sobrevida em relação às
doenças, determinou um crescimento das seqüelas
dolorosas. Tomando como exemplo os casos de Câncer,
a Organização Mundial de Saúde
(OMS), mostra números aproximados de 10 a 17
milhões de novos casos /ano no mundo. Desses,
aproximadamente 50% irão à óbito.
Cerca de 70% dos pacientes com câncer, sofrerão
de dores crônicas. 70% de moderada á
severa e 30% terrível. A OMS afirma que, se
devidamente tratados, mais de 90% terão suas
dores controladas. O relatório da OMS, indica
atendimento inadequado aos pacientes. Os motivos são
vários, desde desconhecimento pelos profissionais
da Saúde, inexistência de uma política
para dor, falta/ou dificuldades na obtenção
de opióides e receios e mitos sobre o seu uso,
tanto por parte dos profissionais, como do paciente
e família. Nitidamente o que se verifica é,
a grande precariedade global, de educação
em saúde com respeito à dor.
Aspectos de epidemiologia da dor e atitudes dos profissionais
de saúde:
Não existem dados precisos para o Brasil, por
tanto usaremos dados da literatura mundial.
Admite-se a prevalência das dores crônicas,
em aproximadamente 30% da população
em um país.
Dados dos Estados Unidos, mostram que 31% da população
tem dor crônica, o que representaria 86 milhões
de norte americanos, ocorrendo uma incapacidade total
ou parcial em 75% (65 milhões). (Panchal S.
John Hopkins Medical School. 2000).
Um estudo em 1994, com 1308 pacientes ECOG- (Eastern
Cooperative Oncology Group. N Engl. J Méd 330:1877-1882.
1994), revelou que 67% dos pacientes, sofriam de dor
diária, usando analgésicos cotidianamente;
36% sofriam de dor severa com prejuízo das
atividades da vida diária (AVD).
Bernabei, Gambassi, Lapane (JAMA 1998;279:1877-1882),
avaliando 13625 pacientes, institucionalizados, com
câncer e queixas de dor diária, encontrou
que de 65 anos, 24% não recebiam analgesia.
Em estudo de 805 pacientes, a American Pain Society,
American Academy of Pain Medicine e Janssen Pharmaceutica,
em 1999 (http//wwwampainsoc.org/whatsnew), a despeito
dos milhões de dólares gastos com dor,
4 de cada10 pessoas, com dores moderadas a severa,
relatavam alivio inadequado sofrendo dor ha pelo menos
5 anos!
Transpondo esses dados para o Brasil, teríamos
aproximadamente 50 milhões de pessoas com dores
crônicas, seguramente uma queixa refletindo
uma das maiores prevalências de doença
em nosso país! Lembramos que as dores crônicas
por si só, perdem a finalidade biológica
de alarme, sendo assim consideradas como doença
e não sintoma.
Custos envolvidos no tratamento das dores:
Calcula-se que sejam gastos por ano, nos Estados Unidos,
cerca de 150 bilhões de dólares em custos
médicos, incluindo despesas médicas,
diminuição da produtividade e de arrecadação.
Com custos médicos e perda de dias de trabalho,
70 bilhões de dólares ano! Dias perdidos
de trabalho/ano representariam 550 milhões
de dias perdidos. (Relato Nuprin 1985, American Society
Consultant Pharmacists. Symposia highlights, May 1998,
Lapane, Gambassi et al. J Am Geriatr Soc 1999). Como
custos diretos, 40 milhões de norte americanos/ano,
procuram médicos para tratamento de dores crônicas,
gastando $ 4 bilhões de dólares com
cefaléias recorrentes, $ 4 bilhões de
dólares com artrite/dor e, mais de $5 bilhões
de dólares com lombalgia! (Hendricks M. John.
Hopkins Magazine, june 1999. http://www.jhu.edu/jhumag/0699web/pain.htm.e
Chronic pain statistic. University of Kentucky Health
Care website. http://111.ukhealthcare.uky.edu/disease/spine/chostat.htm.)
A dor crônica, prejudica a funcionalidade, pode
levar a depressão e ao suicídio (Fishibain
D.A The association of chronic pain and suicide. Semin
Clin Neuropsychiatry 1999;4:221-227).
Quanto as atitudes dos médicos frente a dor
crônica, no ECOG já citado, verificou-se
que:
85% dos médicos, acreditavam que os pacientes
eram subtratados
50% acreditavam oferecer bom tratamento para dor
35% aguardavam o prognóstico de sobrevida de
6 meses, antes de iniciar um esquema de analgesia
máxima !
76% assinalaram como barreiras mais importantes para
o alivio da dor, a avaliação e registros
deficientes das queixas e, os receios sobre o uso
dos opióides.
Contribuíram também para o alivio inadequado,
a relutância do paciente em relatar a dor e
em usar opóides, tanto do paciente, como de
seus familiares. Concluem que, para o insucesso do
tratamento, a causa final, seria o conhecimento inadequado
sobre dor pelo sistema de saúde e pelo paciente.
Existem diferenças básicas, quanto às
dores agudas e crônicas. As agudas são
de curta duração, tem finalidade biológica,
servindo como sinal de alerta. As dores crônicas
são as que persistem após a cura da
lesão/fator desencadeador inicial e, não
tem finalidade biológica.
A Sociedade Brasileira para o Estudo
da Dor A (SBED),fundada em 1984, sem finalidade lucrativa
é, filiada a International Association for
the Study of Pain (IASP), entidade com sede em Seattle
(USA), que tem finalidade de congregar os países
que tenham capítulos nacionais de características
peculiares, interessados nos estudos em dor. Os capítulos
da IASP, são compostos por sociedades, sem
fins lucrativos, com características de multidisclinaridade,
não sendo por tanto exclusivamente constituídos
por médicos. Essa característica é
fundamental, pois os tratamentos atuais baseados no
modelo bio psíquico social da dor, devem ter
uma abordagem de diferentes profissionais (médicos,
dentistas, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros,
farmaceuticos e tantos outros, quanto os que o tratamento
necessitar, ou dependente das características
de cada serviço). Na área médica
participam neurologistas, anestesistas, reumatologistas,
fisiatras, acupunturistas, clínicos gerais,
oncologistas, psiquiatras e,outros dependendo das
características de cada serviço. A idéia
básica é que o paciente tenha suporte
de uma forma mais completa possível, dadas
aos múltiplos componentes da expressão
dolorosa. A abordagem atual deve ter esse fato em
mente, sendo desempenhada por único ou múltiplos
profissionais, dependendo das peculiaridades de cada
serviço.
Dentre vários compromissos dos capítulos
da IASP, está o de disseminar os conhecimentos,
criar e desenvolver políticas nacionais, incentivar
as pesquisas e a assistência aos portadores
de dor. A IASP funciona como órgão consultor
da OMS e da OPAS, no que se refere a políticas
em dor.
A SBED, conta com 1500 sócios, com características
multi profissionais e multi especialidades, de todas
as regiões do país. Conta com 17 sociedades
regionais. Tem como meios de divulgação,
um jornal trimestral e uma revista quadrimensal, distribuídos
gratuitamente aos seus associados. Realiza um congresso
nacional à cada dois anos, participando e incentivando
vários eventos científicos pelo Brasil.
Em 2003, o Brasil foi sede da Reunião do Conselho
Superior da IASP. Nessas reuniões, que acontecem
periodicamente em diferentes países, são
discutidos e propostos, programas e políticas
de saúde e ensino à serem desenvolvidos
nos próximos anos. Na reunião realizada
em Fortaleza, uma das propostas aprovadas, foi de
incentivo à criação de programas
nacionais de combate a dor.
A SBED ministra cursos de Educação continuada
em dor, do norte ao sul do Brasil, com freqüência
anual de aproximadamente 25 a 30 cursos ano e, comparecimento
em média de 150 participantes por curso. Seus
associados participam de cargos diretivos de diversas
sociedades e em programas locais e estaduais ligados
ao tema dor.
2- OBJETIVOS :
I- Desenvolver um projeto amplo de
assistência e educação em dor,
para profissionais de saúde e população
em geral.
II- Como Sociedade representativa e especializada,
colaborar a nível governamental para a concretização
de uma política nacional de saúde em
dor, criando uma estrutura funcional, protocolos clínicos
e de tratamento.
III- Incentivar medidas governamentais para o acesso
gratuito da população,à medicação
analgésica básica
IV- Sugerir ao Ministério da Educação,
discussões no sentido da inclusão no
currículo mínimo de Graduação
na área da Saúde (medicina, enfermagem,
odontologia, fisioterapia, psicologia, farmácia),
noções básicas de dor.
V- Como conseqüência do projeto, procurar
junto aos órgãos competentes normatizadores
(AMB, Conselhos Regionais ) e, prestadores de serviços,
público e privado (Convênios) qualificar
e habilitar profissionais de saúde, na área
de dor. Objetivo prático necessário
para a operacionalização do projeto.
3- METODOLOGIA :
A- Conhecimento da realidade brasileira:
Obtenção inicial do conhecimento da
realidade quanto ao tratamento da dor no Brasil. Aplicação
de um questionário a todos os hospitais da
rede pública, quanto a existência de
serviços, unidades ou ambulatórios e
normas/protocolos para o tratamento das dores agudas
e crônicas á nível hospitalar
e ambulatorial.
B- Através de portarias ministeriais, definir
uma política nacional voltada par assistência
e educação em dor, aguda e crônica:
A política nacional em dor deve abranger não
somente os pacientes oncológicos. Deve atender
a todos os pacientes portadores de dores agudas e
crônicas, com ênfase a situações
pouco valorizadas, como as dores em pacientes com
dificuldades de comunicação, em pediatria,
em unidades de Emergência e CTI (especialmente
em politraumatizados e queimados), em idosos, em pacientes
portadores de necessidades especiais, pacientes aidéticos
(acima de 30% tem dor), diabéticos (Diabete
tipo I 30%, tipo II 40%, apresentam dor) hansenianos
(50% com queixas de dores) e, em obstetrícia.
O planejamento da atuação nos serviços
públicos de saúde, implicara em benefícios
para os pacientes muito mais pela organização
racional da assistência à dor, voltada
para uma atenção primária, do
que por acréscimo de recursos financeiros.
Para muitas das situações referidas,
já existem políticas nacionais e recursos
definidos (Exemplo programas para Diabetes , Aids,
Hanseníase). A atenção para a
dor, considerada atualmente como uma urgência
médica, poderia também ser beneficiada
dentro do programa nacional de Urgência e Emergências.
A IASP propõem como modelo organizacional do
tratamento da dor, a criação de unidades
de dor, obedecendo um sistema crescente de abrangência
e complexidade, o qual poderia respeitadas as devidas
adaptações à realidade brasileira,
ser assim classificado (Modelo do Plano Nacional de
Luta Contra a DOR. Ministério da Saúde
de Portugal)
Unidade de Dor- Nível Básico:
Toda forma organizada de tratamento, independente
de sua complexidade e dos recursos envolvidos, do
tipo de doentes abrangidos e dos métodos terapêuticos
utilizados. O nível básico, seria representado
por uma equipe do PSF.
Unidade Terapêutica de Dor- Nível I:
Direcionada para o diagnóstico e orientação
terapêutica de doentes com dores crônicas,
com capacidade para atuar em urgências, aplicar
alguns tratamentos e referenciar para especialidades
complementares de apoio. É uma unidade que
podendo não garantir uma abordagem multidisciplinar,
funciona em espaço próprio, tem atividade
organizada, registro dos doentes, e um coordenador.
Tem dois ou três médicos treinados e
um psiquiatra ou alternativamente um psicólogo.
Seria representado por uma cidade pólo e, funcionaria
como um centro de distribuição de medicamentos.
Unidade Multidisciplinar de Dor- Nível II:
Com capacidade para tratamento de doentes com dores,
ambulatoriais, internados ou em situações
de urgências. Funciona em espaço próprio,
possui atividade organizada, registro dos pacientes
e um coordenador. Atua em dores agudas e crônicas
oncológicas ou não. É dotada
de uma equipe multidisciplinar (médico, dentista,
enfermeiro, fisioterapeuta, assistente social), de
forma a bordar o doente com dor na globalidade bio
psico social. A equipe que além dos outros
profissionais, é constituída por três
médicos treinados, sendo um deles um psiquiatra
ou alternativamente um psicólogo. Esta capacitada
para investigação clínica, formação
de profissionais de saúde, sendo um centro
de formação para os profissionais das
unidades básicas e nível I. Seria a
sede regional de várias cidades pólos
e, funcionaria como a uma central de distribuição
de medicamentos.
Centro Multidisciplinar de Dor- Nível III:
Unidade com capacidade acrescida em relação
ao Nível II, desenvolvendo com regularidade
investigação de maior complexidade e
formação de pessoal. Tem que estar integrada
ou afiliada à uma instituição
hospitalar de atenção terciária
podendo ou não ser um hospital universitário.
Não existem modelos rígidos para a criação
das unidades. Cada uma será desenvolvida em
função das necessidades de adaptações
às realidades do seu meio, levando em conta,
os recursos humanos, materiais e programas afins pré
existentes.
Há necessidade absoluta da inter relação
com os serviços hospitalares inseridos na região
e, sobretudo uma interligação com os
serviços de saúde existentes na comunidade.
Deve funcionar com sistema de referência , contra
referência.
A dinâmica das unidades de dor, deve em resumo
ser pautada pelas seguintes orientações
( Programa Nacional de Luta Contra a Dor. Ministério
da Saúde de Portugal ):
1) Os profissionais, principalmente os médicos
que se proponham trabalhar em terapêutica de
dor, devem possuir formação adequada
(perfil de médico clínico geral). Admite-se
que no mínimo o coordenador da unidade tenha
formação de modo à também
poder transmiti-la para os demais membros da equipe.
A formação dos coordenadores será
fornecida pelos cursos a serem desenvolvidos nas cidades
pólos, ou por meio de métodos de educação
à distância. Esses profissionais deverão
ser obrigatoriamente avaliados, ao final do seu curso
e periodicamente.
2) Ao coordenador caberá toda a atividade de
gestão da unidade (organização
geral, aplicação de protocolos de tratamento,
contatos no âmbito de tratamento da dor com
outros serviços etc.)
3) As equipes das unidades poderão ter variações,
de acordo com as características do atendimento
a saúde do meio em que está inserida.
É aconselhável que as unidades Nível
I estejam ligadas a hospitais gerais de média
complexidade, Nível II média a alta
complexidade e, Nível III de alta complexidade.
4) A criação das unidades de dor dependem
mais da motivação , formação
e capacidade local de organização ,
que da carência de médicos, material
e financiamento. As equipes poderão ser constituídas
por profissionais existentes nas instituições
e na área geográfica, onde se instala
a unidade. Há necessidade é de motivação
e motivação!
5) Divulgação da unidade não
somente no local, mas também nos centros de
saúde da sua área de influência.
6) A unidade de dor deve possuir um plano de ação
anual, sujeito à avaliação contínua
da sua qualidade. Deve ser trabalhado um plano diretor
plurianual, por metas, sendo um primeiro momento o
da formação do pessoal, seguido da implantação
das unidades em pólos experimentais nível
municipal/estadual. Analisado seu desempenho , teríamos
uma segunda fase de formação e posterior
implantação a nível nacional.
Já existe um programa implantado, Ceará
sem dor e, dois em estudos, Minas Gerais sem dor e
Maranhão sem Dor e, proposta de um municipal,
Blumenau sem Dor. Uma terceira fase, seria da inclusão
dos medicamentos básicos analgésicos
na lista de medicações e procedimentos
de fornecimento gratuito, (RENAME) do Ministério
da Saúde, além dos opióides já
contemplados na referida relação.
7) É fundamental que as unidades de dor, assegurem
a constante comunicação entre os profissionais
hospitalares e dos centros de saúde. É
indispensável que essa comunicação
seja constante, compreensível, compartilhando
informações, com documentação
detalhada dos procedimentos, bem como dos aspectos
clínicos e sociais. Lembrar que o paciente
deverá ser acompanhado e sempre que possível
tratado pela equipe do PSF, com um médico assistente
identificado e responsável, devendo contar
por escrito seu nome e forma de contato sempre que
necessário, pelo paciente e familiares, no
seu local de origem e, não nos centros de maior
complexidade. Deve sempre haver disponível
e de maneira clara, o diagnóstico principal,
as terapêuticas já empregadas (nome do
medicamento, regime de administração
e dosagem), seus resultados e a quantificação
da dor, usando-se no mínimo uma escala numérica
ou analgésica visual e, estratégia para
a continuação do tratamento.
C- Programas Educativos e Assistenciais
:
A SBED, oferece sua experiência aos Ministérios
da Saùde e Educação, para uma
parceria em programas de dor, para profissionais de
saúde.
Atualmente existe um programa único com esse
perfil, já funcionamento e com excelentes resultados,
que é o Programa Paraná Sem Dor do Câncer,
experiência que poderá contribuir como
exemplo ao nosso projeto. É uma parceria entre
Universidade Federal do Paraná, Clínica
de Dor do Hospital das Clínicas, Associação
dos Amigos do HC, Secretaria Estadual de Saúde,
Secretaria Municipal de Saúde e outros.
Resumidamente, o Hospital das Clínicas, Serviço
de Dor, oferece o suporte de ensino e treinamento,
a Secretaria Estadual de Saúde responderia
pela divulgação do programa entre as
Secretarias Municipais de Saúde, proporcionando
as condições necessárias para
o treinamento e para o fornecimento de medicação
analgésica. São escolhidas pela Secretaria
Estadual de Saúde, cidades pólos onde
profissionais de vários centros, sob a influência
sócio cultural e econômica das cidades
referenciadas, participam de cursos. Esses têm
duração de 02 dias, com despesas para
o transporte e estadia, ocorrendo por conta de verbas
estadual ou municipais. O curso consta de exposições
teóricas, discussões de casos e atividades
práticas, quando possível. Os Centros
Regionais, onde os cursos são realizados, funcionarão
como centros para distribuição de medicamentos,
para os pacientes cadastrados pelos médicos
treinados no curso.
Para nosso projeto, usaríamos pessoal docente
indicado pela SBED, preferencialmente da região.
Esses poderiam ou não ser treinados por outros
profissionais, dentre os cadastrados para essa finalidade,
já de experiência didática reconhecida
pela SBED. Os custos com o pessoal docente, de viajem,
alimentação, estadia e horas dedicadas
ao projeto, correriam por conta de verbas governamentais.
Pretendemos usar esse modelo, com ênfase não
somente aos funcionários das secretarias de
saúde, mas principalmente aos profissionais
pertencentes aos Programas de Saúde da Família
(médicos, dentistas, enfermeiros, agentes,
atendentes etc.). Acreditamos que esses tenham o perfil
ideal na orientação e tratamento dos
pacientes com dor crônica, visitando-os no seu
próprio domicílio e, atuando assim a
nível de atenção primária,
com ação fora dos ambientes ambulatoriais
e hospitalares. Com isso evitaríamos as despesas,
os deslocamentos e os sacrifícios dos pacientes,
que muitas vezes viajam á centros maiores,
exclusivamente para receberem orientação
terapêutica. Dessa forma, contribuiríamos
para melhor qualidade de vida para o paciente e diminuiríamos
os custos do tratamento, com economia para o sistema
de saúde.
Deverá ser fornecido material didático
(um guia passo a passo sobre dor para não especialistas,
á ser elaborado, material sob forma de folhetos
e CDs, já existentes na SBED e , outros que
se fizerem necessários)
CURSO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA EM DOR:
Os objetivos gerais serão referentes ao o que
os alunos serão capazes de fazer ao final do
curso, estando capacitados para a aplicação
de princípios e técnicas com vistas
a solucionar problemas no entendimento, diagnóstico,
tratamento e investigação das dores
agudas e crônicas. Os específicos, implicam
na identificação de comportamentos esperados
na aprendizagem de cada módulo. Do ponto de
vista pedagógico, teríamos objetivos
cognitivos, enfatizando relembrar ou reproduzir um
conjunto aprendido (palavras descritoras: analisar,
associar, classificar, concluir, criticar, criar,
descrever, escolher, interpretar, julgar, inventar,
prescrever, resolver, valorizar etc.); objetivos afetivos,
enfatizando o grau de aceitação ou rejeição
pelo conteúdo ministrado, expressos como interesse,
atitudes e valores (descritos como apoiar, associar,
criticar, debater, defender, julgar, reunir, validar);
objetivos psicomotores, dizendo respeito as habilidades
aprendidas (descritos como aplicar, construir, empregar,
examinar, manipular, experimentar, manipular, modificar,
operar, praticar, repetir, usar etc)
O curso deverá ser dividido em dois módulos.
Um módulo de 04 horas para os profissionais
não médicos, com noções
gerais sobre a importância da dor, dores agudas
e dores crônicas, mecanismos, clínica
, mensuração e estratégias gerais
de tratamento, ressaltando-se o aspecto bio psíquico
social e a abordagem multidisciplinar. Um segundo
módulo para médicos, dentistas e enfermagem
padrão, com duração mínima
de 12 à 18 horas/aulas, de noções
de anatomia funcional, fisiopatologia, exame clínico,
mensuração da dor, aspectos clínicos
e diagnósticos, aspectos emocionais, exames
complementares e tratamento (ver conteúdo em
anexo). A abordagem multi e interdisciplinar, a importância
do trabalho em equipe e a dimensão bio psico
social da dor serão enfatizados. Nesse módulo
merecerão destaque, as condutas e protocolos
para dores agudas (obstétricas, peri operatórias,
do grande queimado e do politraumatizado) dores crônicas
não oncológicas e dores oncológicas.
A abordagem das dores perioperatórias, obstétrica,
do grande queimado e do politraumatizado, são
de importância social e de urgência, sendo
constituída de módulos especiais, que
entram de maneira opcional no programa, devendo se
de interesse governamental, receber abordagem específica
e especializada.
Na avaliação da dor será chamada
a atenção para a necessidade de abordagem
cuidadosa em pacientes pediátricos, idosos
e para os com déficits de comunicação
e necessitados de cuidados especiais. Sempre que possível,
ou em um outro módulo, serão apresentados
e discutidos casos clínicos, preferencialmente
com contato com pacientes e visitas a ambulatórios
e hospitais oncológicos. Ao final dos módulos
os alunos serão submetidos a uma avaliação,
recebendo um certificado de aprovação
do curso.
Seriam posteriormente orientados na criação
e incentivo de Associações locais de
voluntários envolvidos no apoio aos pacientes
com dores crônicas. Esses receberiam treinamento
básico, pelo próprio pessoal do PSF.
A experiência do voluntariado, tem sempre dado
bons resultados. Deve-se procurar sensibilizar, pessoas
influentes social e economicamente, para participarem
do voluntariado. Os voluntários também
participariam em atividades educativas para pacientes
e familiares. É sabido que quando treinados,
são uma força com excelente penetração
junto à população leiga, ás
vezes melhor que os profissionais de saúde,
por pertencerem á comunidade, contando com
um poder respeitável de influência. Como
exemplos temos os programas de voluntariado do Hospital
Amaral Carvalho de Jaú, do programa Paraná
sem dor do câncer em Curitiba, e do programa
Amor de Juiz de Fora. O programa Paraná sem
dor do câncer, tem uma forma original de obtenção
de recursos financeiros e de participação
nas atividades diárias, pelo acordo com o sistema
jurídico estadual e o apoio da promotoria da
saúde, aonde as penas para delitos leves, são
transformadas em penas alternativas, traduzidas em
pagamento e espécie, ou prestação
de serviços para o programa. Na nossa opinião
além das vantagens referidas, ainda desenvolve
uma consciência sobre o programa e a realidade
brasileira, contribuindo também na recuperação
e motivação do penalizado.
IMPLANTAÇÃO DA MENSURAÇÃO
DA DOR COMO 5º SINAL VITAL NA REDE PÚBLICA:
Para atuação a nível hospitalar,
a proposta seria criar um mecanismo de Educação
em Saúde, tendo como modelo o chamado 5º
Sinal Vital, já em uso desde 2000 nos Estados
Unidos da América do Norte. Foi aprovado por
95% das organizações de saúde,
governamentais e privadas e, grupos de profissionais.
Criado pela Comissão de Credenciamento e Classificação
das Organizações de Cuidadores de Saúde,
JCAHO (Joint Commision on Accreditation of Healthcare
Organizations), em parceria com a Escola Médica
da Universidade de Wisconsin-Madison, em 1999 (Joint
Commision Focuses on Pain Management. Oakbrook Terrace
IL: August 3, 1999. Referência também
"TAKE Pain: The 5th Vital Signal . Department
of Veterans Affairs. VA Administration. October 2000).Tem
como base, que os sinais vitais, pulso, pressão
arterial, respiração e temperatura,
são tradicionais, padronizados em todos os
hospitais e respeitados pelos profissionais médicos
e enfermeiros. Incluindo um 5º sinal (sinal de
alarme e, não como sintoma), obrigaria os hospitais
a terem um programa voltado para a dor. Tem como motivação
a mensuração da dor, porém é
realmente uma ferramenta de educação
continuada. Funciona como uma seqüência
de iniciativas e atividades de educação
médica para profissionais de saúde,
educação de saúde para o paciente
e familiares e de política administrativa dos
hospitais. Junto à medida da dor (Escala numérica
de o a 10 por exemplo), ocorrem cursos para profissionais
de saúde e administradores hospitalares, com
finalidade de tratamento racional da dor, em pacientes
admitidos em hospitais. Os pacientes e familiares
são orientados na admissão sobre necessidade
do relato, medida e direito de tratamento, quanto
à dor. Os médicos têm o dever
de explicação das causas, dos tratamentos
das dores e, dos efeitos colaterais do tratamento.
O hospital tem o compromisso de encarar e oferecer
tratamento emergencial, para a dor, fornecendo (via
Ministério da Saúde ou com fontes de
recursos próprios) a medicação
para o tratamento e o acompanhamento dos pacientes
dos hospitais cadastrados. O compromisso não
cessa com a alta hospitalar. A instituição
e os profissionais, devem criar um sistema de acompanhamento
e assistência á dor, após a alta.
Seria estimulada na comunidade, a formação
de grupos de voluntários, como suporte do programa.
Os hospitais que aderirem ao programa, receberão
das entidades pagadoras, uma pontuação
diferenciada, com melhores vantagens e maiores repasses
financeiros.
Sendo a SBED uma sociedade multidisciplinar
e capítulo da IASP, tem como finalidade colaborar
e participar das políticas de saúde
e educação no país e, com essa
característica, tem facilidades de relacionamento
e contatos com sociedades afins. Deve interagir com
as mesmas, procurando parcerias que muito facilitarão
na viabilidade do projeto.
Serão criados pólos de ensaio, em centros
escolhidos previamente, em cidades de referência
em alguns estados, para verificação
e correções do projeto, com vistas a
sua viabilização a nível nacional
Uma possibilidade para a divulgação
e para a oferta de informações ou mesmo
dos cursos, à nível regional ou nacional,
seria com os métodos chamados de Educação
à Distancia. Nesses métodos podem ser
utilizados os recursos de informática e televisão.
Existem experiências governamentais e da iniciativa
privada, que podem ser utilizadas para o projeto.
4- JUSTIFICATIVA:
A- Necessidade da adequação
de um projeto para uma Política Nacional de
Saúde em Dor
B- Promover um atendimento digno, diminuir o sofrimento
e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com dor.
Reabilitar o paciente para o desempenho na força
de trabalho e para a sociedade como um todo, colaborando
assim, com o esforço , pelo desenvolvimento
nacional.
C- Integrar a Política Nacional de Saúde,
aos projetos e reivindicações junto
á IASP e outros órgãos internacionais
relacionados com o tratamento das dores.
D- Promover um tratamento adequado das dores, resultando
em uma grande diminuição dos custos
diretos e indiretos das dores não aliviadas,
com menos despesas para as instituições
de saúde
E- Possibilidade de colaborar com uma metodologia
factível e força de trabalho já
organizada, para a aplicabilidade das Portarias GM/MS
Nº 19 de 03/01/02 (Criando o Programa Nacional
de Dor e Cuidados Paliativos); GM/MS Nº 1318
de 23/07/02 (medicamentos do Grupo 36, SIA/SUS); com
a Consulta Pública Nº1 de 23/07/002 (Referente
á portaria 1318)
F- Aumentar a participação e reforçar
a importância dos PSF
Jaime Olavo Márquez
Presidente da SBED
Rua Conselheiro Rodrigues Alves nº 937, apt.
02
Vila Mariana. Cep 04014012 . São Paulo. SP
Rua Epitácio Pessoa nº 60
Jardim Alexandre Campos. Cep 380 10 290. Uberaba MG
Fone : (xx) 03433320651
01159042881
03499609124
ANEXO:
Introdução: Breve histórico
da SBED e suas metas. Aspectos básicos da importância
das dores crônicas no contexto mundial e nacional
. Dados epidemiológicos sumários.
Bases de Neuro anatomia das vias nociceptivas e do
sistema analgésico endógeno.
Fisiopatologia das dores agudas/cronicas: Relacionar
os eventos fisiopatológicos, como raciocínio
lógico para o entendimento da clínica
e dos tratamentos.
Aspectos clínicos, semiológicos e classificações
das dores agudas/crônicas.Exame clinico, quadro
clínico. Esclarecer as vantagens das classificações
baseadas em sintomas e fisiopatologia, sobre as classificações
etiológicas, como forma de otimizar os resultados
dos tratamentos.
Avaliação das dores agudas e crônicas:
Mensuração das dores(escalas sensoriais
númericas, com ênfase as multi dimensionais-
Mcgill), avaliação da dor em populações
especiais (pediátrica, idosos, necessitada
de cuidados especiais), aspectos emocionais (Ansiedade
-teste de Hamilton- ansiedade e depressão),
depressão (testes de Becke e Hamilton), personalidade
(16 PF) comportamento de dor, atividades da vida diária
(AVD), qualidade de vida .A partir da avaliação
mensuração multi dimensional é
que houve a evolução dos conceitos de
dor. Instrumentos fundamentais na avaliação
clínica e na quantificação dolorosa
pré e pós tratamento, sendo ferramenta
fundamental para o entendimento e interpretação
dos resultados esperados.
Tratamento das dores agudas/crônicas: Tratamento
farmacológico ( Anti inflamatórios,
drogas coadjuvantes- antidepressivos e anticonvulsivantes,cortiço
esteróides, opióides), Bloqueios, Tratamento
cirúrgico, outras modalidades (Citar fisioterapia,
psicoterapia, relaxamento, acupuntura). Particularidades
do tratamento das dores em pacientes oncológicos.
Apresentações e discussões de
casos clínicos: Apresentações
por escrito,slides e ou Vídeos.
Recursos didáticos: Oferecidos previamente
em manuais, folhetos, CD SBED. Os expositores deverão
receber orientação prévia quanto
ao conteúdo e á técnica de ensino
do curso (Imersão de um dia nessas atividades),
devendo haver tempo para que apresente sua exposição
(treinamento prático). Serão avaliados
como expositores, pelo patrocinador e SBED.
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